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As implicações do IVA na vida dos estudantes universitários

Um dos assuntos mais abordados nos últimos tempos tem sido o aumento do Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA) na Região. Para os menos atentos, o IVA, é um imposto aplicado na União Europeia, que incide sobre a despesa ou consumo, e tributa o valor acrescentado das transacções efectuadas pelos contribuintes. Por culpa da crise que afecta todo o País, o pacote de austeridade coloca o IVA na Região Autónoma da Madeira nos 22%, menos um ponto do que no Continente. Este aumento será aplicado a partir do dia 1 de Abril colocando muitos sectores com atenção redobrada nos seus negócios, pois muitos já cederam à primeira subida do IVA em Janeiro deste mesmo ano, aumentando o preço dos seus produtos. Várias empresas dos mais diversos sectores, incluindo o da restauração, aumentaram os seus preços e com o mês de Abril quase a chegar, haverá uma nova subida, ingrata para os consumidores. Na Universidade da Madeira, a preocupação dos alunos centra-se nos serviços ali prestados, com o bar do alunos e o Copy Center a assumirem maior destaque. Reina a dúvida: será que vamos pagar mais pelos produtos que consumimos na Universidade? Em conversa com o Administrador dos SASUMa, Ricardo Gonçalves, a JA soube que ainda não foi possível averiguar se os preços do bar dos alunos vão mesmo subir. O mesmo expressa a sua preocupação e a sua “vontade em não aumentar” dizendo mesmo que tudo “depende de como estiver o mercado”. Há relativamente pouco tempo, o Governo Regional comprometeu-se em aumentar as taxas do imposto sobre os produtos petrolíferos, para valores superiores aos de Portugal Continental. O aumento do preço dos combustíveis, influenciando o preço dos transportes das mercadorias, e a diminuição no número de fornecedores pode causar um aumento de preço nos produtos vendidos no bar dos alunos. Sem qualquer informação fidedigna, pensa-se que o Copy Center deverá estar na mesma linha de pensamento. Com os aumentos em vários sectores, o produto final pode mesmo encarecer tendo os estudantes que abrir os cordões à bolsa. Já com as propinas no valor máximo, como seria a reacção dos alunos da Universidade da Madeira se os produtos alimentares e de papelaria subissem de preço? Esperemos então por Abril. Rúben Castro

Quando os grandes eram pequenos

(…) O lençol de buganvílias roxas cobria a ribeira. As ruas que a ladeavam eram cheias de árvores, tanto que as chamávamos rua das árvores, e desciam junto com a ribeira até ao mar. A determinada altura da subida, estão estacionados grandes carros carregados de canas à espera da sua vez de ser descarregada, pesada e moída nas máquinas da enorme fábrica que as transformavam em açúcar. O prazer único de se chupar uma daquelas canas só era permitido se um dos homens que as guardavam, tinha a simpatia de, com algum esforço, tirar uma do molhe onde vinha amarrada para nos oferecer, ou se algum dos “garotos”, como a minha mãe os chamava, que corriam atrás dos carros para roubá–las, deixava cair alguma. Canas-de-açúcar, havia sempre muitas, mas aquelas eram sempre mais apetecíveis. (…) Na casa da minha avó, havia um grande alguidar de madeira. Servia para amassar pão e bolos. Nos dias que antecediam o Natal, a cozinha fazia parte do dia a dia de toda a gente. Ponham-se os miúdos todos à volta do alguidar, enquanto a minha mãe punha lá dentro os ingredientes: especiarias que vinham da “venda” embrulhadas cada uma no seu papelinho e que ela dava a cheirar antes de as deitar no alguidar, a farinha, as passas, os frutos secos a margarina e finalmente o mel, espesso e escuro e que tinha um cheiro adocicado. Aquilo era tudo misturado com muito cuidado, devagarinho e amassado pelas mãos de uma mulher que conhecia como ninguém aquela arte e que ficava com os dedos todos sujos daquela mistura. No final da função de amassar, era–nos permitido lamber-lhe os dedos doces daquela massa maravilhosa. Depois, a minha avó fazia uma cruz na massa enquanto dizia uma reza (São Vicente te acrescente, São Mamede te levede) como se este último procedimento fosse fundamental para que nos três dias seguintes aquela massa desafiasse as leis da natureza e crescesse ainda mais. (…) Da janela da cozinha ouvia-se e adivinhava- -se a chegada dos navios. Era uma festa quando os navios chegavam. Eram monstros enormes que se deslocavam silenciosamente no mar e que traziam e levavam imensa gente. Traziam turistas que movimentavam a cidade e nesse tempo eram designados globalmente e independentemente da sua nacionalidade por “ingleses”. Quando iam embora, partiam com apitos e com a ajuda duns pequenos barcos que se chamavam pilotos e, apesar de serem infinitamente mais pequenos, arrastavam aqueles enormes monstros até ao alto-mar. Os navios também levavam as pessoas. Uns iam para Lisboa, outros emigravam para os Brasis, Venezuelas, Américas, e em tempos bem piores levaram os meus tios para a guerra do ultramar, deixando as pessoas no molhe, de lenço branco na mão e com as caras banhadas em lágrimas no desespero duma despedida que podia ser a última…Para nós, os miúdos, este movimento do Porto, era sobretudo uma oportunidade de olhar de perto aquele mar, que nos mantinha prisioneiros e ao mesmo tempo nos fascinava. (…) A camioneta ou “horário” parou num larguinho que tinha uma “venda” onde os homens bebiam vinho e uma fonte onde alguns matavam a sede. Cansada da subida e dos anos de trabalho, a camioneta bafeja um fumo negro do cano de escape e outro esbranquiçado do interior do seu focinho arredondado. O “chaufer” deixa-a descansar, enquanto o “bilheteiro” retira do seu interior um recipiente de borracha em forma de bota que enche na fonte para saciar a sede do velho motor que nos irá permitir continuar o percurso. Três aceleradelas, como que a dar balanço, e a velha camioneta geme arrastando-se pela encosta acima, serpenteando por um caminho com uma lomba muito alta a meio. O caminho é tão estreito que, embora o Verão escalde e os odores humanos dos outros passageiros que enchem aquele cubículo não seja o mais agradável, não nos atrevemos a abrir as janelas sob risco de sermos arranhados violentamente pelo silvado que o rodeia. A meia encosta, saltamos na paragem habitual deixando o cheiro a fumo, a gasóleo e dos humanos, companheiros desta “viagem aventura” e deparamo–nos com o silêncio, e as cores das bananeiras e da vinha. O odor deixa adivinhar o sabor a uva madura e a mosto saído dos pés dos homens no lagar. Retratinhos de Infância de Maria da Paz Rodrigues Mestranda em Gestão Cultural na UMa

Dez doutores no desemprego

A notícia que mais me marcaria na edição do Diário de Notícias do dia 25/12/1992 seria aquela que dava conta que o desemprego havia chegado aos licenciados. Na altura não a li. Entraria na Universidade dois anos depois e o desemprego não me preocupava. Ao ler, hoje, a notícia devo confessar que rir foi a minha primeira e mais honesta reacção. Quem não gostaria que tal notícia se repetisse e que fosse uma realidade hoje, neste país de doutores e engenheiros. Dizem as novas regras do Acordo Ortográfico (AO) que as formas de tratamento (senhor doutor, engenheiro, bacharel, entre outras) devem ser, agora, escritas com minúscula apesar de muitas pessoas preferirem a possibilidade da dupla grafia. Mas quem se atreverá a escrevê-las com menor relevância, grandeza e destaque? Quem quererá causar arrepios a quem ‘queimou as pestanas’ durante longos anos e agora mais do que merecer uma forma de tratamento especial exige-a? Este modo de vida tem ditado o mercado de trabalho. Quem termina uma licenciatura procura, essencialmente, um status, um bom ordenado, efectividade e se puder juntar-lhe pouco trabalho, melhor. Mas tal como o AO também neste aspecto não há regra sem excepção. Quase 20 anos depois da notícia explosiva acredito que muitos são os exemplos de dedicação, empenho e profissionalismo. Muitos são aqueles que antes de exigirem os seus direitos conhecem e promovem os seus deveres. Sejamos, ou não, doutores e engenheiros precisamos tornar esta máxima uma realidade. Urge fazê-la real até porque os números do desemprego de hoje assim o obrigam. Andreia Nascimento Alummnus

Aposta em ti!

Face às profundas transformações sentidas no Ensino Superior português, a formação complementar representa, hoje, um papel essencial na valorização dos estudantes e assume uma importância decisiva na formação ao longo da vida e na gestão da carreira. Tendo como objectivo o incentivo e o apoio para um cada vez maior saber-fazer e saber-ser, a Associação Académica da Universidade da Madeira tem vindo a apostar em formações – Seminários, Conferências, Cursos livres e Workshops – de âmbito diverso e abertas à comunidade em geral e no apoio escolar às mais diversas áreas do Ensino Secundário e Superior. Curso de Desenho e Organização de Projecto (60 horas), Curso Avançado de Microsoft Word (16 horas), Curso Avançado de Microsoft Excel (16 horas), Liderança no Sucesso das Organizações, Autocad Avançado (certificado pela Auto Desk) e explicações em Biologia e Geologia e Português (Ensino Secundário), Matemática 2, Cálculo II, Mecânica e Ondas e Resistências dos Materiais I já se encontram agendadas e com as inscrições a decorrer. Para que não se negligencie o esforço e o acompanhamento individual as vagas são limitadas e validadas por ordem de inscrição. Até Julho de 2012 a oferta formativa será alargada com preços competitivos e com facilidades de pagamento. As informações vão sendo disponibilizadas no site da AAUMa: www.aauma.pt e nas redes sociais. Bernardo Faria Alumnus

Parasitismo

Parasitismo vem do grego, parásîtos: de pará, ao lado, junto de + sîtos, alimento, podendo significar “aquele que come ao lado de outro” e é a associação entre seres vivos, na qual existe uma unilateralidade de benefícios, sendo um dos associados prejudicado nessa relação. Desde o primeiro dia, é praticamente impossível evitar o contacto com os parasitas. Eles existem no meio ambiente e podem ser internos (vermes – mais conhecidos por lombrigas e coccidias) e externos (pulgas, piolhos, mosquitos, carraças e ácaros) e apesar de por vezes exteriormente o seu animal de estimação parecer saudável, ele pode estar parasitado. Os factores climáticos influenciam a sua prevalência daí que factores climáticos como o da nossa Região com temperaturas de 14-18 ºC e humidade elevada são factores de risco. Em relação aos endoparasitas, estes podem ser transmitidos via transplacentária ou transmamária (colostro ou leite) ou pela ingestão dos ovos que existem no exterior. Provocam muitas vezes patologias gastrointestinais e/ou respiratórias podendo mesmo levar à morte! A sua prevenção passa por desparasitações regulares que podem ser iniciadas entre as 2 e as 4 semanas de idade. No que diz respeito aos parasitas externos, devem usar-se ectoparasiticidas que são insecticidas e/ou acaricidas normalmente de aplicação dérmica, no entanto para serem eficazes devem ser aplicados regularmente e o animal não deve ser molhado nas 48 horas de intervalo da sua aplicação. Existem muitas doenças transmitidas por ectoparasitas nomeadamente doenças dermatológicas, doenças infecciosas, anemia (as carraças chegam a consumir 2 ml de sangue por dia) e zoonoses podendo afectar as pessoas que com ele se relacionem especialmente no caso de serem crianças ou pessoas com o sistema imunitário débil, daí que seja de extrema importância e para proteger ambas as partes que se efectuem desparasitações regulares. Sociedade Protectora dos Animais Domésticos

Observatório de Emprego

Ricardo Fabrício, docente e investigador da Universidade da Madeira na área da Gestão e Economia, é o director do Observatório de Emprego da mesma academia. Em poucas questões, fique a conhecer mais sobre este novo organismo. JA:Quando foi criado o Observatório de Emprego? RF: O Observatório foi criado no ano passado. No entanto, o arranque da actividade está a acontecer somente agora. A título de curiosidade, reunimos pela primeira vez no final de Janeiro. JA: Quais são os objectivos deste organismo? RF: O Observatório tem como missão primordial produzir informação; nomeadamente, estabelecer conclusões quanto àquilo que a Universidade está a oferecer do ponto de vista de diplomados e aquilo que o mercado esta a receber. Procura- -se fazer um ajustamento e alertar para eventuais desfazamentos. JA: Quem constitui o observatório? RF: Seis pessoas ligadas à UMa e seis personalidades da vida regional, nomeadamente, parceiros sociais, entidades públicas e do mundo empresarial. Desta forma, permite-se que este grupo faça um mix entre os interesses internos e as expectativas do ambiente geral, da nossa envolvente. JA: Quem pode usufruir? RF: Todos, de forma directa ou indirecta, podem usufruir e contribuir para este organismo. Por exemplo, o Observatório funciona como um órgão de staff e de aconselhamento que produz informação e, consequentemente, ajuda na tomada de decisões relativas à formação e à empregabilidade, actuando junto dos organismos de poder da Universidade. Por outro lado, os alunos podem adquirir informações e indicações sobre o panorama referente ao mercado de trabalho. JA: O Observatório promove emprego? RF: Não. Essa é uma falsa premissa associada a este organismo. Só se pode considerar que o observatório promove emprego de forma indirecta. Promovemos, sim, ajuda na procura de emprego e concedemos informação a todos os alunos. JA: Já existem estudos publicados? RF: Tendo em conta que a actividade do Observatório está numa fase embrionária, não possuímos senão informações preliminares acerca de algumas áreas e estatísticas da oferta formativa e dos diplomados da UMa. Por exemplo, podemos já afirmar que 50% dos diplomados da Universidade são das áreas das Engenharias, Ciências da Educação e Gestão/Economia. Estamos neste momento a tentar quantificar o número de diplomados por ano e por curso. JA: Onde se poderá encontrar informação? RF: O Observatório quer fomentar alternativas e informação, participando, activamente, na ajuda aos alunos. Assim, o mesmo participará em todos os eventos e iniciativas possíveis ligadas ao emprego. Podemos adiantar, também, que está prevista a realização de uma Feira de Trabalho, fruto de uma parceria entre a AAUMa, a AAAUMa e o Observatório. JA: Quais são as expectativas externas em relação ao Observatório? RF: Por parte dos alunos existe, ainda, uma perspectiva errada daquela que é a missão e o trabalho do Observatório. Por partes dos docentes, denota-se uma motivação e interesse pelos resultados e pelo output. Vera Duarte Alumnus

O fado de Coimbra também é fado

Também é património de Portugal e da humanidade! A elevação do Fado a Património Imaterial da Humanidade constitui um marco assinalável para a nossa cultura, um motivo de orgulho para os portugueses nestes tempos difíceis de crise. É também a ilustração de que um trabalho bem pensado, bem realizado e bem apoiado dá frutos. No meio destas comemorações e festejos Coimbra constitui, ao estilo ‘Gaulês’, uma irredutível cidade no meio de Portugal que ostenta ‘com orgulho’ o facto de não ter sido enquadrada nesta efeméride. Será verdade que o Fado de Coimbra não é Património da Humanidade? Sempre vi o Fado como uma das expressões mais genuínas da cultura do nosso povo e é inquestionável que quem é português ou admire a cultura portuguesa, não deixa de ficar indiferente ao som das suas melodias. O Fado cresce no seio do povo e diferencia-se de acordo com os grupos sociais que o acolhem. Se em Lisboa o Fado passou dos indigentes para a aristocracia e depois para burguesia, em Coimbra o Fado sempre esteve ligado à comunidade universitária. Os diferentes géneros de Fado exaltam as diferenças dos grupos sociais mas comungam a mesma arte, cantar em português, tocar guitarra portuguesa e acompanhar à viola. Se os burgueses, aficionados tauromáquicos, monárquicos e outros demais sectores da nossa sociedade vêem a sua música reconhecida, julgo que não faz sentido deixar os universitários de fora. Portanto o Fado de Coimbra também é Fado, também é património de Portugal e da humanidade! Ou teremos agora que mudar o nome ao “Fado Hilário”, ao “Fado da Mentira”, ao “Fado dos Olhos Claros”, ao “Fado Corrido de Coimbra” e a tantos tantos mais? Não me parece que seja esse o caminho, pois faz parte do senso comum português que a música de Coimbra é o Fado. Aliás, de acordo com um estudo recente de notoriedade depois de Universidade a palavra que melhor define Coimbra é Fado. Este Fado não é regional, aliás muito pelo contrário, basta ver a origem dos nomes mais sonantes: o madeirense Edmundo Bettencourt, o açoriano Fernando Machado Soares, o aveirense Zeca Afonso, o fornense António Menano, o gaiense Nuno Guimarães, o leiriense Afonso de Sousa, o visiense Augusto Hilário ou os conimbricenses Artur e Carlos Paredes ou Luís Goes. Todos estes grandes nomes da cultura portuguesa emprestaram o seu génio ao Fado de Coimbra tornando-o em mais um símbolo inconfundível da cultura portuguesa e creio que seria muito limitador dizer que o Fado é só de Lisboa ou só de Coimbra. De qualquer modo, o Fado de Coimbra enquadra agora a candidatura da Universidade de Coimbra a Património da Humanidade, iniciativa que é naturalmente de louvar e de esperar que tenha o mesmo sucesso que a recente candidatura do Fado onde, em meu entender, já deveria ter figurado. Quer atinja ou não esse tão almejado galardão, uma coisa é certa, esta música tradicional manterá certamente todo o encanto, continuará a fazer sonhar os seus ouvintes e continuará a deixar a sua marca nas gerações futuras tal como o tem feito já hà mais de século e meio. João Farinha Membro do Centro Cultural e Artístico Fado ao Centro, em Coimbra

Quem é que fica na UMa?

O povo, quando existia, costumava dizer que nunca devemos duvidar que as coisas podem ficar ainda piores. Pois parece que 2012 será um ano exemplar para comprovar a aplicabilidade desse ditado popular. Começamos o ano com uma mensagem do reitor a anunciar que poderão faltar verbas para o pagamento de ordenados dos funcionários docentes e não docentes. Em 2012 serão necessários cerca de 940 mil euros por mês para o pagamento de ordenados na UMa. O montante mensal disponível do Orçamento de Estado é de cerca de 728 mil euros, o que indica um défice de 212 mil euros todos os meses. Esse valor em falta deverá ser obtido através do recurso às receitas próprias da Universidade. A dúvida apresentada é assenta sobre a capacidade que a Instituição terá em recolher e gerar essa receita. Além dessa questão vamos ser confrontados com a dúvida sobre o número de estudantes que conseguiremos captar. Provavelmente beneficiaremos do retorno de estudantes madeirenses do continente. Mas a criação de cursos não bastará num ambiente que será marcado pela dificuldade das famílias, especialmente numa região que se prepara para medidas adicionais de austeridade. Ao nível nacional agravar-se-á o problema relacionado com o abandono de docentes e investigadores do país. O problema que se coloca na UMa sobre o atraso no pagamento de ordenados ou a falta de verbas para que se honrem tais compromissos é incomportável e inaceitável para os profissionais. Mais grave quando comparado com outros servidores do Estado que não estão sujeitos a tamanha dúvida ou angústia. Resta-nos ficar com os professores que não recebem propostas aliciantes do estrangeiro, com os que nunca irão receber propostas em qualquer lado sem ser aqui, com os que estão já estabelecidos e não querem sair sujeitando-se às condições actuais ou com aqueles que ainda acreditam no país, pois parece que deixámos de acreditar nos nossos líderes e a crença nessa entidade intitulada nação parece ser um conforto similar ao acreditar que existe um povo. E com os estudantes a tentação pela diáspora não é diferente. Acresce a vantagem etária e social que o jovem licenciado ou mestre possui quando comparada a um profissional estabelecido e com dependentes. E todo o investimento que o Estado despendeu na educação desse cidadão transita para outro país com menos possibilidades de retorno ou remessas financeiras como era comum, na emigração portuguesa do passado. Os próximos meses mostrarão se a tendência de fuga será acentuada ou se nós conseguiremos retomar alguma recuperação. Quem sobrará na UMa? Luis Eduardo Nicolau Alumnus

Boas notícias

1. Cancro: projecto pede barbie careca para meninas. A criação de uma Barbie careca para ajudar as crianças que sofrem de cancro ou problemas com efeitos idênticos a encarar com menos sofrimento a queda do cabelo é uma nova causa que está a sensibilizar os utilizadores do Facebook. A página BeautifulandBald Barbie conta já com mais de 84 mil apoiantes, segundo afirma o site Boas Notícias. 2. Paris: disneyland recruta jovens portugueses Segundo afirma o site Boas Notícias, a Disneyland Paris está a recrutar jovens portugueses para os cargos de lojista, recepcionista de hotel e empregado de mesa. O horário é de 35 horas semanais e o salário mensal ultrapassa os 1400€. Os requisitos são ter mais de 18 anos e fluência em francês e inglês. A Disneyland oferece condições facilitadas de alimentação: refeições de 2€ a 3,5€ e alojamento a partir de 291€/mês. A candidatura pode ser apresentada no site Boas Notícias. As entrevistas de seleção, realizadas em francês, decorrem em Portugal, em Fevereiro. 3. Vinho português no top 100 do mercado asiático Um vinho português foi distinguido como um dos melhores à venda no mercado asiático num concurso promovido pela revista Wine In China. Trata-se do TRePA Tinto 2007, um vinho que combina uvas do Douro e da Bairrada. Segundo afirma o site Boas Notícias, o TRePA foi galardoado no âmbito do RubyAward Top 100 Wines e conquistou 89 pontos, surpreendendo o painel internacional de críticos responsável pelas escolhas. 4. Currículo inovador garante emprego a jovem português Um jovem licenciado em Publicidade modernizou o seu currículo e partilhou-o na Internet. O vídeo de apresentação de Orlando Andrade, inspirado no jogo Quem é Quem? tornou-se um êxito nas redes sociais, garantindo a sua entrada no mercado de trabalho nacional. Apesar de arriscada, a ideia desenvolvida captou a atenção dos empregadores-alvo, levando à sua contratação pela Wit-Software, uma empresa sediada em Coimbra, com aplicação mundial, segundo o site Boas Notícias. 5. Carros elétricos: portugueses lançam livro ilustrado Dois investigadores portugueses lançaram o primeiro livro a nível mundial que trata a evolução dos carros elétricos, com o objectivo de afirmar o seu impacto na tecnologia e sociedade. Além disso, o livro Carros Eléctricos dá um “destaque especial à mobilidade elétrica em Portugal, que se justifica face às iniciativas pioneiras que têm surgido” no nosso país, segundo o site Boas Notícias. Carolina Martins

Médio Oriente e Norte de África: não fiques indiferente!

Ao entrarmos em 2012, passou um ano sobre o início dos protestos no Médio Oriente e no Norte de África, liderados maioritariamente por jovens. Tudo começou a 17 de dezembro de 2010, precisamente quando um jovem, o tunisino Mohamed Bouazizi, de 26 anos, pegou fogo a si próprio. Como tantas outras pessoas, um pouco por todo o mundo, tinha ficado desempregado e, para sobreviver, decidiu vender fruta e legumes na rua. A venda ambulante é proibida na Tunísia e um dia as autoridades confiscaram-lhe os produtos. Desesperado, regou-se com gasolina, o que acabou por lhe tirar a vida. Uma atitude que deu início aos protestos que ficaram conhecidos como “Primavera Árabe” e que continuam, em nome do fim da pobreza, da ditadura e da corrupção e aspirando à liberdade. Revoltas que, em alguns casos, tiveram já resultados incríveis, que têm espantado o mundo: na Tunísia, a 14 de janeiro de 2011, o Presidente ditador Zine El Abidine Ben Ali caiu, ao fim de 23 anos no poder; no Egito, a 11 de fevereiro de 2011, Hosni Mubarak renunciou ao cargo de Presidente ao fim de 30 anos, estando agora a ser julgado pela ditadura que comandou; na Líbia, o coronel Muammar Khadafi, que encabeçava uma das ditaduras mais antigas do mundo, foi forçado a fugir para parte incerta em agosto de 2011, quando a capital foi tomada pelos rebeldes, após 42 anos no poder; no Iémen, a 23 de novembro de 2011 o Presidente Ali Abdullah Saleh concordou em passar a pasta ao número dois do seu partido, pondo fim a 33 anos de regime autoritário. Sucessos que escondem uma outra realidade, igualmente assustadora. Na Tunísia, um ano depois do início da revolta o ritmo de mudança continua lento; no Egito o governo foi entregue ao Conselho Supremo das Forças Armadas, que tem cometido abusos, por vezes, piores do que os de Mubarak, com os protestos a serem violentamente reprimidos, as mulheres impedidas de se manifestarem e dezenas de civis a serem julgados por tribunais militares; na Líbia as novas autoridades parecem ter pouca força para controlar os grupos armados que ajudaram a depor Khadafi e punir os abusos cometidos nesse processo – como milhares de detenções sem julgamento –; no Iémen, centenas de pessoas morreram durante os protestos e milhares ficaram deslocadas, provocando uma crise humanitária que está a afetar vários países. Factos que são revelados no mais recente relatório lançado pela Amnistia Internacional: “Year of Rebellion: State of Human Rights in the Middle East and North Africa”, disponível na Internet. Apesar de tudo isto, e em jeito de resumo, Philip Luther, Diretor da Amnistia para o Médio Oriente e Norte de África, deixa o que de melhor nos trouxe estas revoltas: “o que foi marcante neste último ano foi que – com algumas exceções – a mudança tem sido amplamente conseguida pelos esforços da população local, que saiu às ruas, e não pela influência ou envolvimento de potências estrangeiras”. Pessoas como todos nós que arriscaram a vida para que o mundo percebesse que juntos fazemos a diferença. É este o princípio que rege a Amnistia Internacional. Neste ano de 2012, não fiques indiferente. Junta-te a nós no Dia de Ação Global pelo Médio Oriente e o Norte de África, a 11 de fevereiro. Mais informações em: www.amnistia-internacional.pt Amnistia Internacional Portugal