Procurar
Close this search box.
Procurar
Close this search box.

Enfermeiros portugueses, que futuro?

Num dilema. É neste estado que vivem os enfermeiros portugueses. Licenciados há muito ou acabados de sair das universidades, são bastantes os que convivem diariamente com a triste realidade portuguesa: num país onde os enfermeiros escasseiam (pelo menos nos serviços de saúde), a maioria não consegue trabalho e tem de ultrapassar fronteiras para alcançar este feito. De forma paralela, são, também, numerosos aqueles que, mesmo empregados, procuram novos rumos e um futuro mais desafiante. Desde 2011, foram solicitados quase oito mil «Declarações das Diretivas Comunitárias» à Ordem dos Enfermeiros, para posteriores idas para o estrangeiro. Embora seja certo que nem todos os que formalizam este pedido saem do país, é evidente que, desde esta altura, há uma tendência para a emigração. Estes pedidos estão inerentes a uma mobilização dentro da União Europeia, sendo que não estão contabilizados neste indicador os que procuram trabalho fora dela. A principal razão para a saída de Portugal, deve-se ao desemprego. Reino Unido, Bélgica, França e Noruega são, segundo um inquérito realizado pela Ordem dos Enfermeiros, os destinos mais procurados. Saem, todos, para países que reconhecem a qualidade da sua formação e que, em variados casos, lhes pagam quatro ou cinco vezes mais do que em solo português. Um inquérito do portal Diáspora dos Enfermeiros declara que a grande maioria dos enfermeiros portugueses a trabalhar no Reino Unido, por exemplo, não pensa em regressar. Nem para usufruir da reforma! Sentiram dificuldades na adaptação, mas hoje, o estrangeiro é já a sua casa. Como se o desemprego não perfizesse já um panorama deprimente, a Ordem que representa esta classe em Portugal, atesta que o país dos descobrimentos ainda não encontrou uma linha orientadora que sustente os recursos humanos na saúde. Adivinha até que, daqui a uma década, os portugueses poderão não ter quem deles cuide. Perante esta realidade, são tantas as questões para reflectir: valerá a pena apostar nesta carreira? Saberá Portugal aproveitar os seus recursos? Terá o nosso país consciência do desperdício humano, profissional e económico afecto a esta situação? Terão os enfermeiros portugueses, um futuro português? Sabe-se que, pelo menos no estrangeiro, vale a pena apostar na enfermagem. Que eles aproveitam os recursos portugueses (com os quais nem um cêntimo gastaram na formação), jamais desperdiçando o seu qualidade humana e profissional e, ainda, lhes recompensando de uma forma justa. Lá longe, há mesmo um futuro de e para portugueses! De Portugal, do ninho que os devia proteger, aguardam-se as respostas. Vera Duarte Alumnus

Para além do diploma, o que levas da universidade?

Hoje em dia, entrar na Universidade é praticamente comum nos países industrializados. A universidade passou a ser o prolongamento do ensino secundário, havendo cada vez mais jovens a ingressar no ensino superior. A entrada na universidade implica várias roturas, descontinuidades e recomeços. No entanto, significa também a definição de outros objetivos e a construção de novas experiências. Estar numa universidade implica reconhecer e adaptar-se a novos métodos, aprender a trabalhar em equipa, com pessoas diferentes, de diferentes idades e vivências, implica ainda saber comunicar com docentes, colegas, funcionários, aumentar a autonomia no estudo e pesquisa de informação, desenvolver novas estratégias de gestão de tempo e da ansiedade face a apresentações orais e exames de maior complexidade. No entanto, o percurso universitário não acarreta apenas mudanças e ganhos a nível intelectual. A experiência universitária também oferece ao estudante uma realidade rica e diversificada com ganhos incontáveis para o seu desenvolvimento pessoal, emocional e relacional. Ser estudante universitário significa experienciar e reconhecer emoções em si e nos outros, saber lidar com a pressão, a frustração, a desmotivação, a tristeza e a euforia; significa ainda ser tolerante à diferença, ser solidário, humilde, conhecer e aceitar pontos de vista diferentes e mostrar-se disponível para aprender com os outros; significa encontrar pontos de ligação, construir pontes, estreitar laços e identificar interesses idênticos que enriquecem as relações e perpetuam memórias. Mais do que um diploma, um estudante universitário leva consigo uma bagagem cheia de experiências e aprendizagens que não vêm no currículo nem são passíveis de “equivalências”. Por isso, se és finalista, estás de parabéns! Sugerimos que uses algum do teu tempo para abrir a tua bagagem e refletir no que foste capaz de guardar ao longo do teu percurso. Se ainda estás a percorrer o caminho da vida universitária, convidamos-te a fazer parte do Programa de Tutoria PARES, onde terás um tutor que te pode ajudar nesta viagem e a preencher a tua ‘bagagem’. Serviço de Consulta Psicológica da UMa

Beldades da UMa

Chegou à UMa a moda das “Beldades”! Este é um conceito já há muito conhecido, em que alguém cria uma página no Facebook ou um blog de forma a publicar fotos das pessoas mais atraentes de uma certa comunidade. Na nossa Universidade existem as páginas “Beldades da UMa”, destinada a promover a beleza feminina, e “Beldades Masculinas da UMa”. Interessantemente, as opiniões por cá divergem um pouco, pois se há quem leve estas páginas a sério, outros usam-nas como alvo de brincadeira. Se se publica a fotografia de algum conhecido, acto que a priori a seria um elogio, esta pode transformar-se rapidamente em chacota inofensiva entre grupos de amigos. Como consequência começam-se a empregar alcunhas aos fotografados devido às publicações feitas, como beldade, irreverente, entre outros. É de referir que os administradores das páginas referem explicitamente que, caso alguém sinta incómodo pela sua fotografia estar publicada, deve manifestá-lo e a mesma será retirada, de forma evitar eventuais conflitos. Estas páginas em particular não têm o intuito de ferirem susceptibilidades, de gerarem conflitos nem muito menos de criarem estereótipos sobre a beleza em geral, pois tais valores são subjectivos e dependem do gosto pessoal. Mas a verdade é que se começam a criar ondas de popularidade e de controvérsia entre as faixas etárias mais jovens. Uns consideram que a sua privacidade é invadida, outros gostam da atenção que recebem. Já o público que vê as fotos, comenta e “Gosta”. Gonçalo Martins Alumnus da UMa

Desporto universitário, que futuro?

Os projectos desportivos devem ser implementados consoante a realidade de cada instituição. De facto, “dar um passo maior do que a perna” resulta inevitavelmente num prejuízo muitas vezes irremediável e poucas vezes assumido. As colectividades madeirenses têm vivido tempos austeros e de grande dificuldade para poderem pôr em prática as suas ideias e as suas vontades. Os últimos três anos foram de autêntico “salve-se quem puder” onde todos os argumentos foram válidos para defender a sua dama. No entanto, começam a surgir ideias novas e conceitos diferentes capazes de abanar e abalar a rotina criada por dirigentes desportivos resignados a um passado que não se coaduna com as novas realidades económicas, sociais e culturais da nossa ilha. O poder instalado é sem dúvida um dos grandes responsáveis pelo momento por que passa o desporto na nossa região. Aliás, existem agora cada vez mais estudiosos da problemática desportiva madeirense mas poucos se atrevem a apresentar soluções válidas, mas sobretudo concretas, para melhorar aquilo que outrora fazia viver muitas dezenas de milhares de madeirenses. Fazendo uma introspecção, não tenho dúvida de que somos, enquanto instituição, visados nesta problemática dos objectivos e propósitos que nos propomos alcançar no desporto universitário. Também nós vivemos anos-a-fio sem o controlo nem a objectividade que se nos exigia enquanto parte de uma instituição maior como a Universidade da Madeira. De facto, as duas organizações confundiam-se muitas vezes nas competições nacionais e internacionais. A Associação Académica procurou e procura sempre dignificar e defender as suas ideias e projectos, nunca renegando o seu papel e a sua posição dentro da instituição que nos alberga e possibilita desenvolver projectos fundamentais para ambas as instituições. Esta estreita cooperação tem permitido pôr em prática inúmeros projectos de mais-valia para os estudantes da Universidade mas também para os demais associados da académica madeirense. Infelizmente, o projecto desportivo universitário tem sido esquecido dentro desta mecânica de cooperação entre as duas instituições. Apesar do Departamento de Desporto e Educação Física da Universidade ter elementos de reconhecida mais-valia no panorama da vida desportiva madeirense, ainda existem muitas reticências em relação à sua cooperação com a Associação Académica no desenvolvimento de um programa desportivo capaz de se adequar às necessidades da comunidade académica. Não querendo “sacudir a água do capote”, não posso deixar de ficar desiludido com a ausência de estratégias por forma a desenvolver um projecto desportivo à medida da nossa realidade geográfica, social e claro, económica. Num momento em que todos sabemos que os recursos financeiros são escassos, nada melhor do que encontrar parceiros que consigam colmatar essa necessidade. Que melhor parceiro quer senão aquele que divide connosco o mesmo tecto? Desportivamente, Arlindo Silva

Estudos de investigação experimental

A investigação experimental caracteriza-se pelo facto de o investigador atuar sobre a variável denominada independente (pelo seu papel pró-ativo na experiência), procurando conhecer os seus efeitos sobre uma ou mais variáveis, denominadas dependentes (recetoras da ação da variável independente). O objetivo da investigação experimental é o estabelecimento de relações causa-efeito. Normalmente, o método experimental é descrito como aquele que é conduzido para rejeitar ou aceitar hipóteses relativas a relações causa-efeito entre variáveis. No estudo experimental, o investigador manipula pelo menos uma variável independente, controla outras variáveis consideradas relevantes e observa o efeito numa ou mais variáveis dependentes (também designada de tratamento). Os métodos experimentais são desenhados para verificar hipóteses de causalidade. Um termo chave dos métodos experimentais é o controlo. Para além de controlo outros elementos essenciais são variável independente (VI) e, por inerência, variável dependente (VD). O estudo experimental pressupõe sempre a existência de dois grupos de sujeitos ou de objetos: grupo experimental e grupo de controlo. O que diferencia o grupo experimental do grupo de controlo é a intervenção de que aquele é objeto, enquanto o grupo de controlo ou grupo testemunho (como Fortin também lhe chama) não é submetido a esta. Campbell e Stanley (1963) designaram três categorias de tipo experimental: a) desenhos experimentais verdadeiros; b) desenhos quase-experimentais; c) desenhos pré-experimentais. As características dos desenhos experimentais são: 1) A manipulação (tratamento x); 2) O controlo (grupo); e, 3) A aleatorização (repartição aleatória). A investigação experimental funciona deste modo: o investigador forma dois grupos de sujeitos, aplica a um dos grupos o experimento ou tratamento (VI que manipula), e, ao outro grupo, ou não faz nada, ou aplica um tratamento diferente também designado por efeito placebo. O grupo que recebe o experimento chama-se grupo experimental e o grupo em que nada acontece ou acontece algo diferente chamamos de grupo de controlo. Comparamos os grupos na variável dependente, com o objetivo de verificar se as diferenças nos resultados são devidas, ou melhor, causadas pelo tratamento. A atribuição de causalidade baseia-se no pressuposto da equivalência de grupos que terão de ser necessariamente semelhantes em tudo exceto na exposição à variável independente ou tratamento, ou seja, ao fato do grupo experimental ter recebido o tratamento e o de controlo não, o que fornece base para o investigador inferir de que as diferenças na VD são causadas pela VI. Referências e sugestões de leituras Campbell, D. & Stanley, J. (1963). Experimental and quasi-experimental designs for research. Chicago: David McNally. Carmo, H. & Ferreira (1998). Metodologia da investigação: Guia para a aprendizagem. Lisboa: Universidade Aberta. (Pp. 225-246). Coutinho, C. (2011). Metodologia de investigação em Ciências Sociais e Humanas: Teoria e prática. Coimbra: Edições Almedina. (Pp. 235-260). Fortin, M. & Robishaud, S. (2003). “Os estudos do tipo experimental”. In Marie-Fabiene Fortin (Org). O processo de investigação: da concepção à realização (pp.183-199). Loures: Lusociência. António V. Bento Professor da UMa

Competências parentais e prevenção

A família continua a desempenhar um papel central no desenvolvimento e socialização de crianças e jovens. São elas que veiculam as normas, as regras e os valores que constituem a base para o crescimento saudável dos seus filhos. O contexto familiar revela-se, então, determinante para o desenvolvimento integral de crianças e adolescentes. De acordo com a qualidade das relações parentais, o meio familiar pode traduzir-se numa fonte positiva de adaptação ou, pelo contrário, revelar-se um espaço de conflito e desacordo. Foi demonstrado que os pais/educadores, uma vez formados, podem desenvolver práticas consistentes e competências para uma eficaz gestão familiar. Por isso, cada vez mais as instituições locais, que desenvolvem programas de carácter preventivo, procuram incluí-los como agentes preventivos com capacidade para assumirem um papel mais participativo na formação integral dos seus filhos. O objetivo das intervenções preventivas passa, então, pela modificação dos fatores de risco e de proteção e dos processos formativos da criança nas áreas cognitiva, social, emocional e física. Assim, os programas de intervenção social, que incidem na redução dos comportamentos aditivos e das dependências, em que o envolvimento das famílias/educadores se pretende ativo, incluem os indicadores que realçam a importância do seu papel enquanto agentes preventivos, designadamente a coesão familiar, a supervisão parental, o clima afetivo, a cordialidade, a proximidade nas relações, as normas e os limites. É neste sentido que o Instituto de Administração da Saúde e Assuntos Sociais, IP-RAM, através da Unidade Operacional de Intervenção em Comportamentos Aditivos e Dependências, tem mantido uma parceria com o Instituto de Segurança Social da Madeira, IP-RAM, no âmbito do Programa de Intervenção Precoce e Competências Parentais e do Programa Competências na Parentalidade, com implementação a nível regional através do desenvolvimento de projetos locais em vários concelhos da Região Autónoma da Madeira. O programa intervém junto de crianças em risco social e das suas famílias, com o objetivo de estabelecer comportamentos e atitudes promotoras do desenvolvimento global da criança e da família e do seu bem-estar pessoal e social. As famílias são previamente selecionadas a partir de uma grelha de sinalização e da Avaliação das Potencialidades e Necessidades da Família, aplicadas pelas técnicas das respetivas instituições locais das áreas geográficas abrangidas pelo programa. No módulo de prevenção das dependências, estabelecemos como meta favorecer nas famílias o desenvolvimento de competências pessoais e sociais que permitam aos seus membros o crescimento saudável e a opção por uma vida sem drogas, através da sensibilização para a importância de prevenir as toxicodependências no contexto familiar. Mónica Pereira Socióloga Unidade Operacional de Intervenção em Comportamentos Aditivos e Dependências – UCAD Instituto de Administração da Saúde e Assuntos Sociais, IP-RAM

Ciência e investimento

Com as chamadas economias emergentes, em Março de 2000, o Conselho Europeu realizou uma reunião extraordinária em Lisboa na qual delineou as metas que assegurariam o crescimento económico da Europa unida nas décadas seguintes. Surgiu o termo Sociedade do Conhecimento, que define um desenvolvimento económico na capacidade de inovar científica e tecnologicamente. 12 anos depois, qual é a realidade nacional? No dia 2 de Maio, o Público noticiou a realização do Encontro Nacional de Cientistas na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Nova de Lisboa para discutir o futuro da Ciência em Portugal. Os cientistas, referia o jornal, apontavam como questão-chave a precaridade do emprego científico, com um crescente desinvestimento do Governo. Nada de novo, desde 2010, muitas notícias expõe a diminuição do financiamento governamental à investigação científica que pretendia reduzir a dependência da investigação ao sector público. Contudo, já em 2007 estabeleceram-se maiores benefícios fiscais para privados que apoiassem centros de investigação acreditados. O problema surgiu com a crise, reduzindo o interesse de empresas no financiamento em áreas que não lhes eram afins ou não prioritárias. Revertendo a situação, o Ministro Nuno Crato havia anunciou, em Fevereiro, um reforço de financiamento de 12 milhões de euros para a Ciência, mas não satisfez as exigências dos investigadores nacionais. Mas qual o real problema, afinal? A 17 de Abril o canal UP noticiou o resultado de um inquérito realizado pela Associação de Combate à Precariedade – Precários Inflexíveis a respeito do descaso dado aos investigadores nacionais, conforme recentemente divulgado na página da AAUMa na web. Segundo o inquérito, das 1820 respostas reunidas via internet, 78% dos investigadores portugueses nunca havia assinado contrato com a entidade para qual a trabalha, não beneficiando, por exemplo, de qualquer protecção social. Na melhor das hipóteses viviam como bolseiros, em situação precária que durava já há 15 anos. Contrariando, inclusive, a natureza do próprio Ensino Superior a esmagadora maioria dos inquiridos apresentava como habilitações literárias o mestrado ou mesmo o doutoramento, induzindo-nos à visão perigosa de que, em Portugal, estudar pode nem sempre compensar. Não obstante o défice de financiamento geral que vive a comunidade científica portuguesa, há ainda quem traga para casa prémios estrangeiros. À data de fecho da edição, a mais recente laureada foi Marta Lourenço, física e investigadora da Universidade de Lisboa que se dedica ao estudo da história da Ciência e que coordena a Portuguese Research Infrastructure of Scientific Collections (PRISC), galardoada com a medalha George Sarton 2014 atribuída pela Universidade de Gent (Bélgica). Dias antes, a própria Universidade da Madeira recebia com agrado a notícia de que havia sido atribuída uma bolsa Fulbright (E.U.A.), uma das mais prestigiadas para a área da investigação em Educação, à sua investigadora Margarida Pocinho. Carlos Diogo Pereira Alumnus

A minha experiência Erasmus

Tudo começou em Novembro de 2013, quando descobri que havia uma vaga para ir de Erasmus para a Univerzita Pardubice. Nem pensei duas vezes – inscrevi-me e, entretanto, fui aceite. A partir daí, começou o processo de inscrição na universidade, a candidatura para a bolsa Erasmus, entre outras coisas. O tempo passou a correr. É chegado o dia da partida – dia 14 de Fevereiro. Por volta das 22h30, eu e mais seis colegas apanhámos o avião rumo à Republica Checa, mais precisamente a Praga. Pelo caminho, tivemos que passar a noite no aeroporto de Lisboa. Foram cerca de 9 horas deitados no chão, a ver filmes e a cantar. Honestamente, pensei que fosse ser pior! Divertimo-nos imenso! Às 9h do dia 15 de Fevereiro, apanhámos o avião em Lisboa com destino a Praga. Foram três horas e meia sobrevoando paisagens lindíssimas, desde montanhas cobertas por neve a cidades, passando por planaltos e aldeias, tudo em boa companhia. Chegamos a Praga às 13h30. Agora, pensam vocês – mas não foram 3h30m de voo? Sim, foram. No entanto, aqui, na Republica Checa, conta-se com 1h a mais que em Portugal. A sensação de chegar a um país diferente, desconhecido, é maravilhosa. Contudo, ficamos depois com o pensamento “Agora, estás por tua conta. Não há pai, nem mãe por perto. O que será de mim?”. Mas eis que olho para o lado e ouço alguém dizer “Estamos juntos nisto, vai correr bem! Bora lá?”, e foi exatamente o que fiz – saí do avião e disse “Vamos lá! Esta é uma nova etapa da minha vida.”. A primeira coisa que fizemos foi ir buscar as malas. Apercebemo-nos de que, infelizmente, algumas delas estavam partidas, pelo que tivemos que fazer um esforço extra. Lá acabou por correr tudo bem. Fomos depois trocar o nosso querido Euro por Coroas Checas, pois, como deverá ser vosso conhecimento, a República Checa faz parte da União Europeia mas não aderiu ao Euro. No entanto, digo-vos desde já que o nosso dinheiro compensa, e bem, por cá, porque 1€=26CK. Depois de já ter o dinheiro checo, agarrámos nas malas e partimos à descoberta de Praga. Apanhámos o autocarro e, posteriormente, o metro, terminado com uma caminhada de cerca de 300 metros até chegarmos ao nosso hostel, onde passámos uma noite. Deixámos as bagagens no hostel e lá fomos nós pela bela cidade de Praga. De mapa na mão, fomos até aos locais mais emblemáticos da cidade como o Castelo de Praga, onde, na actualidade, mora o Presidente da República e que em tempos foi a residência dos reis da Boémia. Visitámos, também, a grande catedral gótica de S. Vito  (século XIV), Belvedere de estilo renascentista e a Praça da Cidade Velha. Passamos, igualmente, pela Charles Bridge, uma ponte cuja maravilhosa arquitectura reveste-se de um estilo gótico, que está recheada de emblemáticas estátuas e a partir da qual é possível desfrutar de uma vista esplendida sobre Praga. Não esqueçamos, ainda, o famoso relógio astronómico medieval, o Orloj. Dia 16 de Fevereiro, apanhámos o comboio e partimos para Pardubice, cidade que nos deverá acolher por 5 meses. Após a nossa chegada, estava a minha buddy à minha espera. Buddy é um estudante oriundo da universidade para a qual vamos de Erasmus que nos acompanha e nos auxilia durante todo o nosso percurso, aconselhando acerca dos mais diversos assuntos. Partimos em direcção à residência. O nosso viria a ser o Bloco F, onde estão alojados somente estudantes de Erasmus. Depois do check-in, conheci o meu quarto, o qual partilho com 2 madeirenses e um turco. É uma experiência formidável conviver com estudantes de outras línguas e contactar com novas culturas. Neste semestre são inúmeros os jovens oriundos de países como Portugal, Espanha, Itália, Grécia, Turquia, Taiwan, Roménia, Letónia, Finlândia e Croácia. Todas as semanas temos actividades organizadas pelo sistema de buddys. Deste modo, tivemos um dia dedicado ao desporto, assim como a oportunidade assistir a um jogo de Hóquei e passeios por Pardubice ou mesmo por outras cidades vizinhas da República Checa. Não, não me esqueci das festas e convívios, cada um mais inesquecível que outro. O que mais me marcou até ao momento foi a Welcome Party e a viagem a Praga e a Hradec Kralové com os estudantes de Erasmus. Na Welcome Party recebemos todos uma camisola da Univerzita Pardubice, com o nome e país de cada um inscritos. Após os jogos, deram-nos marcadores para que pudéssemos assinar nas camisolas uns dos outros. Foi óptimo pois cada um deixou uma mensagem diferente, umas mensagens nas línguas de origem, outras em inglês e houve ainda quem tentasse escrever em português. A ida a Praga com os Erasmus foi um pouco diferente da primeira vez: por um lado porque já conhecíamos a cidade, por outro porque tivemos oportunidade de experimentar coisas novas, como passear de barco pelo rio e visitar os mais emblemáticos locais de Praga, os quais não tínhamos ainda tudo oportunidade de conhecer. À noite, claro, fomos até alguns pubs para consumir a agradável cerveja Checa. Todas as noites o pessoal reúne-se num dos quartos para conviver, trocar impressões e, de seguida, partir até um pub ou discoteca. No que concerne às aulas, os professores são super compreensivos e atenciosos connosco e a nossa turma é apenas composta por estudantes de Erasmus. Está a ser uma experiência fantástica, algo que irei guardar para sempre. Aconselho a todos a fazer Erasmus. Recomendo Pardubice, claro, porque é um sítio acolhedor e muito bonito. A residência e a universidade ficam no centro da cidade, onde passa o rio ladeado por um grande e belo parque, o centro comercial e a CEZ Arena, onde decorrem os jogos de Hóquei. Aqui, tudo fica próximo. A propósito, é possível percorrer toda a cidade a pé e conhecer os sítios essenciais sem nos perdermos. Conviver com outros países e conhecer novos lugares é do melhor que há. Mesmo que não te saibas expressar em Inglês, não te preocupes, arrisca-te na aventura. Com o convívio e com as

Policitemia

O excesso de eritrócitos por unidade de volume sanguíneo resulta de uma redução da parcela fluida do sangue e é o tipo mais comum de Policitemia encontrada nos animais domésticos. Esse estado é conhecido comummente como hemo-concentração ou eritrocitose aparente uma vez que a concentração de eritrócitos aumenta mas o volume total de glóbulos vermelhos em circulação não se altera e a tensão arterial é normal. É um estado transitório devido à diminuição do volume de plasma e pode resultar de um choque, desidratação subsequente a vómito e/ou diarreia persistente, ou ainda deficiente ingestão de líquidos. O consumo de água insuficiente em animais anémicos e a hemoconcentração imposta por esta anemia  podem mascarar o verdadeiro estado com valores aparentemente normais de percentagem volúmica de glóbulos vermelhos  e hemoglobina. A excitação pode  introduzir politicemia de stresse em cães e cavalos como resultado da contracção esplénica e libertação, na corrente sanguínea, do sangue rico em eritrócitos que se encontrava armazenado. Uma dor severa também pode  induzir uma contração esplénica. Equipa veterinária da SPAD-Funchal

Percurso académico

Quando me lançaram o desafio de escrever esta crónica, e de falar sobre o meu percurso académico ao longo dos últimos 3 anos, tantas memórias e pensamentos me ocorreram num turbilhão. A praxe, a Associação Académica, as cadeiras, os colegas, tudo. Foi uma jornada e tanto, e parece que ainda ontem cá cheguei. A Universidade da Madeira e o curso de Psicologia foram as minhas únicas opções preenchidas na folha de ingresso, por isso, posso dizer que realmente fiquei onde e como queria, porém sem certezas para além de querer terminar curso. Em retrospectiva, recordo que, no dia da matrícula, dirigi-me ao Campus da Penteada e, sem conhecer os cantos à casa, esperei 2 horas para fazer a minha inscrição sem saber que estava no piso errado. Maus inícios, bons acabamentos, pensei, quando apareceu uma alma generosa que me levou à fila interminável de alunos que também esperavam pacientemente pela sua vez. Concluída a dita burocracia, fui lançada aos lobos que me esperavam do outro lado do corredor com: ‘’Qual é o curso?!’’, ‘’Qual é o curso deste bicho?!’’. Acabei o meu primeiro dia toda pintada e com uma lista de tarefas a executar para o primeiro dia de aulas. Durante semanas a fio do primeiro ano andei com uma espiral hipnótica na cabeça, tive que cuidar de um aparente cão velho e feio chamado ‘Pavlov’, sem falar naquele peluche imundo e todo torcido em forma de Ψ (psi) que tinha que levar ao pescoço enquanto gritava em defesa do meu curso, até que, enfim tudo acalmou semanas depois, com o baptismo na marina do Funchal. Não trocava estes momentos por nada, pois foi no contexto da praxe que conheci colegas que posteriormente se tornaram amigos. No ano seguinte experimentei a honra de vestir o traje académico e de trocar de lugar com os então caloiros recém-chegados à UMa, assistindo às actividades das quartas-feiras académicas e dizendo-lhes para cuidarem do tal cão moribundo, cada vez pior. Esse ano passou depressa e parece que caí de paraquedas no 3.º e último ano do meu percurso académico na UMa: num pestanejar, sou finalista! O tempo passa a correr e a nostalgia surge. Ao olhar para os caloiros pensava que num passado não muito distante estava eu a usar aquelas insígnias e que, provavelmente, seria a última vez que teria a oportunidade de participar neste culto de integração que é a praxe. E foi assim, “com pujança, cagança e muita cerveja na pança,” que tive o orgulho de exibir as cores do meu curso na cerimónia do Corte das Fitas, marcando assim o fim do meu vínculo a esta mui nobre Academia. Passados 3 anos de muitas vivências, batalhas, desafios, sabores e dissabores, cá estamos nós, finalistas, a comemorar esta vitória bem merecida. Porém, concluída esta etapa é necessário lembrar que a nossa aprendizagem está longe de terminar aqui, pois havemos de ser eternos estudantes para que sejamos excelentes profissionais. Estes são, sem dúvida, os anos de ouro das nossas vidas, que todos os momentos que aqui vivemos perdurem nas nossas memórias e no tempo! Enya Escórcio Aluna da UMa