A Womaniza-te quer combater a ignorância e o preconceito sobre temas básicos do quotidiano

A Associação Womaniza-te, fundada em 2020, pretende promover a igualdade de género e a cidadania. Dentro da sua missão, realiza uma atividade diversificada, composta por palestras, ações de sensibilização, dinamização de projetos, campanhas digitais e criação de conteúdo informativo nas redes sociais.

O Encontro Regional do Associativismo Juvenil e Estudantil, numa iniciativa da Secretaria Regional de Educação, Ciência e Tecnologia, através da Direção Regional de Juventude, funcionou como uma plataforma de troca de experiências e de aprendizagem entre as estruturas participantes.

Filipe Silva e Sandra Gutiérrez participaram em representação da Associação Womaniza-te, fundada em 2020. Conforme explicaram, a estrutura tem como objetivo a “promoção da igualdade de género e da cidadania”. Entre as atividades que desenvolvem, destacam as ações de sensibilização nas escolas e, para promoção e discussão da sua missão, o seu podcast, Masturbador Virtual.

“Associação Womaniza-te foi constituída a 27 de dezembro de 2020”

O podcast foi criado no verão de 2022, num conceito “fora da caixa”. Como explicou Filipe Silva, regista oito mil seguidores e já atrai convidados, como a psicóloga clínica e sexóloga Tânia Graça. A investigadora veio até à Madeira para a exposição “A Arte de nos Virmos”, organizada em setembro deste ano. Os temas mais populares do programa estão relacionados com a sexualidade, os problemas políticos e sociais, mas sempre com um tom de ironia e irreverência. Os episódios estão disponíveis no canal da associação na plataforma YouTube.

A exposição promovida sobre o orgasmo feminino, na Associação Teatro Metaphora, esteve patente durante uma semana. Com uma programação vasta, incluía vários seminários, ciclos de conversas e música. Defendida em 2019, a dissertação de mestrado Como Criar uma Prática Performativa para refletir as Sexualidades de Hoje foi a génese do evento da Womaniza-te.

“A Arte de nos Virmos” foi organizada em setembro

De Maria Caetano Vilalobos, o trabalho procurou, através de “diferentes métodos de recolha de testemunhos”, conceber um espetáculo que levantasse, como explicou a autora, “questões em torno dos costumes que limitam a sexualidade na sociedade portuguesa atual, numa procura pela libertação da própria através do desenvolvimento da comunicação”.

Ainda há um longo caminho a percorrer para que o propósito central da Womaniza-te, a igualdade, seja atingido, como referiu Filipe Silva. “Ser diferente cria um impacto nas pessoas” e isso acaba por afetá-las, segundo o dirigente. “A importância, acima de tudo, é a saúde mental e a aceitação”, defendendo a normalização das diferenças que ainda persistem.

Um projeto em desenvolvimento pelo grupo é: Pink Boxes. Tratam-se de caixas, desenvolvidas pela associação, para colocar “à disposição produtos de higiene feminina para as jovens mulheres que não têm acesso ou possibilidades económicas para os adquirir”. Sandra Gutiérrez explica que lançaram uma campanha para colocar as Pink Boxes em escolas, num trabalho para conscientizar a comunidade escolar, além de proporcionar o acesso gratuito aos produtos, considerados básicos. O projeto também pretende combater a falta de informação que ainda existe sobre este universo.

“Facilitar o acesso a produtos de higiene íntima às raparigas adolescentes da região”

Sediada em Santa Cruz, a Associação Womaniza-te organiza atividades em toda a ilha. Filipe Silva destaca a importância que deve existir para a liberdade de expressão, “um jovem que tenha uma opinião diferente é censurado” ao divergir das massas. O grupo, em poucos anos, tem trabalhado para preservar e promover a discussão sobre temas fundamentais para a juventude.

Luís Eduardo Nicolau
ET AL.
Com fotografia de Jens Maes.

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