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Estórias do arco da velha

Hoje acordaste em mim. Não necessariamente mais que nos outros dias, mas hoje senti-te no meu nariz. É estranha essa característica humana de recordar coisas que deveriam ser passageiras: como o teu cheiro. Farejei-te no ar, como um cão faminto e caí em mim quando reparei que te procurava por todos os cantos da casa, uma casa que não conheceste. Como é possível o teu cheiro estar aqui? Pergunto-me se ainda pensas em mim; se relembras as nossas manhãs a arrastar as bilhas de leite e eu olhando-te por debaixo da saia, procurando um esconderijo longe do teu velho, onde me agarravas com paixão e encantamento. Às vezes, ainda me deito com a mesma sensação de antes, quando adormecia com a necessidade de querer acordar rápido, para poder ver-te, tocar-te, desmaiar-me para dentro dos teus olhos azeitona ou adormecer na maciez dos teus lábios. Ainda gostas de sorvete de melancia? O ritual era sagrado: rodeavas-me com os braços, beijavas-me nas orelhas, percorrendo o contorno da barba e levavas-me pela mão para o teu sítio secreto. E, por entre colheradas, lábios lambuzados, gargalhadas e suspiros, tu entregavas-te sempre com a mesma ânsia de querer ser minha. Mas, depois, veio essa mania de querer ser bem-sucedida e foste estudar, deixando-me sozinho, com o coração negro e uma saudade que me manchava a alma de bolor. Sempre me prometeste que seríamos a adição de dois corações. Mentiste-me e eu magoei-te. Quando deixarei de ver o teu sangue na ponta dos meus dedos? Valentina Silva Ferreira Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra

Na UMa era bom …

… que houvesse mais dinheiro. Daniela Gouveia, Funcionária dos SASUMa … que existissem mais lugares de estacionamento. Vitor Andrade, Estudante de Enfermagem … que existisse maior visibilidade e valorização da produção científica da UMa… Andreia Nascimento, Estudante de Gestão Cultural … que tivesse uma máquina de venda de tabaco. Diogo Monteiro, Estudante de Psicologia … que existisse uma rádio. Tiago Teixeira,Estudante de Psicologia … se as propinas tivessem um valor mais baixo. Considero, ainda, que o exame de melhoria não deveria ser pago para não sermos obrigados a ficarmos com 10 valores. Francisco Milheiras, Estudante de Psicologia

Em português escorreito

1. Estes valores são …………………! ezorbitantes / exorbitantes / izorbitantes / esorbitantes Solução: Estes valores são exorbitantes! Explicação: Como para “desleixei”, a ocorrência de “x” em “exorbitante” é etimológica porque se encontra na forma latina “exorbitans,antis”, o particípio presente de “exorbitare”, de onde é originária. O verbo “exorbitar” formou-se a partir de “orb(i)-“ , “órbita”, o que explica as acepções de “exorbitante”: “Que sai da órbita; que passa muito acima do que é normal”, dando “excessivo, exagerado, demasiado”. Estas reencontram-se em qualquer dicionário de Língua Portuguesa, incluindo o Grande Dicionário da Língua Portuguesa, coordenado por José Pedro Machado. A pronúncia ortoépica – dita normativa ou correcta – de “x” em “exorbitante” é “z”. Por facilitismo, no registo escrito, se ocorrer grafada assim ou com “s” será errado. Os contextos, ou seja, as posições que “x” ocupa, poderão ser importantes e ajudar na escrita. Por exemplo, em “exorbitante”, as duas letras, “ex”, em início de palavra pertencem a sílabas diferentes. Isto explicará, em parte, as especificidades articulatórias de “ex” numa única sílaba (ex-pe-ri-men-tal) e em duas silábicas (e-xor-bi-tan-te). Contudo, estas particularidades silábicas não impedem que se escreva com “x” porque este é etimológico. Na grande maioria das línguas escritas, não há correspondências perfeitas entre a grafia e a fonia. Se houvesse, a representação gráfica seria fonética e caracterizar-se-ia por uma certa instabilidade. Sucede em Português e, nomeadamente, com “exorbitante”, em que a pronúncia do grafema “e” inicial pode corresponder a “i” (vogal anterior fechada) ou a “e” (vogal central semifechada), devido a várias razões. 2. …………………-me e não fiz o trabalho que devia. Deslechei / Desleixei / Desleichei / Deslexei Solução: Desleixei-me e não fiz o trabalho que devia. Explicação Na frase facultada, o verbo “desleixar” ocorre como construção pronominal: “desleixar-se”. Sem considerar o pronome, constituiu-se a partir do sufixo “des” e do verbo “leixar”, proveniente do Latim “laxare”. No decorrer da Idade Média, caiu em desuso, sendo substituído por “deixar”. Deu-se uma alteração da consoante inicial: “l” passou a “d”. Com o ditongo “ei”, leixar” conservou o “x” de “laxare”, por razões etimológicas, e ficou no uso quotidiano, em alguns vocábulos, como “desleixado” ou “desleixo”. No registo oral, actualmente, poderá haver alguma tendência para monotongar “ei” (fenómeno inverso do que aconteceu na evolução do Latim para o Português), o que se pode reflectir na escrita, a par da substituição de “x” por “ch”. O dígrafo “ch” – duas letras que correspondem a um fonema – representa maioritariamente, no registo escrito, a chiante surda de “desleixei”. A opção por “ch” em detrimento de “x” leva ao erro, na escrita de “desleixei”. Helena Rebelo Línguista e Docente da UMa

Um dia vou ser feliz, porque não agora?

Com o ritmo de vida cada vez mais rápido e com o crescente número de pressões e exigências, é com alguma frequência que se vê refletido nos rostos das pessoas preocupação, tristeza, apatia… De igual modo, não é raro que sejam muitos os que, ao fazerem uma retrospetiva das suas vidas, se sintam atónitos ao verificar que posicionaram mal a verdadeira felicidade. Embora a felicidade seja algo que todo o ser humano deseje encontrar, não existe uma receita universal para a mesma. É sim necessário procurar alguns dos ingredientes que venham fazer com que a receita singular de cada um resulte. Que ingredientes poderão, então, tornar as pessoas mais felizes? Ser mais rico, mais saudável, mais jovem, mais alto, mais magro…? Como colmatar o défice de felicidade, por vezes, sentido? Um ingrediente importante a ter em conta nesta procura pela felicidade é o de gratidão, que nos permite ter uma perspetiva mais positiva da vida, um contributo essencial para os relacionamentos interpessoais e para a autorrealização. Numa experiência realizada na Universidade de Califórnia, pediu-se a um grupo de pessoas que fizessem durante seis semanas um “diário da gratidão” (um registo das situações pelas quais se sentiam gratas), o que resultou num aumento significativo da sua satisfação para com a vida. Considerando tal, por que não fazer um esforço consciente para se lembrar do que tem de bom? A felicidade é um conceito subjetivo, pelo que o seu significado difere de pessoa para pessoa. Despender energia no que realmente é importante para si poderá ser um bom começo nesta procura pela felicidade. Por isso, se a leitura o faz sentir-se feliz: leia; se é o desporto que o faz sentir-se bem: pratique-o; se estar com os amigos lhe dá prazer: aproveite os momentos que partilha com estes. Adiar a felicidade não traz benefícios, pelo contrário, poderá ser prejudicial à sua saúde física e psicológica. Faça uma lista das coisas que lhe aborrecem durante o dia e contraponha com algo que gostaria de fazer. Ao fazê-lo a sua motivação irá aumentar, bem como encontrará razões para concluir as atividades que menos lhe agradam. Não espere que o amanhã venha simplesmente a ser um dia mais feliz. Cada um de nós constrói a sua própria felicidade, por isso, deixe um espaço na sua agenda para incluir uma atividade que o faça sentir-se bem, diariamente. Ser feliz não é um luxo, é um direito! Serviço de consulta psicológica (SCP-UMA)

2012 será mesmo o fim?

São questões, receios, livros, filmes, teorias e mitos sem conta, aqueles que estão ligados ao suposto fim do mundo, agendado, por muitos, para o corrente ano. A civilização Maia, responsável pela teoria do fim do mundo em 2012, e os seus primórdios remontam aos anos 3000 a. C. Esta sociedade encontrava-se hierarquizada social e politicamente e tinha a agricultura como o principal meio de subsistência aliado ao comércio entre cidades vizinhas. A arquitectura, artes plásticas, artesanato, a área das ciências e a literatura maias deixaram marcas até hoje. Este povo espelhou-se artista e perfeccionista, destacando-se a sua escultura e a sua escrita. A escrita hieroglífica, elaborada e misteriosa, compôs textos de índole cronológica e astronómica, que evidenciava um sistema numérico e de cálculos próprios. As informações inerentes aos calendários maias, ou sincronários (apontado como o termo mais correcto), diferem. Afirma-se que este povo dominava este campo devido ao uso da matemática denominada de “quarta dimensão”, entendida mediante valores qualitativos e com poder magnético. A forma como previam alguns ciclos e acontecimentos faz com que se reitere que a civilização maia era vanguardista e, diz-se virtualmente, muito mais avançada que a cultura actual, diferenciando-se somente pelo facto de ter “vivido” numa época longínqua, com parcos recursos de comunicação e informação. Nos anos 80, Johan Calleman, biólogo sueco, através do estudo de pedras, concluiu que estas tinham marcadas diversas datas que correspondiam a ciclos evolutivos da história da Terra. Assim, depois de isolar nove datas e realizar diversos cálculos, depreendeu que o chamado ciclo da criação culmina em 2012. J. Jenkins, autor do Maya Cosmogenese 2012, aponta 12.º mês de 2012 como o espaço e o tempo em que ocorrerá um alinhamento astronómico raro, que acontece a cada 26 000 anos. Uns afirmam que nada mais será que uma espécie de entrada num novo milénio, numa reestruturação do calendário. Outros dizem que se tratará de um recomeço, uma era de luz e mudança, para novos tempos. É uma panóplia enorme de teorias, que se desenrola desde há muitos anos. Quem não se recorda do suposto fim do mundo em 2000? Ou dos eclipses que iam acabar com a sociedade? Independentemente do dia ou ano agendado para que tudo se acabe ou transforme, não se esqueça de viver. Pode optar por rezar, estudar e procurar mais teorias, ver vídeos, inundar-se de textos misteriosos ou, simplesmente, ignorar. Talvez a transformação chegue com as medidas do FMI ou com as “trocas baldrocas” do Euro. Talvez não seja nada. Talvez seja tudo. Hoje ou no futuro, preocupe-se em ser feliz. Consigo e com os outros, nesta sociedade actual, cada vez mais egoísta e individualizada, pouco confortável para prever qualquer futuro. Vera Duarte Alumnus

À conversa com Rui Carita

À conversa, ao telefone… Sim, sou eu… Bem, obrigado e aí? O quê? Bem, diga-me isso de outra maneira que não estou a entender. Um texto para Janeiro, mas quem vai ler textos numa altura destas? Para que serve e com que função? Ora vamos lá a ver se nos entendemos: eu estou reformado e fora de uma série de coisas. Creio não ter nada a dizer de especial interesse. Dou aulas porque quase não sei fazer outra coisa, ou já não sei. Há uns anos ainda pintava, mas hoje quem quer ter quadros em casa? E o que é que eu ia agora dizer de novo? A pintura como eu a fazia perdeu o sentido. Eram aguarelas, essencialmente. Ficavam bem ao lado do telefone e em cima do aparador. Tinham vidro e estavam protegidas dos vícios dos pássaros e das moscas. Mas hoje os telefones já não são fixos e os aparadores já não têm nada em cima. Sim, dou aulas enquanto tal for possível, me deixarem e me der gosto, prazer. É uma forma de estar vivo e sentir que tenho alguma coisa para fazer. Não me estou a ver agora, depois de velho, a ficar em casa para ver o que é o almoço. Também não me vejo a fazer um qualquer cruzeiro, para ver 25 ilhas em três semanas e mais cidades fantásticas e paisagens de sonho. Não há paciência. E de avião também não. Para depois fazer uns vídeos e obrigar os amigos a vê-los depois do jantar: Umas Férias de Sonho. Não, não é o meu género! Conversar sobre o quê? As aulas? A falta de aproveitamento dos alunos, que em 30 inscritos só uma dúzia vêm às aulas e depois perguntam pelos exames de recurso? Claro que outros não. E é por isso que dou aulas, e é por isso que gosto do que faço, e me empenho, a sério e com força. Os nossos estudantes, de um modo geral, são um caso complexo de análise e o reflexo de uma série de contradições com que todos nos debatemos. Não deve ser, assim, por acaso, que devemos ser das universidades portuguesas com maior percentagem de estudantes com bolsa e, ao mesmo tempo, uma das maiores percentagens de viaturas particulares por aluno a circularem diariamente à volta da Universidade. Sim, sim, eu sei. Há também os carros do Tecnopolo e há carros que entram e saem várias vezes no mesmo dia. E há os estudantes que vêm com o carro do tio e do primo, que está emigrado, e etc. Mas circula quase que o mesmo número de carros que o de estudantes. Claro que muitos estudantes andam por aí sem saber muito bem por onde andam. Andam pela Casa dos Segredos, que já não tem segredo nenhum; andam por uma qualquer telenovela, à espera do final em que casam e vivem felizes, até à próxima telenovela, onde mudam de nome e de cenário, mas não de cara nem de discurso. São os novos meios de comunicação, ou os velhos com outras tecnologias, pois que as coisas, nesse campo não mudaram. As coisas mudaram? Mas claro que mudaram! Infelizmente existem pessoas que acham que nada vai mudar. Vão ficar à porta a falar com elas próprias, pois tudo mudou já. Mudaram os paradigmas, os instrumentos e os conceitos. Os europeus e os americanos é que ainda parecem acreditar que a situação se pode manter assim, mas o mundo mudou diametralmente com a globalização. Vamos ter de mudar o tipo de comportamento; o tipo de vida; o tipo de intervenção do Estado; etc. E não vai ser por acharmos que sim, mas por que a tal nos vão obrigar. O poder de decisão está a mudar rapidamente da Europa e dos Estados Unidos para a China e para a Índia. A maior parte das pessoas ainda não percebeu, ou tem fingido que não percebe, mas vai ser obrigada a perceber. A pouco e pouco foram-se vendendo os anéis e as pulseiras, e a seguir só há as mãos e os dedos para vender – e esses ninguém os compra, porque tudo aquilo que consumimos, mais ou menos escravizados, são as mãos deles que produzem. Ora acontece, que eles, progressivamente, têm consciência disso … A globalização deslocou, ou deslocalizou, quase tudo num curto espaço de tempo de que quase nem nos apercebemos. Foi a produção, o capital e, em breve, será a tecnologia. A própria noção de espaço mudou radicalmente. Hoje fala-se directamente para todo o Mundo e ao mesmo tempo com diferentes interlocutores. Era uma coisa que não passava pela cabeça há poucos anos. Claro que nós ainda não mudámos. Assistimos a um atentado, quase que em directo, como com as Torres de Nova Iorque e isso afecta-nos. Mas a morte da velhinha do 3.º andar, com quem nos cruzámos ainda ontem nas escadas, ainda nos afecta mais. Até lhe conhecíamos o cheiro e deixamos ligada a televisão para ocorrer à porteira a saber o que aconteceu. É outra dimensão. Como vamos fazer? Ah, não faço a mínima ideia. Aliás deixei de fazer planeamentos há mais de alguns meses. Digamos que o meu horizonte passou a não ultrapassar um semestre. Acho que os meus prazos de garantia e validade não vão além de 6 meses. Depois se verá. Até lá vamos sobrevivendo. Claro que tenho projectos, que tenho dois livros prontos: um na Madeira e outro nos Açores, mas não faço ideia se vão alguma vez sair. Irá sair no próximo ano a História da Arte dos Açores, que já está pronta, mas é uma obra de parceria com muito mais gente. Nos próximos dias vou voltar aos retábulos, em que tenho estado a trabalhar com um outro colega, o que vai ser essencialmente para justificar compromissos. Não acredito que venha a conhecer a impressão nos próximos tempos. Mas comprometi-me e vou cumprir. O resto depois se verá. Não, não sou vidente, como a Maia. Sou historiador e isso também me leva a compreender

O arrastão de Carcavelos

Em política são três os principais poderes: legislativo, o executivo e o judicial. Desde o início do séc. XI assistimos, continuamente, à emersão progressiva de um quarto poder, o da comunicação social. Este consegue para manipular, invadir, adulterar, esconder, convencer, persuadir e, no fundo, fazer a notícia acontecer. Hoje em dia, somos sobrecarregados com quantidades excessivas de informação e se não aprendermos a filtrá-la podemos entrar em múltiplas contradições ou ficar na ignorância e aceitar tudo aquilo que nos dão. Essa informação excessiva é absorvida inconscientemente pelas pessoas, seja através do diálogo, da televisão, da internet, do rádio, até à leitura de revistas. Um dos maiores exemplos de manipulação de massas em Portugal ocorreu em 2005, no dia 10 de Junho, dia de Camões, Portugal e das Comunidades Portuguesas, na praia de Carcavelos. Sem uma explicação plausível, um grupo de jovens negros começa a correr na praia e enquanto corriam, pegavam nas suas coisas. Começou a gerar-se o pânico na praia, devido à quantidade de negros, e todas as pessoas naquela zona começaram também a correr. Foi chamada a polícia que chegou a agredir algumas pessoas que estavam na praia. O problema local, com a chegada dos órgãos de comunicação social, passou a ser nacional. Após alguns depoimentos de fontes comprometedoras e de um comunicado pouco reflectido da parte da polícia, os jornais abriram com a notícia bombástica de um arrastão na praia de Carcavelos planeado por cerca de quinhentas pessoas vindas de bairros sociais ali perto. Pelos ecrãs passavam fotografias de fraca qualidade onde vários jovens corriam pelo areal, enquanto em ‘voz-off’ se descreviam os ataques aos banhistas desprevenidos. Defendeu-se um reforço imediato nas praias, vários políticos culpavam o governo pela falta de policiamento nas praias. Nos dias seguintes, liam-se manchetes como “Terror na praia” ou “Arrastão à brasileira chega a Carcavelos”. Realizaram-se várias manifestações em Lisboa, contra as minorias éticas. A bomba estava lançada. Na semana seguinte, com o pensamento clarificado, foram observando-se vários factos que tinham passado ao lado. Apenas uma queixa de roubo foi apresentada à PSP e o crime tinha ocorrido fora da praia. As pessoas que estavam na praia, inclusive figuras públicas, começaram a manifestar-se dizendo que não se tinham dado conta de nada do que a comunicação social havia relatado vários dias antes. O erro começava a aparecer. Uma briga entre algumas pessoas levou que outras começassem a correr. Ao verem cerca de trinta pessoas a correrem numa determinada direcção, as pessoas se encontravam na praia fizeram o mesmo. O que nas fotos pareciam roubos, eram precisamente pessoas com os seus pertences que corriam sem razão aparente. Hoje em dia, muitos são aqueles que ainda pensam que o “arrastão” de Carcavelos realmente aconteceu, não tendo qualquer informação contrária. Os media podem influenciar o nosso modo de ser, agir e até de pensar. Seja através de imagens fora do contexto, vídeos retocados ou depoimentos de credibilidade nula, tentam pela estratégia da diversão, desviar a atenção do público dos problemas importantes. Depois de descoberta a manobra, pode levar à falta de confiança que um determinado leitor ou espectador tem no jornalismo. Citando Isabel Férin, Professora da Universidade do Coimbra “O poder da televisão é terrível em construir ou destruir a realidade que interessa”. Rúben Castro Alumnus

Dj Andy Lux

André Valera, de 19 anos, do curso de Comunicação/Marketing, Relações Públicas e Publicidade, na Escola Profissional Atlântico, dedica-se à música electrónica há cinco anos. Empenha-se ao máximo para ser dos melhores DJ’s da Madeira. JA: Como nasceu esta paixão por ser DJ? AV: Começou através de um amigo que me mostrou várias músicas desta área – da música de dança – quando tinha 13 anos. Foi incrível. Foi amor à primeira vista! (risos) Embora, desde criança, tenha começado a ter amor à música por influências do meu irmão Filipe que é músico. Devo muito ao DJ Flávio Mendes. Acho que se não fosse o apoio dele, não teria seguido este sonho. JA: Realizaste alguma formação na área? AV: Sim, um curso de DJ pela New Generation Academy, com o DJ Dual. Entretanto, com a minha evolução, fui parar ao curso de produção com o Alex G, pela Roland Music Academy. JA: Sentes entraves a este teu sonho? AV: Talvez a falta de oportunidades e sorte. Dá-se pouco valor ao que é regional e que pode ser de qualidade. Isto porque as pessoas pensam que o que vem de fora é bom e que os da Região ainda estão por evoluir. Temos imensos talentos aqui na Região, não só na música, como também no desporto, na moda… Não começaram de cima, mas sim de baixo. E foi através de pequenas oportunidades na Ilha. Se não as tivessem tido, não teriam sucesso, actualmente. Daí que vejo como um dos maiores entraves ter de vingar lá fora, neste momento. JA: Quais as experiências que mais te marcaram no teu percurso? AV: Tive várias experiências, como participações em bailes de finalistas do Secundário, entre outras. No entanto, de todas, a de ter actuado na escola da Ribeira Brava, onde estava praticamente toda a gente lá a apoiar-me. Agora são mais do que na altura. E este apoio dá-me energia para continuar neste sonho complicadíssimo. Recentemente, também, a minha participação num concurso de uma discoteca madeirense, onde tive imenso apoio, apesar da minha saída. Mas contribuiu para que muitas pessoas ouvissem e ficassem a conhecer o meu trabalho. Ao que agradeço a todos e felicito mais uma vez os demais concorrentes e o vencedor. JA: Qual seria o teu maior desafio para este ano de 2012? AV: Seria sair da Madeira em busca de novas oportunidades e, quem sabe em colaboração com outras pessoas, fazer várias músicas. Não na Região, mas sim fora, pois aqui é complicado editar uma música dentro deste género porque as pessoas não se envolvem tanto como se fosse em Inglaterra ou em França, por exemplo. Quero expandir os meus horizontes. A Madeira tem condições, mas não estão ainda trabalhadas. JA: Podes falar um bocado do projecto Ladies Express? AV: É um projecto que ainda está muito verde. Somos eu, o Ricardo Martins como baterista, o Adelino Santana como vocalista. Estamos a evoluir pouco a pouco e, neste momento a trabalhar na primeira música, mas já a pensar noutras, como originais e remixes. Ainda não há muito a dizer, mas já fizemos apresentação da música. Houve quem gostasse e quem não gostasse. Não podemos agradar a gregos e a troianos, mas acho que vamos no bom caminho. Não só temos tido apenas apoio de DJ’s regionais, como também de nacionais e internacionais. Não vejo qualquer problema em mostrar o projecto lá para fora, tem força para continuar. JA: Qual o lema que mais te acompanha neste trabalho? AV: Nunca desistir dos nossos sonhos! Lutar sempre, pois não aceito a palavra desistência! Quero evoluir e ir sempre mais além. Elisabete Andrade

Já foste…

Como que num hábito que nasceu connosco, a nossa vida virtual desperta o encanto e principalmente o espanto do que se consegue fazer com um simples computador e acesso à rede. De facto, são imensas as histórias que fazem manchetes de jornais e que estão associadas a episódios caricatos, que se transformam em verdadeiros fenómenos, e nem sempre pelos bons motivos. Obviamente não faria sentido apresentar apenas casos que desvirtuam, de certa forma, a própria Internet, sem assumir os grandes benefícios que esta nos proporciona. Quão vulnerável é a nossa própria imagem numa sociedade como a actual. Podemos apresentar muitos episódios onde a vulgarmente chamada net lhes deu visibilidade a uma nova escala, até porque num mundo onde até com um simples telemóvel podemos gravar qualquer acto do nosso quotidiano, qualquer coisa, até a mais inesperada pode acabar por ser vista por milhões. A exemplo, um polícia argentino perdeu o seu emprego devido a um vídeo colocado no popular sítio Youtube, em que se apresentava fardado numa despedida de solteiro como striper, num episódio que não passava de uma mera brincadeira entre amigos. Da mesma forma, em território carioca uma professora do ensino básico foi constituída arguida pelo Ministério Público por ter surgido um vídeo na Internet em que dançava numa festa popular de uma forma demasiado sensual. Segundo John Thompson, professor de Sociologia da Universidade de Cambridge “o mundo dos meios de comunicação elabora uma nova visibilidade mediada, tornando visíveis as acções e os acontecimentos cada vez mais difíceis de serem controlados”. Foi o que se verificou por terras lusas onde um dos últimos fenómenos foi protagonizado por um indivíduo que se auto-intitula Hélio Imaginário no qual este, basicamente, treina os seus dotes num skate, acabando por cair no final. Mais do que o próprio vídeo, que já superou as duas milhões de visualizações, a frase “Puto, o medo é uma coisa que a mim não me assiste” ganhou uma surpreendente popularidade entre os portugueses a par da “Concentradíssimo, sócio.” de Paulo Futre. A visibilidade do vídeo de Hélio ganhou tanta relevância que se tornou num chamado vídeo viral, nome dado aos vídeos que atingem um grande número de visualizações. O próprio autor chegou a afirmar estar arrependido por ter tornado o vídeo público, já que não tinha noção de que este viria a tornar-se no fenómeno em que se transformou. Imagine só, que se criou um remix com as frases do vídeo. A marca de vestuário Throttleman, na sua colecção Mundo Funny, apresenta estampada em alguns dos seus produtos a frase “Puto, o medo é uma cena que a mim não me assiste”. É um facto estarmos numa sociedade com menos segredos. Já fomos filmados, já fomos vistos, e onde muitos comentários e repercussões surgem pelo nosso comportamento. Sérgio Rodrigues

Universo jovem, a vida vale a pena!

No segundo semestre de 2011 foi desenvolvido, na Região Autónoma da Madeira, o projeto “Universo Jovem”, uma iniciativa no âmbito da juventude e da promoção da saúde, com especial destaque para a prevenção da toxicodependência, aliada à preservação ambiental. O projeto resultou da sinergia entre os vários parceiros, nomeadamente, a Associação Cultural e Recreativa – Juventude Interactiva, o IASAÚDE, IP-RAM, através do Serviço de Prevenção de Toxicodependência, a Direcção Regional da Juventude e as Câmaras Municipais da Madeira e do Porto Santo. Estas parcerias maximizaram esforços do ponto de vista dos recursos humanos e materiais necessários à prossecução das atividades. Co-financiado pelo Programa Juventude em Acção (PJA), contribuiu para que os jovens sejam interventivos e ativos e disseminem as boas práticas sobre a prevenção da toxicodependência. Os resultados do projeto estão a ser divulgados junto de outras associações no domínio da promoção da saúde, contribuindo desta forma para uma melhor cooperação nacional e europeia no domínio da juventude. Neste Ano Europeu do Voluntariado, sentimos que poderíamos realizar um projeto tendo por base o voluntariado de jovens educadores de pares que trabalharam directamente com a comunidade local, aliando desta forma a ocupação do seu tempo a uma experiência gratificante para si e para os outros. Dirigiu-se à população em geral e aos jovens em particular, entre os 15 e os 30 anos, de forma a abranger toda a população na Região Autónoma da Madeira. O Projeto ‘UNIVERSO JOVEM’ baseia-se na metodologia da Educação de Pares, com a formação de vários jovens voluntários do Programa ‘Jovem em Formação’, os quais planificaram, dinamizaram e coordenaram as atividades que influenciam positivamente os seus pares e que, simultaneamente, incentivam os jovens a aderirem a iniciativas associadas às questões sociais que mais preocupam as instituições regionais, nacionais e europeias, fomentando o voluntariado. Implementaram-se atividades de carácter não-formal maioritariamente ao ar livre, nas praias e serras da Região Autónoma da Madeira, nomeadamente espaços de diálogo e esclarecimento sobre questões ligadas à saúde, atividades lúdico-pedagógicas (gincanas e jogos, construções na areia), murais preventivos, marchas, caminhadas nas levadas, provas de orientação, prova de BTT, canoagem, golfe, demonstrações de capoeira, karaté, muay thai, hip-hop, aeróbica, hidroginástica e distribuição de materiais de informação e sensibilização. A ACRJI e o SPT agradecem os preciosos contributos dos jovens voluntários, parceiros, técnicos envolvidos, participantes e de todas as entidades da sociedade civil que diariamente se disponibilizam para que o Projeto ‘UNIVERSO JOVEM’ se tenha realizado nas melhores condições. A Vida Vale a Pena! Promova a saúde e a dos que o rodeiam! Bebiana Ribeiro Psicóloga Instituto de Administração da Saúde e Assuntos Sociais,