Amizade e pressão de grupo
“A melhor parte da vida de uma pessoa está nas suas amizades.” Abraham Lincoln A amizade, provavelmente, surgiu no início de tudo, quando o mundo era um lugar inóspito e repleto de perigos. Nessa época cooperar na defesa das tribos era essencial para sobreviver. Ser expulso dessas comunidades era o mesmo que ser condenado à morte. Atualmente, as relações de amizade são mais complexas e apesar de não serem tão diretamente essenciais para a nossa sobrevivência, é fundamental nos rodearmos de pessoas que nos possam dar suporte social, adicional à família, contribuindo imenso para a nossa saúde mental e tornando os nossos dias mais risonhos. Desta forma, não é de estranhar que nos diversos estudos sobre a felicidade, um dos preditores seja as relações positivas que estabelecemos com os outros, incluindo a amizade (Ryff 1989; Argyle 1987, Myers 2000). Sheldon et al (2001) vai mais longe, demonstrando no seu estudo que as relações sociais, a auto-estima e a autonomia, são competências mais importantes para o bem-estar das pessoas, do que a saúde, a segurança, o dinheiro ou a popularidade. A amizade também tem dado origem a diversos estudos, concluindo-se que ela pode surgir rapidamente ou demorar anos a se desenvolver, que tendemos a criar relações de amizade com pessoas com as quais partilhamos interesses, valores e identidades, com quem partilhamos espaços e com quem estamos continuamente a nos cruzar. Para mantê-la é necessário existir expressividade emocional e o apoio incondicional, seguidos por aceitação, lealdade e confiança, (Fehr) proximidade geral, contato e apoio (Weisz & Wood). No entanto, os amigos tanto influenciam de modo positivo como de modo negativo. Desta forma, por vezes eles também nos arrastam para situações problemáticas, onde o risco convive de mãos dadas com a amizade. É o caso do consumo de drogas, sendo a pressão de grupo um dos principais motivos apontados para a experimentação das referidas substâncias, principalmente em jovens e adolescentes. Hawkins et al (1992) evidenciaram um risco acrescido quando o jovem ou adolescente tem amigos que tenham atitudes favoráveis face às drogas ou que as consumam. Desta forma, é necessário apostar na formação do jovem, dotando-o de competências pessoais e sociais que o ajudem a lidar com os amigos, decidindo positivamente nos momentos capitais, em prol da sua saúde, catapultando-o para a vida adulta e para relações de amizade positivas. Ao longo das nossas vidas, com estes e outros amigos, descobriremos novos mundos, trazendo outros valores aos nossos dias, ajudando-nos a crescer, a partilhar alegrias e tristezas e correndo tudo na melhor forma, olharemos para elas e saberemos com toda a certeza, que seguiremos mais felizes e completos por aquele caminho que nos aproxima dos nossos sonhos e objetivos. Sérgio Cunha Psicólogo do Instituto de Administração da Saúde e Assuntos Sociais, IP-RAM
Entre livros e filmes
Desde a concepção do primeiro filme que muitas obras literárias foram passadas para o formato de película. Muitas delas foram bem-sucedidas e marcaram gerações, tornando-se ícones do cinema, tais como Frankenstein (1931) ou até Bram Stocker’s Dracula (1992). No género de aventura, os heróis britânicos James Bond e Sherlock Holmes tornaram-se boas adaptações ao cinema ou televisão, embora diferentes versões tenham tido diferentes aceitações. Grandes desvios à história original, orçamentos demasiado baixos, entre outros, fizeram muitos passarem despercebidos aos olhos do público. O que torna interessante é a mudança de atitude das massas levam filmes e livros a venderem-se mutuamente, como que se complementando. Os melhores exemplos para demonstrá-lo são as bem-sucedidas sagas, tanto nas bilheteiras, como nas estantes das livrarias, da trilogia de J. R. R. Tolkien O Senhor dos Anéis e da enorme saga Harry Potter, da autora britânica J. R. Rowling. Qualquer uma delas já contava com um número considerável de fãs, porém, com o lançamento dos respectivos filmes, algo inesperado (ou não) aconteceu. Em 2001, o Mundo viu e deslumbrou-se com estes mundos de fantasia nos cinemas, dando a essas histórias o estatuto de livros mais vendidos de todos os tempos. O sucesso foi tão elevado, que é difícil haver alguém que não conheça os seus títulos. Com tais sucessos começou-se a apostar em projectos cada vez mais ambiciosos e um pouco fora do comum. Os filmes de super-heróis estão em moda em Hollywood. O primeiro grande projecto deste género deu-se em 2002 com o lançamento de Spiderman e, desde então, cada vez mais heróis entram nas salas de cinema. Em 2005 alcançou o auge, quando Christopher Nolan abordou Batman de uma forma completamente nova, retratando-o mais realisticamente e distanciando-se das versões da década de 90. O resultado foi muito maior do que se esperava e o Mundo começou a olhar os super-heróis de uma forma muito diferente, deixando meros protagonistas de banda desenhada. Tanto a Marvel como a DC Comics começaram a passar os seus heróis para o cinema e para a televisão e prevê-se que continuem a fazê-lo nos próximos anos. Ambas as empresas têm planos para juntar vários heróis num só filme, dando origem a uma ligação entre todos os seus filmes e séries. Da película para o papel, algumas séries e filmes como LOST, Star Wars e Supernatural, são exemplos de livros nascidos das artes cinematográficas e não o contrário. Chegámos a uma Era onde todos os meios de entretenimento estão a conectar-se uns aos outros, completando-se e que por fim acaba beneficiando todos. Mesmo que a conversão para um filme não seja bem executada, ou simplesmente não seja bem recebida por aqueles que vêm o produto final, o público ficará ao menos a saber que existe algures por aí um livro que relata uma determinada história que, de outra forma, não lhes chamaria a atenção. João Andrade
As vagas no Ensino Superior
O menor número de vagas abertas ao Ensino Superior público mostra ter havido uma mudança de prioridades nas famílias portuguesas, em tempos de grandes dificuldades económicas para a classe média. Como lidaram as universidades com esta realidade? Os dados divulgados pelo Ministério da Educação e Ciência apontaram para uma descida de 1,6% na oferta das universidades e politécnicos públicos em relação ao ano lectivo 2012-2013. Esta descida torna o número de vagas abertas neste ano equiparável ao das de 2009-2010 (51 352 vagas a licenciaturas), sendo que, às vagas disponíveis na primeira fase do concurso geral de acesso, acresceram ainda as dos concursos locais, as da Universidade Aberta, de instituições de Ensino Superior militar e policial, cursos de especialização tecnológica e do concurso destinado a estudantes com mais de 23 anos. Para a situação contribuíram medidas importantes na redução da enorme despesa que o Estado tem com este nível de ensino. Do governo central deixou de sair dinheiro para financiar cursos com menos de 10 alunos inscritos, levando ao fecho de primeiros anos, com progressivo desaparecimento dessas licenciaturas. Várias instituições de Ensino Superior optaram por medidas de reestruturação da sua oferta formativa, com muitos cursos fechados por não estarem de acordo com as imposições ministeriais, bem como os de regimes pós-laborais a darem lugar a nova aposta nos formatos diurnos, direccionando-se mais aos concursos para os jovens graduados do Ensino Secundário e seus equivalentes. Ao todo cerca de 40 cursos, que funcionaram em 2012-2013, não abriram vagas este ano. Das áreas mais afectadas, as que estão ligadas aos serviços de segurança (com fecho de 28% da oferta, em relação a 2012/2013) e à construção (da ordem dos 16%). Classe profissional na vanguarda da contestação política, por ser das mais sensíveis a reformas governamentais, os professores viram reduzida a oferta dos seus cursos profissionalizantes ou ligados à educação. Na sequência do corte de 20% imposto pelo governo às universidades, como medida preventiva do desemprego associado à Educação, abriram menos 16% de cursos de formação de professores e educadores e de Ciências da Educação. Acrescem às preocupações do MEC, de universidades e de politécnicos públicos, a diminuição da procura de futuro no Ensino Superior. Os alunos que acabam o Secundário ponderam, cada vez mais, em tirarem uma licenciatura, muito devido ao factor económico. Mesmo aqueles que já se encontram a frequentar o Ensino Superior tentam superar dificuldades hercúleas para se manterem na universidade, obrigando estas instituições a intervirem com novas medidas de apoio aos mais carenciados. As perspectivas não são as ideais e só uma melhoria na conjuntura económica do País irá atrair um maior número de estudantes para o ensino universitário. Rui Santos
Universidade da Madeira reinventando a Loja do Cidadão
Em 1997, foi promovida a criação de uma equipa cujo objetivo, segundo o Conselho Directivo da Agência para a Modernização Administrativa, seria o de “implementar e pôr em funcionamento serviços de atendimento ao cidadão, tendo em vista a prestação célere e personalizada, num único local público, de um conjunto de serviços de atendimento ao cidadão”. Dois anos mais tarde, e em Abril de 1999, abriu ao público a primeira Loja do Cidadão. Aqui mesmo ao lado, no Porto Santo, sob a tutela da Direcção Regional para a Administração Pública do Porto Santo (DRAPS), foi criado, em 2006, o Posto de Atendimento ao Cidadão (PAC), uma aproximação correspondente à 2.ª Geração de Lojas, com balcões multi-serviços, onde os mesmos funcionários representam entidades diversas. Com o uso das novas tecnologias da informação e comunicação, Carlos Rebolo (in memoriam), conhecido por estar sempre muito à frente de seu tempo, visionou o futuro destas lojas e, com o apoio de Jocelino Velosa, Director Regional da DRAPS, colocou em marcha o projecto electronicgovernment@e-island.RAM. Este projecto de governo electrónico (aka e-gov) visa permitir a interacção entre o Estado, os cidadãos e as empresas, recriando e evoluindo o conceito de Loja do Cidadão através do uso facilitador das TIC. De forma inovadora, este projecto, facultou a interligação das diversas entidades governamentais por meio de uma rede em estrela de fibra óptica de última geração, cujo nó central é a sede da DRAPS, onde se comporta um poderoso Data Center. Aqui residem três imperiosos servidores que asseguram uma rede de postos de trabalho virtuais, proporcionando aos intervenientes as diversas vantagens concernentes à virtualização. Esta fase inicial permitiu uma expressiva redução de custos, designadamente em consumo de papel (26%), comunicações móveis (34%) e comunicações de voz (36%), dados de 2012. Logo, ciente da perspectiva de Alfred North Whitehead, de que a civilização avança à medida que amplia o número de operações importantes que consegue realizar sem pensar nelas, a DRAPS partiu para uma nova fase do projecto contratando uma equipa de experts formada por um consórcio entre a Universidade da Madeira e a Universidade de Aveiro, com vista a analisar os processos administrativos internos e externos. Permitirá assim agilizá-los de forma transparente e desmaterializada, bem como aos serviços que esta suporta. Além disso, este consórcio tem ainda a incumbência de realizar o caderno de encargos destinado à adjudicação de serviços inerentes à próxima fase do projecto. Assim, este projecto, que já tem cativado e atraído académicos, políticos e executivos, tanto no meio nacional como internacional, pretende funcionar inicialmente, como piloto, no Porto Santo, mirando sempre a expansão ao panorama regional (e quem sabe maior), provocando uma colossal modernização da Administração Pública. Francisco Capelo Coordenador do Projecto electronicgovernment@e-island.RAM na DRAPS
25 Anos da Universidade da Madeira
1. Do ponto de vista institucional, podemos distinguir quatro grandes períodos nesta, ainda curta, história da Universidade da Madeira. O primeiro período respeita à fase da instalação, que vai até à homologação dos primeiros Estatutos da Universidade, a 13 de maio de 1996, e a eleição do seu primeiro reitor, o professor José Manuel Nunes Castanheira da Costa, em julho de 1996. O segundo período diz respeito ao chamado (nos próprios Estatutos) de regime de transição, que termina em finais de 2000 com a eleição como reitor de um professor catedrático, o professor Rúben Antunes Capela. Finalmente, considero que as alterações profundas na forma de governo das universidades decorrentes da entrada em vigor, em 2007, do novo Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior (RJIES), e consequente alteração dos Estatutos da Universidade (em outubro de 2008), dão origem ao que eu denomino de quarto período, onde nos encontramos atualmente. Apesar de colaborar com a Universidade da Madeira desde o ano letivo de 1992/93, não participei ativamente nos tempos agitados, mas certamente empolgantes, da sua construção inicial , uma vez que só passei a fazer parte do seu quadro docente em abril de 2000, altura a partir da qual passei, então, a estar envolvido em intensa atividade de gestão académica, nomeadamente como presidente de unidades orgânicas. 2. Nestes 25 anos, a Universidade da Madeira deu um salto enorme, em múltiplos aspetos. De seguida, abordarei, muito sucintamente, alguns deles e terminarei com uma breve referência ao que penso serem os atuais desafios da Universidade. As universidades não são as suas instalações, mas sem instalações minimamente condignas e adequadas, dificilmente se desenvolvem. Apesar da beleza do espaço em causa, o edifício do Colégio (onde agora se situa a Reitoria e parte da Administração) não dispunha de condições para albergar toda a Universidade e, com o crescimento do seu número de alunos, a instituição viu-se obrigada a arrendar outros espaços, chegando a estar dispersa por cinco edifícios. Facilmente se percebe, assim, a importância que teve a construção de um edifício de raiz para a Universidade. A construção do atual edifício da Penteada, com cerca de 24000 m2, com espaço para gabinetes dos seus docentes e capacidade para 3500 estudantes, e a mudança para lá de toda a atividade académica (que se processa de 1998 a 2000), constituiu, na minha opinião, um marco fundamental na história da Universidade da Madeira. Do ponto de vista das instalações, merece também realce a construção e entrada em funcionamento da residência universitária, que, com 209 camas, é uma estrutura fundamental para apoiar a estadia quer de alunos madeirenses residentes longe do Funchal, quer de alunos de fora da Madeira. Igualmente se justifica uma referência à quinta que a Universidade adquiriu e cujo aproveitamento total aguarda por maiores folgas financeiras. 3. Deixando as instalações e indo à essência da Universidade, alguns comentários sobre a evolução da sua oferta educativa e do seu corpo docente. Como seria de esperar, o número de alunos cresceu imenso. A Universidade que em 1988 tinha 121 alunos, em 1994 já tinha 1681 alunos, em 2002 tinha 2385 alunos e em 2012 cerca de 3636 alunos. Apesar da redução do número de estudantes que ocorreu no presente ano letivo, o edifício da Penteada já se encontra a ser utilizado na sua capacidade máxima, ou perto disso. Este incremento do número de alunos tem sido acompanhado de um ajustar da oferta educativa, que tenta ter em conta a procura dos alunos e as necessidades da Região. Este ajustar da oferta é particularmente relevante entre 2001 e 2005. Nomeadamente, toda a oferta na área das Humanidades é reformulada nesse período, com os vários cursos de Línguas e Literaturas a deixarem de abrir vagas, em 2001/02, e com o surgimento de novos cursos a partir de 2002/03. Igualmente, nas áreas das Ciências e das Engenharias, se registam alterações profundas, com o surgimento de novos cursos (como Engenharia Informática, em 2001/02, e Bioquímica e Engenharia Civil, em 2004/05) e o encerramento ou reestruturação de outros. 4. Particularmente relevante é a evolução em número e, acima de tudo, em qualificação do corpo docente. O aumento do número de mestres e doutorados era absolutamente essencial para a qualidade e avaliação dos cursos e foi obtido por contratação de doutorados e com um grande esforço de formação do corpo docente jovem, nomeadamente dispensando de serviço docente, em simultâneo, vários assistentes, para realização do seu doutoramento. A título ilustrativo, pode observar-se, no quadro a seguir, a evolução das qualificações do corpo docente de carreira, das áreas do Departamento de Matemática e Engenharias, entre 1996 e 2006. Embora só disponha dos dados referentes a esse Departamento (que compilei quando era seu presidente), julgo que eles espelham o que se terá passado genericamente na Universidade. Naturalmente esta evolução tem continuado e atualmente cerca de 85% dos cerca de 75 docentes do Centro de Competência de Ciências Exatas e da Engenharia (oriundo da junção dos Departamentos de Física, Matemática e Engenharias, e Química) são doutorados e o mesmo se verifica com cerca de 70% dos docentes da Universidade. 5. No fim destes 25 anos, 17 se não contarmos com a fase de instalação, a Universidade continua a deparar-se com grandes problemas e desafios, que vão desde manter a estabilidade do corpo docente e dos funcionários não docentes e minimizar o abandono escolar motivado pela crise, no contexto financeiro mais difícil de sempre, à criação das condições para que os vários cursos da Universidade, de 1.º, 2.º e 3.º ciclos, sejam acreditados pela Agência de Acreditação e Avaliação do Ensino Superior (A3ES), ao alargamento da formação ao longo da vida e a uma cada vez maior internacionalização. Finalmente, julgo que o desenvolvimento de investigação e formação avançada na área do Turismo constitui também um importante desafio para a Universidade e sua contribuição para o desenvolvimento regional. (1) O professor Rúben Capela já tinha sido eleito reitor em meados de 2000, mas ainda como professor associado. Com a realização, em outubro e novembro, dos primeiros concursos para professor
Tomou o pequeno-almoço?
Muitos são aqueles que frequentemente iniciam a sua actividade diária sem tomar o pequeno-almoço. Será o seu caso? Se sim, é essencial que conheça a importância desta refeição. O desenvolvimento físico, intelectual e afectivo, dependem de uma alimentação saudável em quantidade e qualidade, destacando-se o papel do pequeno-almoço. Trata-se de uma refeição fundamental e que nunca deve faltar. É importante para atenuar o período de jejum nocturno e também para disponibilizar a energia necessária para as primeiras horas do dia. A omissão do pequeno-almoço pode provocar alterações metabólicas a nível cerebral, resultante de um prolongado jejum; diminuir a capacidade de atenção, concentração e de raciocínio lógico, enfim, causar dificuldades em pensar, compreender e aprender razões, muitas vezes, suficientes para afectarem os resultados escolares. Para além disso, pode acarretar défices nutricionais e provocar alguma irritabilidade e, até, alterações de humor. Pelo contrário, a toma do pequeno-almoço, possibilita um melhor estado nutricional, propicia melhores resultados cognitivos e combate o excesso de peso e a obesidade. Enfim, só vantagens. É assim fundamental criar este hábito matinal e reservar uns minutos do nosso dia para fazer esta importante refeição, que deve ser constituída por cereais e derivados (como o pão, tostas ou cereais pouco açucarados), lacticínios e fruta. Sendo assim… após acordar: tomar sempre um verdadeiro pequeno-almoço. Bruno Sousa Nutricionista
Monumental Serenata Académica da Madeira
Renovando o gosto pela canção nacional, a candidatura do Fado a Património Imaterial da Humanidade, apresentada pela Câmara Municipal de Lisboa, e a sequente elevação pela UNESCO deram início a uma nova etapa da íntima relação entre este género músical e o povo português. A patrimonialidade atribuída pela UNESCO, embora não inclua o Fado de Coimbra, obrigou também à valorização desta canção, nas suas diversas variações. À semelhança do que aconteceu nas décadas de 60 e 70 do século XX, a Canção de Coimbra, como lhe chamava entre outros Edmundo de Bettencourt, voltou já no século XIX a transpor a urbe coimbrã, as margens do Mondego e os campos das tricanas que encantaram gerações de estudantes, para se fazer ouvir por todo o país e além-fronteiras. Tal deve-se sobretudo o empenho de vários artistas actuais formados no seio da Académica de Coimbra, a mais antiga associação estudantil de Portugal. Março é para a Académica da Universidade da Madeira o mês da Revista JA e dos muitos dos projectos e iniciativas que surgiram a par ou derivados dela, resultantes do trabalho de sucessivas direcções e das suas dezenas de colaboradores. Como é habitual, a Académica da UMa abre as portas da Universidade, dá a conhecer algumas das tradições estudantis e aproxima a Academia da cidade que a acolhe através da música, neste caso do Fado de Coimbra. Inspirada na Serenata Monumental nas escadas da Sé Velha de Coimbra, a Monumental Serenata Académica da Madeira é já um dos ex-libris do calendário da AAUMa. Ao longo dos anos foi sendo realizada em vários locais emblemáticos do Funchal, sendo este ano novamente acolhida pelo Pátio dos Estudantes do Colégio do Jesuítas – Reitoria da UMa, no dia 23 de Março, pelas 21:30. O espectáculo, de entrada livre, contará com a presença dos Fatum – Grupo de Fados da AAUMa, que comemora também neste mês dois anos de apresentação ao público, e do grupo Madeirense de Fados de Coimbra. A 24 de Março, Dia Nacional do Estudante, a Sala dos Arcos da Reitoria da UMa acolherá, a partir das 20:00, o sexto Aniversário da Revista JA – um serão de fado de Coimbra precedido de um jantar típico. Este evento, mais exclusivo, reunirá uma centena de pessoas entre convidados e apreciadores interessados. Carlos Diogo Pereira Alumnus
Crise, suicídio e crimes violentos de mãos dadas
Nos dias que correm, palavras como crise, recessão e impostos é do que mais se ouve quer na imprensa como suma simples conversa de café. A razão para tanta insistência no tema é bem fundamentada por Karl Marx, quando indica que a crise é um período em que um processo económico sofre uma avaria, que se alastra com muita rapidez e que pode ter efeitos devastadores nas sociedades. Um desses efeitos é o aumento dos crimes violentos e dos suicídios desde o primeiro impacto desta falência financeira em que nos encontramos. Citando o Dr. Francisco Pereira, psiquiatra do Hospital de Faro, podemos considerar a crise “como factor desencadeador de uma doença”, nomeadamente depressões. Depressões essas que são “o segundo problema psiquiátrico mais frequente no mundo”. Era então de esperar que a nossa sociedade, por mais desenvolvida e consciente que seja, fosse transformar essas tais depressões que não são detectadas por profissionais de saúde em actos de extrema violência e cobardia. Crimes como assaltos armados a bancos e ourivesarias, carjacking e homicídios são infelizmente notícia todos os dias. Em média, por dia, são assaltadas 30 residências e uma ourivesaria em Portugal. Num país que se diz civilizado estes dados são inadmissíveis. A falta de agentes da autoridade, a alta fragilização na Justiça ou mesmo as poucas infra-estruturas para albergar prisioneiros são factores que também não devem ser esquecidos como impulsionadores destes actos bárbaros. Visto que a crise incentiva ao assalto pelo facto dos seus praticantes estarem em dificuldades económicas, o que poderemos então dizer das forças da autoridade que têm como papel deter tais sujeitos? Sem dinheiro não há recursos para criar e reforçar meios de combate ao crime violento razão pela qual este tipo de crimes tende a aumentar. A cada ano que passa esse aumento situa-se nos 1,3%, sendo que os crimes que mais têm contribuído para este aumento são o assalto a ourivesarias, bombas de gasolina e residências. Não só o crime violento tende a ser cada vez mais frequente, o aumento exponencial da taxa de suicídios, quer em Portugal, quer na Europa, quer no Mundo constitui, já, uma preocupação das autoridades. A Grécia, por ser um dos países do mundo mais afectados pela crise, registou um aumento de 40% na taxa de suicídio em 2011. Em Portugal, um país com elevada taxa de sinistralidade rodoviária morrem, por ano, menos pessoas em acidentes do que por via do suicídio. E a tendência é aumentar. Tiago Ornelas Aluno da UMa
A AAUMa não podia adiar mais!
Depois da eterna espera para a resolução das indefinições dos apoios para a época em curso, a Associação Académica decidiu agir. Apesar das grandes dificuldades por que todos passamos, a AAUMa não podia deixar passar a oportunidade de demonstrar que o movimento associativo pretende ultrapassar dificuldades e obstáculos com empenho, vontade e determinação. Ao longo de 20 anos de existência, a AAUMa tem cumprido um trajecto de excelência no desporto federado universitário. Apesar da falta de infra-estruturas, recursos humanos e apoios financeiros, a académica madeirense tem apresentado resultados que vão surpreendendo os menos atentos: vários títulos nacionais em modalidades colectivas como Voleibol, Basquetebol, Futebol, Andebol e mais de uma centena de medalhas conquistadas em competições individuais como o Atletismo, Natação, Badminton e Ténis-de-Mesa. A AAUMa estará uma vez mais presente nos campeonatos nacionais universitários deste ano. Atletismo em Pista Coberta e Ténis-de-Mesa na variante de Pares serão as primeiras modalidades onde a Madeira tentará marcar novamente a sua posição neste mês de Fevereiro. É certo que as nossas comitivas serão menos numerosas que no passado fruto das circunstâncias já referidas e por todos conhecidas, mas teremos com certeza a mesma determinação que em anos anteriores onde a vontade de alcançar os melhores resultados possíveis estará sempre presente. Tiago Silva irá tentar revalidar o seu título de campeão nacional nos 3000 metros enquanto Marçal Rodrigues estreia-se no lançamento do peso em Pista Coberta. Pedro Vieira e Vitaly Efimov serão os representantes madeirenses na variante de pares no Ténis-de–Mesa onde a AAUMa é vice-campeã nacional. Sabemos portanto que a representação condigna da Associação Académica, da Universidade da Madeira e Região Autónoma da Madeira está garantida. Mas a nossa participação nos CNU não se esgota a curto prazo e até Maio, teremos muita competição. Em Março, Liliana Felix irá defender o título alcançado no ano transacto no Karaté e o regresso do Luís Ascensão na mesma modalidade oferece–nos mais esperança numa boa participação. Rui Catanho irá tentar voltar a surpreender os favoritos “continentais” no Squash e voltar a conquistar uma medalha para a AAUMa. Abril e Maio serão os meses das fases finais concentradas das modalidades colectivas (Braga e Guimarães) e individuais (Covilhã). Apesar das indefinições, sabemos que os cortes financeiros irão obrigar-nos a abdicar de campeões, mas a AAUMa tudo fará para que o trabalho desenvolvido ano após ano seja reconhecido e valorizado por todos. A Associação Académica procura dinamizar e valorizar a vida académica madeirense, não só desportiva mas também cultural, formativa, educativa e social. O trabalho dos vários departamentos da AAUMa pretende melhorar a vida dos nossos estudantes universitários mesmo nesta época de crise e o espírito académico e a vontade de vencer será maior que as adversidades que o futuro nos reserva. Arlindo Silva
O Dia Mundial da Floresta
Desde sempre, na actualidade e para além de 2011 O culto da Floresta tal como o culto da árvore remonta às civilizações mais antigas da Humanidade, um culto ancestral. As florestas atuais são o resultado da evolução genética e das alterações climáticas de milhões de anos (incluindo a floresta indígena da Madeira). O Homem desde o seu surgimento tem sido o agente transformador com uma ação modeladora, causando a devastação, desarborização da área e composição dos espaços florestais primitivos, existindo uma interligação entre a História do Homem e da Floresta. No ano 1970 do século XX foi acordado internacionalmente que o dia 21 de março fosse designado por Dia Mundial da Floresta, conceito mais complexo e abrangente que a antiga designação de “Dia da Árvore” – comemorado em diferentes dias em diferentes países desde o fim do século XIX, devido ao contexto florestal da época em todo o Mundo, século em que se verificou um processo de desarborização devido às crescentes necessidades de madeira. No arquipélago da Madeira tal como em Portugal as comemorações do Dia Mundial da Floresta tiveram um grande incremento a partir de março de 1974, dando continuidade a um movimento cultural e cívico iniciado na primeira década do século XX, que procurava divulgar os benefícios das árvores e das florestas. Desde esta época até à atualidade as organizações governamentais e não governamentais têm divulgado o património florestal das regiões, locais ou áreas, procurando que todos os cidadãos tenham a consciência da importância na protecção, preservação e conservação das florestas – um bem natural, valioso e renovável, gerador de bens e serviços com grande importância no ambiente, na segurança, na qualidade de vida, na saúde e na economia das populações. Celebrar as florestas não se restringe ao Dia Mundial da Floresta ou ao Ano Internacional das Florestas (ano 2011) – são muitas as ações que todos os dias e durante anos acontecem na Madeira, Portugal e em todo o Mundo na defesa destes ecossistemas complexos, sistemas ecológicos com um grande importância na conservação da biodiversidade, no combate à desertificação e às alterações climáticas; como fonte energética e serviços com valor económico, no entanto a data 21 de março ou o Ano Internacional é um alerta periódico mas constante e persistente para o empenho de Todos na proteção e defesa do habitat da biodiversidade ao nível regional, nacional ou mundial. O objectivo destas comemorações é a mobilização da comunidade mundial para assegurar que as florestas sejam geridas de modo sustentável para as gerações atuais e futuras. As atividades em apoio às celebrações têm ao longo do anos, como foco a promoção do desenvolvimento global sustentável, a conservação das florestas em todo o mundo e a sensibilização das populações para o papel decisivo que desempenham para o bem–estar da sociedade, que não acaba no dia 21 de março ou em 2011 mas que se prolonga no tempo, com um trabalho contínuo em prol da Floresta. Direção Regional das Florestas