Médio Oriente e Norte de África: não fiques indiferente!

Ao entrarmos em 2012, passou um ano sobre o início dos protestos no Médio Oriente e no Norte de África, liderados maioritariamente por jovens. Tudo começou a 17 de dezembro de 2010, precisamente quando um jovem, o tunisino Mohamed Bouazizi, de 26 anos, pegou fogo a si próprio. Como tantas outras pessoas, um pouco por todo o mundo, tinha ficado desempregado e, para sobreviver, decidiu vender fruta e legumes na rua. A venda ambulante é proibida na Tunísia e um dia as autoridades confiscaram-lhe os produtos. Desesperado, regou-se com gasolina, o que acabou por lhe tirar a vida. Uma atitude que deu início aos protestos que ficaram conhecidos como “Primavera Árabe” e que continuam, em nome do fim da pobreza, da ditadura e da corrupção e aspirando à liberdade.

Revoltas que, em alguns casos, tiveram já resultados incríveis, que têm espantado o mundo: na Tunísia, a 14 de janeiro de 2011, o Presidente ditador Zine El Abidine Ben Ali caiu, ao fim de 23 anos no poder; no Egito, a 11 de fevereiro de 2011, Hosni Mubarak renunciou ao cargo de Presidente ao fim de 30 anos, estando agora a ser julgado pela ditadura que comandou; na Líbia, o coronel Muammar Khadafi, que encabeçava uma das ditaduras mais antigas do mundo, foi forçado a fugir para parte incerta em agosto de 2011, quando a capital foi tomada pelos rebeldes, após 42 anos no poder; no Iémen, a 23 de novembro de 2011 o Presidente Ali Abdullah Saleh concordou em passar a pasta ao número dois do seu partido, pondo fim a 33 anos de regime autoritário.

Sucessos que escondem uma outra realidade, igualmente assustadora. Na Tunísia, um ano depois do início da revolta o ritmo de mudança continua lento; no Egito o governo foi entregue ao Conselho Supremo das Forças Armadas, que tem cometido abusos, por vezes, piores do que os de Mubarak, com os protestos a serem violentamente reprimidos, as mulheres impedidas de se manifestarem e dezenas de civis a serem julgados por tribunais militares; na Líbia as novas autoridades parecem ter pouca força para controlar os grupos armados que ajudaram a depor Khadafi e punir os abusos cometidos nesse processo – como milhares de detenções sem julgamento –; no Iémen, centenas de pessoas morreram durante os protestos e milhares ficaram deslocadas, provocando uma crise humanitária que está a afetar vários países.

Factos que são revelados no mais recente relatório lançado pela Amnistia Internacional: “Year of Rebellion: State of Human Rights in the Middle East and North Africa”, disponível na Internet. Apesar de tudo isto, e em jeito de resumo, Philip Luther, Diretor da Amnistia para o Médio Oriente e Norte de África, deixa o que de melhor nos trouxe estas revoltas: “o que foi marcante neste último ano foi que – com algumas exceções – a mudança tem sido amplamente conseguida pelos esforços da população local, que saiu às ruas, e não pela influência ou envolvimento de potências estrangeiras”. Pessoas como todos nós que arriscaram a vida para que o mundo percebesse que juntos fazemos a diferença. É este o princípio que rege a Amnistia Internacional. Neste ano de 2012, não fiques indiferente. Junta-te a nós no Dia de Ação Global pelo Médio Oriente e o Norte de África, a 11 de fevereiro.

Mais informações em:
www.amnistia-internacional.pt

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