No seu artigo de opinião publicado no Público, Paulo Jorge Ferreira aponta a instabilidade política como um dos principais entraves ao progresso do ensino superior e da ciência em Portugal. “A instabilidade política compromete a consolidação do setor, adia reformas estruturais e dificulta a correção de fragilidades”, escreve. Segundo o reitor da Universidade de Aveiro, esta constante incerteza torna impossível o planeamento estratégico das instituições e coloca em causa anos de trabalho e investimento público.
Apesar dos avanços notórios — como a 6.ª posição que Portugal ocupa no impacto da investigação científica entre 35 países europeus, de acordo com o ranking QS de 2025 —, Ferreira alerta que estes resultados não são garantidos no futuro. As reformas essenciais continuam por fazer. “Não há, por exemplo, qualquer garantia acerca da neutralidade orçamental das alterações legislativas”, refere, a propósito da revisão do Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior, sucessivamente adiada e agora novamente travada pela queda do Governo.
A necessidade de ouvir para agir
Ricardo Freitas Bonifácio destaca a importância de um diálogo contínuo entre estudantes, instituições de ensino superior e representantes políticos para enfrentar desafios como infraestruturas universitárias, apoios sociais, integração no mercado de trabalho e valorização da carreira científica na Madeira.
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Um dos pontos mais sensíveis do texto é o apelo à revisão urgente dos estatutos das carreiras académicas e de investigação. O autor salienta o envelhecimento do corpo docente e a precariedade laboral de muitos investigadores, agravada por decisões políticas que não vêm acompanhadas do devido suporte financeiro. “O investigador pode até estar já empregado. Não há qualquer garantia de cobertura orçamental para os encargos adicionais”, denuncia, referindo-se à recente proposta de prorrogação de contratos já cessados.
Ferreira termina com um apelo claro: é preciso um compromisso político alargado, capaz de resistir às mudanças de governo e garantir estabilidade ao setor. “Este cenário impõe um compromisso político que garanta a continuidade das reformas fundamentais para o setor.” Só assim será possível consolidar um sistema científico e universitário robusto, preparado para responder aos desafios do país e competir num cenário internacional cada vez mais exigente.
Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de Moritz Kindler.
