De mochila às costas até Leichlingen
No Verão do ano passado, tive a oportunidade de participar num intercâmbio com estudantes provenientes da Alemanha viajando até Leichlingen e ficando lá durante uma semana. A Alemanha é, sem dúvida, um país fascinante. Apesar da sua elevada industrialização, a cidade onde fiquei era revestida por um verde intenso e estava organizada de modo a que tudo tinha o seu próprio lugar. Tive a oportunidade de visitar a Catedral em Colónia, de visitar a casa de Mozart, de experimentar a gastronomia alemã, de visitar um zoológico e de conhecer pessoas com culturas diferentes. Eu e os meus colegas fomos extremamente bem recebidos, e acho que além de termos conhecido um país muito diferente do nosso, desde as leis aos costumes, criámos laços com pessoas culturalmente diferentes de nós, mas, pessoalmente, até muito parecidas connosco. Ester Caldeira Estudante da UMa
Sou rei dos caloiros
Ainda as aulas não tinham começado e eu já estava a ser praxado. Eu e os meus camaradas caloiros, bichos na altura, fomos recebidos pelos nossos trajados, no âmbito de dar a conhecer a muy nobre academia que é a UMa. Para além disso o objectivo era apresentar a praxe aos estudantes recém-chegados à UMa e eu, com receio do que seria a praxe, já temia o pior, pois julguei que, por nos chamarem ‘bicho’ obrigar-nos-iam a rastejar pelo solo da UMa e a fazer mil e uma coisas embaraçosas. Estes receios mostraram-se, desde cedo, infundados e diversão, respeito pela hierarquia e integração seriam as palavras de ordem. Para quem não acredita na praxe ou não a conhece nós éramos apenas gente louca a fazer um espectáculo sem sentido. Mas para nós era muito mais que isso. A praxe tem um propósito, além de integrar, divertir e de ajudar. A praxe une o curso, une as pessoas e eu falo por mim, pela minha experiência. Bendigo todos os dias de praxe que tive, que ficarão na memória por muito tempo e acredito que todos os meus colegas caloiros de todos os outros cursos da UMa pensam igual. A minha primeira recordação da praxe, apesar dela ainda estar bem presente na minha vida, teve a ver com um episódio em que chamei de ‘prassista’ um trajado e alguns episódios que protagonizei nos dias temáticos, nos arraiais e nas quartas-feiras académicas. No meu curso (e puxando a brasa à minha sardinha), foram apresentadas inúmeras ideias divertidas, geralmente temáticas, que marcaram esta experiência. Ideias essas como o Pacman (no qual envolvi-me romântica e eroticamente), os super-heróis, os cowboys e a guerra de cursos foram aumentando de importância até chegar ao tão aguardado dia do juramento, cortejo e baptismo que nunca esquecerei. Pouco a pouco esta experiência começou a ser cada vez mais importante para mim, pois era na praxe que eu encontrava a minha energia e vontade para ir às aulas. Foi nesta experiência que conheci uma série de pessoas espectaculares que levarei para a vida. São essas mesmas pessoas que conhecemos e convivemos aquelas com quem iremos lidar e privar nos próximos anos e, com razão, há necessidade de formar amizades e companheirismos. Nunca me senti só e excluído na praxe, mostrando que esta experiência não era embaraçosa e maldosa, mas sim divertida e única. Posso acrescentar (e mais uma vez puxando a brasa à minha sardinha) que também tive os melhores trajados de que alguma vez poderia esperar. Todos eles, sem excepção, foram cruciais para que eu pudesse desenvolver este gosto pela praxe. Foram companheiros, respeitosos e de quem ouvíamos os melhores conselhos sobre as aulas, professores, sobre a Universidade, sobre os serviços, sobre as bolsas, sobre tudo. Senti-me absurdamente bem. Havia um bem-estar e união entre caloiros e trajados e todos sentiam uma motivação para participar em tudo o que era proposto. Esta determinação permitiu-nos alcançar o título de Curso do Ano, o que para mim foi mais importante do que ser nomeado Rei dos Caloiros, já que é a prova, testemunhada e pronunciada pelos elementos da UMa, da união e sentida e vivida pelo curso de Desporto. Eu, estando no palco do Arraial Coral, num ambiente de suspense, senti uma grande emoção invadir-me, mal vi o nome Desporto a deslizar pelo placar digital. Fiquei louco de alegria e, no momento, nada mais sentia sem ser a vontade de ir para junto dos meus colegas de curso festejar e gritar. Há a noção que a praxe é inútil e sem sentido na vida universitária pois não acrescenta nada ao rendimento académico. Mas há que perceber que a universidade não é só estudos, há todo um mundo por explorar. É nesta fase das nossas vidas que encontramos as pessoas de grande influência e há que saber aproveitar esses momentos. A praxe é, disso, um excelente exemplo. Podia perder horas e horas a falar deste grande marco da minha vida académica e não creio que me calaria tão cedo. Podem dizer que estou a exagerar, mas a praxe foi e será dos elementos mais importantes da minha vida e será para sempre recordada. Para finalizar gostaria de agradecer imenso aos meus colegas caloiros e trajados, que agora considero meus amigos, pela experiência que me proporcionaram. Senti-me verdadeiramente integrado neste grupo formidável onde todos para mim eram gente de valor. São pessoas que só dão bom nome ao curso de Desporto e à UMa. Espero que tenhamos muitas mais experiências pela frente, todos juntos. Espero também poder trajar para o próximo ano e fazer com que os meus bichos sintam o que senti. “AVE, DESPORTO!!” Alexis Santos Estudante da UMa
Sou rainha dos caloiros
“Bem-vinda à Universidade da Madeira!” foram as primeiras palavras que ouvi quando aqui cheguei, seguidas por “Olhos nos cascos reles bicho!”. Palavras que nunca pensei vir a gostar tanto, porque foram estas que me receberam e deram início a uma das melhores experiências, se não a melhor, da minha vida académica! No início não via a praxe com bons olhos e achava que esta resumia-se a receber ordens, a gritar e a encher. Só mais tarde, apenas dias depois apercebi-me que seria normal assim pensar porque a experiência e o que aprendemos com ela é algo que só se entende participando. Diverti-me muito mas acima de tudo aprendi! Aprendi a ter respeito pelos meus colegas e por todos os trajados, mesmo aqueles com os quais não tinha muita afinidade, porque a verdade é que, independentemente dos cursos e até às vezes das personalidades, na praxe todos nós defendemos o mesmo, defendemos a nossa mui nobre academia, e como tal devemos comportarmo-nos não só com respeito pelo outro, mas também com muito respeito pelos nossos valores, porque tal como foi dito no dia do Baptismo, nós estudantes temos a obrigação de mostrar à sociedade que está errada quando pensa em estudantes da Universidade: não somos libertinos, boémios sem responsabilidade, somos divertidos, sabemos viver mas também sabemos ser cidadãos conscientes e activos na comunidade. A praxe funciona muito como meio de integração na vida académica, porque é uma experiência que nos une, visto que passamos por bons e menos bons momentos sempre juntos, e acabamos por nos defender uns aos outros, criando laços que nos ligam para a vida académica e pessoal. Todos os dias enfrentamos novos desafios, assumimos a responsabilidade de cumprir tarefas que servem para defender o nosso curso, mas também para nos conhecermos melhor, o que faz com que tenhamos mais confiança uns nos outros. Na praxe podemos, acima de tudo, ser genuínos, porque ninguém é posto de parte ou olhado de lado. Fazemos parte de algo e sentimo-nos aceites pelos outros! Posso sinceramente dizer que na praxe senti-me como um ‘peixe na água’. Se me pedissem para escolher um dia favorito de praxe, acho que seria uma tarefa difícil, porque gostei de todos os dias, mas os momentos mais inesquecíveis que vivi na praxe foram sem dúvida o dia do Baptismo, a primeira quarta-feira académica e o dia da Procissão das Velas. No dia do Baptismo tive a honra de fazer o Juramento do Caloiro, numa mistura de sensações, de adrenalina, de emoção e de muito orgulho! A primeira quarta-feira académica e a felicidade de ouvir, sentir e viver o Grito Académico pela primeira vez foi inexplicável e inesquecível. No dia da Procissão das Velas, além de a poder partilhar com cerca de 250 pessoas, número nunca antes alcançado, disseram os trajados, o Grito Académico foi diferente. Pela primeira vez o ‘bicho’ foi substituído pelo ‘caloiro’ e a emoção foi mais forte, apesar do ‘nada’ ser-nos destinado de igual forma. Tenho a certeza que aqueles que viveram esta experiência comigo vão sempre ficar guardados na minha memória, porque partilharam uma parte importante da minha vida. Fiquei extremamente feliz por ter sido a rainha dos caloiros, não por mim, mas sim pelo meu curso e pelos que dele fazem parte. Considero que foi uma maneira de Enfermagem a mais reconhecida da praxe e considero, ainda, que o título deveria ser atribuído a todas as caloiras que viveram a praxe com alegria, boa disposição e respeito, porque a verdade é que somos, na grande maioria, reis e rainhas da UMa. Agora, apenas algumas semanas após o dia do Baptismo, já sinto a falta da praxe e acho que esta sensação ainda se vai prolongar durante muito mais tempo. Apesar da praxe ser eterna só se é bicho uma vez, e tal como nos foi dito por vários trajados, esta é a melhor parte da nossa vida académica. Ester Caldeira Estudante da UMa
Em Português Escorreito
Os jornais são uma fonte de informação preciosa e, em termos linguísticos, são-no incontestavelmente. Os regionais têm, até, um duplo interesse para o estudo da linguagem. Sob a pressão do tempo, muitos jornalistas tendem a escrever conforme falam e o leitor mais atento vai observando a vitalidade de particularidades dialectais nos textos que vai lendo. Além deste aspecto que qualquer linguista aprecia, há também que considerar as gralhas, os lapsos, as falhas de todo o género. Aquando da festa do Senhor dos Milagres, um jornal regional madeirense trazia um suplemento dedicado à cidade de Machico com páginas sobre a história, a actualidade, a cultura, os costumes, etc. Num artigo dedicado à alimentação típica, apareceu “gaiado cozido e barata”. Evidentemente que “barata” resulta de uma gralha, tendo havido a troca de “t” (batata) por “r” (barata). É incrível a associação, já que as baratas são inúmeras no arquipélago, mas não se apreciam no prato. Decerto, quem redigiu o texto distingue “batata” e “semilha” e, ao contornar o regionalismo, surgiu a gralha. Esperemos que, noutras ocasiões, o acaso seja mais feliz e não transforme “batatas” em “baratas”. Poderá haver quem não queira provar a iguaria. Estas falhas são frequentes na escrita e ninguém está livre delas. Sucederá, sobretudo, com termos que se usam pouco, como “benesse”, ou com outros que se empregam muito, mas que se escrevem de maneira diferente, segundo o que significam, como “Benvinda” e “bem-vinda”. Cada signo linguístico tem um significante e um significado com valor próprio. Dificilmente se aceitam trocas. 1. É um felizardo, pelas inúmeras ……………. recebidas. Preencher o espaço com a forma certa: beneces / beneses / benesses / beneçes Solução: É um felizardo, pelas inúmeras benesses recebidas. Explicação: O substantivo “benesse” (de dois géneros) vem do Latim e formou-se a partir de “bene” (bem) e “esse”(ser). Em suma, significa “ser bem” e justifica-se a consoante dupla (“ss”). Terá, na origem, um cariz religioso com o sentido de “pagamentos que, por direito, se devem aos eclesiásticos”. Por extensão de sentido, passou a significar “presente, dádiva”. Hoje, “benesse” equivale, sobretudo, a “favorecimento”. 2. Ela é sempre …………………..! Preencher o espaço com a forma certa: benvinda / ben-vinda / bem vinda / bem-vinda Solução: Ela é sempre bem-vinda! Explicação: O adjectivo (ou interjeição) “bem-vindo” é formado a partir de “bem” e “vir” no gerúndio. Tem o sentido geral de “ser bem acolhido” e deu origem a um nome próprio, normalmente no feminino: “Benvinda”. Por tradição, este escreve-se aglutinado e o “m” passou a “n” antes de “v”. Ora, a aglutinação não se aplicou ao adjectivo (ou à interjeição), constituído por justaposição e com hífen. Contudo, há quem confunda as duas grafias. Helena Rebelo Professora da UMa
Praxe solidária
“Não me interessa nenhuma religião cujos princípios não melhoram nem tomam em consideração as condições dos animais.” (Abraham Lincoln) Promover a integração dos novos alunos no mundo académico nunca foi o único objetivo da praxe académica na Universidade da Madeira. Esta prática de receção a novos estudantes tem vindo, ao longo dos anos, a incluir atividades com características solidárias. No dia 4 de outubro, Dia do Animal, teve início uma campanha solidária de apoio a instituições que acolhem animais abandonados. Surgiu a partir de um desafio lançado pela Comissão de Praxe e que foi muito bem acolhido pela Associação Académica e pelo Conselho de Veteranos, que tiveram um papel fundamental para o sucesso do projeto. Com o principal objetivo de ajudar a Associação Animad e a Associação O Nosso Refúgio, que se dedicam constantemente a auxiliar e amparar animais abandonados, em risco e negligenciados pela nossa sociedade, os estudantes uniram-se por cursos e organizaram entre si uma recolha de donativos, desde dinheiro a jornais e toalhas. A angariação de fundos por caloiros e praxistas permitiu ainda a compra de vários quilos de alimento para cães e gatos bem como, de produtos de limpeza e desinfeção. Tentámos diminuir as principais necessidades que as associações encaram diariamente devido à sua sobrelotação, pelo aumento do número de animais abandonados. Para além do sucesso que se verificou no final da campanha, outro grande aspeto positivo a realçar foi o facto da comunidade académica conseguir mudar mentalidades, demonstrando que a praxe não é um mecanismo de maldade do Ensino Superior. Esta pode ser uma forma de aliar a solidariedade a todo o processo de integração dos alunos, com o propósito de dinamizar e desvincular o rótulo negativo que por vezes a ela é associado. Gratificante foi confirmar que, apesar das dificuldades que muitos de nós enfrentamos nestes momentos de crise, muitos foram aqueles que contribuíram e que valorizaram este tipo de iniciativa. Estes princípios são transmitidos de ano para ano durante a praxe académica. Mais do que uma transmissão de valores como cooperação, respeito e auxílio àqueles que precisam, estas ações deixam um enorme sentido de dever comprido. As duas associações que receberam este apoio mostraram-se muito agradecidas e satisfeitas com a iniciativa, recompensando todo o esforço que foi dedicado a esta causa. Os seus responsáveis transmitiram que ações como a que se viveu no seio da comunidade académica são de louvar, pois refletem uma imagem positiva dos jovens, da verdadeira capacidade de auxiliar os que mais precisam, seja através da ajuda a causas de cariz animalista, humanitária, cívica ou ecológica. Mais uma vez se demonstrou o sucesso e a eficácia da união da solidariedade social e da vida académica. Transmitir estes valores foi e sempre será um dos costumes incutidos aos caloiros naquela que é a verdadeira tradição da praxe da Universidade da Madeira. Nadine Santos Vice-Presidente da Comissão de Praxe
O edifício da Sé do Funchal
O projeto da igreja grande do Funchal deve ter vindo nos meados ou finais da década de 80 do século XV, pela mão do novo vigário frei Nuno Cão ou, em finais de 1492, com Marcos Lopes, enviado como escrivão da obra. A igreja só teria sido levantada a partir de então e, mais especificamente, entre 1500 e 1508, quando as paredes estariam levantadas. As fachadas apresentam-se com panos quase cegos, com a principal com pequeno portal de seis arquivoltas, decorado com elementos vegetalistas e encimado pelas armas de D. Manuel com coroa aberta. O pano central da fachada é totalmente em cantaria vermelha do Cabo Girão, ligeiramente relevado em relação aos laterais e com uma pequena rosácea. A cabeceira apresenta-se também em cantaria aparente, com abside de topo facetado e o absidíolo da capela do Santíssimo rematado por grelha decorada por cruzes de Cristo e grandes pináculos torsos colocados sobre estilóbatos. Do conjunto exterior ressalta a desmesurada torre sineira, levantada sobre a inicial sacristia, com acesso exterior. Na junção superior com o braço do transepto, resiste uma gárgula em forma de canhão de face helicoidal, por ventura a única que resta da campanha original do edifício. A torre elevando-se a cerca 55 metros de altura, com quatro pisos, é rematada por coruchéu quadrangular piramidal revestido a azulejos sevilhanos. Estamos assim, nas linhas gerais exteriores, longe daquilo que depois denominamos por manuelino, só vagamente visível no coroamento das capelas colaterais da cabeceira, coruchéu da torre e em alguns apontamentos escultóricos dos capitéis das janelas. O mesmo não se passa no interior, com uma erudição totalmente diferente e que um muito especial equipamento da responsabilidade régia projeta para o que de melhor se levantou no território português nessa época. Partindo de um projeto de uma igreja comum, ao nível da planta apresenta as medidas e proporções das sés continentais, parecendo assim ter sido à partida já concebida com esse destino. Para além da excecional qualidade técnica das finas colunas dos cinco tramos de apoio da arcaria, o projeto configura-se e individualiza-se ainda por uma muito larga nave central, que termina quase sem definir o cruzeiro e um também muito largo transepto, o mais amplo de todas as sés portuguesas. O interior da sé do Funchal apresenta-se como profundamente manuelino, com elegantes e altas colunas, com decoração mais exuberante nas mísulas dos arcos junto do transepto. A catedral do Funchal resulta assim numa edificação clara e luminosa, na inteligência da aplicação dos materiais locais que singularizam o modelo corrente português da arquitetura chã, despojada, repetida e apurada na infinita variação local de igrejas comuns. O aumento da dimensão da nave central e do transepto apontam já um decidido propósito real de a tornar sede do bispado. A cobertura das naves e do transepto por um magnífico conjunto de tetos mudéjares, o mais monumental que chegou aos nossos dias em Portugal, a montagem na capela-mor de um aparatoso políptico e de um cadeiral, também os únicos conjuntos entalhados que desta época chegaram até nós no seu local original, evidenciam decididamente o propósito manuelino de uma igreja primaz das Índias, sede dos descobrimentos portugueses. Rui Carita Professor da UMa
Orçamentos, ainda os há?
O cancelamento de matrículas devido à impossibilidade de assumir o pagamento das propinas é, cada vez mais, um problema e agrava-se a cada ano que passa. O valor actual das propinas é incomportável para muitas famílias, e outras só com um grande esforço o conseguem pagar, levando a que o ponto de ruptura, no que diz respeito ao montante que as famílias estão dispostas a pagar, esteja iminente. Nos últimos anos as Universidades portuguesas têm sofrido grandes perdas nas transferências vindas directamente do Orçamento de Estado. Limitadas por lei na forma de obter receitas próprias, as Instituições de Ensino Superior têm-se desdobrado para encontrar alternativas a fim de continuar a oferecer aos seus alunos os melhores cursos, os melhores professores, os melhores funcionários e a melhor qualidade de ensino possível. As formas de financiamento próprias das Universidades através do valor recebido em propinas, verbas de projectos de investigação, fundos comunitários, serviços prestados à sociedade, e algumas outras, revelam-se insuficientes para fazer face à despesa anual das Instituições nas diferentes rúbricas, e sobretudo enfrentar os constantes cortes no Orçamento de Estado, no que concerne aos montantes destinados ao financiamento do Ensino Superior. Desde 2005 que o valor real que as Universidades recebem do Orçamento de Estado tem vindo a diminuir drasticamente, sendo que a nossa Universidade não é excepção. Portugal investe no Ensino Superior aproximadamente 1.3% do PIB nacional, contribuindo o estado com uma fatia de 62% e as famílias com 38% para as receitas das Universidades. Contudo, cada vez mais esta tendência inverte-se e as famílias começam a ter uma maior peso nos orçamentos das Universidades. No final do ano lectivo 2011-2012 deu-se um corte de 13% no orçamento, o correspondente a 99 Milhões de euros nas dotações do Orçamento de Estado. Face a estes dados é com preocupação que a Associação Académica da Universidade da Madeira aguarda a concretização do Orçamento da Universidade da Madeira, referente ao ano de 2014. Além das dificuldades já referidas anteriormente, acresce a diminuição de alunos que ingressaram no ensino superior na nossa Região, o que se reflecte nas receitas arrecadadas através do pagamento das propinas. Neste capítulo muito poucas opções há a seguir: ou se aumenta o valor das propinas, que rondam os 1030 euros, ou mantém-se esse mesmo valor, tentando minimizar os danos causados nos estudantes, e consequentemente nos agregados familiares que suportam estes elevados custos. Para 2014 a principal questão será saber como encontrar um equilíbrio entre o pagamento dos professores e funcionários e garantir um ensino de qualidade. Tendo em conta que o Magnífico Reitor da nossa Universidade afirmou recentemente nomeadamente em relação aos cortes no Orçamento de Estado para as instituições de Ensino Superior que chegará aos 5%, dificilmente conseguir-se-á recuperar essa quantia sem aumentar propinas. Se as propinas subirem de valor, dificilmente a Universidade não sofrerá perdas significativas no número de alunos começando uma autêntica bola-de-neve na redução de receitas e proveitos das Academias. Sendo assim, outras alternativas poderão surgir, como o corte no pessoal docente e não docente. Apesar de essa poder ser, à primeira vista, uma alternativa exequível, o Magnífico Reitor José Carmo, já manifestou a sua opinião desfavorável em relação a esta matéria. Da mesma maneira que não é eticamente correto e financeiramente sustentável a longo prazo aumentar as propinas, também não será difícil compreender que só conseguimos alcançar um bom patamar de qualidade e exigência no nosso ensino se possuirmos bons quadros, tanto no pessoal docente como não docente. Mesmo tendo em linha de conta que reduções de vencimento poderão existir, ainda será preciso colmatar os 900 mil euros retirados em sede de Orçamento de Estado do bolo destinado à UMa. A fatia que nos cabe terá que ser aumentada, não parecendo possível arrecadar os tais 900 mil euros através de reduções de vencimentos e redução de pessoal, faltando assim alternativas razoáveis para combater este flagelo que tem sido o financiamento das Universidades portuguesas, que se arrasta através de um péssimo modelo, e que tanto tem afectado os alunos do nosso País e de forma especial, da nossa Região. Do ponto de vista dos estudantes, as decisões tomadas no Orçamento de 2014 da Universidade da Madeira desempenharão um papel fulcral na continuação ou não dos seus estudos e objectivos académicos. Ao valor das propinas acresce os gastos com alimentação, transportes, material escolar e, em alguns casos, alojamento. As dificuldades sentidas pelos alunos são sobejamente conhecidas e estão claramente identificadas. Mesmo prestando todo o auxílio possível aos alunos mais carenciados a AAUMa encara com preocupação os cortes que o próximo orçamento da UMa poderá trazer, devido à complicada situação em que muitos colegas se encontram. Perante estes condicionamentos, é pertinente abordar a questão do modelo de financiamento das Universidades. Com os entraves que a legislação coloca à obtenção de receitas próprias, a Universidade da Madeira vê-se obrigada a deixar escapar possíveis apoios que seriam úteis para aumentar o orçamento para 2014 e de igual forma para os anos vindouros. O Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP) tem vindo a público defender outras formas de financiamento das Universidades, argumentando que é preciso dar uma maior autonomia às Universidades, como forma de permitir com que estas instituições tenham receitas próprias. A mais importante forma encontrada para suprir tais dificuldades passaria por parcerias com privados que, por um lado, dariam margem de manobra para adquirir verbas para suprimir os cortes das dotações provenientes do Orçamento de Estado e, por outro lado, daria possibilidade de integração de alunos nos seus quadros. Maurício Ornelas ET AL.
CLEPULando. Como se Clepula?
O CLEPUL (Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa), criado pelo professor Jacinto Prado Coelho, em 1975, une países, culturas e pessoas na reflexão do universo da Lusofonia. Em 2012, tivemos a oportunidade de ver nascer o polo CLEPUL Madeira na Universidade da Madeira e, com esse protocolo de cooperação entre academias, beneficiar do dinamismo que um centro de investigação fomenta. O CLEPUL Madeira passou a ser um dos quartos da grande segunda casa que é a Universidade. As grandes ideias nascem, indubitavelmente, de boas equipas. Por conseguinte, o CLEPUL fomenta e apoia a produção intelectual, a troca de ideias e de conhecimento multidisciplinares. Apesar da conjuntura económica, social e política, a investigação é, para mim e para os meus colegas, um caminho que permite estreitar laços colaborativos com novas casas e novos elementos da família CLEPUL e conceber, sobretudo, novos espaços de reflexão. Dado ser um centro de investigação inovador, ter o polo CLEPUL na Universidade é, incontestavelmente, uma mais-valia para a Região, na medida em que movimenta e une investigadores numa comunhão e numa partilha de conhecimento cultural. Como jovem investigadora, vejo na investigação um caminho claro e necessário para o preenchimento de alguns lapsos e algumas lacunas do conhecimento, para além de ser uma ótima via contra a inércia e melancolia próprias do desemprego que é imposto de livre e espancada vontade. A investigação permite encontrar e lapidar pequenas e grandes preciosidades enclausuradas nos arquivos, à espera de serem encontradas, estudadas e expostas ao público geral, nessa demanda que é a partilha do conhecimento, porque para Blaise Pascal, “pensar faz a grandeza do homem”. Gaspar Frutuoso em as Saudades da Terra, escreveu“ […] pelo alto e basto arvoredo de que lhe diceram era cheia […] estava coberto de hum nevoeiro muito negro; e lhe parecia que deviam de hir demandar aquelle negrume, e ver o que aquillo podia ser.” Contra o medo do negrume, caminharam valorosos marinheiros para descobrirem tão formosa terra, para edificarem um povo que começou a talhar o seu próprio destino e a sua história por entre vales e serras. Criando uma nova alma de ser português. Passados 594 anos, precisamos de marinheiros para nos ajudar a compreender os negrumes que ainda pairam sobre a nossa história. Para compreender o passado e iluminar caminhos para o futuro. Desta forma, integrado no projeto Aprender Madeira, coordenado pelo CLEPUL e apoiado pela APCA, Agência de Promoção para a Cultura Atlântica, nasce o projeto do Dicionário Enciclopédico da Madeira, que visa atualizar, compreender e divulgar o saber acumulado sobre a Madeira. O projeto contará com um equipa multidisciplinar, internacional e intergeracional de investigadores e especialistas do país e do estrangeiro. Englobará as mais diversas áreas do saber, tais como a Matemática, Engenharia, História, Literatura, Biologia, etc., para assim concretizar a plena luz do conhecimento, honrar os homens e mulheres que edificaram a nossa história. Pretende concretizar-se desta forma o desejo utópico, de reduzir o universo a um livro, e o próprio livro ao universo. Fernanda Castro e Carlos Barradas CLEPUL
Combate e prevenção à dengue
Um dos problemas que está a preocupar a população na ilha da Madeira é a Dengue. Face a esta situação a associação académica da Universidade da Madeira, está a organizar um projecto denominado “Combate e Prevenção à Dengue.” Este projecto vem no contexto do Programa Juventude em Ação e visa abordar como temas principais a saúde e a consciência europeia, indo ao encontro dos objectivos do programa da União Europeia através do desenvolvimento da cidadania activa dos jovens, do estímulo do trabalho de equipa, do debate de ideias e a criatividade dos jovens, o aprofundamento dos conhecimentos da doença, as medidas preventivas e de combate à mesma. Segundo a fonte, Instituto de Administração da Saúde e Assuntos Sociais, o mosquito Aedes aegypti é um potencial vector de doenças, como o dengue e a febre – amarela, sendo por esta razão foco de atenção na Saúde Pública. A probabilidade de transmissão de doenças exige a presença de mosquitos e de pessoas infectadas, numa determinada área geográfica. A prevenção é a principal acção para controlar a sua proliferação, eliminando todos os ambientes favoráveis à sua reprodução. As medidas de saneamento ambiental representam o meio mais eficaz no controle dos mosquitos sendo uma responsabilidade colectiva. Em relação ao ambiente, deverão ser tomadas precauções individuais. A presença do mosquito Aedes aegypti foi registada pela primeira vez na ilha da Madeira, em 2005, após muitos relatos da população da freguesia de Santa Luzia, sobre prurido e pápulas cutâneas e que eram relacionadas com picadas de mosquito. Foi implementado um programa de controlo constituído por acções de sensibilização junto da população para redução dos criadouros. O Aedes aegypti é extremamente comum em áreas sem sistemas de água canalizada, e precisa na maior parte das vezes dos depósitos de água para por os seus ovos. As fêmeas necessitam de sangue para produzir os seus ovos. Os contentores artificiais ou naturais, que estejam dentro ou próximos dos locais de habitação são os habitats ideais para este mosquito. Este mosquito é mais activo aproximadamente duas horas após o nascer do sol e várias horas antes de o por-do-sol, mas também pode picar durante a noite, sendo que, pode picar as pessoas sem que estas se apercebam porque se aproxima por trás e pica sobretudo tornozelos e cotovelos. Neste sentido, segundo a associação académica o projecto irá responder ao interesse e às necessidades dos seus participantes, procurando desenvolver novas aptidões e conhecimentos. Serão utilizados vários métodos de trabalho, tais como o trabalho em equipa, a divisão de funções, a cooperação, a recolha de informação, as acções de campo, e a permanente troca de ideias e pontos de vista entre os jovens participantes. Serão realizadas quatro sessões de trabalho, nas quais engloba as seguintes questões: O que é a Dengue; Medidas preventivas e combate à Dengue; Elaboração de dispositivos de combate à Dengue; Locais de risco e de propagação da Dengue. Cristina Teixeira
De estudantes para estudantes
A história da revista JA iniciou-se em Março de 2006, quando saiu a primeira edição ao público. Sob a designação ‘Jornal Académico A UMa é Nossa!’, apresentou-se como um instrumento de campanha da única lista concorrente aos órgãos sociais da AAUMa nas eleições desse ano. Concretizava-se, dessa forma, a aspiração de muitos estudantes em terem uma publicação no seio da comunidade estudantil e, face ao seu sucesso, a equipa empossada deu continuidade ao projecto. A adequação da oferta formativa ao Tratado de Bolonha, bem como o debate gerado do processo de instalação do mesmo tratado à Universidade da Madeira, foram o tema principal da edição experimental. Nela participaram as principais figuras das facções pró e anti-Bolonha na UMa, os professores Nuno Nunes e Carlos Fino, respectivamente. Com o tempo, outras personalidades escreveram para o JA, entre eles 3 reitores da UMa (incluindo o actual), a escritora Maria Aurora, Paquete de Oliveira (antigo Provedor do Telespectador da RTP), D. António Carrilho e Alberto João Jardim. A JA manteve uma referência na sua linha de conteúdos de forma a assegurar apresentar ao público assuntos relativos à Universidade, ao Ensino Superior e à actualidade, informando e formando o leitor. De distribuição gratuita, a totalidade do trabalho de redacção é assegurada voluntariamente por colaboradores da AAUMa e pela livre colaboração de várias entidades externas. Mas tal não ocorre com a edição e com a impressão, cujos custos são assegurados ao trabalho que profissionais e voluntários da AAUMa desenvolvem na procura de financiamento, especialmente pela publicidade que intercala as nossas reportagens. A revista é, por tal, um projecto auto-suficiente e até solo fértil para outras iniciativas da AAUMa. Integrar a equipa da JA não requer qualquer tipo de conhecimento ou experiência numa publicação, pelo contrário, exige apenas vontade de trabalhar e de aprender. Estudantes de diferentes cursos participam ou participaram na JA, escrevendo sobre os mais diversos assuntos, por si propostos e discutidos nas reuniões de preparação de cada edição. Dado que os temas dependem dos interesses de um grupo multidisciplinar de estudantes, a Revista consegue abarcar em cada edição um leque de temáticas chamativas à comunidade estudantil. Por outro lado, o apoio que os colaboradores recebem de outros mais experientes, permite a cada um desenvolver as capacidades de comunicação social e mesmo pessoais. É uma revista de estudantes, feita por estudantes, para ser lida por estudantes. Mas acima de tudo é uma oportunidade rara de desenvolveres certo tipo de competências comunicacionais muitas vezes preteridas em relação às competências científicas. Se estás interessado, estamos de portas abertas. Basta enviares uma mensagem para ja@aauma.pt ou pedir informações num dos balcões da AAUMa. Carlos Diogo Pereira Alumnus