Durante anos, os medicamentos estimulantes usados no tratamento da perturbação de hiperactividade e défice de atenção foram entendidos como fármacos que atuavam diretamente nos circuitos da atenção do cérebro. No entanto, um estudo recente vem contrariar essa ideia, mostrando que o seu principal efeito ocorre noutras áreas cerebrais. A investigação, amplamente desenvolvida pelo PÚBLICO a partir de um trabalho publicado na revista Cell, indica que estes medicamentos influenciam sobretudo os sistemas ligados à recompensa e à vigília, e não os circuitos clássicos da atenção .
A análise baseou-se em dados de imagiologia cerebral de quase seis mil crianças entre os oito e os 11 anos, comparando aquelas que tomaram medicação estimulante com outras que não o fizeram. Os resultados surpreenderam os próprios investigadores, ao mostrarem que não havia alterações significativas nos sistemas de atenção, mas sim um aumento da actividade em regiões associadas à motivação e ao estado de alerta. Isto ajuda a explicar por que razão estes fármacos permitem às crianças manter o foco em tarefas pouco estimulantes, sem necessariamente “melhorar” a atenção em sentido estrito.
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O estudo reforça ainda o papel central do sono na PHDA. Os investigadores observaram que as crianças privadas de descanso beneficiavam particularmente dos estimulantes, mesmo sem diagnóstico formal da perturbação. Este dado sustenta a ideia de que a PHDA deve ser encarada como uma condição multifacetada, em que o défice de atenção é apenas uma das dimensões, coexistindo com problemas de sono, impulsividade e dificuldades de autorregulação.
Apesar de desconstruir algumas ideias feitas, a investigação não coloca em causa a eficácia clínica dos medicamentos. Pelo contrário, sublinha que estes fármacos continuam a ser transformadores para muitas crianças e adultos, ao melhorarem o desempenho escolar e a capacidade de lidar com exigências do quotidiano. O que muda é a compreensão do seu mecanismo de acção, abrindo espaço a abordagens terapêuticas mais integradas, que combinem medicação, estratégias comportamentais e uma atenção acrescida aos hábitos de sono.
Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de Michal Parzuchowski.