O cenário repete-se: no presente ano letivo cerca de 41% dos alunos inscritos no Ciclo Básico em Medicina na Universidade da Madeira são estudantes deslocados. Provêm de diferentes localidades de Portugal Continental, desde Braga a Faro. Apesar da complexa adaptação a uma nova realidade, abraçam este desafio otimistas e com senso de conquista.
Um dos primeiros impasses que estes estudantes sentem é na procura de alojamento. Em condições ideais, o acesso a alojamento razoável e de fácil acesso à Universidade deveria ser a opção tomada por estes estudantes. Porém, a realidade é diferente. No momento após a divulgação das colocações, os que procuraram quartos na Residência Universitária verificam que tal alternativa não seria viável, dada a ausência de vagas.
Inaugurada primeira residência Plano Nacional para o Alojamento no Ensino Superior
A Ministra e o Secretário de Estado participam na iniciativa Governo Mais Próximo no distrito de Castelo Branco, com a inauguração da primeira residência requalificada ao abrigo do Plano Nacional para o Alojamento no Ensino Superior.
Quando a falta de alojamento se torna barreira ao direito de estudar
A rejeição de um projeto de residência estudantil sem custos para o Estado expõe as fragilidades do Plano Nacional de Alojamento
A maioria necessitou, num curto espaço de tempo, de procurar quartos ou casas para arrendar. De acordo com dados disponíveis no portal desenvolvido pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Educação Superior, no concelho do Funchal, as rendas oscilam entre os 250 a 394 euros, sendo que uma renda para um quarto com despesas incluídas, mobilado e cozinha equipada ascende para a média de 350 euros por mês. Acrescentando o valor mensal do passe para acesso ao autocarro, além do valor da propina, torna-se evidente que a fixação na ilha acata um considerável esforço dos por parte destes alunos.
56% dos Estudantes nas Instituições do Ensino Superior em Portugal sofrem de alguma limitação no seu bem-estar psicológico
Simultaneamente, a ausência dos entes queridos, para alguns, vivenciada pela primeira vez e a autonomia forçada na tomada de decisões do seu quotidiano culminam no enfraquecimento do otimismo apresentado inicialmente. Sentimentos de desânimo e impotência quanto ao futuro implantam-se gradualmente, afetando a Saúde Mental destes alunos em particular. Num estudo recente coordenado pela Associação RYSE e pela Associação Nacional de Estudantes de Psicologia sobre a Saúde Mental dos Estudantes Universitários Portugueses, da amostra de 2084 inquiridos, 48% destes estudantes apresentavam “sintomatologia grave no foro psicológico (…), enquanto 8% apresentam sintomas moderados”. Relacionando os resultados obtidos para estudantes deslocados com a região do seu Estabelecimento de Ensino, o estudo indica que estes podem não ser “fatores que predominantemente influenciam o bem-estar psicológico dos estudantes universitários”. Porém, alertam os autores, os resultados obtidos são nitidamente inquietantes.
Formação gratuita sobre adaptação ao ensino superior
Ferramentas de autogestão, criação de novas rotinas e outras temáticas que ajudam os estudantes a encontrar o equilíbrio nesta nova fase. Aberta a todos os estudantes da UMa, a inscrição é gratuita e feita no SANTANDER OPEN ACADEMY.

Madeira soma três intervenções no novo mapa das residências universitárias
O PNAES está a transformar o alojamento estudantil em várias cidades, com novas residências e a recuperação de edifícios antigos.
Em traços gerais, é evidente a dicotomia existente no acesso ao Ensino Superior por parte dos estudantes deslocados, em relação aos seus colegas locais. Mesmo após a sua adaptação, para a grande maioria, a sensação de fragilidade está presente ao longo do Ciclo Básico a realizar na Madeira. Torna-se assim, necessário, estabelecer medidas contínuas de apoio a estes estudantes, com o suporte robusto por parte da Instituição, como dos próprios colegas. É de mencionar que, felizmente, para muitos, encontraram na ilha o seu novo lar.
Tiago Almeida
ET AL.
Com fotografia de Luiz Fernando Maciel.
