O rei D. Sebastião não estava especialmente interessado em casamentos. Muitas foram as tentativas e as negociações realizadas com vista a arranjar-lhe um matrimónio, mas nenhuma chegou a bom termo. A Corte dividia-se, os seus vassalos desesperavam por não ver uma sucessão assegurada. A maioria dos grandes senhores do reino estava interessada em garantir a descendência dinástica de qualquer maneira. Mas havia também quem trabalhasse para a estorvar. Os jesuítas, mestres e confessores, moldando a mente do jovem rei, incutiram-lhe uma mística em que a castidade era qualidade soberana, misturada com o sonho da cruzada contra os infiéis. Crescendo neste meio, D. Sebastião passou a ver-se no papel dos desaparecidos monges-guerreiros da extinta Ordem do Templo. O casamento era para ele uma maçada e andavam todos à volta dele, sempre com o mesmo assunto.
“O que pode a poesia para o conhecer e tornar mais justo?”
FÁBULAS, de João Cabral do Nascimento, é o n.º 11 da coleção ILUSTRES (DES)CONHECIDOS, com a edição literária e o posfácio de Ana Salgueiro, além do prefácio de Catarina Claro.
Dom Sebastião, o rei solteirão
António Brehm, geneticista e professor da Faculdade de Ciências da Vida da Universidade da Madeira, volta ao estudo da vida de
O cativante livro de António Brehm, OS CASAMENTOS DO REI. PROJECTOS MATRIMONIAIS PARA DOM SEBASTIÃO, convida o leitor a mergulhar nos meandros da história de um dos mais notórios monarcas dinastia de Avis, tragicamente desaparecido na batalha de Alcácer Quibir, no norte de África. Os leitores são desafiados pela trama de eventos provocados pela necessidade de casar o príncipe D. Sebastião devido aos perigos da falta de sucessão e da consequente perda da independência, como de facto acabou por acontecer. A obra suscita também uma reflexão sobre o sentido das decisões e os objetivos das grandes casas senhoriais da Europa no início da época moderna, ou seja, no conturbado século XVI. Como refere o autor: «Não se pode falar de D. Sebastião sem falar do mito que rodeia a sua morte. E porque a sua morte deu origem a uma nova dinastia com três reis, o século 16 é, sem dúvida, um século importante e interessante».
Esta é, sem dúvida, uma obra historiográfica de grande qualidade que tem a virtualidade e a singularidade de ter sido escrita por um cientista da área das chamadas “ciências da vida”. De facto, como explica o autor, estas áreas acabaram por se interlaçar: «A ideia de me voltar para a história pareceu natural depois de tantos anos a trabalhar na história dos portugueses do ponto de vista da genética».
Imprensa Académica lançou obra sobre a Assembleia Legislativa
Quase a completar 50 anos da Autonomia Político-Administrativa da Madeira, a Imprensa Académica apresentou uma obra sobre uma das mais importantes instituições da Região: a Assembleia Legislativa.
Novo número da Coleção Baltazar Dias é uma peça inédita de Marcela Costa
A Câmara Municipal do Funchal , em coedição com a IMPRENSA ACADÉMICA, continua a editar a Coleção Baltazar Dias, destinada a
António Brehm é professor catedrático de genética na Universidade da Madeira. Ao longo de duas décadas, abordou a complexa história dos portugueses a partir do uso de marcadores moleculares. O objetivo desta investigação era fazer uma análise do DNA dos portugueses atuais para ajudar a compreender o seu passado. De onde viemos? Que grupos étnicos participaram na construção deste pequeno país? Que migrações contribuíram para o que é hoje Portugal? Desde as populações pré-históricas do paleolítico e do neolítico, passando pela importante influência que a presença árabe e berbere deixou entre nós, até aos séculos de escravatura que trouxeram para Portugal diversas etnias de tantas regiões de África, a maior parte destes povos deixou aquilo a que se pode chamar de uma impressão digital no nosso DNA, que permite revelar uma nova perspetiva do passado dos portugueses. O autor é membro do Centro de Estudos Globais da Universidade Aberta e possui algumas incursões na área dos estudos culturais, de que a edição, pela Imprensa Académica, em 2018, de uma crónica inédita de D. Sebastião, Chronica de El Rey D. Sebastião, comentada e anotada pelo autor, é exemplo.
Timóteo Ferreira
ET AL.
Com fotografia da capa da obra idealizada pela IMPRENSA ACADÉMICA.
