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Fernando Alexandre admite novos inquéritos sobre falhas nos exames

Fernando Alexandre admite novos inquéritos sobre falhas nos exames

O ministro da Educação admite que seis casos relacionados com irregularidades nos exames nacionais poderão ser alvo de novas averiguações.
Fernando Alexandre, ministro da Educação, e Luís Montenegro, no Debate com o Primeiro-Ministro, na Assembleia da República (Lisboa, 24 de setembro de 2025). Fotografia de Gonçalo Borges Dias / GPM.

As falhas registadas nos exames nacionais deste ano ainda poderão ter consequências disciplinares. Fernando Alexandre revelou que serão realizados novos inquéritos a cerca de seis casos identificados nas escolas, depois de a Inspeção Geral da Educação ter analisado irregularidades relacionadas com o envio de provas e pedidos de reapreciação fora dos prazos. “Haverá inquéritos adicionais, depois se verá se dá ou não processos disciplinares, não sei. Mas haverá inquéritos adicionais para meia dúzia de casos. Acho que são mesmo seis”, declarou o ministro da Educação, Ciência e Inovação, em entrevista ao PÚBLICO e à RENASCENÇA.

Entre as situações relatadas encontra-se um envelope com três exames de Biologia e Geologia que permaneceu esquecido numa escola e só foi entregue alguns dias depois. Houve também provas realizadas em computador por estudantes de educação especial que não chegaram inicialmente ao sistema por não terem sido exportadas. Fernando Alexandre distingue, contudo, estes casos, afirmando que nestas últimas situações “não houve negligência, nem houve violação de integridade da prova, nem nada disso”. O ministro pediu ao Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação, ao Júri Nacional de Exames e à Deloitte relatórios sobre o que correu mal, procurando determinar, entre outros aspetos, a origem dos problemas na leitura dos códigos QR.

A intervenção da Deloitte durante a crise foi considerada determinante pelo governante. A empresa entrou no processo depois de outra tecnológica ter concluído que não conseguiria resolver os problemas dentro dos prazos disponíveis. “Sem a intervenção da Deloitte nós não tínhamos cumprido o prazo. É tão simples quanto isto. Não teria sido possível”, declarou Fernando Alexandre ao PÚBLICO e à RENASCENÇA. O ministro reconhece que todo o episódio teve “efeitos muito negativos na sociedade portuguesa, nos alunos, nos professores, em todo o sistema educativo” e anunciou que os diferentes relatórios serão entregues ao Conselho Nacional de Educação para uma avaliação mais ampla do processo.

Os problemas dos exames são apresentados pelo ministro como parte de uma fragilidade tecnológica mais extensa dentro do Ministério. Fernando Alexandre considera que várias plataformas críticas estão a tornar-se obsoletas, incluindo sistemas relacionados com a colocação de professores, o acesso ao ensino superior e o pagamento de bolsas de ação social. “Mas, se não mexermos em nada, aquilo vai colapsar um dia porque os sistemas não aguentam para sempre”, afirmou em declarações ao PÚBLICO e à RENASCENÇA. A partir de 1 de janeiro de 2027, as empresas que prestem serviços ao Ministério na área dos sistemas de informação terão de cumprir novos requisitos de certificação, enquanto está também a ser criada uma unidade tecnológica própria com capacidade para contratar até 60 trabalhadores.

Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de Gonçalo Borges Dias / GPM..

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