A Evolução de IT/Tecnologia na Madeira

Até ao final da década de 90, a IT na Madeira foi vista principalmente como uma área de suporte para outras três grandes áreas, nomeadamente, o Turismo, a Construção e a Zona Franca da Madeira (ZFM). Isto era particularmente notável observando o mercado regional e o tipo de empresas de IT que nele existiam, verificando-se que a sua maioria focava a área de serviços e de comércio.

Este paradigma sofreu alterações no início da década de 2000, altura em que a Universidade da Madeira (UMa) dividiu o curso de Engenharia de Redes e Sistemas Informáticos, até então concebido para dar resposta às necessidades do mercado onde se inseria, em três cursos distintos e mais especializados, nomeadamente Engenharia de Informática, Engenharia de Telecomunicações e Redes e Engenharia de Instrumentação e Eletrónica.

Isto assume particular relevo se considerarmos que foi parte de uma estratégia da UMa e da Região para angariar empresas tecnológicas a se instalarem na Madeira, com potencial recurso a apoios angariados à União Europeia. Para tal, faltava somente a produção de mão de obra especializada na área de desenvolvimento de software, para que a Região tivesse os recursos necessários para aliciar este novo mercado.

Infelizmente, a estratégia não obteve o resultado esperado pois, no final da década de 2000, altura em que saiu a maior força de trabalho especializada no desenvolvimento de software pela UMa, não existiam suficientes ofertas de emprego com condições adequadas a esta nova realidade, apesar de algumas das empresas tecnológicas da ilha terem iniciado o seu reajuste face a esta nova oportunidade.

A agravar a situação, surge a crise económica que culminaria com o reajustamento económico e financeiro da União Europeia, de Portugal e, consequentemente, da Madeira e da sua Zona Franca, o que culminou em que, até à primeira metade da década de 2010, a área de IT fosse seriamente afetada não só pela falta de oferta de emprego, como também pelo encerramento de diversas empresas de serviços de IT devido à crise.

O panorama alterou-se a partir de 2014, altura em que sai a Troika de Portugal e se inicia o novo quadro de apoios da União Europeia (2014-2020) para a Madeira, que se focou na inovação e na tecnologia. Isto, aliado à reestruturação da Startup Madeira e ao novo alento encontrado pela Região, levou a um crescimento na área tecnológica em duas frentes, uma associada ao crescimento das empresas regionais que já apostavam na área, tais como o caso da Asseco PST, da ACIN e da NOS-Madeira, outra associada à angariação de novas empresas tecnológicas tais como a TV App Agency e a Unipartner, o que aumentou a oferta de emprego na área de desenvolvimento de software, bem como potenciou a qualidade do emprego já existente devido ao aumento da competitividade salarial.

Agora, no início da década de 2020, com a nova crise provocada pelo SARS-COV-2, verificamos que a Madeira volta novamente a ser afetada de forma negativa na sua competitividade, com exceção da área de desenvolvimento de software que, devido à sua natureza e capacidade de ser realizada tanto em teletrabalho como em regime de remote working, veio demonstrar que o potencial futuro e sucesso do mercado de trabalho da Região poderá passar por uma aposta mais forte na área de desenvolvimento de software e na criação de condições que facilitem o remote working, tanto para empresas na Madeira como para empresas estrangeiras que pretendam contratar mão de obra especializada mas que não possuam condições para cá se sediarem.

Hélder Pestana
Software Developer – Asseco PST

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