Ciência e investimento

Com as chamadas economias emergentes, em Março de 2000, o Conselho Europeu realizou uma reunião extraordinária em Lisboa na qual delineou as metas que assegurariam o crescimento económico da Europa unida nas décadas seguintes. Surgiu o termo Sociedade do Conhecimento, que define um desenvolvimento económico na capacidade de inovar científica e tecnologicamente. 12 anos depois, qual é a realidade nacional?

No dia 2 de Maio, o Público noticiou a realização do Encontro Nacional de Cientistas na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Nova de Lisboa para discutir o futuro da Ciência em Portugal. Os cientistas, referia o jornal, apontavam como questão-chave a precaridade do emprego científico, com um crescente desinvestimento do Governo. Nada de novo, desde 2010, muitas notícias expõe a diminuição do financiamento governamental à investigação científica que pretendia reduzir a dependência da investigação ao sector público. Contudo, já em 2007 estabeleceram-se maiores benefícios fiscais para privados que apoiassem centros de investigação acreditados. O problema surgiu com a crise, reduzindo o interesse de empresas no financiamento em áreas que não lhes eram afins ou não prioritárias.

Revertendo a situação, o Ministro Nuno Crato havia anunciou, em Fevereiro, um reforço de financiamento de 12 milhões de euros para a Ciência, mas não satisfez as exigências dos investigadores nacionais. Mas qual o real problema, afinal?

A 17 de Abril o canal UP noticiou o resultado de um inquérito realizado pela Associação de Combate à Precariedade – Precários Inflexíveis a respeito do descaso dado aos investigadores nacionais, conforme recentemente divulgado na página da AAUMa na web.

Segundo o inquérito, das 1820 respostas reunidas via internet, 78% dos investigadores portugueses nunca havia assinado contrato com a entidade para qual a trabalha, não beneficiando, por exemplo, de qualquer protecção social. Na melhor das hipóteses viviam como bolseiros, em situação precária que durava já há 15 anos.

Contrariando, inclusive, a natureza do próprio Ensino Superior a esmagadora maioria dos inquiridos apresentava como habilitações literárias o mestrado ou mesmo o doutoramento, induzindo-nos à visão perigosa de que, em Portugal, estudar pode nem sempre compensar.

Não obstante o défice de financiamento geral que vive a comunidade científica portuguesa, há ainda quem traga para casa prémios estrangeiros. À data de fecho da edição, a mais recente laureada foi Marta Lourenço, física e investigadora da Universidade de Lisboa que se dedica ao estudo da história da Ciência e que coordena a Portuguese Research Infrastructure of Scientific Collections (PRISC), galardoada com a medalha George Sarton 2014 atribuída pela Universidade de Gent (Bélgica). Dias antes, a própria Universidade da Madeira recebia com agrado a notícia de que havia sido atribuída uma bolsa Fulbright (E.U.A.), uma das mais prestigiadas para a área da investigação em Educação, à sua investigadora Margarida Pocinho.

Carlos Diogo Pereira
Alumnus

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