A Universidade de Harvard recusou-se a cumprir um conjunto de exigências impostas pela administração de Donald Trump como condição para manter o acesso a cerca de nove mil milhões de dólares em financiamento federal. Entre essas exigências estavam a eliminação de programas ligados à diversidade, equidade e inclusão, a remoção de critérios raciais nos processos de admissão e contratação, a cooperação com as autoridades migratórias e o reforço da repressão a protestos estudantis. Segundo o presidente interino da universidade, Alan Garber, estas condições violam direitos constitucionais e ultrapassam a autoridade legal do governo.
Como resposta à recusa, a administração suspendeu imediatamente o acesso de Harvard a 2,2 mil milhões de dólares em subvenções e a 60 milhões em contratos federais. Esta medida insere-se numa estratégia mais ampla da Casa Branca para forçar as instituições de ensino superior a alinharem-se com a sua visão política, especialmente no que diz respeito àquilo que descreve como “adoctrinamento ideológico” nos campus universitários.
O regresso de Trump: ameaça à democracia e à ciência
Quando Donald Trump toma posse, recordamos um ensaio de David Marçal, quando alertou para as implicações perigosas do regresso de Trump à presidência dos EUA, destacando o impacto negativo das suas posições anticientíficas e antidemocráticas.
As nossas três vidas: familiar, profissional e académica
Para trabalhar e estudar, não é necessário ter uma licenciatura concluída. Muitos estudantes, por opção ou necessidade, optam por conjugar a
Enquanto algumas universidades, como a de Columbia, decidiram acatar parcialmente as exigências para evitar sanções financeiras, Harvard optou por manter uma posição firme. A instituição reconhece a necessidade de combater o antissemitismo e já implementou medidas nesse sentido, mas rejeita qualquer imposição que possa comprometer a liberdade académica ou a autonomia institucional.
A decisão de Harvard gerou uma onda de apoio por parte de antigos alunos, organizações de defesa de direitos civis e associações de docentes. A Associação Americana de Professores Universitários avançou mesmo com uma ação judicial, argumentando que os cortes violam os princípios do devido processo e representam uma ameaça à independência das universidades.
Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de Evan Smogor.
