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Quintas–feiras negras no Ensino Superior

A 24 de Outubro de 1929, deu-se o crash da bolsa de Nova Iorque, que conduziu a América e a Europa a uma grave crise económica. Esta crise provocou consequências enormes nas classes trabalhadoras e a recuperação só foi possível através do chamado New Deal, um plano de recuperação económica. Hoje, é Portugal quem está em crise e são as famílias portuguesas quem estão à beira do colapso! Numa altura em que o nosso país se comprometeu, a nível internacional, a aumentar 40% a percentagem da população (entre os 30-34 anos) que possui um diploma do Ensino Superior, quase 9000 vagas ficaram por preencher no concurso nacional de acesso a este grau de ensino. Também não foi por acaso que, desde 1995, cerca de meio milhão de estudantes abandonaram o ensino superior sem concluir o curso. São espelhos do breu no qual os portugueses estão envolvidos. No cerne desta crise que alcança diversas áreas, surge um movimento associativo nacional estudantil, no seio do Encontro Nacional de Direcções Associativas, que teve lugar a 14 e 15 de Setembro, no Porto. Com um calendário de contestação e protesto planeado para o mês de Outubro, a acção prende-se às denominadas “quintas-feiras negras no ensino superior”. O objectivo é debater os mais variados problemas, como “a insuficiência do sistema de acção social, a diminuição do número de candidatos e novos estudantes no ensino superior, com um grande número de vagas por ocupar, e o abandono escolar,” que afectam este grau de ensino e, consequentemente, os estudantes e as suas famílias. O protesto nacional iniciou-se no dia 3 de Outubro. Na primeira quinta-feira negra, a questão principal centrou-se no apoio social aos estudantes, porque, segundo Rúben Alves, Presidente da Federação Académica do Porto, «o Estado assume o compromisso que nenhum estudante vai deixar o Ensino Superior por dificuldades financeiras e, na prática, a realidade é bem mais negra». Seguiu-se o dia 10 de Outubro, no qual o abandono escolar esteve em cima da mesa na reunião com o Conselho Coordenador dos Institutos Politécnicos Portugueses. Na semana seguinte, no dia 16, os estudantes apresentaram as «20 respostas para um Ensino Superior melhor» ao secretário de Estado do Ensino Superior, José Ferreira Gomes. A 17, a organização de ações ficou sob a alçada de diversas instituições académicas, para que, nos mais variados pontos do País se iniciasse uma onda de sensibilização da comunidade em geral. Na quinta – feira, dia 24, o tema do dia foi o “acesso ao ensino superior”, questionando-se o porquê de ficarem tantas vagas por preencher quando continua a haver falta de licenciados em território lusitano. Finalmente, na última semana, os estudantes foram recebidos pelo Conselho de Reitores. No último dia inerente a esta iniciativa nacional, 31 de Outubro, foi realizado um balanço deste mês de protesto, onde o negro das capas dos estudantes revelou não a tradição académica, mas o luto dos estudantes portugueses. Vera Duarte Alumnus

The long and winding road

Embora só em 2000 tenha ingressado nos serviços de informática da UMa, entrei como assistente estagiário para a área de Física em 1992. Já estou nesta casa há vinte e um anos, portanto. De então para cá assisti a muitas mudanças na instituição. Sendo todas elas importantes, com maior ou menor impacto, há uma constante que se verifica em todas elas, que é a cada vez maior dependência da informática. Ao nível das aplicações informáticas desenvolvidas localmente, tem havido um constante aumento de novas funcionalidades e requisitos. Com efeito, à medida que desenvolvemos novas aplicações, ou melhoramos as existentes, aumentam também as expectativas dos utilizadores. No início, estas aplicações eram as estritamente necessárias para o funcionamento dos serviços. Resumiam-se às bases de dados e pouco mais. Muitos de nós ainda nos lembramos das filas intermináveis de alunos ao balcão dos serviços académicos, para tudo e mais alguma coisa – desde qualquer inscrição, reclamação e requerimento até ao simples pedido de informação. O primeiro portal da UMa, se alguém ainda se lembra, era muito primitivo e continha muito pouca informação. Estávamos no início da World Wide Web (WWW) e as linguagens de programação para páginas ‘HTML’ ainda estavam na sua infância… algumas nem sequer existiam, os protocolos ainda estavam a ser definidos e não havia um consenso sobre os padrões a utilizar. Basicamente cada um fazia como queria e achava melhor. Aos poucos foram-se definindo padrões, as linguagens foram-se aperfeiçoando, apareceram novas técnicas e funcionalidades e hoje a WWW é o que se vê. Encontra-se praticamente tudo e quase tudo é possível de ser feito, com um computador e uma ligação à internet. O sistema informático da UMa foi também evoluindo aos poucos, dentro das limitações existentes. Fomos sempre tentando acompanhar as evoluções da web e ao mesmo tempo aumentando o número de funcionalidades oferecidas, sem esquecer de melhorar as existentes. Começou-se por implementar um sistema de matrículas informatizado – isto em 1997 – mas ainda não pela internet. O primeiro serviço implementado através da internet foi o webmail. Inicialmente foi tudo feito localmente – programação e produção de imagens. Com o aparecimento de versões mais profissionais, embora gratuitas, optou-se por terminar este desenvolvimento e adoptou-se uma dessas soluções. Este serviço tem evoluído com o tempo, encontrando-se agora na sua terceira versão. O segundo grande projecto foi um desafio que surgiu dos serviços académicos e que consistia em criar um sistema de lançamento de notas pela internet. O sistema existente, até então, era totalmente manual: o docente escrevia nuns livros próprios (chamados de ‘livros de termos’) os nomes dos alunos e a respectiva classificação para cada cadeira leccionada. Era um pesadelo. Se havia algum erro, o docente tinha de rasurar o livro manualmente. Além do mais, como os ‘livros de termos’ não podiam, por lei, ser removidos das instalações dos serviços académicos, lançar uma pauta era quase uma aventura para o docente pelo transtorno que isso era (ter de se deslocar aos académicos por vezes implicava ‘perder’ uma manhã ou uma tarde inteiras). Se, por azar, uma dada cadeira tivesse muitos alunos, então a aventura transformava-se numa odisseia! Com a implementação deste projecto, este processo ficou totalmente informatizado, bem como a consulta das pautas, que passou a ficar disponível pela internet, para os alunos. Agora o docente só precisa de lançar as notas e as respectivas datas, o sistema informático trata do resto. Ainda há aspectos a melhorar neste procedimento, obviamente, mas já não se compara em nada com o que era dantes. A partir daqui os novos requisitos foram-se sucedendo e a implementação de novos projectos nunca mais parou. A dependência do sistema informático é uma realidade, não só para os alunos mas para toda a comunidade académica. Ao longo do tempo tem sido feito um esforço no sentido de migrar para a web todas as diversas aplicações que foram desenvolvidas para os diversos serviços. Para além disto é também muito importante a integração de todos os diferentes sistemas num único. Esta última parte é talvez a mais complexa, atendendo à variedade de aplicações e utilizadores existentes, com diferentes permissões atribuídas. Como o trabalho dos técnicos de informática da UMa é transversal a toda a Universidade, por vezes os alunos (ou outro grupo restrito de utilizadores) não se apercebem das funcionalidades que estão a ser implementadas ou melhoradas. Se estamos a implementar um sistema de acreditação de unidades curriculares (como foi feito), por exemplo, que afecta essencialmente os docentes, os alunos não se apercebem disso, a não ser que sejam também docentes, claro; e estas funcionalidades podem ser complexas e demoradas de implementar! Por vezes as solicitações (que são muitas) não podem ser atendidas logo, podendo até levar bastante tempo até o serem… mas não ficam esquecidas. Os serviços de informática existem para servir toda a Universidade, mas como têm recursos limitados, assim como a própria Universidade, temos de fazer escolhas. O planeamento dos projectos tem de ter em conta, em primeiro lugar o plano estratégico da UMa, depois terá de haver uma organização de projectos em função da sua exequibilidade. Para dar um exemplo, não faz sentido começar em Março a trabalhar num melhoramento do sistema de lançamento de notas, que poderá levar um mês a implementar, quando só no final do semestre é que as pautas são mais utilizadas pelos docentes. Neste caso, o que faz sentido é começar este projecto em Maio ou Junho (dependendo dos requisitos específicos), e até lá ir trabalhando noutros; haverá concerteza projectos que não estão condicionados por este tipo de restrições, se assim lhes podemos chamar. Em 2011, os serviços informáticos da UMa foram desafiados pela Associação Académica (AAUMa) a desenvolver um sistema de eleições informatizado. A ideia da AAUMa era, inicialmente, a de aplicar este sistema a todas as eleições dos alunos. Atendendo aos projectos que tínhamos em curso, e aos recursos existentes, não pudemos iniciar este objectivo como desejaríamos. O desfasamento foi de mais de um ano, mas não ficou esquecido! Neste momento este sistema já está desenvolvido, embora

Pré-História da UMa

25 Anos da Universidade da Madeira Apesar de continuar a ser “a mais jovem universidade pública portuguesa”, a Universidade da Madeira, com os seus 25 anos, merece, mesmo assim, que se preste tributo à sua ainda curta história de vida. Saúdo, por isso, a iniciativa da AAUMa pois ela tem o mérito de juntar diversas histórias, necessariamente parciais, que se entretecerão numa tessitura que se prevê cheia de cambiantes pessoais. Pois, o que é isso de História objetiva? Eis então aqui o meu testemunho (parcial), apenas centrado na “Pré-História da UMa”. A minha relação com a UMa começou quando ela era ainda um sonho. Corria o ano de 1984 quando, por iniciativa do Governo Regional, através da SRE, tutelada por Brazão de Castro, se assinava um acordo de cooperação com a Universidade do Minho para a realização de três Mestrados: Ensino do Português; Ensino das Ciências da Natureza; e Análise e Organização do Ensino. Qual a finalidade? Preparar, com antecedência, corpo docente capaz para o que se imaginava que iria ser uma Universidade da Madeira. Esta ideia vinha, aliás, na sequência da criação, em 1983, duma Comissão de Estudo, constituída por Freitas Ferreira, Lecoq Forjaz e Rui Vieira, por Despacho conjunto da SEES e da SRE, e, um ano depois, reformulada por outro Despacho conjunto do Ministro da Educação e do SRE. No entanto, com poucos hábitos de prosseguimento de estudos, pela inexistência de instituições do ensino superior na Madeira (tínhamos apenas polos de extensão universitária da Universidade de Lisboa), os dois primeiros Mestrados não tiveram candidatos que justificassem a abertura de turmas. Só o Mestrado de Educação conseguiu vingar, com alunos provenientes quer da orientação pedagógica quer da Escola do Magistério Primário. De um grupo maior inicial, chegaram ao fim do curso, com defesas públicas em 1986 e 1987, apenas Aldina Mécia Melo, Alexandra Branco, Carlos Fino, Dulce Teixeira, Elizabete Oliveira, M.ª do Carmo R. Trindade e Teresa V. França Ferreira, além de eu própria. Éramos, então, 8 mestres, formados pela Universidade do Minho, prontos para, no que dizia respeito à área da Educação, encetarmos carreiras dedicadas ao ensino superior. Com o Decreto-Lei nº 101/86, de 17 de maio, que determinou o encerramento de todas as escolas do magistério primário no País, e tendo em conta que não havia ainda a “tal” universidade, a opção governativa na RAM passou por atribuir a responsabilidade dos cursos da Escola do Magistério Primário do Funchal à Escola Superior de Educação da Madeira, que, desses 8 mestres, passou a acolher, no seu Quadro, cinco, por concurso, e um, por nomeação (política). A recusa em criar um Instituto Politécnico da Madeira está patente no Dec. do Governo nº 46/85, de 22 de nov., quando refere o seguinte: “Reserva-se a decisão sobre as Escolas Superiores de Educação da Madeira [e de Vila Real] até à conclusão dos estudos sobre a criação de um instituto politécnico da Madeira…”. Ora, isso nunca veio a acontecer. Como todos sabemos, em 1988, foi finalmente criada a Universidade da Madeira, com a extinção da ESE (Dec.-Lei nº 391/89, de 9 de nov.), passando os seus cursos a funcionar ao abrigo do centro integrado de formação de professores (CIFOP) da Universidade da Madeira, criado pelo mesmo Decreto-Lei. É por isso que rejeito a ideia, posta a circular até agora, de que o curso de Educação Física e Desporto, que arrancou com o seu 1.º ano em 1989/90, foi o 1º curso da UMa, como se os cursos de Educação de Infância e de Ensino Básico – 1.º Ciclo, desse mesmo ano, tivessem funcionado no vazio. Enquanto representante do CIFOP, transformado mais tarde em Departamento de Ciências da Educação, acompanhei de perto a elaboração dos primeiros Estatutos da UMa, ao longo da 1.ª Comissão Instaladora presidida por Raúl Sardinha, natural da Madeira, num ambiente de grande crispação por guerras de poder que desde essa altura foram minando a instituição. A questão que então se colocava tinha a ver com a própria autonomia universitária. A comissão instaladora era nomeada por quem? Era sugerida por quem? Devia obediência a quem? Ao poder regional ou ao nacional? A UMa seria uma universidade regional ou nacional? A Raúl Sardinha, que pedira exoneração, sucedeu Fernando Henriques, um seu vogal, que tinha então revelado uma maior proximidade a certa ala do poder regional de maior influência. Saiu, por essa razão também, a mulher forte da Comissão Instaladora, a administradora Ana Isabel Cardoso, sendo substituída por Elizabete Oliveira, um dos elementos do tal grupo de Mestrado de Educação, mas que não entrara no Quadro da ESE-Madeira. Entretanto, por artes mágicas, os Estatutos da UMa ficariam convenientemente esquecidos dentro de alguma gaveta, não tendo sido enviados para homologação, impedindo dessa forma, que a Universidade assumisse de pleno direito a sua autonomia. Novos tempos conturbados surgiram a dar lugar a uma nova comissão instaladora, mais uma vez liderada por um madeirense, João David Pinto Correia, tendo como vogais os que seriam mais tarde reitores da UMa, José Castanheira da Costa e Rúben Capela, e tendo agora como homem forte, o administrador Marques de Almeida. Foi com esta 3.ª comissão instaladora que se retomaram os trabalhos de elaboração dos Estatutos da UMa, em setembro de 1995, com uma nova Assembleia Constituinte, de que fiz parte igualmente. Os Estatutos foram submetidos à apreciação da chamada Comissão Ferrer, tendo baixado à Universidade de novo, para a aprovação da sua versão final, em fevereiro de 1996, já eu tinha o Doutoramento defendido na Universidade de Caen. Após a homologação ministerial a 13 de maio de 1996, procedeu-se à eleição do primeiro reitor da UMa, José Castanheira da Costa, deixando a Universidade de estar em “fase de instalação” para passar à chamada “fase de transição”. Tendo, de julho de 1996 a junho de 1998, feito parte da equipa reitoral, enquanto vice-reitora responsável pelos Serviços Académicos, fui também, ainda nomeada pelo anterior presidente da Comissão Instaladora, coordenadora-geral de Avaliação, tendo lançado as bases de avaliação da UMa, tarefa de que hoje muito me orgulho. A experiência

És um estudante de promessas ou de realizações?

Com as primeiras frequências realizadas, uma longa lista de promessas começa a ser ritualmente construída: “Para a próxima frequência irá ser diferente.”, “No próximo semestre, estudarei com mais antecedência.”, “No próximo semestre irei às aulas.”, promessas às quais se acrescentam outras tantas. Já fizeste promessas semelhantes a estas? Quantas destas conseguiste, efetivamente, cumprir? Poucas…?! Nenhumas…?! Perguntamos-te, por isso, porque não te decides a ser um estudante também de realizações? As tuas promessas podem revelar que tens objetivos académicos claros e bem definidos (estudar com antecedência, ir às aulas…). No entanto, podem co-existir vários desafios estratégicos que dificultam a concretização destes objetivos. Como podes, então, alcançar os teus objetivos? Embora não haja uma fórmula secreta para o fazer, tens dois recursos à tua disposição que podem sortir o mesmo efeito. Um desses recursos está em ti e o outro está na tua lista de contactos. Estes recursos, juntos, ajudam a tornar bem-sucedido o teu percurso universitário. No entanto, sabemos o quão, por vezes, é difícil juntar estes dois recursos. Por isso, desenvolvemos por ti e para ti, gratuitamente, o Programa PARES (Progresso, Adaptação e Realização no Ensino Superior). Este programa de tutoria é realizado por estudantes mais experientes, teus colegas, que receberam formação para poder ajudar-te, atuando sempre sob a coordenação das mentoras do projeto e psicólogas do SCP-UMa. Através de reuniões semanais ou quinzenais (dependendo das tuas necessidades); bem como através de atividades dinâmicas e workshops temáticos, que são realizados no decurso do programa, podes aprender a concretizar os teus objetivos académicos através da aprendizagem de técnicas de estudo e memorização, técnicas para sintetizar e resumir a informação, estratégias de gestão de tempo e stress e, por fim, técnicas que poderão contribuir para o alargamento e fortalecimento da tua rede social no mundo real (Face to face, conheces?) Se és estudante, novo na UMa ou, simplesmente, queres maximizar o teu rendimento académico, então este programa é feito à tua medida! Programas semelhantes foram já implementados em outras instituições de ensino superior e ajudaram os estudantes a desenvolver competências transversais, fulcrais no decurso do percurso académico e futuro profissional. Competências como: comunicar assertivamente, trabalhar em equipa e falar em público, entre outras, são desenvolvidas e irão certamente diferenciar-te dos outros cem ou mil candidatos com os quais te confrontarás numa futura candidatura a trabalho. Interessado no Programa PARES? Poderás inscrever-te através de servicoconsultapsicologica@uma.pt ou dos contactos 291209498 / 918159467. Consulta para mais informações http://scp.uma.pt. Não te esqueças: só conseguirás alcançar os teus objetivos, se fores um estudante não apenas de promessas, mas também de realizações. Aceitas o desafio? Serviço de Consulta Psicológica da UMa

Amostragem, conceito e importância

Sem dúvida que a maior parte das decisões feitas, em estatística, fundamenta-se numa amostragem e a generalização e a validade das conclusões dependem do valor dessa amostragem. Na verdade, amostragem é, simplesmente, o processo de definição da amostra. Suponhamos que queremos saber a idade média dos Madeirenses. Teríamos dois processos de o fazer. Um seria obter, a partir do censo, a idade de todos os Madeirenses e dividir pelo seu número total. Esta solução que parece ser a mais segura é pouco cómoda e a sua precisão é ilusória. Na verdade quando avaliamos a idade, a população já foi alterada (nascimentos e óbitos) de modo, que na prática, não se pode obter a idade média exata mas simplesmente uma aproximação satisfatória. O outro processo seria avaliar a idade de algumas centenas de Madeirenses tomados ao acaso (e dividir pelo número correspondente). Este processo que consiste em tomar uma amostra (a idade de algumas centenas de Madeirenses) a população (ou seja o conjunto de todos os Madeirenses), é rigoroso na medida em que: a) As idades avaliadas são tomadas ao acaso, no conjunto da população; b) o número de idades avaliadas é grande. De acordo com Fortin (2003), a amostragem é: “O procedimento pelo qual um grupo de pessoas ou um subconjunto de uma população é escolhido com vista a obter informações relacionadas com o fenómeno, e de tal forma que a população inteira que nos interessa esteja representada. Os principais conceitos que se relacionam com a amostragem são: a população, a amostra, o plano de amostragem, a caracterização da população, a representatividade e o erro de amostragem” (p. 202). Há um certo número de conceitos que convém esclarecer no processo de amostragem, começando pelo conceito de população. Uma população é uma coleção de elementos que partilham características comuns e é delimitada por critérios de seleção destes elementos. Uma amostra é um subconjunto dos elementos que compõem a população. Podemos afirmar que uma amostra é representativa da população quando as suas características se assemelham o mais possível às da população. Deste modo, as generalizações podem ser feitas a partir das descobertas feitas. As amostras podem ser representativas ou ocasionais: Uma amostra diz-se representativa da população quando não há qualquer razão para pensar que o valor difere da amostra para a população. Por exemplo, uma amostra é representativa da população Madeirense relativamente à idade, se não houver qualquer razão para pensar que, nesta amostra, a idade possa ser diferente da população Madeirense. Amostra ocasional é uma amostra extraída da população, segundo um método de seleção orientado por razões de comodidade para o investigador e pela não preocupação de introduzir outros fatores de seleção na amostra observada. Se determinarmos a idade média dos Madeirenses podemos, por exemplo, avaliar 1000 idades no mesmo concelho por razões de comodidade ou de facilidade de acesso; quanto ao resto, escolhemos essas mil idades ao acaso. Uma amostra ocasional não é representativa da população e não podemos extrair dela quaisquer conclusões relativas à população; quanto muito podemos encontrar aí apenas indicações. A amostragem permite, geralmente, ao investigador reduzir custos, reduzir a necessidade de mão de obra, recolher informação mais rapidamente, e obter dados mais compreensíveis (Smith, 1975). Parece contraditório, mas segundo alguns autores, amostras bem selecionadas fornecem melhores estimativas da população do que os censos, principalmente porque se podem controlar melhor certos tipos de erros. Reitere-se que uma amostra para ser representativa tem que obedecer a dois critérios: É necessário que todos os indivíduos da população tenham a mesma probabilidade de serem selecionados e o efetivo da amostra deve ser grande. Portanto, amostragem é a operação que consiste em tomar um certo número de elementos (ou seja uma amostra) no conjunto dos elementos que queremos observar ou tratar (população). Para finalizar, o processo de amostragem é bastante importante. A amplitude das conclusões dum estudo estatístico está limitada pela qualidade do processo de amostragem. Se a amostra for representativa de uma população bem definida, as conclusões que daí podemos tirar aplicam-se a toda a população com uma margem de incerteza que pode calcular-se com precisão, no caso das amostras aleatórias. Se a amostra não for representativa, as conclusões devem limitar-se à própria amostra e as extrapolações que daí possamos tirar são perigosas e contestáveis. REFERÊNCIAS E SUGESTÕES DE LEITURA: Carmo, H. & Ferreira, M. (1998). Metodologia da investigação: Guia para Auto-aprendizagem. Lisboa: Universidade Aberta (pp. 189-203). Cozby, P. (2003). Métodos de pesquisa em ciências do comportamento. São Paulo: Atlas Fortin, M. (2003). O processo de investigação: Da conceção à realização (3ª ed.). Loures: Lusociência (pp. 201-214). Hill, M. & Hill, A. (2002). Investigação por questionário (2ª edição). Lisboa: Edições Sílabo (pp. 41-58). Smith, H. (1975). Strategies of social research: The methodological imagination. New Jersey: Prentice-Hall, Inc. Sousa, A. (2005). Investigação em educação. Lisboa: Livros Horizonte (pp. 64-85). António V. Bento Professor da UMa

Projeto “Bike4Life”

“Viver é como andar de bicicleta: é preciso estar em constante movimento para manter o equilíbrio”. Albert Einstein O “Bike4Life” é um projeto cofinanciado pelo Programa Juventude em Ação, promovido pela Associação de Ciclismo da Madeira, em parceria direta com o Instituto de Administração da Saúde e Assuntos Sociais, IP-RAM através da Unidade Operacional de Intervenção em Comportamentos Aditivos e Dependências e de outras entidades públicas e privadas com responsabilidade ao nível das diferentes temáticas abrangidas neste projeto, nomeadamente, saúde, desporto, ambiente, ocupação dos tempos livres, inclusão social, diversidade cultural, cidadania e desemprego juvenil. O projeto teve início na Região em janeiro de 2013 e decorrerá até final de 2014, envolvendo diretamente cinquenta jovens de diferentes concelhos, entre os 15 e os 30 anos, com menos oportunidades e com maior propensão de envolvimento em comportamentos de risco: três grupos são oriundos de Instituições, um grupo de jovens do Paul do Mar/Calheta e ainda um grupo de jovens voluntários da comunidade. A finalidade central deste projeto assenta numa educação não formal através do desporto, por meio do ciclismo e de outras atividades ao ar livre, recorrendo a atividades apelativas e a métodos ativos e participativos em oposição aos métodos mais formais. É pretensão deste projeto que os jovens relacionem os desafios, emoções e responsabilidades inerentes à prática deste tipo de atividades desportivas com os seus próprios projetos de vida. Promovendo a adoção de hábitos de vida saudáveis e prevenção de comportamentos de risco através da prática do ciclismo, os jovens tiveram oportunidade de participar no 5.º Passeio BTT – Santana Madeira Biosfera, no Troféu XCO – BTT Madeira, na 3.ª Pedalada pela mobilidade e no “Funchal Move Week”. De referir também a realização de uma atividade de arvorismo no Parque Aventura da Madeira, uma visita ao Centro da Freira da Madeira e a realização de um fórum sobre (des)emprego juvenil e cidadania europeia, bem como a participaram no Festival Subaquático do Garajau, organizado pelo Hotel Galo Resort e nas “Atividades Náuticas…sem drogas”, desenvolvidas em parceria com o Clube Naval do Funchal e Associação de Canoagem da Madeira, associando o desporto à proteção do meio ambiente e fomentando estilos de vida saudáveis através de modalidades de mar. Os jovens participaram ainda na colaboração com a organização de alguns eventos desportivos, nomeadamente no Madeira Island Ultra Trail, na 3.ª Prova do Campeonato da Madeira de Downhill, no Summer Water Jump e no DownTown Funchal. Acreditamos que através do desporto e de atividades ao ar livre, os jovens podem divertir-se, correr riscos e ultrapassar desafios, de uma forma positiva e sem drogas! Alexandre Abreu Estagiário de Serviço Social (Membro do Projeto Bike4Life – ACM)

À conversa com… Aline Bazenga

A primeira aula, a de 1992, no Colégio dos Jesuítas, nunca se repetiu. Depois de outras em colégios e liceus na Bretanha, muitas mais no Liceu, chegou o dia. Olhei para o espelho. Saltos altos ou baixos? Calças de ganga ou vestido como-deve-ser? De narizinho no ar, a respirar os séculos daquelas paredes altas, estremeciam-me os passos no corredor até à sala. Com as mãos brancas de giz, o pó no sorriso contente — já tinha acontecido. Sucederam–se muitas outras aulas. No Aquário da Bela Santiago e até à Penteada. Até hoje, sempre a mesma teimosia: a de serem únicas. Cada aula é uma primeira aula, um prazer de descoberta, de partilha — eles, os alunos, tão generosos e nem sabem. Em todas, o olhar pousado e sonhador, habitado por eles (como ser professora? ensinar). Levava comigo o encanto e respeito por alguns dos professores — enquanto aluna: o prazer e o espanto de ver mais — a ópera, para além do rock; o simbolismo de fim de século, de Gustave Moreau a Odilon Redon, e não apenas as linhas de Mondrian; as viagens de Proust e de Celine; as ilhas de Robinson e de Tournier e não mais as que se apontam em mapas; Les Chats de Baudelaire pelos olhos e o saber de Strauss e Jakobson; a fonologia do bretão, as estruturas sintáticas das línguas, puzzles onde tudo parece ter o seu lugar – comover-se e compreender outras razões para as coisas. Com os porquês para procurar e preencher. E as aflições – trabalhos, apresentações, exames – lembrar-se dos rascunhos de Flaubert (que nada sai bem à primeira e sem muito ensaiar). A aprendizagem do valor do trabalho e do rigor, num tempo sem computador. Numa passagem por Timor-Leste, em 2007, encontrei-me nas salas da Universidade Nacional, apenas com um quadro carregado de muitos marcadores, que nem o álcool já apagava, e eles, à minha frente, os alunos que sempre diziam sim — de total respeito pela senhora de pé, a professora — sedentos de compreender e de saber. Um desafio à altura de uma contorcionista que tudo movia — a voz, os olhos e as mãos — para dar a conhecer e agarrar o sim, não aquele outro, mas o do entendimento. Também chegou o momento em que me sentei a ouvir as suas apresentações — pequenas descrições das suas línguas maternas e o uso do alfabético fonético, o alfabeto mágico que fazia escrita e que todos podiam ler. Era possível acontecer, mesmo apenas com um quadro malhado atrás de mim. E esta experiência fulgurante em descobertas fez-se boa amiga daqueles professores que já tanto me tinham dado, na minha memória para ser. Cada aula é um acontecimento, quase como quem vai cantar um fado, sem muito saber como irá ser…Descer à Penteada, a rever pelo caminho, atenta a um melhor exemplo que talvez possa deslumbrar e num click fazer ver o que é. Agora, cada ponto de Pragmática da Comunicação ou de Linguística Portuguesa mais os artigos e livros em .pdf estão à mão na dropbox. Mas sempre ensinar: para que o mundo salte aos olhos de outra maneira. Aline, a professora.

UMajuda de regresso aos bancos de escola

O projecto de cariz social que se realiza todos os anos, da responsabilidade da Associação Académica da UMa tem por nome UMajuda. Contamos já com 8 edições, tendo como principal objectivo auxiliar as escolas, que mais necessitam, a enriquecer as suas bibliotecas e ludotecas. É esse o objectivo que norteia a missão dos estudantes responsáveis pelo projecto tendo em conta que lutam por um ensino de qualidade começando essa mesma luta com os colegas mais pequenos e que, um dia, estarão na UMa. O essencial foi angariar o máximo possível de donativos, como cadernos, livros didácticos, material de desenho, material de desporto, entre outro material que é necessário para um ensino de qualidade. Este projecto é um perfeito exemplo de solidariedade e preocupação social entre os jovens universitários, funcionários docentes e não docentes e demais comunidade. As escolas que a Direcção Regional da Educação indicou, entre muitas outras, foram a EB1/PE do Faial, a EB1/PE da Nazaré e a EB1 de São Gonçalo. Contudo, não nos podemos esquecer que, ao longo de sete anos de existência, já foram contempladas 15 escolas, os Sem-abrigo, o Banco Alimentar, a Camada Sénior do Funchal, a Spad e outras instituições. Este ano, porém, dedicou-se especial atenção às escolas sendo o único beneficiário quer das doações quer do que seja preparado para marcar a entrega do que foi angariado. Apesar de enfrentarmos tempos difíceis é importante que os estudantes, docentes e funcionários não fiquem alheios e contribuam, divulguem e fiquem atentos ao UMajuda. A entrega de donativos decorreu até 25 de Novembro. Alguns estudantes, ainda no âmbito da praxe, organizaram-se e exposeram o projecto e a angariar mais voluntários indo às salas de aulas. Outros recolheram verbas monetárias para adquirir os materiais em falta, outros estabeleceram contactos com empresas que, com interesse em contribuirem, outros, ainda, prepararam-se para uma surpresa a ter lugar no dia da entrega dos donativos: são eles o grupo de teatro do Departamento da Pastoral do Ensino Superior e a Tuna Masculina da Universidade da Madeira, grupo que acompanha este projecto desde o seu início. O apelo foi lançado uma vez mais. Os estudantes da Universidade da Madeira voltaram a ajudar e a manter o projecto, nascido há 7 anos, pois frequentar o Ensino Superior não é apenas assistir a aulas, fazer testes e trabalhos, mas também estar atento e agir tendo em conta o que nos rodeia. A UMa é uma escola de vida, não só profissional como também pessoal. É com esse mote que a AAUMa voltou a desafiar todos aqueles que se mantêm atentos e proactivos perante as situações reais do quotidiano. Obrigado por ajudar-nos a ajudar. Rui Martins Estudante da UMa

Viva a Alimentação!

A 16 de outubro comemora-se o DIA MUNDIAL DA ALIMENTAÇÃO. Nesta data, é sempre importante relembrar o quanto é determinante a alimentação. Se não nos alimentarmos colocamos em causa a nossa sobrevivência, e aquilo que comemos é crucial para a nossa sobrevivência e qualidade de vida. Nas crianças e jovens, pode promover um bom crescimento e um bom desenvolvimento, e nos adultos até é capaz de retardar o envelhecimento e prolongar a vida, evitando inúmeras doenças que atualmente são responsáveis por tantas mortes. A Ciência tem evoluído tanto nos últimos anos, que é cada vez mais evidente o efeito positivo da alimentação a muitos níveis do nosso dia a dia. Por isso, vale a pena investir numa alimentação saudável e equilibrada!!! E nunca é tarde… pois em qualquer etapa da vida acaba sempre por trazer os seus benefícios. Contudo, é certo que as vantagens serão maiores se as escolhas alimentares forem adequadas desde tenra idade. Assim, vale a pena optar pela conjugação de alimentos saudáveis, evitando os produtos industrializados, tendo sempre em atenção a correta manipulação culinária, que preserve as características nutricionais dos alimentos, sem nunca esquecer aqueles desejados paladares que nos fazem salivar que se enquadram perfeitamente na alimentação e que pode trazer-nos tantos benefícios. Agora, só me resta desejar… um bom apetite e muita saúde! Bruno Sousa Nutricionista

Real Caixa de Aposentações

Faltam 3 meses para que 2013 termine e no espaço europeu houve 3 monarcas a abdicarem. Não havia tantas abdicações num ano desde 1918, quando o fizeram 5 soberanos, na sequência da reestruturação política da Europa após a Primeira Grande Guerra. O Currier Internacional apresentou, em Setembro, várias monarquias como instituições paradas no tempo e que pouco dizem aos povos que representam. A excepção, segundo a fonte, é a Família Real Britânica, por os Windsor serem populares, terem enorme importância económica para o Reino Unido, custarem pouco ao contribuinte, serem próximos do Povo, serem glamourosos e por beneficiarem da impopularidade dos políticos eleitos para a Câmara dos Comuns (o mais próximo do sistema republicano que os ingleses têm). Vista como obsoleta aos olhos de muitos, a realeza esforça-se para merecer o espaço que ocupa. Gastam menos que muitas presidências republicanas e facturam milhões em tudo o que lhes diga respeito, dando um toque de charme actual às glórias dos tempos passados. Mas para evitarem tornarem-se dispensáveis, apostam no marketing e na promoção das gerações mais jovens em detrimento dos patriarcas. Este ano, foram três os monarcas a abdicarem: o Papa Bento XVI, a Rainha Beatriz dos Países Baixos e o Rei Alberto II dos Belgas. Bento XVI, embora jogue numa liga diferente, foi o Papa a reconhecer-se demasiado cansando e doente para satisfazer as necessidades da Igreja. Quando ninguém o esperava, anunciou a renúncia ao Papado, deixando o Mundo boquiaberto com a sua abnegação, especialmente por não ter gozado da mesma popularidade de que João Paulo II. Beatriz dos Países Baixos, por seu lado, seguiu o exemplo da avó Guilhermina e da mãe Juliana. Numa nação que viu a república como época áurea, manter o trono é uma tarefa de grande esforço. Para a Rainha pesou ainda o apoio ao filho, o Príncipe João Friso, hospitalizado devido a um acidente de esqui que o vitimaria mortalmente. No final, Guilherme sucedeu a mais de 120 anos de monarquia feminina. Apesar de acolher importantes instituições da União Europeia, a Bélgica é um país culturalmente dividido em francófonos, germânicos (alemães e holandeses) e flamengos, com frequentes crises políticas. Cansado de mediar um país tão heterogéneo, Alberto II abdicou a favor de Filipe, um homem de meia-idade na primeira geração de monarcas do século XXI. Bento, Beatriz e Alberto, juntaram-se a Hans-Adam II do Liechtenstein e a João do Luxemburgo como reais aposentados (sem contar com Simeão da Bulgária e Constantino da Grécia, por exemplo, cujos reinados terminaram com repúblicas). Abdicar, na Europa do século XXI, é passagem de testemunho para que velhas instituições acompanhem os tempos, mas em Portugal e, à luz da nossa história, o conceito tem, quase sempre, interpretação negativa. 2013 continua a registar mudanças no panorama político português, mas quantos dos nossos republicanos é que realmente abdicam? Carlos Diogo Pereira Alumnus