Sou rainha dos caloiros

“Bem-vinda à Universidade da Madeira!” foram as primeiras palavras que ouvi quando aqui cheguei, seguidas por “Olhos nos cascos reles bicho!”.

Palavras que nunca pensei vir a gostar tanto, porque foram estas que me receberam e deram início a uma das melhores experiências, se não a melhor, da minha vida académica!

No início não via a praxe com bons olhos e achava que esta resumia-se a receber ordens, a gritar e a encher. Só mais tarde, apenas dias depois apercebi-me que seria normal assim pensar porque a experiência e o que aprendemos com ela é algo que só se entende participando.

Diverti-me muito mas acima de tudo aprendi! Aprendi a ter respeito pelos meus colegas e por todos os trajados, mesmo aqueles com os quais não tinha muita afinidade, porque a verdade é que, independentemente dos cursos e até às vezes das personalidades, na praxe todos nós defendemos o mesmo, defendemos a nossa mui nobre academia, e como tal devemos comportarmo-nos não só com respeito pelo outro, mas também com muito respeito pelos nossos valores, porque tal como foi dito no dia do Baptismo, nós estudantes temos a obrigação de mostrar à sociedade que está errada quando pensa em estudantes da Universidade: não somos libertinos, boémios sem responsabilidade, somos divertidos, sabemos viver mas também sabemos ser cidadãos conscientes e activos na comunidade.

A praxe funciona muito como meio de integração na vida académica, porque é uma experiência que nos une, visto que passamos por bons e menos bons momentos sempre juntos, e acabamos por nos defender uns aos outros, criando laços que nos ligam para a vida académica e pessoal. Todos os dias enfrentamos novos desafios, assumimos a responsabilidade de cumprir tarefas que servem para defender o nosso curso, mas também para nos conhecermos melhor, o que faz com que tenhamos mais confiança uns nos outros.

Na praxe podemos, acima de tudo, ser genuínos, porque ninguém é posto de parte ou olhado de lado. Fazemos parte de algo e sentimo-nos aceites pelos outros! Posso sinceramente dizer que na praxe senti-me como um ‘peixe na água’.

Se me pedissem para escolher um dia favorito de praxe, acho que seria uma tarefa difícil, porque gostei de todos os dias, mas os momentos mais inesquecíveis que vivi na praxe foram sem dúvida o dia do Baptismo, a primeira quarta-feira académica e o dia da Procissão das Velas. No dia do Baptismo tive a honra de fazer o Juramento do Caloiro, numa mistura de sensações, de adrenalina, de emoção e de muito orgulho! A primeira quarta-feira académica e a felicidade de ouvir, sentir e viver o Grito Académico pela primeira vez foi inexplicável e inesquecível. No dia da Procissão das Velas, além de a poder partilhar com cerca de 250 pessoas, número nunca antes alcançado, disseram os trajados, o Grito Académico foi diferente. Pela primeira vez o ‘bicho’ foi substituído pelo ‘caloiro’ e a emoção foi mais forte, apesar do ‘nada’ ser-nos destinado de igual forma.

Tenho a certeza que aqueles que viveram esta experiência comigo vão sempre ficar guardados na minha memória, porque partilharam uma parte importante da minha vida.

Fiquei extremamente feliz por ter sido a rainha dos caloiros, não por mim, mas sim pelo meu curso e pelos que dele fazem parte. Considero que foi uma maneira de Enfermagem a mais reconhecida da praxe e considero, ainda, que o título deveria ser atribuído a todas as caloiras que viveram a praxe com alegria, boa disposição e respeito, porque a verdade é que somos, na grande maioria, reis e rainhas da UMa.

Agora, apenas algumas semanas após o dia do Baptismo, já sinto a falta da praxe e acho que esta sensação ainda se vai prolongar durante muito mais tempo. Apesar da praxe ser eterna só se é bicho uma vez, e tal como nos foi dito por vários trajados, esta é a melhor parte da nossa vida académica.

Ester Caldeira
Estudante da UMa

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