Dez doutores no desemprego

A notícia que mais me marcaria na edição do Diário de Notícias do dia 25/12/1992 seria aquela que dava conta que o desemprego havia chegado aos licenciados. Na altura não a li. Entraria na Universidade dois anos depois e o desemprego não me preocupava. Ao ler, hoje, a notícia devo confessar que rir foi a minha primeira e mais honesta reacção. Quem não gostaria que tal notícia se repetisse e que fosse uma realidade hoje, neste país de doutores e engenheiros.

Dizem as novas regras do Acordo Ortográfico (AO) que as formas de tratamento (senhor doutor, engenheiro, bacharel, entre outras) devem ser, agora, escritas com minúscula apesar de muitas pessoas preferirem a possibilidade da dupla grafia. Mas quem se atreverá a escrevê-las com menor relevância, grandeza e destaque? Quem quererá causar arrepios a quem ‘queimou as pestanas’ durante longos anos e agora mais do que merecer uma forma de tratamento especial exige-a?

Este modo de vida tem ditado o mercado de trabalho. Quem termina uma licenciatura procura, essencialmente, um status, um bom ordenado, efectividade e se puder juntar-lhe pouco trabalho, melhor. Mas tal como o AO também neste aspecto não há regra sem excepção. Quase 20 anos depois da notícia explosiva acredito que muitos são os exemplos de dedicação, empenho e profissionalismo. Muitos são aqueles que antes de exigirem os seus direitos conhecem e promovem os seus deveres. Sejamos, ou não, doutores e engenheiros precisamos tornar esta máxima uma realidade. Urge fazê-la real até porque os números do desemprego de hoje assim o obrigam.

Andreia Nascimento
Alummnus

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