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Economia do sexo

O conceito de bem-estar é aquele que mais se foca na Economia. Este é por norma quantificado em unidades monetárias ou noutra unidade que meça a utilidade, vulgarmente chamada de útil. De forma a dissipar todo e qualquer tabu que exista sobre esta temática, nada melhor do que fazer o paralelo entre dois temas que podem parecer contraditórios: o Sexo e a Economia. Qualquer assunto que se relacione com o sexo parece à primeira vista, uma temática para sexólogos, sociólogos ou psicólogos, mas nunca para economistas. Mas sendo uma das prioridades do economista estudar soluções que maximizem a felicidade das pessoas, dois professores de Economia, David G. Blanchflower e Andrew J. Oswald, realizaram um estudo que visou mostrar o quão importante é a actividade sexual para o bem-estar do Homem. O estudo, que foi realizado com uma amostra de 16000 Americanos, apresentou resultados, no mínimo, surpreendentes. Concluiu-se que os casados são aqueles que provam mais do fruto proibido assim como a felicidade é maior quando o número de parceiros é igual a 1. Para todos aqueles que acreditaram sempre que o dinheiro é um afrodisíaco muito eficaz, comprovou-se que rendimentos mais altos não implicam maior actividade sexual. Por último, as pessoas que confirmavam ter mais relações sexuais também se mostravam mais felizes. Não só ficamos mais felizes com mais sexo, como também nos tornamos mais produtivos, porque também há uma relação entre estas duas variáveis. Segundo um estudo realizado por Andrew Oswald, Eugénio Proto e Daniel Sgroi da Universidade de Warwick, a produtividade dos trabalhadores aumenta com a felicidade destes. Para além destas conclusões a que vários economistas chegaram, existem outras que se revêem na lógica económica. Exemplo disto é o ponto de vista de muitos profissionais de Economia no que concerne à prostituição. Para muitos a ilegalização da prostituição é um dos melhores exemplos do quão ineficaz é esta medida em termos económicos. Steven Levitt e Stephen Dubner, autores da obra Superfreakonomics, afirmam que não há pior política do que proibir a prostituição, primeiramente porque é complicado para as autoridades controlar a actividade, em segundo lugar porque, na eventualidade de punir um trabalhador do sexo, através da prisão, originará uma diminuição na oferta com uma procura constante, isto é, o número de clientes mantém-se. Isto faz com que o preço do serviço aumente, consequentemente, torna-se mais atractivo entrar nesta actividade. Em países como a Holanda, a actividade é legal, fazendo com que as pessoas que se dedicam à prostituição tenham um acompanhamento médico que previne as doenças sexualmente transmissíveis e obriga os trabalhadores do sexo a pagarem impostos pela sua actividade, contribuindo para as finanças públicas. Tendo em conta que alguns destes profissionais chegam a auferir 10 000 euros por mês, se pensamos que a taxa de IVA atinge os 23%, no território continental, a escolha da legalização da actividade torna-se cada vez mais atractiva. Em forma de término, através destas taxas a actividade poderia perder trabalhadores, devido à redução do lucro, assim como o controlo da prostituição faria com que o tráfico ilegal de mulheres diminuísse exponencialmente. Sérgio Rodrigues

As chamadas bebidas energéticas

Muitos são os jovens que consomem bebidas energéticas. Provavelmente aliciados pela publicidade que as apelida como fonte de energia que permite melhorar os desempenhos escolares e desportivos ou até pela sugestão de efeitos extasiantes. O certo é que muitos consomem sem saber o que estão a ingerir e sem terem a perfeita noção das consequências do seu consumo excessivo. É necessário esclarecer que neste tipo de bebidas encontramos cafeína, guaraná e/ou taurina e ainda outras substâncias, que em quantidades elevadas acabam por ser lesivas e prejudiciais ao organismo e ao desenvolvimento de qualquer jovem. Estas substâncias estimulantes, para um sistema nervoso em maturação, podem ter efeitos marcantes e irreversíveis. Alguns estudos indicam que este tipo de bebidas, que combinam cafeína e taurina, não tem efeito na capacidade de memorização a curto prazo e que induz alterações na frequência cardíaca e nos valores de pressão arterial. Por outro lado, a situação agrava-se ainda mais quando se associa este tipo de bebidas a outras que são alcoólicas, pelo que é perfeitamente desaconselhado. Sendo assim, a melhor forma de obter ‘energia’ acaba por ser através de uma alimentação variada, equilibrada e polifraccionada. Esta alimentação fornece tudo o que o organismo necessita, possibilitando bons desempenhos escolares e desportivos, sem causar danos no nosso organismo. Viva a alimentação saudável! Bruno Sousa Nutricionista

Constitucionalismo financeiro

É de aceitação geral que a economia se desenvolve em ciclos, contração e expansão, tal como o bater de um coração. E, tal como o coração o faz, é necessário impor limites a estes movimentos, sob pena de que uma vez ultrapassados, resultem em lesões permanentes, que por sua vez implicam intervenções drásticas no funcionamento quer da economia quer do principal órgão do corpo humano. Impõe-se agora a pergunta de quais deverão ser esses limites. Em primeira situação, teremos de definir quem estará habilitado a fixar esses limites, tendo em conta quer a soberania nacional quer a integração europeia de que Portugal é exemplo. Numa segunda instância, deve-se ter presente que estas limitações devem estar consagradas na lei e que devem implicar penalizações para os responsáveis pelo não cumprimento dos números estabelecidos. O próprio Orçamento do Estado, ou de qualquer outra entidade com participação pública maioritária, deve dar o exemplo, pelo que devem sempre ser elaborados de forma a cumprirem com os números estabelecidos na Constituição. Outros pontos a serem tidos em conta são as diferentes conjunturas anuais, que em caso de contração da economia exigem esforços diferentes destes orçamentos daqueles que exigiriam caso a economia se encontrasse numa conjuntura expansionista. Mas uma qualquer tentativa de implementação deste tipo de sistema de controlo das contas públicas, implicará sempre um reequilíbrio das mesmas, pelo que é necessário um esforço conjunto e uma mudança de mentalidade generalizada para que se consiga quer equilibrar as contas, quer modificar a forma de controlo das mesmas… É necessário que a população portuguesa dê primazia a equilíbrio das contas públicas, e que exija isso mesmo de qualquer orçamento público… Deve-se incentivar este equilíbrio e penalizar aqueles responsáveis por qualquer prejuízo que poderia ter sido evitado… E esta conjuntura económica é muito provavelmente a melhor oportunidade para se operar uma mudança deste tipo, devido à maior sensibilidade que qualquer cidadão tem a dados sobre as contas do Estado… A História Politico-Económica de um país caracteriza-se por uma evolução constante, que resulta de uma necessidade de adaptar quer a legislação quer o modelo Estatal a diferentes conjunturas económicas… Esta evolução foi sempre o meio de proceder a uma afinação do modo de funcionamento das entidades públicas, e chegou o momento de uma nova afinação, chegou o momento de apertar o controlo ao funcionamento do Estado, sob pena de virmos a ficar sem o tão importante Estado Social, por via do crescimento desmesurado do aparelho Estatal. Paulo Silva

Em Belém vive-se bem!

A Presidência da República Portuguesa, seguindo o exemplo de outras Chefias de Estado europeias, tem tentado reduzir e clarificar as suas despesas. Esse facto, no entanto, não evitou as críticas ao Professor Cavaco Silva por se apresentar, em Janeiro, como um reformado mal pago após uma vida de contribuição. De quanto dinheiro precisa uma chefia de estado? Se, por um lado, esse investimento deve acompanhar a capacidade pública de financiamento, por outro uma maior importância internacional obriga um Estado a um maior investimento na sua imagem e, desta forma, no seu líder. Um Chefe de Estado faz-se, então, pelo que é possível pagar por ele e pelo que é preciso mostrar ao exterior. A importância dos gastos das Chefias de Estado na Europa inunda a Internet e os Media com textos de natureza diversa, sendo principalmente abordados os casos relativos às Casas Reais. Na imprensa cor-de-rosa a Realeza é tema recorrente e a revista Lux publicou, em Outubro de 2010, um ranking das monarquias mais dispendiosas para os contribuintes. Sempre na ordem dos milhões de euros anuais, liderava a tabela a Família Real britânica (46,6), seguida da holandesa (39,6), da norueguesa (28), da belga (13,7), das dinamarquesa e sueca (12,0), da espanhola (8,9) e da luxemburguesa (8,7). Os gastos das Casas Reais são, no entanto, superiores a estes números, existindo receitas extra-governamentais saídas dos bolsos dos monarcas. Elisabeth, Rainha do Reino Unido, é o melhor exemplo de gestão sustentável do património pessoal, comercializando vários produtos agrícolas das suas propriedades e rentabilizando turisticamente muitos dos seus palácios, por exemplo. Já as Presidências Republicanas podem torna-se elas próprias mais mãos-largas que as congéneres monárquicas. Que o testemunhe a despesa do Quirinal (residência oficial do presidente italiano), que em 2007, já sob o comando de Giorgio Napolitano, ascendeu aos 235 milhões de euros, segundo o jornal brasileiro G1. Actualmente, contudo, o mais gastador dos líderes europeus é Nicholas Sarkozy, cuja despesa anual, segundo o Diário de Notícias em Junho de 2011, é da ordem dos 112 milhões de euros. O mesmo artigo situava a Presidência da República Portuguesa com uma despesa anual de 16 milhões de euros, dizendo-a só ultrapassada na Europa pela de França e, claro, pela Família Real britânica. Embora represente uma população quatro vezes inferior à representada por Juan Carlos, Rei de Espanha, Cavaco Silva e o seu gabinete gastam o dobro da Casa Real espanhola. Distribuindo-se os gastos pela população contributiva de cada país, sabe-se que Belém pesa mais ao cidadão nacional do que cada monarca europeu aos seus súbditos, incluindo a do Reino Unido. Contudo, ao contrário do que acontece entre a realeza, nenhum casamento na família do Chefe de Estado seria motivo de animação para economia nacional. Carlos Diogo Pereira Alumnus

Promoção da saúde e bem-estar no local de trabalho

As alterações cada vez maiores e mais rápidas da sociedade atual, a todos os níveis, especificamente ao das toxicodependências, implicam uma necessidade crescente de explorar um novo campo de intervenção no âmbito da prevenção dos consumos das substâncias psicoativas, recorrendo à estratégia de prevenção em meio laboral, como um dos espaços privilegiados para a promoção da saúde e bem-estar. O consumo de substâncias psicoactivas em meio laboral não é só um problema do trabalhador consumidor, tem também implicações nos seus colegas e na empresa podendo, por vezes, este problema alargar-se à sociedade em geral (Organização Internacional do Trabalho, 2008). Ao consumo de substâncias psicoativas estão associadas algumas consequências negativas, nomeadamente, os trabalhadores com consumos regulares apresentam maior incidência de acidentes de trabalho do que os não consumidores. O absentismo laboral, a falta de pontualidade, a pressão dos colegas (conflitos, queixas, violência, etc), custos de substituição, custo com indemnizações aos trabalhadores e à produção (tempo de reação, capacidade motora, estado de espírito entre outros), são neste contexto, condicionantes ligadas ao consumo de substâncias lícitas e ilícitas. Face à problemática do consumo de substâncias psicoativas no local de trabalho, surge a necessidade de criar instrumentos/estratégias de prevenção em meio laboral, como resposta social à promoção do bem-estar e qualidade de vida do trabalhador. Deste modo, cabe aos serviços locais desta área a responsabilidade de potenciar projetos e estabelecer parcerias, nomeadamente, o Instituto de Administração da Saúde e Assuntos Socias, através do Serviço de Prevenção da Toxicodependência. Para as entidades empregadoras, um projeto de prevenção do consumo de substâncias psicoativas em meio laboral pode ser benéfico, na medida em que diminui o absentismo e os atrasos, reduz a sinistralidade de trabalho, limita o número de processos disciplinares e despedimentos, promove a qualidade do desempenho do trabalhador, melhora as relações interpessoais e o ambiente de trabalho, aumenta a motivação e produtividade. Há necessidade de dotar a população de informação e de competências individuais e sociais, relativamente aos consumos de substâncias psicoativas, de modo a consciencializar para as consequências nefastas, destes comportamentos, visto ser na idade adulta que o trabalho assume um papel primordial na vida do indivíduo, podendo condicionar todos os aspetos da sua vida desde os relacionais, aos emocionais passando pela saúde. É urgente proporcionar ambientes geradores de mudanças. Neste sentido, lançamos o desafio, a todos os empregados/empregadores para que criem condições impulsionadoras de promoção da saúde e bem-estar no local de trabalho. Mónica Melim Psicóloga Liliana Correia Técnica Superior de Educação Social

Como falamos de sexo?

A resposta à questão pode ser dicotómica: se por um lado temos as mentes que muito vagueiam e opinam sobre o tema, por outro temos quem mais se resguarde do assunto. Num relacionamento mais longo, por exemplo, há um desenvolvimento crucial da sexualidade que está intimamente ligado à evolução da própria relação. E desenvolvimento não é sinónimo de melhoramento. P. Vaughan, no seu Mito da Monogamia, afirma que 60% dos maridos e 40% das esposas já traíram. E. Brown, directora do Key Bridge Therapy and Mediation Center, atesta que um dos principais motivos para trair é a falta de intimidade. Eu, humildemente, complemento, dizendo que o único culpado é o casal. Por se esquivar, todos os dias, de conversar sobre si. Por esquecer, aos poucos, a sua intimidade, de quão importante é a partilha de prazer e por ignorar que os “assuntos da cama” são fulcrais para uma relação profícua. J. Gameiro, psiquiatra, diz que para os homens a variável sexo é a mais importante, enquanto para as mulheres a sua importância está dividida com outros aspectos. Afirma que “os casais que se dão mal, normalmente não funcionam bem na cama”. Não funcionam porque não dialogam, não “conseguem comunicar sobre como gostam de estar um com o outro”, não são capazes de se ouvir, têm (demasiado) pudor. Josefina Lobato, doutora em Antropologia Social, relata no seu Prazeres e Deveres, que o sexo acaba, em muitos casais, por se tornar um hábito e um dever, levando a que se queiram vivenciar determinados momentos extra–conjugalmente, quase defendendo que compromisso e sexo não combinam. No entanto, afirma, baseada no Kamasutra, que “aquele que deseja virtude, prosperidade e amor sexual deve […] tornar-se senhor dos seus sentidos” e, digo eu, abrir a mentalidade ao diálogo nas relações. Resta saber onde se situa a origem do problema: no interior da relação ou antes do início da mesma. Repetidamente questiono-me se, por acaso, as pessoas assinam alguma cláusula que, algum tempo depois, os obrigue a evitar o sexo, o beijo, o toque, a sedução e a conquista diária?! Talvez a falha não seja de agora. Eduardo Sá admite que é preciso educar-se para o sexo e para o amor. Desde cedo. Que se fale entre pais e filhos, maridos e mulheres. O psiquiatra ressalva que não se pode resumir a sexualidade “ao aparelho reprodutor e aos métodos contraceptivos”, que “é urgente acarinhar uma cultura do prazer”, “fantasiar”. Então, como falamos de sexo? Mal e porcamente, permitam-me e perdoem-me a expressão. “É por isso que é urgente falar da sexualidade não tanto como o princípio do prazer mas como aquilo com que as pessoas constroem a sua infelicidade. Pelos sentimentos que guardam. E com o silêncio com que os revestem” (Sá). Na falha da vida sexual, a culpa não morre solteira. Morre em cada homem e em cada mulher que ao não falarem de sexo, com os cônjuges, ou com quem partilham a cama, sentenciam a sua felicidade e arrumam o sexo como uma experiência de infelicidade e dever. Vera Duarte Alumnus

Atlas das aves invernantes e migradoras de portugal

Está actualmente em curso, um novo projecto relacionado com a avifauna nacional – o Atlas das Aves Invernantes e Migradoras – que resulta de uma organização conjunta entre Serviço do Parque Natural da Madeira, Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA), Universidade de Évora (LabOr – Laboratório de Ornitologia), Secretaria Regional do Ambiente e do Mar (Açores), Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade e Associação Portuguesa de Anilhadores de Aves. Este projecto tem envolvido muitos dos ornitólogos e observadores de aves do País. Os projectos atlas são ferramentas fundamentais na inventariação e gestão da biodiversidade. Portugal possui já um atlas das aves nidificantes para o território nacional (estando actualmente em curso o Atlas das Aves Nidificantes do Arquipélago da Madeira) existindo pontualmente alguns atlas locais e regionais das aves invernantes. Contudo, não possui ainda nenhum atlas das aves invernantes que abranja a totalidade do território nacional. De modo idêntico, não possui qualquer atlas das aves migradoras de passagem. O conhecimento da distribuição e abundância das aves nestes dois períodos deverá ser um instrumento estruturante para o conhecimento ornitológico e para o planeamento e gestão do território. E esta é a razão que levou à génese do projecto pelos referidos parceiros. No âmbito do projecto, foi criada uma comissão científica com representantes das organizações parceiras, para definição da metodologia e acompanhamento do mesmo. Os trabalhos de campo iniciaram-se em Agosto de 2011 e decorrerão até Fevereiro de 2013 e toda a ajuda de observadores voluntários, que serão responsáveis pela recolha da maior da parte da informação ornitológica no terreno, é bem-vinda. A recolha de dados integrará dados de observações sistemáticas, de anilhagem, de observações ocasionais/adicionais e ainda de outros projectos e será feita durante dois anos (2011-2012 e 2012-2013) em duas épocas por ano: Época de migração: Portugal continental e Madeira – 1 Agosto a 15 Outubro; Açores – 15 Agosto a 31 Outubro Época de inverno: Portugal continental e Madeira – 15 Novembro a 15 Fevereiro; Açores – 1 Dezembro a 28 Fevereiro Serviço do Parque Natural da Madeira

Um 2012 cheio de… direitos e deveres

Quando começa mais um ano, muitas pessoas fazem a habitual lista de resoluções de Ano Novo e formulam desejos de Bom Ano para amigos e familiares. Na Amnistia Internacional seguimos a tradição: desejamos a todos um 2012 cheio de tudo aquilo a que têm Direito – e que está contemplado na Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948 –, mas também com os Deveres associados – escritos pela UNESCO – Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura – em 1998, na Declaração de Responsabilidades e Deveres Humanos. Pedimos, ainda, que este ano esteja na vossa lista: ajudar a Amnistia Internacional – que até 28 de Maio ainda celebra os seus 50 anos de existência – a fazer deste um mundo melhor. Para quem já estiver a pensar ‘como assim?’ ou para os mais céticos, que devem estar a afirmar ‘dizem todos o mesmo’, referimos que neste ano de aniversário a Amnistia Internacional tem cinco objetivos muito concretos. E que para os concretizarmos precisamos de ti! Um dos objetivos, que está agora a ser perseguido, prende-se com a República Democrática do Congo, onde a 28 de Novembro o Presidente Joseph Kabila foi reeleito, após uma campanha eleitoral marcada por confrontos e uma ida às urnas que resultou em mortos. O país tenta ainda recuperar de uma guerra sangrenta que durou de 1998 a 2003 e na qual morreram quatro milhões de pessoas, entre outras violações graves que foram cometidas aos direitos humanos. Vamos exigir que os responsáveis sejam identificados e levados à justiça. Tudo o que precisas de fazer é assinar a petição que encontras no portal da AI, dirigida ao novo Governo do país. Passa-a ainda aos teus amigos e familiares. Se quiseres ser ainda mais ativo podes promover na tua Faculdade ou local de trabalho uma sessão de assinaturas da petição. Sabe como escrevendo para boletim@amnistia-internacional.pt. Outro dos objetivos da Amnistia Internacional para o ano de aniversário passa por proteger os direitos das mulheres, nomeadamente as da Nicarágua, que podem sofrer duras penas de prisão por realizarem um aborto, mesmo que este seja essencial por razões médicas. Esta foi a ação que abriu o ano de aniversário, tendo decorrido até final de Setembro, quando houve, na Nicarágua, uma manifestação pacífica. O terceiro objetivo está ligado ao desejo de erradicar do mundo a pena de morte e, particularmente, da Europa, onde só a Bielorrússia mantém esta forma de punição. Foi realizada uma petição para o Governo do país, que reuniu 250 mil assinaturas. O quarto objetivo está ligado à liberdade de expressão e passou pelo evento anual da Amnistia Internacional, a Maratona de Cartas, de que falámos na revista JA anterior. Até hoje foram já recolhidas mais de 997.000 assinaturas, de todo o mundo, para os cinco casos da Maratona. O último objetivo a ser alcançado até 28 de Maio passa por exigir à Shell que seja responsável na exploração petrolífera que leva a cabo no Delta do Níger, na Nigéria. Sabe mais sobre tudo isto em www.amnistia-internacional.pt (ver Notícias/Amnistia 50 Anos). Acompanha o aniversário da Amnistia Internacional e participa! Tu podes fazer a diferença! Amnistia internacional Portugal

De mochila às costas em Castelo Branco

De mochila às costas visite o interior de Portugal Continental e passe por Castelo Branco. Do alto das ruínas do seu castelo templário goze a paisagem trigueira e aviste a Gardunha e a Estrela. Passe por ruas medievais sinuosas e de paredes tortas e descubra palacetes e solares, igrejas e capelas, e prove os sabores das tascas tradicionais e dos restaurantes mais modernos. Se tiver oportunidade, prove alguns dos doces típicos da região, entre vários tipos de bolos secos e sobremesas à base leite e ovos, como as papas de carolo (semelhante ao arroz-doce, mas feitas de milho estraçoado). Diferente do da Madeira, o bordado de Castelo Branco de seda em linho, é outro motivo de visita à cidade. Finalmente, visite o Jardim do Paço Episcopal (casa de férias dos bispos da Guarda). Deste labirinto barroco, fala-se das estátuas de bronze que os franceses roubaram (hoje de granito), de uma janela dita dos namorados (que de belo ver, só a companhia) e das passagens secretas para o Convento da Graça (que era de freiras). Carlos Diogo Pereira Alumnus

Ano novo e prevenção

As luzes, as cores, os sabores e os aromas que se sentiram no ar, ainda recentemente, nas ruas do Funchal, e um pouco por toda a ilha, começam aos poucos a esbater-se. Cada um destes apelos aos nossos sentidos fez despertar memórias dos natais da nossa infância, de reencontros de familiares e amigos, de hábitos e tradições que nos alegraram as casas e os corações. Os anos passam mas ninguém nos tira o melhor que guardamos desses dias de encanto e magia: o Presépio, a Árvore de Natal, a Missa do Galo, o Sapatinho, a Noite de São Silvestre e os Sabores. A propósito de sabores, e por associação, recordo os licores com cores e sabores super deliciosos que nos permitiam provar nestas alturas. Mesmo sendo ainda crianças de 9 ou 10 anos de idade, não havia na altura a noção das contra-indicações para nós relativamente àquele consumo. Acontecia com a maior das naturalidades, e pronto, estava feito e ninguém pensava mais no assunto. Hoje, com a informação de que dispomos, não passaria pela cabeça dos pais dar a provar os licores aos filhos nestas idades, uma vez que está cientificamente provado que o organismo não está preparado, antes dos 18 anos, para metabolizar o álcool. Um aspecto que temos de reflectir nesta quadra prende-se com os conceitos “uso social”, “uso moderado e “uso dentro das normas e padrões”. Quando falamos em uso social sabemos que há uma subjectividade inerente a este conceito, uma vez que ele transmite ideias díspares para diferentes pessoas e diferentes substâncias. Esta definição é geralmente usada do mesmo modo que é usada a expressão beber moderadamente, também de difícil definição, e que, sabemos ligar-se com regras de índole cultural ou moral de consumo, livre de risco, desaprovação social, ou perturbação para o próprio ou terceiros. Estas designações são usadas erradamente como um modo de uso sem consequências negativas ou problemas para quem consome, o que sabemos nem sempre ser a verdade. O acto de “tomar um copo” com os amigos, ou num jantar de família, é tido com muita ligeireza sobre as quantidades ingeridas, uma vez que raramente o copo é apenas um copo. Os media têm dado atenção ao Binge Drinking ou uso excessivo e episódico de álcool, um fenómeno que corresponde ao padrão de uso exagerado de álcool numa ocasião ou período de tempo determinado. Corresponde a um uso indevido de álcool, implicando um limite a partir do qual aumentam substancialmente os riscos. Significa o uso de 5 doses de bebida alcoólica para homens na mesma ocasião e de 4 doses para mulheres. A sua descrição está frequentemente relacionada com o subgrupo dos estudantes, adolescentes, jovens adultos e minorias étnicas. Cabe-nos, individualmente, enquanto cidadãos responsáveis e informados, alterar certas atitudes e comportamentos e modificar as estatísticas europeias que nos colocam num lugar deveras preocupante no que respeita ao consumo de bebidas alcoólicas, a bem de um Ano Novo com mais Saúde. Idalina Sampaio Socióloga – Serviço de Prevenção de Toxicodependência