A Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) anunciou que o próximo concurso para projectos de investigação em todas as áreas científicas abrirá apenas em outubro de 2025, com resultados provisórios previstos para julho de 2026. Este calendário surge numa altura em que as verbas do concurso de 2023, encerrado em março do ano passado, ainda não foram totalmente atribuídas. Para além dos projectos regulares, também em Outubro será lançado o concurso para projectos exploratórios, enquanto os concursos de emprego científico individual arrancarão em Novembro.
A apresentação do calendário de concursos para 2025 pretende dar alguma previsibilidade aos investigadores, incluindo, pela primeira vez, datas indicativas para a divulgação de resultados. No entanto, a divulgação tardia do plano, apenas em março, aconteceu num contexto de forte insatisfação na comunidade científica, devido aos atrasos acumulados e à falta de comunicação clara da FCT e do Ministério da Educação, Ciência e Inovação. O anterior concurso, lançado em 2023, continua sem resultados publicados de forma oficial, embora alguns investigadores já tenham recebido respostas informais.
“Reforçar a equidade no acesso a um Ensino Superior de qualidade”
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João Ramalho-Santos considerou no PÚBLICO que a extinção da FCT era inevitável, mas alertou que a nova agência não pode sacrificar
A instabilidade no sistema científico português agrava-se com a falta de novas verbas há mais de dois anos e com a não renovação de programas como a Aliança Ciência, que financiava a contratação de investigadores. Apesar de um aumento da execução financeira da FCT em 2024, e de novos fundos do Plano de Recuperação e Resiliência para compra de equipamentos, o ambiente de incerteza mantém-se, sobretudo face ao elevado número de contratos a prazo prestes a expirar e ao corte de 68 milhões de euros no orçamento da FCT para 2025.
O programa FCT-Tenure, que visa combater a precariedade na investigação científica, terá uma nova edição em dezembro de 2025, com 400 vagas previstas, mas ainda sem datas definidas para a publicação dos resultados. A continuidade e estabilidade do investimento científico nacional parecem, assim, ameaçadas num contexto político frágil, onde a previsibilidade prometida pela FCT surge como um pequeno alívio perante um panorama global de atrasos, cortes orçamentais e incertezas estruturais.
Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de Sieuwert Otterloo.