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Artes e Humanidades: que futuro?

Placing culture at the heart of development policy constitutes an essential investment in the world’s future and a pre-condition to successful globalization processes that take into account the principles of cultural diversity. It is UNESCO’s mission to remind all States of this major issue. “Culture and Development”, UNESCO Em Setembro de 1988 (pelo Decreto–Lei n.º 319-A/88) nascia a Universidade da Madeira. No documento fundador da nossa Academia(1) assumia-se a necessidade de construir um novo “projecto científico-cultural”.(2) No ano lectivo de 2004-2005(3), o conjunto de recém-doutorados do DER concluiu o projecto (que remontava a 2002) de renovação da oferta formativa na área da Literatura, da Linguística, das Línguas Estrangeiras, da Cultura, da História, das Artes, entre outras áreas disciplinares, tendo iniciado o Curso em Ciências da Cultura (então com quatro anos lectivos e uma estrutura articulada em dois ciclos de estudos, Major – com três anos lectivos de duração – e Minor – com a duração de dois semestres curiculares)(4). A partir deste, em anos posteriores, a licenciatura foi ampliada em formação pós-graduada, com a implementação de diversos cursos de Mestrado (em Estudos Regionais e Locais, em Estudos Linguísticos e Culturais e em Gestão Cultural, por exemplo). Em 2007-2008 os cursos da UMa foram adaptados à estrutura de três anos que o Processo de Bolonha determinou; tendo sido uma decisão estratégica do DER a articulação, no Curso em Ciências da Cultura, de um elenco disciplinar comum – o Major – com áreas de especialização dele subsidiárias – o Minor – foi possível operar a transição para a estrutura curricular pós-Bolonha (e proceder às necessárias adaptações) sem graves sobressaltos que poderiam vir a prejudicar o bom funcionamento do curso e lesar os legítimos interesses dos alunos. Em 2013 a realidade é inevitável e felizmente outra: inúmeras alterações legais (sobretudo as decorrentes do “Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior”, de 2007), actos regulamentares e definições estratégicas obrigam a uma profunda reflexão acerca do contributo que as Artes e as Humanidades possam vir a dar para consolidar o “Projeto Educativo, Científico e Cultural da Universidade da Madeira”. O Centro de Competência de Artes e Humanidades conta hoje com mais de quarenta doutorados especializados em inúmeras áreas do conhecimento (da Arte e do Design à Psicologia, da Literatura à Linguística, das Línguas Estrangeiras aos Estudos Clássicos, da História à Cultura, da Comunicação à Retórica, dos Estudos Interculturais aos Comparatistas, entre outras). Se aquando da criação do Curso em Ciências da Cultura, em 2004-2005, se tomou como referência o Memorando Internacional UNESCO para a Promoção das Ciências da Cultura, importa hoje sublinhar alguns princípios que recentemente a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura relembrou ser fundamental considerar no quadro em que se nos deparam “The New Dynamics of Higher Education and Research For Societal Change and Development”: “Faced with the complexity of current and future global challenges, higher education has the social responsibility to advance our understanding of multifaceted issues, which involve social, economic, scientific and cultural dimensions and our ability to respond to them. It should lead society in generating global knowledge to address global challenges (…)”.(5) Talvez o maior desafio que o futuro nos coloca seja o de saber com que instrumentos, estratégias, práticas e mudanças pode a Universidade vir cumprir-se na sua plenitude, na medida em que “Higher education must not only give solid skills for the present and future world but must also contribute to the education of ethical citizens committed to the construction of peace, the defense of human rights and the values of democracy.”(6) Vinte e cinco anos depois da sua criação, é tempo de se renovar o projecto científico-cultural da Universidade; sobretudo, é tempo de sermos capazes de saber que “This strategy will aim, on the one hand, at incorporating culture into all development policies, be they related to education, science, communication, health, environment or tourism and, on the other hand, at supporting the development of the cultural sector through creative industries. By contributing in this way to poverty alleviation, culture offers important benefits in terms of social cohesion.”(7) 1 · Cf. Carita, Rui. “Estratégia e Programação”, em Histórico da Universidade da Madeira; disponível em www.uma.pt. 2 · Desde 1978 que os Cursos de Letras e de Ciências haviam funcionado como centros de extensão universitária (de Faculdades continentais) e foi imprescindível criar condições para que, entre os anos de 1994 a 1998, através do “Plano de Desenvolvimento” delineado pela terceira Comissão Instaladora da Universidade da Madeira, começarem a funcionar autonomamente, entre outros, os cursos de Línguas e Literaturas Clássicas (ramos científico e ensino), tendo-se alcançado, então, o desejado “melhoramento da qualidade Científica e Pedagógica dos Cursos da Universidade da Madeira” (Carita, Rui. “Estratégia e Programação”, em Histórico da Universidade da Madeira; disponível em _www.uma.pt_). 3 · Recorde-se que, em 2000, por decisão da Direcção do então Departamento de Estudos Romanísticos (DER), partilhada com a Secretaria Regional de Educação e Cultura, foram suspensos (e mais tarde extintos) os cursos de via ensino por se ter verificado estarem supridas grande parte das necessidades relativas aos quadros docentes da RAM na área de Letras (nas suas diversas disciplinas e variantes). 4 · Desde o seu início a funcionar em dois regimes (diurno e pós-laboral), o Curso em Ciências da Cultura era, então, apenas leccionado na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e a estrutura Major–Minor aplicada apenas na Universidade de Évora, o que evidencia o esforço – compensado por uma procura sustentada por parte dos alunos ao longo dos quase dez anos do curso, com o preenchimento total das vagas disponíveis – de a UMa seguir as melhores práticas e exemplos de excelência na estratégia de renovação da sua oferta formativa. Em anos subsequentes (sensivelmente partir de 2007), outras Universidades – de que são exemplo a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e algumas Universidades privadas por todo o país – criaram o mesmo curso, com uma estrutura curricular idêntica. 5 · World Conference on Higher Education: UNESCO,

25 anos da Universidade da Madeira: concretizando a ambição

Estou a escrever com base nas recordações desses tempos da criação da Universidade da Madeira, em que integrava o Governo Regional como Secretário Regional de Educação, pasta de que fui titular de 1980 a 1992. A anteceder a Universidade da Madeira, no âmbito do ensino superior universitário, para além da Escola Superior de Belas Artes, tínhamos o Centro de Apoio da Faculdade de Ciências e o Centro de Apoio da Faculdade de Letras, ambos da Universidade de Lisboa, e uma extensão da Universidade Católica. Nessa altura a Região Autónoma da Madeira tinha uma apreciável falta de professores devidamente habilitados, problema para cuja solução as referidas estruturas universitárias foram decisivas. A criação da Universidade da Madeira foi encarada pelo Governo Regional como algo de estruturante da Autonomia e do futuro da Madeira. No âmbito da Secretaria Regional de Educação, à data, foram desenvolvidos vários trabalhos com grande rigor e acolhidas opiniões. Com a saída do Governo do Secretário Regional de Educação que me antecedeu, Dr. Carlos Lélis, foi possível contar-se com a sua experiência e saber para a elaboração de importante estudo no âmbito da CRESUM – Comissão Regional para o Ensino Superior e Universitário da Madeira, que propõe a criação da Comissão Instaladora do Instituto Universitário. Em 1983 é criada a Comissão de Estudo para a viabilização da Universidade da Madeira constituída pelo Padre Doutor Freitas Ferreira, pelo Doutor Victor Forjaz e pelo Eng. Rui Vieira. A Universidade nasce a expensas da Região Autónoma, passando esta responsabilidade, mais tarde, para o Governo da República após profunda alteração do quadro legal. Naturalmente que um projeto desta dimensão implicou muitas e complexas reuniões envolvendo o Governo Regional, especialmente o Secretário Regional de Educação e o Governo da República especialmente o Ministro da Educação. De todas estas reuniões permitam-me que recorde a que envolveu os dois Governos, que decorreu em São Bento. Da parte do Governo da República estava o próprio Primeiro-Ministro, à data o Professor Cavaco Silva, e o Ministro da Educação Eng. Roberto Carneiro, além de outros membros do Governo, pois a agenda tinha vários pontos e tocava várias áreas. Da parte do Governo Regional estava o Presidente do Governo, Dr. Alberto João Jardim, eu próprio enquanto Secretário Regional e outros membros do Governo Regional com responsabilidade em outras áreas de governação, pois, como já referi, a lista de assuntos a tratar era extensa. Ficou decidida a criação da Universidade da Madeira, com dupla tutela: da República e da Região. A primeira Comissão Instaladora toma posse em 1988 e é constituída pelo Professor Raúl Sardinha que preside, pelo Professor José Mendes, pelo Professor Fernando Henriques e pela Dr.ª Ana Isabel Cardoso como Administradora. Correndo o risco de cometer algumas injustiças por omissão involuntária, refiro pessoas decisivas neste dossier. Em primeiro lugar o próprio Presidente do Governo Regional e os membros das comissões que estudaram a criação da Universidade da Madeira. Da parte do Governo da República, o Primeiro-Ministro, Professor Cavaco Silva, e o Ministro da Educação, Eng. Roberto Carneiro. Devo referir a ajuda e o apoio que sempre senti do Reitor da Universidade de Lisboa, Professor Virgílio Meira Soares. Os Centros de Apoio de Letras e de Ciências, o Instituto de Belas Artes e a Escola Superior de Educação foram integrados na Universidade da Madeira. Da minha parte apenas direi que foi uma honra ter podido acompanhar o Presidente do Governo na concretização de um dos mais importantes projectos que a Autonomia permitiu. A Universidade aí está. Cumpre a sua missão. Quantos madeirenses não teriam continuado os seus estudos se não fosse a UMa? A Universidade está ao serviço do País e da Região e com força. Concluiu recentemente e com brilhantismo o mandato de Reitor o Professor Castanheira da Costa. Foi eleito Reitor o Professor José Carmo que, pelo que li na comunicação social, com todo o empenho, faz aposta na formação ao longo da vida, na internacionalização, na investigação. O desafio será a área do turismo. A Madeira precisa da sua Universidade. Eduardo António Brazão de Castro

Frutos secos

Neste conjunto de alimentos denominados frutos secos podemos encontrar as sementes comestíveis também chamadas de frutos secos oleaginosos como as nozes, amêndoas, avelãs; e os frutos desidratados. Os frutos oleaginosos caracterizam-se por serem bons fornecedores de vitaminas e de alguns minerais, mas principalmente por fornecerem quantidades apreciáveis de ácidos gordos polinsaturados. Os frutos desidratados fornecem cerca de 60% de açúcares ao contrário da fruta fresca que pode conter entre 10 a 20%. Contudo, possuem uma quantidade acrescida em fibras e podem apresentar uma quantidade de alguns minerais até quatro vezes superior. Assim, pela sua densidade nutricional e particular riqueza em alguns constituintes nomeadamente em gordura polinsaturada, podem constituir uma grande vantagem para a saúde, mas um alerta deve ser dado: o seu elevado valor calórico faz com que os frutos secos devam ser utilizados com muita moderação. E para usufruirmos ao máximo das suas características nutricionais, os frutos oleaginosos devem ser armazenados em local seco e arejado, pois a sua riqueza em gordura faz com que rancem com muita facilidade. Por tudo isto, não mais de uma “mão” de frutos secos acaba por ser uma boa solução! Bruno Sousa Nutricionista

Psicologia positiva

A Psicologia é uma área do conhecimento aceite como ciência já nos finais do século XIX. Tal deveu-se essencialmente à desconfiança com que eram vistos os métodos de estudo dos primeiros psicólogos. De igual forma, pela natureza do seu objecto de estudo, a Psicologia é ainda alvo de críticas no que toca à dificuldade que tem em conseguir consensos e, dessa forma, explicações que permitam compreender fenómenos naturais, como é arquétipo de uma ciência. A emancipação desta área científica adveio do trabalho desenvolvido por Wilhelm Wundt, que criou o primeiro laboratório psicológico, sendo amplamente considerado como pai da Psicologia. Mediante a corrente dominante, o seu principal objectivo varia entre a compreensão do comportamento humano e a dos processos mentais, permitindo, em ambos os casos, dar a cada indivíduo maior qualidade de vida. Uma destas novas correntes, bem recente por sinal, é a Psicologia Positiva. Esta nova área da Psicologia surgiu no final da década de 90 na altura em que Martin Seligman, seu grande defensor, exercia o cargo de Presidente da American Psychological Association (APA). Seligman esforçou-se para difundir esta área cuja base está no optimismo em relação às capacidades e aos méritos do ser humano. Se inicialmente os psicólogos centraram-se em descobrir, entender e ajudar a superar as dificuldades, os desafios e os aspectos mais negativos do ser humano, a partir do momento em que esta corrente entrou em acção houve uma viragem na abordagem da Psicologia aos diferentes problemas das pessoas. Compreendeu-se que a felicidade, o bem-estar e a alegria na vida devem reger o trabalho de todos aqueles que, diariamente, fazem uso dos ensinamentos transmitidos pela Psicologia. Ao invés de ser dado ênfase às fraquezas, aos danos emocionais, esta perspectiva ensina a ajudar o ser humano focando-se nas forças e nas virtudes como a coragem, a esperança, a preseverança, a honestidade, o optimismo, e outras tantas que incutem uma mensagem renovada de felicidade em todos nós. O trabalho do psicólogo passa a consistir na identificação dessas virtudes (inatas ou adquiridas) e potencializa-las de forma a dar armas a cada indivíduo para que transponha as vicissitudes da vida. Existe um manual das forças e virtudes do ser humano (Seligman, Steen, Park & Peterson, 2005), onde são apresentadas 6 virtudes e 24 forças de carácter, que desde então têm direccionado os estudos envolvidos nesta área. Segundo a Psicologia Positiva, podemos utilizar estes conhecimentos para tornar a vida dos indivíduos mais saudável, com um aumento exponencial de felicidade, reduzindo o stresse, tendo como consequência a prevenção de muitas desordens mentais. Não se assustem, então, se se deparem com um Psicólogo sobremaneira alegre, a falar sobre a felicidade, a coragem, a esperança. Muito provavelmente é um defensor da Psicologia Positiva. Maurício Ornelas

De mochila às costas na Croácia

No primeiro semestre deste ano lectivo participei no programa Erasmus onde tive a oportunidade de visitar muitos países, incluindo a Croácia. Tudo surgiu com a ideia de celebrarmos o aniversário de uma colega com uma viagem. Alugámos um carro e seguimos de Maribor, na Eslovénia, para a cidade de Zagreb, na Croácia. Zagreb é, realmente, uma cidade activa, com uma população muito simpática e pronta a ajudar. Os seus monumentos e edifícios são muito parecidos aos portugueses, apesar de parecerem todos muito mais novos, pela limpeza a que são sujeitos, durante a noite, Zagreb é uma cidade viva com muito movimento, onde os bares têm destaque pelos seus preços baixos. Após a nossa estadia em Zagreb, seguimos viagem por diversos outros países, mas acabámos por voltar à Croácia, desta vez à cidade costeira de Split. A baixa desta cidade é simplesmente maravilhosa, cheia de mercados e muitos pontos turísticos para visitar. A cidade é realmente um espanto, fazendo lembrar um pouco a nossa Zona Velha, mas dentro de um Castelo. Aconselho vivamente a visitar este país, com um especial destaque a estas duas cidades e ao Parque Nacional dos Lagos de Plitvice. Thomas Renaud Aluno da UMa

500 Anos da diocese do Funchal

A Diocese do Funchal foi criada em 12 de Junho de 1514, através da bula Pro excellenti præeminentia do papa Leão X, sendo a primeira diocese portuguesa da Igreja Católica instituída fora da Europa. A história desta Diocese, enquanto instituição religiosa, social e cultural, é de uma riqueza inegável, razão pela qual comemorar-se-á os 500 anos da primeira diocese global com a reunião de especialistas diversos e seus contributos para o conhecimento da história da instituição. Assim, entre 17 e 20 de Setembro decorrerá, no Funchal, o “Congresso Internacional 500 anos – Diocese do Funchal. A primeira Diocese Global”. A Universidade da Madeira, o Casino Park Hotel e o Centro de Estudos de História do Atlântico receberão os vários painéis temáticos, numa organização conjunta da Diocese do Funchal, do Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias da FLUL, do Centro de História de Além-Mar da UNL e da UAç, da UMa, do CEHA e do Instituto Europeu de Ciências da Cultura Padre Manuel Antunes. Para comemorar o quinto centenário da Diocese do Funchal apresentar-se-ão comunicações subordinadas aos temas da Religiosidade e Espiritualidade nos Espaços Insulares Atlânticos, o Bispado do Funchal, a Globalização do Cristianismo, a Criação Artística e Arquitectura, a Criação literária, Cultura e Sociabilidade, os Tempos da Igreja e Tempos da Sociedade, a Missionação e expansão Portuguesa, a Igreja, Cultura e Comunicação, Ortodoxias, Heterodoxias e Sociedade Madeirense, a Educação e Instituições, as Figuras da Igreja Madeirense, a Arte e Património, a Assistência e Solidariedades e a Igreja e História Contemporânea. Edgar Morin, Pierre-Antoine Fabre, Marcelo Rebelo de Sousa, José Pedro Paiva, Daniel Sampaio Barbosa, Paulo Esteireiro, Marta Oliveira, Cristiana Lucas Silva, João Paulo Oliveira e Costa, Manuel Clemente e inúmeros docentes da Universidade da Madeira, Lisboa, Porto e Coimbra serão os prelectores das diversas comunicações. Dada a importância deste evento para o conhecimento de temas relevantes da história e da cultura da Madeira, os associados do AAUMa usufruirão de um desconto de 50%, pagando pela sua inscrição 25 euros se garantirem a sua inscrição até o dia 31 de Maio de 2014. Os restantes interessados poderão ter acesso a todas as comunicações, documentação e actividades sociais por 50 euros. A partir de então o valor das inscrições sobe para 100 euros e 150 euros, se efectuada até 31 de Agosto ou até à véspera do início do congresso, respectivamente. O momento será enriquecido com um concerto no Teatro Municipal Baltazar Dias, com momentos de música madeirense e com uma missa de Acção de Graças cantada em Latim por João Gil e por Luís Represas. Esta iniciativa cultural de extrema relevância poderá ser actualizada a qualquer momento pelo que os interessados devem consultar, com frequência, o site oficial do Congresso Internacional em http://www.congressodiocesefunchal500anos.org. Andreia Micaela Nascimento Alumnus da UMa

Coro Universitário da Madeira

Hoje viemos-te falar um pouco acerca do CUM, Coro Universitário da Madeira, pertencente ao Departamento da Pastoral do Ensino Superior da Madeira. Como já sabes, este atua em diversas eucaristias e que inclusive participou na missa da Bênção das Fitas realizada no passado dia 03 de maio. Junta-te a nós neste momento tão importante da nossa Academia. Os ensaios são às quartas-feiras, pelas 20h00, na Igreja da Nazaré! Se entretanto ainda estás com dúvidas, deixamos-te aqui alguns testemunhos do que é o CUM para cada um de nós. Ficamos à tua espera. “Para mim o CUM vai muito mais além do cantar, da música… é uma família, é um laço que uma vez criado, jamais se separa. É VIDA, É ALEGRIA… E O QUE SENTIMOS NÃO SE EXPLICA… SENTE-SE E VIVE SE NOSSO DIA A DIA. É CANTAR E VIVER CRISTO DE UMA FORMA DIFERENTE MAS MUITO PRÓXIMA d’ELE. Atreve-te a ser Feliz… canta CUMigo!” João Francisco (KIKO) “O CUM é uma parte muito importante da minha vida. Faz de mim uma pessoa útil, com sede de estar mais perto d’Aquele que deu a vida por todos nós! Deus deu-me um dom e no CUM posso usá-lo para ajudar quem mais precisa!” Marisa Abreu “Fazer parte do CUM foi uma das minhas melhores decisões e sem dúvida a melhor coisa que me aconteceu. Conheci pessoas fantásticas, que de certeza levo para a vida! é um grande orgulho fazer parte desta família.” Margarida Oliveira “Fazer parte deste coro é muito mais que uma simples atividade de lazer é sim uma experiência de vida. Porque em todos os ensaios e atuações saímos com as forças renovadas e com a certeza que alguém, por poucos que sejam, se sentiu tocado pelo Amor e Dedicação que pomos em cada canção. Somos jovens que partilham uma mesma motivação: a de levar aos outros a Palavra e a de sermos Missionários Entusiastas que não desistem de seguir esta caminhada em União. Aqui cada um de nós com as suas diferenças e particularidades encontra uma oportunidade de Dar e principalmente de Receber, pondo ao serviço dos outros um ou outro talento que possamos ter. Somos CUM, somos Alegria, somos Música de Deus!” Mariana Dias “Para mim o CUM é mais que um simples coro, é uma Família! Uma família com relações fortes em que cada um com o seu talento marca aquilo que somos: “jovens bem unidos, cheios de paixão” que transmitem a sua fé através de músicas, com mensagens que nos transportam a nós e aos outros para aquilo que é a Vida! É tão bom saber que tocamos e somos tocados por todos quantos passam por nós, porque quando o que fazemos vem cá de dentro e do Amor que Deus nos dá, tudo o que é simples torna-se em extraordinário e assim somos nós!” Patrícia Gonçalves “O CUM é a prova de que simples gestos podem transformar o dia de alguém. Cantar é transmitir alegria e esperança àqueles que nos escutam. Mais do que isto, é estarmos todos unidos a Jesus Cristo.” Berta Mendonça

Em Português Escorreito

Recentemente, numa escola, surgiu uma dúvida linguística no grupo de docentes de Português. Em conjunto, os professores decidiram colocá-la numa plataforma de internet que pretende resolver questões linguísticas e gramaticais. A resposta confirmava a pertinência do problema e afirmava que este deveria ser apresentado ao professor de Português. Quem respondeu pressupôs, erradamente, que seria um estudante a enunciar a dúvida. Acabaram os docentes por rir do episódio e ficaram sem solução para o problema. Ninguém tem resposta para todas as dúvidas de Português, mas há quem procure e quem desista de o fazer. O ideal é a primeira alternativa. Assim, será possível desenvolver e aperfeiçoar competências quanto ao funcionamento da língua materna, nunca completamente adquirida. Interessa, por isso, explicar a quem não sabe a diferença entre, por um lado, “poderem”/ “puderem” e, por outro, “virmos”/ “vermos”. 1. Ficarão felizes, se …………….. viajar. Preencher o espaço com a forma certa: poderem / puderem. Solução: Ficarão felizes, se puderem viajar. Explicação: Qual a diferença entre “poderem” e “puderem”, se existem ambas as formas, na Língua Portuguesa? Ao consultar uma gramática ou um dicionário de verbos, é fácil verificar que apenas os tempos e modos verbais mudam. Enquanto “poderem” é a 3.ª pessoa do plural do infinitivo pessoal (Para poderem ir ao cinema, terão de jantar mais cedo.), “puderem” é a 3.ª pessoa do plural do futuro do conjuntivo (Se puderem, passem pela exposição.). A preposição “para” e a conjunção “se” ajudam a estabelecer a diferença. É indispensável saber fazer a distinção, mas isso pressupõe que se tenha aprendido a conjugar verbos, o que se ensina cada vez menos, por ser um exercício, supostamente, aborrecido. 2. Se não nos …………….. nos próximos dias, desejo-lhe um ano muito feliz! Preencher o espaço com a forma certa: virmos / vermos. Solução: Se não nos virmos nos próximos dias, desejo-lhe um ano muito feliz! Explicação: Algumas pessoas confundem “virmos” e “vermos” porque pensam que a forma “virem” é apensa do verbo “vir”. Logo, estão convencidas que, para “ver”, só existe “verem”. Acontece que as duas formas integram a conjugação deste verbo. Por um lado, “vermos” é a 1.ª pessoa do plural do infinito pessoal (Para vermos como fica melhor, tirámos várias fotografias.) e, por outro, “virmos” é a 1.ª pessoa do plural do futuro do conjuntivo (Dar-me-ás amêndoas de chocolate, se nos virmos na Páscoa.). Existindo as duas formas, não se podem confundir. Além disso, “virmos” corresponde à 1.ª pessoa do plural do infinito pessoal de “vir” (Para virmos a pé, é muito cansativo.). Aprender a conjugar verbos pode não ter um interesse imediato, mas é de grande importância para quem quiser dominar a Língua Portuguesa. Helena Rebelo Professora da UMa

O Cadeiral da Catedral do Funchal

REDESCOBRIR A MADEIRA O cadeiral da sé do Funchal, neste ano de 2014, em que a catedral e a Diocese fazem 500 anos, encontra-se em obras de reabilitação. Trata-se do único cadeiral manuelino das várias grandes igrejas portuguesas que chegou aos nossos dias no seu local original. Servia para os ministros, cónegos e demais dignidades da sé oficiarem em conjunto na capela-mor e, pelos inícios do século XVI, dadas as alterações da liturgia, nas restantes igrejas portuguesas, passou para a um lugar elevado sobre a entrada das mesmas. No Funchal, não ocorreu a transferência e chegou aos nossos dias no seu local original. O magnífico cadeiral do Funchal teria sido esculpido por uma equipa de entalhadores enviada da cidade de Tomar, sede da Ordem de Cristo, provavelmente dirigida pelos mestres Machim Fernando e João de Tojal, devendo a sua montagem ter ocorrido entre 1514 e 1517. O conjunto é composto hoje por duas ordens de cadeiras, com 11 cadeiras altas de cada lado para os capitulares e uma inferior de mais 8 de cada lado, que se destinava aos capelães. A ordem superior possui sobrecéu, dossel ou guarda-voz, profusamente entalhado e espaldar com santoral, ou seja, com representações de Santos e de Profetas, colocados em pequenas peanhas também entalhadas. As primeiras cadeiras superiores junto da entrada da capela-mor estão destacadas, sendo a do lado do Evangelho destinada ser ocupada pelo deão e, a do lado da Epístola, pelo arcediago, a que se seguiam o chantre e o tesoureiro. Os cadeirais de coro medievais e renascentistas devem ser os locais em que a decoração melhor espelha o cariz estremado e contraditório da realidade religiosa e social desta época. Na sua decoração conflui pacificamente o sagrado e o profano, o erudito e o popular, o quotidiano e a lenda, numa série de referências históricas ancestrais a que não falta algum sentido de humor. Esta tradição desenvolve-se na marginália que decorre nos locais mais escondidos, como nas misericórdias, ressalto inferior dos assentos que permitiam ao oficiante apoiar-se nas longas leituras e cânticos, parecendo, à distância, estar totalmente de pé. Nestes espaços secundários aparecem representações mais ou menos profanas de temas populares, ao sabor da memória dos artífices que livremente os esculpiam, transformando o cadeiral num imenso livro antigo de contos, de provérbios e de tradições orais, mas onde o clero não é poupado. Aparece, por exemplo, uma raposa vestida de franciscano a pregar a galinhas, um javali a fiar, um acrobata de cabeça para baixo, uma mulher nua, etc., tudo representações muito pouco comuns dentro das igrejas e só justificáveis, porque estavam mais ou menos escondidas dos olhos dos comuns dos crentes, que não tinham acesso a entrar nesses locais, somente os vendo à distância. Rui Carita Professor da UMa

À conversa com… Carla Baptista

Com a concessão ao infante D. Henrique da prerrogativa de fundar igrejas e mosteiros—gozando do privilégio do Padroado quanto à escolha e envio de clérigos regulares e seculares para a cristianização das populações(1), torna-se mais efetivo o empenhamento dos navegadores e da coroa portuguesa, no que diz respeito à definição de uma estrutura religiosa adequada às diferentes manifestações culturais dos crentes, bem como aos diferentes espaços de ocupação atlântica, entre eles, o arquipélago da Madeira. Associados aos primeiros navegadores e colonizadores, os franciscanos lançam-se no projeto que visava assegurar a necessária ‘povoação do céu’, no mar e nas áreas que iam ser ocupadas(2). Após o reconhecimento da costa da ilha, João Gonçalves Zarco e Tristão Vaz Teixeira definiram os locais de habitação e aí mandaram erguer capelas: «por em obra a edificação das igrejas e das vilas e lugares, e lavrança das terras». Para os colonizadores, ficava, deste modo, garantido que se iria «manter todos em justiça, paz e que vivessem todos em serviço de Deus»(3). Deste projeto nascem as capelas de Machico, Funchal, Câmara de Lobos, Campanário, Ponta de Sol e Calheta. Para além de outros afazeres, o infante D. Henrique, enquanto senhor da Ilha, preocupou-se ainda com o serviço religioso no arquipélago, o que o levou a ordenar, em 1460, a construção das igrejas de Santa Maria, do Porto Santo e das Desertas. A partir desta data, todo o serviço religioso das ilhas dependia do vigário de Tomar. Esta dependência só terminou com a criação, em 1514, da diocese do Funchal. João Gonçalves surge, então, como o primeiro vigário da Madeira, ao qual vai suceder, em 1476, o padre Francisco Nuno Gonçalves, que se vai manter ao serviço até à policitação dos moradores do Funchal para que abandone o cargo, em 1485. Vão ser precisos mais cinco anos para que um novo vigário seja nomeado para Santa Maria do Funchal. frei Nuno Cão foi o vigário indicado para o cargo e, pelos relatos da altura, sabemos que abraçou a missão em 1490 e que foi muito bem aceite pelos cristãos funchalenses. Quanto a Machico, os documentos apontam para frei João Garcia, que aceitou o cargo de vigário decorria o ano de 1450. Neste contexto, importa lembrar que nesta altura, eram atribuídos poderes de administração e de prática religiosa aos vigários, sendo que estes não poderiam, em caso algum, serem molestados, na sua ação, pelos capitães-donatários. Com o progressivo aumento demográfico e com a evolução da economia, começaram a se fazer sentir outras necessidades, no que diz respeito à assistência religiosa, nomeadamente na celebração de eucaristias, que se realizavam aos domingos e dias santos, na capela do Infante, no Funchal. A partir de 1485, os documentos apontam para os projetos de construção de novas capelas, o que acontece nomeadamente no Funchal, em Machico, em Santa Cruz e também em Câmara de Lobos. Deste modo, temos no Funchal dos finais do século XV, três capelas de devoção: Santa Maria de Calhau, S. Sebastião e Santa Maria de Cima. Um número animador, contudo, não se deve deixar de lembrar que a história das festividades sagradas madeirenses não se cinge à religiosidade entre os habitantes da capital, nem tão pouco ao esplendor apresentado pelas igrejas. Apesar da relutância dos homens-bons do concelho — que levou a protelar até 1493 obras que já faziam falta em 1485 —, um novo templo vai concluir-se, em 1517, e é sagrado por D. Diogo Pinheiro, bispo de Dume. A partir de 1488, com a construção do convento de Santa Clara, o serviço religioso ficou concentrado nas capelas de S. Sebastião e Santa Maria do Calhau. No que diz respeito à evolução da estrutura religiosa madeirense e, consequentemente, à criação de paróquias, podemos afirmar que em 1430 estava criada a primeira paróquia de Nossa Senhora da Conceição de Baixo, à qual se sucederam as de Ribeira Brava, Ponta de Sol, Câmara de Lobos, S. Vicente, Machico e Arco da Calheta. Nesta deslocação de culto, do espaço urbano para o rural, vamos poder observar o surgimento de capelas e ermidas, construídas pelos próprios moradores, pelos senhorios ou pela coroa portuguesa. Neste cenário de expansão da fé cristã, terá sido muito importante o empenho de muitas famílias madeirenses que criaram capelas anexas às próprias casas-mãe, ou mesmo integradas, provendo-as até de capelães, diversificando-se assim, o serviço religioso ministrado na Ilha. Como consequência das necessidades de assistência religiosa acrescidas e com a evolução da estrutura da igreja madeirense, o Papa Leão X, em 12 de junho de 1514, extingue a dependência da diocese do Funchal ao vicariato de Tomar, ficando a diocese da Ilha com jurisdição sobre todos os descobrimentos, transformando-se, desta forma, numa base importante para a construção da igreja missionária ultramarina. Muito embora tenha sido por um período breve, à diocese do Funchal foi dada, nas primeiras décadas da sua existência, jurisdição canónica sobre a Igreja em implantação sobre todos os territórios descobertos e a descobrir sob a alçada do Reino de Portugal, o que a tornava então a maior diocese do mundo. Este ano, comemoram-se os 500 anos da sua fundação, realçando-se o seu posicionamento no Mundo, no período em que ainda não se discutia a globalização. Frequentemente surgem discussões públicas que dão conta de que as manifestações religiosas estão em crise. As romarias também. De facto, esta expressão genuína e espontânea, de prestação de culto, organizada por um ‘festeiro’ da paróquia ou por elementos ligados à confraria ou a grupos de paroquianos, parece estar a perder importância, talvez pela aposta num novo tipo de arraial, que não é o madeirense, e que se apresenta rotulado de semana gastronómica ou de dia do concelho, onde se recriam festas agrícolas, alusivas aos produtos, festivais de música popular, etc.. Passados quinhentos anos, será que as romarias vão deixar de fazer parte da tradição madeirense? E o arraial? Serão realidades que já não se coadunam com o paradigma da globalização? No século XIX, ainda não era assim. E foi nesse tempo, através de relatos do culto do imaginário que