Amizade e pressão de grupo

“A melhor parte da vida de uma pessoa está nas suas amizades.”
Abraham Lincoln

A amizade, provavelmente, surgiu no início de tudo, quando o mundo era um lugar inóspito e repleto de perigos. Nessa época cooperar na defesa das tribos era essencial para sobreviver. Ser expulso dessas comunidades era o mesmo que ser condenado à morte. Atualmente, as relações de amizade são mais complexas e apesar de não serem tão diretamente essenciais para a nossa sobrevivência, é fundamental nos rodearmos de pessoas que nos possam dar suporte social, adicional à família, contribuindo imenso para a nossa saúde mental e tornando os nossos dias mais risonhos.

Desta forma, não é de estranhar que nos diversos estudos sobre a felicidade, um dos preditores seja as relações positivas que estabelecemos com os outros, incluindo a amizade (Ryff 1989; Argyle 1987, Myers 2000). Sheldon et al (2001) vai mais longe, demonstrando no seu estudo que as relações sociais, a auto-estima e a autonomia, são competências mais importantes para o bem-estar das pessoas, do que a saúde, a segurança, o dinheiro ou a popularidade.

A amizade também tem dado origem a diversos estudos, concluindo-se que ela pode surgir rapidamente ou demorar anos a se desenvolver, que tendemos a criar relações de amizade com pessoas com as quais partilhamos interesses, valores e identidades, com quem partilhamos espaços e com quem estamos continuamente a nos cruzar. Para mantê-la é necessário existir expressividade emocional e o apoio incondicional, seguidos por aceitação, lealdade e confiança, (Fehr) proximidade geral, contato e apoio (Weisz & Wood).

No entanto, os amigos tanto influenciam de modo positivo como de modo negativo. Desta forma, por vezes eles também nos arrastam para situações problemáticas, onde o risco convive de mãos dadas com a amizade. É o caso do consumo de drogas, sendo a pressão de grupo um dos principais motivos apontados para a experimentação das referidas substâncias, principalmente em jovens e adolescentes. Hawkins et al (1992) evidenciaram um risco acrescido quando o jovem ou adolescente tem amigos que tenham atitudes favoráveis face às drogas ou que as consumam. Desta forma, é necessário apostar na formação do jovem, dotando-o de competências pessoais e sociais que o ajudem a lidar com os amigos, decidindo positivamente nos momentos capitais, em prol da sua saúde, catapultando-o para a vida adulta e para relações de amizade positivas.

Ao longo das nossas vidas, com estes e outros amigos, descobriremos novos mundos, trazendo outros valores aos nossos dias, ajudando-nos a crescer, a partilhar alegrias e tristezas e correndo tudo na melhor forma, olharemos para elas e saberemos com toda a certeza, que seguiremos mais felizes e completos por aquele caminho que nos aproxima dos nossos sonhos e objetivos.

Sérgio Cunha
Psicólogo do Instituto de Administração da Saúde e Assuntos Sociais, IP-RAM

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