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Na UMa era bom…

… que os alunos não pagassem propinas. Gonçalo Quintal, Estudante de Economia … que houvesse um bar que ficasse aberto 24h. Maria Rodrigues, Estudante de CCO … ter mais apoios às artes, comunicação e línguas. Ser um exemplo de diversidade para todos. Carla Pereira, Estudante de CCO … que houvessem salas de estudo para cada um dos cursos. André Camacho, Estudante de Psicologia … que houvessem mais cinzeiros e caixotes do lixo espalhados. Sara Oliveira, Estudante de CCO … que houvesse mais rapidez e eficácia na atribuição dos processos de creditação. Carolina Martins, Estudante de CCO Carolina Martins

Lixo na UMa

Será que algum dia a maior parte das pessoas já parou para pensar na quantidade de lixo que produz diariamente? Será que já parou para pensar que aquele copo de café poderia ter ido para o separador amarelo? Quantas vezes a preguiça supera o pensamento de ir balde do lixo mais próximo? Penso que todos têm bem assente a ideia do que será o lixo. Vulgarmente chamado aquilo que já não faz falta e/ou aquilo que já não presta é, numa definição mais pomposa, todos os elementos sólidos sem qualquer utilidade, sendo eles supérfluos ou perigosos, foram produzidos por humanos e que devem ser descartados ou eliminados. Em casa, na rua, nos recintos desportivos, nos cafés, na universidade, a produção de lixo aumenta de dia para dia devido às necessidades de todos os seres humanos. Foquemo-nos na Universidade. Num estudo feito por um grupo de alunas do Curso de Especialização Tecnológica em Gestão junto da comunidade universitária, concluiu-se que a reciclagem que está a ser feita na Universidade fica aquém daquilo que seria o ideal. Numa volta pela Universidade da Madeira é possível verificar que as instalações que não são usadas correctamente pelos utentes da mesma. Há relativamente pouco tempo, foram postos vários separadores nos diversos caixotes do lixo que estão dispostos nos vários andares do Campus, uma iniciativa dos alunos do Curso Tecnológico referido. Muitos deles, com a separação papel/plástico não são minimamente respeitados pois todo o tipo de lixo e afins são lá depositados sem qualquer consideração. No pátio, uma grande quantidade de beatas de cigarro são largadas pelo chão tal como vários papéis que vagueiam à procura de um local para permanecerem. Ao longo dos vários vasos que estão presentes no exterior, é possível observar uma possível tentativa de plantação de copos de café que, diga-se de passagem, até agora nem tem dado muito bom resultado. As pequenas acções influenciam o nosso bem-estar. A Universidade é de todos os que a frequentam, todos temos os nossos direitos e deveres. É preciso querer ajudar e ter consciência das nossas acções. Vamos lá por as coisas no sítio onde elas devem estar. Rúben Castro Alumnus

De mochila às costas no Alentejo

Porque para visitar lugares com bonitas paisagens não é preciso sair de Portugal, sugiro para caminhar de mochila às costas, o nosso grande Alentejo. Parte do meu Verão foi passado em Portalegre, um sítio perfeito para repor energias e quebrar a rotina do dia-a-dia, distando apenas algumas horas de Lisboa. Para quem gosta da vida no campo, será este o supra-sumo dos destinos do nosso país. Por entre vacas e cavalos a que depressa nos habituamos, tive oportunidade de testemunhar, aquando de um passeio nocturno pelos vastos campos que tinha como objectivo desfrutar de uma noite bem estrelada, a patrulha de uma astuta família de javalis, a escassos metros do Jeep. Apesar de nunca ter pastoreado, num dos dias em que lá estava houve um rebanho de ovelhas que partiu uma das cercas do monte e escapou para um terreno vizinho. Nessa altura, eu e os anfitriões saltámos para o terreno e percebi que guiar um rebanho com cerca de duzentas e cinquenta cabeças de gado é uma sensação incrível e diferente de tudo o que estava acostumado. Mais do que passar o Verão a tomar banhos de sol à beira de uma piscina, o melhor é mesmo integrarmo-nos no ambiente em que estamos inseridos e desfrutar desses momentos. Pedro Ideia Alumnus

Em Português Escorreito

Escrever correctamente é uma constante dificuldade. É-o, por exemplo, quando queremos empregar um vocábulo que ouvimos, mas com o qual não estamos familiarizados, desconhecendo a sua ortografia. 1. Eles ……………….. para garantir os direitos já adquiridos revendicaram / reveindicaram / rivindicaram /reivindicaram SOLUÇÃO Eles reivindicaram para garantir os direitos já adquiridos. EXPLICAÇÃO O verbo “reivindicar” ouve-se com frequência, mas a sua grafia oferece alguma dificuldade. Há uma tendência generalizada para o escrever conforme se diz. Além disso, como existe a grafia “revindicar” a par de “reivindicar”, prefere-se aquela a esta. Contudo, a mais antiga é “reivindicar” porque tem origem no Latim (“rei vindicatio” – “reclamação de alguma coisa”). A vogal “i” presente na sílaba inicial de “reivindicaram” deve-se a “rei” (coisa). Perspectivada, por engano, como prefixo, a forma “rei” foi alterada para “re-“, dando “revindicar”, que é uma variante tida como não preferencial, visto não ser etimológica. 2. O prazo é ……………….. por mais três meses. prerrogável / porrugável / prorrogável / purrogável SOLUÇÃO O prazo é prorrogável por mais três meses. EXPLICAÇÃO A sequência “prorro” de “prorrogável” (adjectivo) não é fácil de articular ou grafar. No entanto, conhecendo a sua origem (verbo “prorrogar” + sufixo “vel”) é possível evitar o erro. O verbo “prorrogar” vem do Latim “prorogare”, que se formou a partir de “pro”, preposição com, neste caso, a noção de “adiamento”, e o verbo “rogare”, no sentido de “pedir, solicitar, rogar”. Em Português, a representação do duplo “r”, em “prorrogar” ou “prorrogável”, não é etimológica. Equivale ao fonema que se usa, por exemplo, em “carro” ou “murro” para fazer a diferença com “caro” ou “muro”. Helena Rebelo Professora da UMa

Quando a timidez nos trava

“Nunca fui muito conversador. Sinto-me incapaz de dizer algo significativo. Quando sou apresentado a alguém ou tenho oportunidade de expressar as minhas opiniões, sinto-me muito ansioso e preocupado com o que vão pensar de mim. Gosto de estar com pessoas extrovertidas porque as deixo controlar a conversa.” Já se sentiu alguma vez assim? O que pode estar na origem destes sentimentos? Provavelmente, a razão mais comum é a timidez. A timidez é caraterizada por grandes níveis de desconforto, ansiedade, inibição social e dificuldade em expressar as suas ideias e em interagir ativamente num grupo. Todos nós já experienciámos níveis mais ou menos elevados de timidez, principalmente em situações de avaliação ou julgamento social. Existem pessoas que tipicamente se apresentam mais tímidas que outras, com traços de personalidade mais reservados. A tendência de ser tímido não é necessariamente prejudicial, sendo até mais fácil lidar com uma pessoa tímida do que com alguém que se apresente dominador ou agressivo. Além disso, as pessoas que se consideram mais tímidas são geralmente aquelas que numa conversa têm menos dificuldade em dar espaço e ouvir os outros, e as pessoas, em geral, apreciam bons ouvintes Contudo, ser demasiado tímido ou prolongar a timidez em todas as situações sociais poderá constituir um problema, empurrando para um ciclo de isolamento. Esta condição pode ser agravada pela utilização da tecnologia como escapatória para determinadas situações, privilegiando o envio de e-mails ou mensagens de texto em detrimento da conversação face a face. Que estratégias poderão ser úteis nestas situações de timidez extrema? Em primeiro lugar, é necessário reavaliar a forma como se encara a si mesmo. Não estará constantemente a rebaixar-se e a dizer a si próprio que os outros não vão gostar de si ou que não tem nada de valor a dizer? Estes pensamentos levam a sentimentos negativos e impedem-no de se relacionar com os outros de uma forma descontraída e extrovertida. Encontre aspetos positivos em si e procure razões para que outras pessoas queiram relacionar-se consigo. Mantenha o sentido de humor. É embaraçoso “meter os pés pelas mãos”, mas aprender a relaxar e a rir de si mesmo nestas situações incómodas pode ajudar. Seja sincero com os outros. Não necessita esconder os seus medos. Os seus amigos e família são aqueles que melhor o conhecem, por isso comece com eles. Expressar a dificuldade que sente em se relacionar com os outros pode ser um primeiro passo para iniciar uma interação agradável, na medida em que as pessoas farão o possível para deixá-lo mais à vontade no diálogo, ganhando assim maior confiança nas suas competências relacionais. Procure grupos e locais que favoreçam a sua participação. Em vez de evitar o contato social, procure situações em que a sua participação seja importante e em que tenha sucesso. Se o grupo em que se encontra é debilitante para si e não promove o seu envolvimento, procure pessoas que conheça e que poderão ser um apoio à sua integração. Serviço de Consulta Psicológica da UMa

Quando os grandes eram pequenos

O passado ficou para trás… agora vivemos o presente e tentamos planear o futuro. As saudades de uma infância feliz e despreocupada fazem parte de mim, sem que se tornem uma obsessão. Ao olhar para os anos anteriores, recordo nostalgicamente todos aqueles momentos bem passados com a família e com os amigos que entretanto se foram dissipando. Tenho a impressão de que nunca fui uma criança muito traquina mas esta pode ser apenas uma forma de ver as coisas. É certo que houve momentos em que, inocentemente ou não, assustei os meus pais. A título de exemplo, vou contar-vos um episódio caricato. No final de um almoço de Domingo, num restaurante, levantei-me e fui para a rua. Olhei para uma grande pedra ao lado de uma ribeira e somei um mais um. Decidi então fazer das minhas… Acontece que alguma coisa correu mal e acabei dentro da ribeira. Por ter uma altura considerável, todo o restaurante entrou em alvoroço. Saí dali ileso como se nada tivesse acontecido. Mas existem outros episódios, nem todos tão tumultuosos… Uma série deles que considero engraçada passou-se numa fase em que eu não era lá muito ‘bom garfo’. A verdade é que não gostava da comida que era preparada em minha casa… Já a minha tia, que morava na casa vizinha, era a melhor cozinheira do mundo (e continua a sê-lo). A comida era sempre muito bem-vinda, mesmo quando era sopa de legumes ou de outra coisa qualquer. Mais tarde vim a descobrir que aquela era a comida preparada na minha casa e depois mandada para a casa da minha tia. Fazendo uso a uma expressão popular, todos nós sabemos que ‘a galinha do vizinho é sempre melhor do que a nossa’. Ao longo dos anos pratiquei vários desportos. Pratiquei judo durante muito pouco tempo (não tenho bem a noção de quão pouco) e mudei-me depois para a vela. Confesso que gostei muito desta prática mas também apanhei alguns sustos. Parecia que o piloto do helicóptero que havia perto da Marina esperava que eu saísse para o mar para sobrevoar o meu barco. A combinação barco à vela e helicóptero não é favorável, pelo menos para quem está a velejar. Entretanto experimentei a equitação e decidi que seria o meu novo desporto. Alguns meses depois, recebi o meu primeiro cavalo que se chamava Queluz. Não lhe podia deixar de fazer referência pois constituiu um marco importante na minha vida, visto que me obrigou a crescer e tomar uma responsabilidade à qual eu não estava habituado. Infelizmente, após um brutal acidente, o Queluz faleceu sem que eu tivesse oportunidade de me despedir. Nesse dia, ao chegar do Liceu, a casa estava cheia. A notícia vinha a caminho. Foram dias tenebrosos em que tentava mostrar a todos que estava bem, em vão. Apesar de nunca me ter conformado, tive que seguir em frente e continuar na carreira equestre. Hoje sou um estudante de Bioquímica na Universidade da Madeira, que deixou de ter o tempo queria para caprichos (se quiserem chamar-lhes assim). O tempo para recordar nunca é pouco, por isso continuo a fazê-lo… todos os dias! Pedro Ideia Alumnus

Um novo olhar sobre a epilepsia

As crises vêm e vão, o estigma fica! – Dr. Armando Morganho Simplificar! Desmistificar! Eliminar o estigma! Sim, porque o conhecimento é o antídoto do medo! Pode manifestar-se em qualquer idade, raça e classe social! A EPILEPSIA é a disfunção do sistema nervoso central mais comum em todo o MUNDO afetando aproximadamente 50 milhões de pessoas! 85% são de países em desenvolvimento, sendo que 75% destes não recebem tratamento. Surgem 2.4 milhões de novos casos por ano e 50% começam na juventude. Cerca de 70% das pessoas com epilepsia poderiam levar vidas normais, ter uma aprendizagem normal e regular se fossem tratadas adequadamente (WHO, 2011). É caracterizada por uma descarga elétrica neuronal anormal, com ou sem perda de consciência e com sintomas clínicos variados. O cérebro é constituído por milhões de neurónios que comunicam entre si através de impulsos elétricos. Quando esta comunicação sai de controlo, as células cerebrais disparam e os músculos contraem-se. Acontecem então as crises epilépticas! Estas podem ser generalizadas ou focais (parciais) e diferenciam-se de acordo com a área do cérebro que é afetado. Ao contrário do que geralmente se pensa, não se apresentam apenas através de crises convulsivas percetíveis, incluindo também, entre outras, as crises de ausência marcadas por um olhar fixo, vazio e sinais motores subtis. Um diagnóstico correto e atempado é de extrema importância, uma vez que afeta os tratamentos e a qualidade de vida do paciente. Um dos aspetos fundamentais é o testemunho do mesmo e de quem assistiu à crise. Nas últimas décadas, verificam-se grandes avanços tecnológicos que mostram ser instrumentos viáveis e aplicáveis na prática clínica (Falleti, 2006), permitindo, através de diversos contributos interdisciplinares, um tratamento e diagnóstico da epilepsia cada vez mais eficiente. Num inquérito realizado na UMa verificou-se um conhecimento superficial sobre esta temática, por parte dos estudantes inquiridos. Segundo este a maioria das pessoas não saberia como agir perante uma crise epiléptica. O caráter místico da mesma, a falta de informação sobre a doença, crenças desajustadas, sem fundamentação científica, assumem-se como aspectos essenciais na construção do estigma. Este é o “companheiro diário” da EPILEPSIA! Na tentativa de se sentirem aceites, as pessoas com epilepsia tendem a ocultar o seu diagnóstico, a sua condição e a isolar-se socialmente, restringindo diversas actividades. Várias são as ações e políticas desenvolvidas por todo o globo. Em Portugal a Associação Portuguesa de Amigos, familiares e Pessoas com Epilepsia (EPI) e a Liga Portuguesa Contra a Epilepsia (LPCE) são as entidades de referência. A EPI destaca-se pela vertente social e investigação, tendo sede em Lisboa, Coimbra e Porto. Na Madeira não há qualquer núcleo de apoio social para os cerca de 1500 casos existentes. Ajude-nos a informar! Fazer com que o mundo da epilepsia e o nosso sejam UM MESMO! Referências Bibliográficas WHO (2011). Mental health: Epilepsy.Retrieved from http://www.who.int/mental_health/neurology/epilepsy/en/ Falleti M. (2006). Practice of efects associated with the repeated assessment of cognitive function using the CogState battery at 10-minute, one week and one month test-retest intervals. J. Clin. Exp. Neuropsychol., 28, 1095–1112. Ana Andrade Ângela Ferreira Beatriz Ribeiro Diniz Filipe Xavier Hélder Rodrigues Licínia Freitas Petra Coelho Sara Magalhães Sónia Coelho Alunos de Neuropsicologia

À conversa com Bruno Sousa

Do percurso académico, muito se aprende, muito se cresce e enriquece. As experiências vividas tornam-se inesquecíveis e marcantes para toda a vida. O que se aprende não é um simples resultado do curso mas de todas as vivências que envolvem a vida de estudante e que são fundamentais para o crescimento pessoal. Tudo isto, torna esta etapa estudantil… tão especial! CALOIRO Aos 17 anos, chega um jovem à cidade do Porto, vindo da sua terra natal (ilha da Madeira). Ser estudante universitário era uma etapa muito desejada e, por isso, a expectativa sobre o que iria encontrar era alta, especialmente porque esta sua nova vida de estudante iria passar-se longe de casa e de tudo aquilo que tão bem conhecia. O empenho para chegar ao fim do curso e ser Nutricionista era grande, e isso ajudou-o a adaptar-se a uma realidade diferente daquela que estava habituado, numa cidade que pouco conhecia. Para esta adaptação foi também fundamental a praxe, pois foi pautada pelo respeito e por princípios integradores, que veio, e muito, facilitar a adaptação a esta nova fase. Ainda hoje é um grande defensor da praxe… se esta for bem efectuada! Nesta nova etapa, tinha de fazer a sua gestão financeira, ir às compras, fazer pela primeira vez alguns trabalhos domésticos… enfim, viver sozinho e fazer tudo o que daí advém. Foi uma fase de descoberta de capacidades que até aí desconhecia, uma fase de verdadeira aprendizagem! ATÉ FINALISTA Depois de ultrapassar a etapa de caloiro… vinha um longo trajecto de estudo, de novas experiências e de exigência em contornar novos obstáculos. Foram criadas novas amizades e muitos bons momentos foram vividos… que tornaram-se inesquecíveis! Quem não recorda aqueles tempos de estudante… Ao longo de todo o curso, fez sempre questão de conciliar os estudos com outras actividades académicas sem prejudicar o seu rendimento escolar. Fez parte da associação de estudantes, da comissão de praxe, de diversos órgãos da Faculdade e da Universidade como representante dos alunos e envolveu-se em muitas outras actividades académicas. Só faltou fazer parte da Tuna! Toda esta experiência em diversas actividades académicas foi fundamental e até considera que o que aqui aprendeu foram autênticos alicerces para a sua construção enquanto pessoa e profissional. Hoje diz que foram uma grande lição para a vida. Foram anos fantásticos e todas estas actividades apenas enriqueceram a experiência de um percurso académico. MESTRADO Terminado o curso aos 22 anos, regressa à sua terra para exercer a sua actividade profissional tão esperada – ser Nutricionista. Mas, a necessidade de aprofundamento dos conhecimentos científicos levou-o a continuar o percurso académico e passar para a fase seguinte, o Mestrado, tendo escolhido a área da Nutrição Clínica. Continuou o seu percurso na Universidade do Porto. Foi uma escolha, pois a sua ligação à cidade, à própria Faculdade e a toda a sua envolvência estava muito bem consolidada. Foram alguns anos… e as amizades criadas nesta cidade também facilitaram esta escolha. A primeira etapa do Mestrado obrigava-o a deslocar-se todos os fins-de-semana para as aulas. Foi mais uma nova experiência, dura, pois não era fácil conciliar o exercício profissional com o enriquecimento científico em cidades tão distantes, e uma vez que ambas as actividades eram muito exigentes. DOUTORAMENTO Terminado o Mestrado, pouco tempo passou até ponderar o Doutoramento. O interesse pela investigação e pela constante actualização científica, levaram-no a prosseguir os seus estudos e fez o seu doutoramento na área da Nutrição, também na Universidade do Porto, que continuava a ter o papel principal na sua vida académica. Mais uma etapa que exigia a conciliação com a sua actividade profissional na ilha da Madeira, mas mais uma vez foi ultrapassada. Foram anos de autêntico sacrifício da sua vida pessoal… mas muito ricos! Este “jovem” chama-se… Bruno Sousa e diz que “…será para sempre estudante…” à semelhança do que diz uma canção muito conhecida. Enfim, o percurso académico, por tudo o que envolve é algo que marca a vida de qualquer um. Por isso, há que aproveitar tudo o que ele nos proporciona, que possibilita o nosso crescimento e que permite a valorização da nossa formação humana. Bruno Sousa Nutricionista da Revista JA

Dançando com a Diferença

Este grupo de dança inclusiva, cuja direcção artística é de Henrique Amoedo, nasceu como sendo um projecto de nome Dançando com a Diferença. Desenvolvido, entre 2001 e 2007,na Direcção Regional de Educação Especial e Reabilitação, as suas actividades são desenvolvidas actualmente através da Associação dos Amigos da Arte Inclusiva – Dançando com a Diferença, AAAIDD. O GDD diferencia-se dos demais grupos artísticos pela sua filosofia inovadora e ousada, comuns à Arte Contemporânea. De uma forma ciente e cuidada, o grupo leva aos auditórios a versatilidade de pessoas com deficiência, que demonstram no seu dia-a-dia, de ensaios e esforço, que transpõem barreiras e vencem inúmeras batalhas – com alegria e entusiasmo. Sendo assim, o objectivo deste grupo é o de expressar-se através da dança, desmistificando o preconceito ainda existente na sociedade, diante da sua realidade. Com participação não só a nível regional e nacional, já levou o nome da Madeira e de Portugal a eventos internacionais, tendo-se apresentado com os seus espectáculos em cerca de dez países, entre eles, Brasil, França e Rússia. Muitos críticos da área anunciam-no como um dos grupos que mais contribui para a inclusão do cidadão deficiente, sendo reconhecido por isso. Apesar de existirem outras iniciativas no país que trabalham a dança em pessoas com deficiência, o GDD é o único grupo do género no país que se constitui como uma companhia de repertório usando, entre outros, criações de distintos coreógrafos, como Clara Andermatt e Rui Horta. Para além dos dançarinos profissionais que integram o elenco dos espectáculos, o grupo trabalha quotidianamente em actividades educacionais artísticas e de apoio terapêutico, com cerca de cem pessoas de várias faixas etárias. A população menos jovem participa em iniciativas promovidas pelo grupo através de um protocolo estabelecido com a Câmara Municipal do Funchal. Outras acções desenvolvem-se em parceria com a Secretaria Regional de Educação e dos Recursos Humanos e as suas Direcções Regionais, com o intuito de se desenvolverem actividades de Dança Inclusiva na Região Autónoma da Madeira. O Centro das Artes Casa das Mudas, na Calheta, é o local de residência do GDD e onde os seus espectáculos são normalmente apresentados. Estreado na Casa das Mudas e levado a palcos internacionais, o espectáculo mais recente do GDD intitulado de Desafinado já foi distinguindo, pelo semanário Expresso de 30-11-2011 como sendo a segunda melhor coreografia de 2011 em Portugal. Para além deste espectáculo, foram apresentadas na Região, no ano transacto, as coreografias WingWongorPingPong e Máquina Letal. Para este ano o GDD promete a estreia, em Maio, na Calheta, de um espectáculo que envolverá parceiros da Alemanha, Estónia, Polónia e Lituânia. Como estas, muitas outras coreografias desde há mais de dez anos, têm deliciado aqueles cuja sensibilidade à arte da dança tem-nos levado a enriquecer os seus sentidos com toda a energia, garra e união que este grupo representa. Elisabete Andrade

O meu primeiro amor

Acho que todas as verdadeiras histórias de Amor começam com um olhar. Um olhar mais ou menos intenso, mais ou menos demorado, que nos perturba e faz acelerar o coração, foi assim que começou a minha história de Amor. Era Verão, a primeira vez que o vi tinha uns 4 anos e ele era homem feito, debruçada à janela do quarto dele, olhava ansiosa para o fundo do nosso beco, quando ele apontou na esquina. Eu pulei de alegria, ele escondeu-se e chamou o meu nome, como só ele sabia pronunciar, em linguagem de bebé como se tivesse 4 anos também. Enquanto ele não reaparecia, a minha ansiedade fazia-se sentir na velocidade com que chuchava na minha chupeta. Voltou a aparecer como por magia e eu ria e saltava sem nunca sair do lugar, o olhar dele consolou a minha inquietação à medida que se aproximava. Durante o percurso pelo beco, perguntava: “quem é esta menina mai linda?”. A baba quente escorria–me pela boca até ao peito, puxou-me do parapeito da janela, apertou-me junto ao peito peludo e fofo, arrancou a chucha da minha boca para lhe dar um beijo babado, mas devagar para não picar e atirou-me ao ar até eu tocar nas telhas velhas do nosso telhado. Mesmo sem saber naquela altura, desconfio que ele já o sabia, foi naquele olhar, daquele fim de tarde quente, que conheci o Meu Primeiro Amor, o Meu Pai. Nestes últimos tempos e apesar de a maior parte das vezes ele manter os olhos fechados, aquele olhar que me apaixonou estava sempre lá e continuava a ser o meu maior consolo. Falo daqueles olhos redondos a sorrir, pequenos e negros, que conheço de cor e nunca vou esquecer. Cristina Camacho Universidade da Madeira