Portugal voltou a aumentar o investimento em investigação e desenvolvimento, alcançando em 2025 o valor mais elevado de sempre. Foram aplicados 5.584 milhões de euros, o equivalente a 1,82% do Produto Interno Bruto, mais 564 milhões de euros do que no ano anterior. Apesar da evolução positiva, o país continua distante da meta de 3% do PIB fixada pela União Europeia para 2030 e permanece abaixo da média europeia, situada nos 2,24%.
A maior parte deste crescimento não resulta, contudo, de um reforço do investimento público ou das universidades. O PÚBLICO explica que o aumento foi “quase exclusivamente suportado pelas empresas”, responsáveis por 1,16 pontos percentuais do investimento total em ciência. O ensino superior representa 0,51% do PIB, enquanto o Estado contribui com apenas 0,1% e as instituições privadas sem fins lucrativos com 0,05%, revelando um desequilíbrio na origem do financiamento científico nacional.
Poluição luminosa: um inimigo silencioso
Recorda-se da última vez que se sentou num banco da cidade, durante a noite, e conseguiu observar as estrelas sem dificuldade? A pergunta é feita pela Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves, que escreve sobre a poluição luminosa.

“Chegamos a 2023 e para a UMa não houve qualquer acordo ou transferência”
Dinis Ramos, deputado da Assembleia da República, defende que “as universidades insulares sejam respeitadas, como todas as outras, e se
Os números mostram igualmente uma trajetória de crescimento contínuo desde 2020, período em que a despesa em investigação aumentou de 1,61% para 1,82% do PIB. Parte desta evolução é atribuída aos investimentos financiados pelo Plano de Recuperação e Resiliência, bem como ao aumento dos custos salariais e dos materiais. Ainda assim, o jornal recorda que vários investigadores têm alertado para as limitações destes indicadores, uma vez que uma parte significativa do investimento empresarial poderá estar associada à inovação tecnológica e não à investigação científica fundamental.
Também na distribuição dos recursos humanos se verifica uma realidade distinta daquela observada no financiamento. Portugal conta atualmente com 87.009 trabalhadores dedicados à investigação e desenvolvimento, considerando equivalentes a tempo integral. Destes, 55% exercem funções em empresas, enquanto 39,3% trabalham em instituições de ensino superior, demonstrando que as universidades continuam a concentrar uma parte muito significativa da atividade científica do país.
Apelo à Luta dos Estudantes: Reforço da Ação Social Escolar
A Associação de Estudantes da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa realizou, a 15 de dezembro, uma conferência de imprensa com os subscritores do documento “Apelo à Luta dos Estudantes: Reforço da Ação Social Escolar”.
O “lixo incorretamente depositado pode […] terminar no mar”
Entre julho de 2020 e abril de 2022, a investigadora Sara Bettencourt estudou os macro-resíduos em duas praias do Funchal, defendendo
A discussão ganha particular relevância numa altura em que o sistema científico atravessa uma profunda reorganização institucional. A futura Agência para a Investigação e Inovação, resultante da fusão da Fundação para a Ciência e a Tecnologia com a Agência Nacional de Inovação, deverá iniciar funções em 2027, depois de o Governo ter decidido rever o calendário inicial e promover um novo processo de auscultação junto da comunidade científica e das empresas.
Embora o investimento em ciência continue a crescer, os dados agora divulgados evidenciam que o desafio português está longe de se limitar ao aumento da despesa. A capacidade de reforçar a investigação fundamental, equilibrar o financiamento entre os diferentes setores e aproximar o país dos níveis de investimento das economias mais desenvolvidas continuará a ser determinante para a competitividade científica nacional nos próximos anos.
Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de Bee Naturalles.
