Afinal, a quem pertencem?
As Selvagens, as Ilhas Falkland (ou Ilhas Malvinas) e Gibraltar têm muito em comum. Estão perto de determinados territórios, mas dependem de poderes longínquos. As Selvagens são constituídas por duas ilhas principais – Selvagem Grande e Selvagem Pequena – e por pequenos ilhéus. São consideradas território português, mas estão mais perto das ilhas Canárias (a 165 km) do que da Região Autónoma da Madeira (a 250 km). As Ilhas Falkland estão situadas no Atlântico Sul e dividem-se em duas principais – Falkland Ocidental e Falkland Oriental. Embora estejam próximas da Argentina, estão subordinadas ao poder britânico. Gibraltar é um território peninsular ladeado pelo Mar Mediterrâneo, pelo Estreito de Gibraltar e pela Baía de Algeciras. Os seus 6,5 km2 de superfície albergam cerca de vinte e nove mil habitantes. Embora faça fronteira (a Norte) com Espanha, depende, tal como as Ilhas Falkland, do poder britânico. No caso das Selvagens, Espanha não reclama qualquer poder sobre elas, querendo que estas representem, apenas, um ponto com uma extensão de mar territorial. Nuestros hermanos enviaram uma missiva à ONU, em Julho, contestando o facto deste sub-arquipélago dar a Portugal a maior Zona Económica Exclusiva (ZEE) da Europa. Caso perdessem o estatuto de ilhas e fossem consideradas meros rochedos, Portugal perderia parte da sua ZEE. No que diz respeito às Ilhas Falkland e a Gibraltar, é o Reino Unido quem tem hegemonia sobre eles. Gibraltar foi legitimado através do Tratado de Utrecht, em 1713. Embora os britânicos continuem a considerá-lo como seu território, as Nações Unidas entendem-no como non-self-governing territory, ou seja, um território para o qual não foi, ainda, encontrada qualquer solução de descolonização. São dezasseis, ao todo, as regiões que partilham desta situação. O governo do Reino Unido está proibido, pela Constituição, de negociar a soberania de Gibraltar e os próprios habitantes, nos referendos realizados, rejeitaram essa hipótese. No entanto, Espanha tem tentando disputar o território. Aliás, a chama reacendeu-se quando, há algumas semanas, o Governo da colónia lançou 70 blocos de cimento em aterros à volta de Gibraltar. A resposta espanhola foi o estreito controlo das fronteiras. Para os castelhanos, Gibraltar é, foi e será uma prioridade nacional. Quanto às Ilhas Falkland, têm um historial idêntico ao do “rochedo”, representando, também, uma colónia conquistada pelos britânicos. A Argentina tem tentado batalhar por este território, muito por causa da exploração do petróleo, usando diversos argumentos (entre eles um pedido de ajuda ao Papa Francisco), mas até então nenhuma solução foi encontrada. Os dicionários dizem que a soberania é “autoridade suprema”, o “poder político, de que dispõe o Estado, de exercer o comando e o controle, sem submissão aos interesses de outro Estado”. Ainda assim, esta autoridade tem sido posta em causa muito pelos interesses de outros Estados. Afinal, a quem pertencem estes territórios? Vera Duarte Alumnus da UMa
Sé do Funchal celebra 500 Anos
A Sé do Funchal comemora em 2014 cinco séculos como sede do bispado dos Descobrimentos, sendo a maior diocese alguma vez instituída e correspondente a quase metade do mundo então conhecido e por conhecer. Fundada na época áurea dos Descobrimentos Portugueses e do apogeu da cultura açucareira, foi dotada com o que de melhor o rei de Portugal pôde enviar para a Madeira. Acresce ainda que, por contingências várias, conseguisse chegar aos nossos dias com o principal equipamento com que foi inicialmente dotada por D. Manuel I, como o retábulo, o cadeiral e o pequeno altar, o que não aconteceu com as suas congéneres continentais. A instituição da Diocese visava reorganizar o vasto território entregue aos portugueses para evangelização pelo Papa Alexandre VI, nascido Rodrigo de Borja, através do Tratado de Tordesilhas de 1494. Até então, mercê da transformação da antiga Ordem dos Templários na de Cristo e do papel fulcral do infante D. Henrique na génese dos descobrimentos e conquistas, a evangelização dos novos domínios portugueses era da responsabilidade daquela Ordem. Com a entrega da sua administração ao duque D. Manuel, logo foi reconhecida a necessidade de se proceder a uma restruturação geral da situação. As negociações com Roma para a instituição de uma Diocese no Funchal devem ter começado logo nos primeiros anos do século XVI e, com as paredes benzidas da nova igreja do Funchal, em 1508, o rei D. Manuel I elevou a vila a cidade, pressionando a criação da nova Diocese. Em finais de 1513, enviou uma faustosa embaixada a Roma, que entraria na cidade a 12 de março de 1514 e seria recebida a 20. Na sequência desta, o Papa Leão X, por bula de 12 de junho, criaria a Diocese do Funchal, elevando a igreja nova, ainda não terminada, a catedral. Se o exemplo da Madeira serviu de modelo ao povoamento atlântico português, quer institucional (como foram os documentos fundacionais das capitanias, o regimento das alfândegas, das vigias, das companhias militares, etc.), quer mesmo na formação de quadros ultramarinos (com o envio do pessoal ali formado para o restante espaço atlântico), também a organização religiosa e, muito especialmente, o regime de bens utilizado na Madeira serviu de quadro de referência para toda a expansão portuguesa. Pelos motivos apontados e com a investigação desenvolvida nos últimos anos, ao se celebrarem os 500 anos de fundação da Diocese do Funchal, pensamos que a melhor forma com que nos podemos associar a esta data é a publicação de pequenos artigos sobre a Sé Catedral. Sendo um edifício patrimonial e culturalmente notável, mas longe de ser um museu morto, parado no espaço e no tempo, é um conjunto vivo onde se espelham e se vivem 500 anos de devoção e de vida religiosa de uma comunidade. Como só amamos verdadeiramente o que conhecemos, abordar os principais conjuntos de peças da Sé do Funchal parece a melhor maneira de homenagearmos os 500 anos da nossa Diocese. Rui Carita Professor da UMa
Estágio na AAUMa
Actualmente, a educação e a formação representam duas vertentes importantes na determinação do sucesso profissional do ser humano e das próprias empresas. Com a crescente taxa de desemprego jovem, os estágios profissionais são um dos melhores meios para os recém-licenciados terem o primeiro contacto com a realidade do mercado de trabalho.
«Triangulação» na investigação qualitativa
“Procedimentos múltiplos de validação” (Becker, 1959) Enquanto na análise quantitativa podemos aplicar métodos estatísticos que determinam a confiabilidade e a validade do estudo, na análise qualitativa não são utilizados coeficientes nem testes estatísticos. Assim, na análise qualitativa devemos efetuar uma valorização do processo de análise. Uma das formas de valorizar esse processo é a técnica de investigação denominada triangulação. De acordo com Sousa (2005), “As investigações qualitativas permitem uma maior compreensão do funcionamento fenomenológico dos atos educativos. As investigações quantitativas apenas abordam o estudo de pequenas partes daqueles fenómenos, não permitindo uma compreensão tão lata, mas conferindo maior confiança aos resultados obtidos” (p. 174). Triangulação é um método de verificação dos dados, consistindo em empregar várias fontes de informação ou vários métodos de recolha de dados, ou vários investigadores, no mesmo estudo. A origem deste termo vem das áreas da navegação e da topografia nas quais são necessários três pontos para se obter uma localização precisa. Por exemplo, num triângulo (A B C), se o observador tiver informação exata da distância entre dois lados (A e B) pode obter as distâncias entre B e C e A e C: . A triangulação possui o mérito de conferir robustez e consistência à validade de uma investigação de carácter qualitativo, identificando inconsistências e contradições. Denzin (1994), citado por Fortin (2003, p. 322), descreve quatro tipos de triangulação: 1) Triangulação de dados, que comporta três aspetos: o tempo, o espaço e a pessoa, o que representa três patamares de análise, ou seja a agregação, a interatividade e a comunidade; 2) Triangulação de investigadores; 3) Triangulação de teorias; 4) Triangulação dos métodos, que compreende a triangulação intramétodos e a triangulação intermétodos. Triangulação envolve o uso de métodos múltiplos e múltiplas fontes de dados que apoiam a robustez de interpretação e conclusões na investigação qualitativa. Como Guban e Lincoln (1989) notam, triangulação não deve ser usada para encobrir diferenças legítimas na interpretação dos dados. Tal diversidade deve ser preservada no relatório de modo a que as vozes dos menos empoderados não sejam perdidas. A análise dos dados é um dos aspetos mais interessantes da investigação etnográfica. Começa desde o primeiro momento em que o investigador escolhe o problema para estudar continuando, até à redação do relatório final. Muitas técnicas, incluindo análise de conteúdo, são envolvidas na análise de dados etnográficos. Uma das mais importantes é a triangulação. Assim, a triangulação é fundamental na investigação etnográfica; Essencialmente, estabelece a validade das observações do investigador. Envolve verificar o que uma pessoa ouve e vê comparando as várias fontes de informação – há acordo ou discrepância? Por exemplo: Um investigador pode comparar as afirmações orais de um aluno de que ele é um bom aluno com as notas que ele teve no registo de avaliação, os comentários dos seus professores e, talvez, alguns comentários não solicitados de colegas seus. A triangulação, aqui neste exemplo, pode verificar – ou não – a autoavaliação do aluno. Aumenta a qualidade de dados que são recolhidos e a exatidão das interpretações dos investigadores. A triangulação pretende ser uma ferramenta heurística para o investigador. Impede que o investigador aceite facilmente a validade de impressões iniciais; reforça o escopo, a densidade e a clareza de construtos desenvolvidos durante o curso da investigação. Além disso, ajuda a corrigir preconceitos que ocorrem quando o investigador é o único observador do fenómeno a ser investigado. Finalmente, triangulação não se refere apenas a três aspetos na análise dos dados, como um aluno perguntou numa aula: – “Só se podem usar três fontes de dados na investigação?” Não! Quantas mais fontes de dados usarmos, maior o intervalo de confiança podemos obter. Para além disso, a triangulação permite que o investigador seja mais crítico e mesmo cético, face aos dados recolhidos. Referências Fortin, M. (2003). O processo de investigação: Da conceção à realização (3.ª ed.). Loures: Lusociência – Edições Técnicas e Científicas, Lda. Guba, E. & Lincoln, Y. (1989). Fourtth generation evaluation. Newbury Park, CA: Sage Publications. Sousa, A. (2005). Investigação em educação. Lisboa: Livros Horizonte (pp. 172-176). Sugestões de leitura Denzin, N. & Lincoln, Y. (1994). (Eds). Handbook of qualitative research. Thousand Oaks, CA: Sage Publications, Inc. (pp. 214-215). Fortin, M. (2003). O processo de investigação: Da conceção à realização (3.ª ed.). Loures: Lusociência – Edições Técnicas e Científicas, Lda. (pp. 322-326). Sousa, A. (2005). Investigação em educação. Lisboa: Livros Horizonte (pp. 172-176). Stake, R. (2007). vv Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian (pp. 121-134). António V. Bento Professor da UMa
De mochila às costas em Amesterdão
Cidade onde a maioria dos edifícios tem mais de duzentos anos e que já foi reconstruída, pelo menos, uma vez, convido-vos a visitarem a capital dos Países Baixos, Amesterdão. Com uma temperatura, em Agosto, a rondar os 20 graus centígrados, é o lugar ideal para fugir ao sufocante Verão da Madeira. É uma cidade para todos os gostos e idades, com museus e palácios muito interessantes para visitar. Um dos mais notáveis edifícios a conhecer é o Palácio Real que em tempos esteve aberto a todos os holandeses, inclusive à classe camponesa. Este fica localizado em Dam Square, praça que o visitante de Amesterdão não pode deixar de ver, sendo o local mais movimentado da cidade. Ligada à nossa história, encontramos a belíssima sinagoga portuguesa. Trata-se de um testemunho do acolhimento que os protestantes liberais holandeses deram aos judeus após a sua expulsão de Portugal, há quinhentos anos. A sinagoga portuguesa conta com uma vasta colecção de obras de arte, incluindo belos exemplares do Tanach, as sagradas escrituras judaicas. Para os mais boémios, outro local a visitar é a fábrica da Heineken. Este é um museu que conta a história de um homem de família que criou a sua cerveja na sua pequena fábrica. Hoje, é uma marca conhecida em todo o Mundo. Para finalizar, podem sempre fazer um belo passeio de barco pelos inúmeros canais desta Veneza do Norte. Diogo Cró Aluno da UMa
Em português escorreito
Perguntava-me alguém que pontuação devemos usar para apresentar tópicos, esquematicamente, na escrita de um texto. Fazia-lhe confusão ver tantas formas de fazer. Tinha motivos para isso porque há quem confunda tudo. Por norma, no fim das alíneas que nos servem para elencar elementos, devemos colocar sinais que dependerão do tipo de dados alinhados por números ou letras. Assim, sinteticamente, poderemos empregar a vírgula, o ponto e vírgula ou o ponto. Deveríamos ter em conta diversos pormenores, para não errar. Se listamos vocábulos ou expressões, teremos de os separar com vírgulas. Entre o penúltimo e o último, deveria haver a conjunção “e”, que anula a vírgula final. Se forem orações ou proposições, o sinal a colocar é o ponto e vírgula, sucedendo o mesmo com a ocorrência da conjunção. Em contrapartida, se redigirmos frases, teremos de as finalizar com um ponto, deixando, em princípio, de fazer sentido a conjunção, na posição anteriormente indicada. Está, isto, relacionado com a escrita textual e a noção de “alínea” que vem do Latim (“a linea”), significando, na origem, a mudança de linha na estruturação de um texto. Saber é indispensável para não errar e, para ter o conhecimento, é necessário estudar, mesmo a nossa língua materna, cujas especificidades, muitas vezes, ignoramos. Acontece o mesmo com a escrita em geral e, em particular, a Ortografia, nomeadamente a de termos como “incidir” e “incinerar”. Por que se escrevem assim e não de outra maneira? É devido à Etimologia e à cristalização ortográfica legitimada pela comunidade linguística. 1. A luz ……………….. sobre a mesa e incomodava-me. Preencher o espaço com a forma certa: encidia/ insidia/ ensidia/ incidia. Solução: A luz incidia sobre a mesa e incomodava-me. Explicação: O verbo “incidir” tem origem no Latim (“incido, is, cidi, casum, ere”) com o sentido de “cair sobre, cair em”, formando-se com o elemento prepositivo “in” e o verbo “cadere” (cair). Possui outras acepções como “acontecer, suceder por um acaso, apresentar-se, vir, encontrar, vir por coincidência” (cf. HOUAISS). Está, então, relacionado com “incidente”. Logo, “i” e “c” devem-se a razões etimológicas e, por isso, “incidia” distingue-se de “insidia” (do verbo “insidiar”, sinónimo de “armar ciladas, trair, enganar”). 2. ……………….. detritos é um processo perigoso, se não for controlado. Preencher o espaço com a forma certa: insinerar/ encinerar/ incinerar/ ensinerar. Solução: Incinerar detritos é um processo perigoso, se não for controlado. Explicação: O verbo “incinerar” (“incinero, as, avi, atum, are”) – com o sentido de “reduzir a cinzas”, ou seja, “queimar” – provém do Latim, mas da época medieval. Terá, segundo se crê, sido “copiado” de “incinérer” (Francês). Portanto, “i” e “c” de “incinerar” são etimológicos. Helena Rebelo Professora da UMa
As Actividades da AAUMa
A Associação Académica da Universidade da Madeira (AAUMa) nasceu em 1991 com o intuito de responder às necessidades dos estudantes, sendo a estrutura representativa e comunitária dos estudantes da Universidade da Madeira. É uma instituição privada, sem fins lucrativos, regendo-se por Estatutos próprios, por legislação geral e específica aplicável e pelos princípios gerais básicos do movimento associativo, ou seja, a Democraticidade, a Independência e a Representatividade. Reconhecida pelo Ministério da Educação e Ciência, está inscrita no Registo Nacional do Associativismo Jovem do Instituto Português do Desporto e Juventude e possui, ainda, o estatuto de Instituição de Utilidade Pública, através do reconhecimento que o Governo Regional da Madeira fez da sua missão. Ao longo de 23 anos de existência, a AAUMa tem procurado defender os interesses da Academia cumprindo, assim, as suas atribuições e os objectivos fundamentais que nortearam a sua origem. Aqui, os estudantes e demais comunidade académica podem encontrar vários projectos onde qualquer interessado pode participar e contribuir com o seu trabalho, ideias, vontade e fulgor. VOZ NA MATÉRIA Resultante da parceria entre a AAUMa e a TSF- Madeira o programa radiofónico ‘Voz na Matéria’ potencializou cerca de 2 160 minutos de transmissão radiofónica em 2013. Diariamente, pelas 9 horas, um estudante da UMa tem espaço para ter opinião, para ter Voz na Matéria. EXAME SEMESTRAL Discutidos por um painel de cerca de 12 estudantes temas como a docência, a empregabilidade, a eficiência no mundo universitário, os desafios, as aspirações e os planos para os próximos tempos são analisados, em directo, trimestralmente, num espaço radiofónico cedido com base na parceria entre a AAUMa e a TSF-Madeira. REVISTA JA Com oito anos de existência a revista JA é totalmente idealizada e produzida por estudantes. É de edição mensal e nela participam, entidades como o Serviço de Prevenção de Toxicodependência, o Serviço de Consulta Psicológica, o Parque Natural da Madeira, a Quercus, o Nutricionista e a Sociedade Protectora dos Animais Domésticos. É uma edição com número de Depósito Legal e ISSN e com versão digital em www.aauma.pt. PÁTIO DOS ESTUDANTES A AAUMa deu, em 2013, continuidade ao programa na RTP-Madeira, Pátio dos Estudantes, desta feita de periodicidade quinzenal e, desde o mês de Setembro de 2012, com transmissão em directo. O Pátio dos Estudantes continuará a abordar temáticas diversas do quotidiano académico, dividido pelas diferentes linhas de acção da AAUMa, com base numa grelha dinâmica e séria com entrevistas, debates, reportagens de exteriores e animação. GRUPO DE FADOS (FATUM) A AAUMa criou, em Janeiro de 2010, um grupo de Fados de Coimbra próprio que, desde então, tem vindo a apresentar-se em vários espectáculos e efemérides. Constituído por 8 elementos, os Fatum vão, em 2014, gravar o seu primeiro álbum. SARAU DE FADO DE COIMBRA O dia 21 de Dezembro de 2012 marcou o início dos Saraus mensais de Fado de Coimbra no edifício da Reitoria da UMa. De acesso livre, este evento tem tido grande receptividade por parte do público que se faz representar em grande número. A criação do grupo de fados da AAUMa foi, neste âmbito, uma vantagem decisiva. FORMAÇÃO CONTÍNUA Face às profundas transformações sentidas no Ensino Superior português, a formação complementar representa um papel essencial na valorização dos estudantes. Assim sendo, consideramos ser importante desenvolver actividades e projectos que auxiliem os estudantes a investirem no enriquecimento de aptidões pessoais que permitam uma preparação útil e válida, e que representem uma vantagem decisiva numa selecção futura. No primeiro semestre de 2013 foram disponibilizados cursos livres em Iniciação ao Autocad, Desenho e Organização de Projecto, Curso Avançado de Microsoft Word, Liderança no sucesso das organizações, Como fazer um currículo e carta de apresentação, o Futuro dos futuros gestores e economistas. DESPORTO A Associação Académica da UMa considera que a vertente desportiva do dia-a-dia do estudante deverá ser reforçada ano após ano, querendo também deixar passar a mensagem da importância do desporto para uma vida saudável. Aos longos dos últimos anos a AAUMa tem variado as suas actividades desportivas conforme a adesão dos estudantes. Aparece e participa nesta Académica que também é tua. Andreia Nascimento Alumnus
Evento Desertas… 25 Anos
Diário de um participante “Dia 7 de Setembro de 2013, 08h:00m Logo pela manhã, e já a bordo, estávamos ansiosos sobre como iria correr o dia… Tudo tinha sido organizado e preparado para que não houvessem falhas, mas imprevistos acontecem, e as expectativas eram grandes pois estávamos a comemorar uma data importante! O dia amanheceu cinzento e chuvoso mas lá fomos nós rumo às Ilhas Desertas, e ao fim da manhã, após algumas horas de viagem, começaram a chegar as diversas embarcações. O entusiasmo era grande dado que muitos ainda não conheciam esta Reserva Natural. A Baía da Doca, na Deserta Grande, nunca fora vista com tantas embarcações, e em som de fundo, ouvíamos uma melodia vinda de uma gaita-de-foles. Estas eram as boas-vindas. Após transbordo para o bote, finalmente os convidados estavam a poucos metros de pisar o solo e, na baía, alguns elementos da equipa do SPNM os recebiam calorosamente. Havia chegado o momento de dar a conhecer aquele paraíso natural. Conforme iam chegando, formavam-se grupos para que fossem feitas visitas guiadas ao longo dos trilhos existentes, dando a conhecer as especificidades e riquezas daquela Reserva. Logo de início tivemos o Momento Eco, onde ficamos a conhecer o projeto Life Eco Compatível, gerido pelo SPNM em pareceria com a SPEA, que já conta com o Alto Patrocínio de Sua Excelência o Presidente da República. Este projecto pretende incentivar o desenvolvimento de actividades económicas e de lazer, promovendo a biodiversidade em áreas protegidas. As boas práticas também foram relembradas, e muitos dos visitantes, acreditando na causa, inscreveram-se como stakeholders assumindo o compromisso de repassarem a mensagem. A Antena 1 Madeira, com reportagens e entrevistas das 12 às 16h, realizou a primeira comunicação em directo da Reserva Natural das Ilhas Desertas! Esta iniciativa permitiu que todos ficassem a saber um pouco mais sobre as Ilhas Desertas e a história deste projecto. Ao longo do dia os mais atentos descobriram a discreta curiosidade do lobo-marinho que não resistiu a investigar a azáfama que lá decorria. No final da tarde o grupo Ecomusicalis presenteou-nos com belas melodias provenientes dos diferentes instrumentos musicais em várias zonas da reserva. O dia terminou com uma chuva repentina dando lugar a uma partida sob um Sol radioso, de regresso à ilha da Madeira. Com certeza que este será um dia que ficará na memória de cada um dos cerca de 400 participantes…” Joel Pereira
Um passaporte para o sucesso…
A construção começa aqui… Eis que é chegado o início de mais um ano letivo! Saudamos, por isso, todos aqueles que pela primeira vez ingressam no Ensino Superior e todos os que se aventuram em mais este ano, preparados para abraçarem novos desafios. Nestes primeiros contactos, como de resto acontece noutras áreas da vida, criam-se as primeiras impressões. Estudos do psicólogo americano Albert Mehrabian, indicam que a primeira impressão é formada em apenas 30 segundos, sendo que 55% corresponde à postura ou comunicação não-verbal, 38% ao tom de voz e apenas 7% ao conteúdo, ou seja, à mensagem propriamente dita. Desta forma, a imagem assume-se como fulcral na comunicação. Entenda-se por imagem, todo o conjunto de componentes que a formam, como a postura, os gestos e o vestuário. Já lá diz o velho ditado popular “Uma imagem vale mais do que mil palavras”. Assim, no âmbito das relações estabelecidas (pessoais ou profissionais), a imagem é uma verdadeira porta, sendo necessário refletir qual a imagem que passamos e que mensagem esta transmite. No meio profissional, em particular, a imagem constitui um dos passaportes para o sucesso, se for usada de forma positiva e em prol dos conceitos e valores da organização. Não se pode falar de imagem profissional sem nos referirmos à importância da etiqueta, pois esta representa um conjunto de regras previamente estabelecidas e características do grupo social e da cultura. Tendo consciência deste conjunto de regras, mais capazes seremos de passar uma imagem positiva e, desta forma, maiores serão as hipóteses de sermos bem-sucedidos. A regra básica do protocolo de etiqueta consiste em ser sincero e atencioso, pois desta forma estará a ganhar respeito e confiança. Existem ainda símbolos que são importantes e que devem ser tidos em conta num primeiro contacto profissional. Note-se que não é necessário conhecer os valores de uma empresa para saber que um aperto de mão pode revelar confiança ou insegurança, dependendo da forma como é estabelecido. Já o vestuário assume uma linguagem própria, sendo fulcral conhecer a simbologia que transmite. A título de exemplo, uma gravata associa-se a uma imagem de respeito e credibilidade, pelo que o uso deste símbolo ajudará a transmitir a mensagem pretendida, como acontece no caso de determinadas profissões, como advogados ou bancários. Nesta ordem de ideias, o psicólogo, que atua em temáticas subordinadas à Psicologia da Imagem, endereça o equilíbrio entre a imagem real e a imagem desejada, ajudando os indivíduos a projetarem uma imagem adequada ao meio e à organização a que pertencem, mas que seja consistente com o seu próprio conteúdo. Por tudo isto, convidamo-lo a apostar no seu autoconhecimento, reconhecendo a sua singularidade e integrando o vestuário de forma positiva na construção da sua identidade e imagem profissional, aliando o seu estilo ao dress code profissional, algo que constitui um dos passaportes para o sucesso, e cuja construção se inicia desde o ingresso no Ensino Superior. Serviço de Consulta Psicológica da UMa
Praxe
O processo de integração dos recém-chegados, caloiros, no Ensino Superior é normalmente a primeira definição que surge quando se pensa em praxe. Não obstante a ajuda na transição do Ensino Secundário para o Superior ser uma base fundamental em torno daquilo que se entende por praxe, esta ultrapassa largamente esse conceito. No seu sentido mais amplo a praxe académica é um conjunto de usos e costumes existentes entre os estudantes de uma determinada universidade. Um caminho que se inicia com a vida de caloiro, evolui para a vida de praxista e para muitos acaba de forma aparente com o Corte ou com a Queima das Fitas. Diferentes fases são assim assinaláveis, e em todas elas se obtêm diferentes ensinamentos, se adquirem diferentes posturas e competências mas em comum têm um sentimento, o espírito académico. É este espírito académico que esta tradição tende a fomentar: o espírito de companheirismo, solidariedade, interajuda e de fraternidade, presente logo nos rituais iniciáticos, entre os bichos que se agrupam em manadas nos seus cursos, gritando com orgulho pela Universidade enquanto passam pela bênção, sobre forma de praxe, dos seus vilões, doutores e veteranos. Estes e muitos outros valores são transmitidos dos mais velhos para os mais novos, numa constante e dinâmica partilha de experiências que acabam por criar laços de amizade transversais a estas actividades. Ainda nesta linha de transmissão de valores também se assistem às chamadas praxes solidárias. Iniciativas como a Cadeados Pela Vida, da luta Portuguesa Contra o Cancro, realizada no ano anterior e que contou com a colaboração de praxistas e caloiros de vários cursos, são apenas um dos muitos e cada vez mais frequentes exemplos dos princípios de responsabilidade social existentes entre a comunidade académica e que a praxe pretende incutir. Nunca podendo ser uma forma de libertação de frustrações ou de qualquer acto que possa ferir física e psicologicamente, esta possui regras bem definidas e órgãos para as fazer cumprir. A sua actividade é organizada por uma comissão composta por todos os elementos da academia a esta vinculados, regulada por um código onde estão estabelecidos direitos e deveres dos quais todos, sem excepção, devem cumprir, para manter viva a tradição, o bom funcionamento e, por fim, monitorizada por um órgão máximo, o Conselho de Veteranos (CV). Ao cuidado do CV não estão apenas caloiros, estão todos os praxistas. Este órgão tem, assim, o papel de fazer cumprir o código, de impedir excessos durante a praxe e, se necessário, sancionar praxistas e caloiros com o objectivo de a tornar o mais divertida e segura possível para todos. Em suma, a praxe é uma herança de valores em torno de um estilo de vida cultivado num percurso de caloiro a finalista, que no fundo é ad eternum, ficando para sempre gravada nas fitas as memórias, risos e histórias da época de estudante para mais tarde recordar com saudade. David Freitas Membro do Conselho de Veteranos