Ano novo e prevenção

As luzes, as cores, os sabores e os aromas que se sentiram no ar, ainda recentemente, nas ruas do Funchal, e um pouco por toda a ilha, começam aos poucos a esbater-se. Cada um destes apelos aos nossos sentidos fez despertar memórias dos natais da nossa infância, de reencontros de familiares e amigos, de hábitos e tradições que nos alegraram as casas e os corações.

Os anos passam mas ninguém nos tira o melhor que guardamos desses dias de encanto e magia: o Presépio, a Árvore de Natal, a Missa do Galo, o Sapatinho, a Noite de São Silvestre e os Sabores. A propósito de sabores, e por associação, recordo os licores com cores e sabores super deliciosos que nos permitiam provar nestas alturas. Mesmo sendo ainda crianças de 9 ou 10 anos de idade, não havia na altura a noção das contra-indicações para nós relativamente àquele consumo. Acontecia com a maior das naturalidades, e pronto, estava feito e ninguém pensava mais no assunto. Hoje, com a informação de que dispomos, não passaria pela cabeça dos pais dar a provar os licores aos filhos nestas idades, uma vez que está cientificamente provado que o organismo não está preparado, antes dos 18 anos, para metabolizar o álcool.

Um aspecto que temos de reflectir nesta quadra prende-se com os conceitos “uso social”, “uso moderado e “uso dentro das normas e padrões”. Quando falamos em uso social sabemos que há uma subjectividade inerente a este conceito, uma vez que ele transmite ideias díspares para diferentes pessoas e diferentes substâncias. Esta definição é geralmente usada do mesmo modo que é usada a expressão beber moderadamente, também de difícil definição, e que, sabemos ligar-se com regras de índole cultural ou moral de consumo, livre de risco, desaprovação social, ou perturbação para o próprio ou terceiros. Estas designações são usadas erradamente como um modo de uso sem consequências negativas ou problemas para quem consome, o que sabemos nem sempre ser a verdade. O acto de “tomar um copo” com os amigos, ou num jantar de família, é tido com muita ligeireza sobre as quantidades ingeridas, uma vez que raramente o copo é apenas um copo.

Os media têm dado atenção ao Binge Drinking ou uso excessivo e episódico de álcool, um fenómeno que corresponde ao padrão de uso exagerado de álcool numa ocasião ou período de tempo determinado. Corresponde a um uso indevido de álcool, implicando um limite a partir do qual aumentam substancialmente os riscos. Significa o uso de 5 doses de bebida alcoólica para homens na mesma ocasião e de 4 doses para mulheres. A sua descrição está frequentemente relacionada com o subgrupo dos estudantes, adolescentes, jovens adultos e minorias étnicas.

Cabe-nos, individualmente, enquanto cidadãos responsáveis e informados, alterar certas atitudes e comportamentos e modificar as estatísticas europeias que nos colocam num lugar deveras preocupante no que respeita ao consumo de bebidas alcoólicas, a bem de um Ano Novo com mais Saúde.

Idalina Sampaio
Socióloga – Serviço de Prevenção de Toxicodependência

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