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U-Multirank: universidades em avaliação

A U-Multirank trata-se de uma plataforma orientada para a classificação internacional das instituições de Ensino Superior com base em dados empíricos. O desempenho das instituições é avaliado em cinco níveis distintos (ensino e aprendizagem, orientação internacional, transferência de conhecimento, participação a nível regional e investigação) e as classificações vão desde fraco a muito bom. Esta nova ferramenta disponibilizada pela União Europeia serve para comparar o desempenho das diversas universidades, incluindo actualmente, informações de mais de 850 instituições de Ensino Superior, de 1.200 faculdades e de 5.000 programas de estudo de 70 países. Muitos afirmam que o potencial interventivo das instituições de Ensino Superior europeias (ou exteriores à União e que acolhem estudantes europeus) no desenvolvimento económico e social é subaproveitado. Com esta plataforma consegue-se uma avaliação mais abrangente do que qualquer ranking existente orientado para o utilizador, mostrando mais claramente o desempenho de uma gama muito maior de universidades e seu potencial para contribuírem para o crescimento e o emprego. Ele inclui informações necessárias aos decisores políticos, aos estudantes e às próprias instituições. Este novo ranking não hierarquiza as universidades, tendo como objectivo, antes, ser uma ferramenta de trabalho para as instituições verem onde se posicionam em determinada área e poderem, assim, elaborar os seus planos de acção para o futuro. U-Multirank tem um orçamento de dois milhões de euros para os dois primeiros anos de funcionamento, sendo financiada pelo novo programa Erasmus+. Entre as mais de 850 universidades de todo o Mundo avaliadas no que respeita à investigação, há oito portuguesas. A melhor colocada é a Universidade Técnica de Lisboa que ocupa o 404.º lugar. Seguem-se duas instituições privadas (Universidade Fernando Pessoa no lugar 409.º, e a Universidade Católica, duas posições abaixo), que se intrometem entre as universidades públicas que têm habitualmente melhores prestações nestas tabelas internacionais: Universidades de Lisboa (419.º), do Porto (420.º), de Coimbra (424.º), de Aveiro (435.º) e do Minho (437.º). A Universidade Nova de Lisboa surge, logo a seguir, em 451.º. Online, qualquer utilizador pode criar a sua própria lista, seleccionando os critérios desejados a partir de um conjunto pré-determinado, servindo esta base de dados de apoio aos jovens europeus na hora de escolherem a sua formação superior. Neste primeiro ano estão listadas mais de 850 instituições de 70 países, sendo maioria destas da Europa (62%), seguindo-se as norte-americanas (17%) e asiáticas (14%). O objectivo da UE é ter, dentro de dois anos, 1000 instituições de Ensino Superior avaliadas nestas listas, surgindo como opção a ter em conta na hora da escolha de um futuro. Rui Martins

Escolhas

Em plena primavera já parece verão! Dias longos, tardes na esplanada, praia, amigos, e muita Festa! Sol e calor são sinónimos de diversão, por si só, convidativa a excessos. Surgem as festas, os concertos, em que os consumos podem tornar-se apetecíveis para alguns. É essencial definirmos um ponto de equilíbrio entre o tempo de lazer e o tempo de estudo, para que possamos concretizar os nossos objetivos relacionarmo-nos com os outros de uma forma positiva, com o prazer de desfrutarmos da Vida! Para isso as nossas escolhas têm de ser conscientes e saudáveis, livres do consumo de álcool, de tabaco e de drogas! Apesar do nível de consumo de álcool ter descido em Portugal, este continua a ser dos mais elevados da Europa e nunca é demais relembrar os cuidados a ter! Segundo o relatório de maio de 2014, da OMS, a média de consumo de álcool em Portugal desceu de 14,4 para 12,9 litros per capita, entre 2003 e 2010, mas continua acima da média europeia (10,9 l), mantendo-se entre os 10 países da Europa com mais consumo médio por pessoa. Em Portugal, a média do consumo per capita diminuiu de 14,4 l, no período 2003-2005, para os 12,9 l, no período 2008-2010, representando uma redução de 1,5 l per capita. No que se refere ao consumo de bebidas alcoólicas pelos portugueses, os homens consomem em média 18,7 l per capita e as mulheres, por outro lado bebem 7,6 l de acordo com os dados de 2010. A sinistralidade rodoviária não dá tréguas 17,2 em cada 100 mil homens portugueses e 4,8 em cada 100 mil mulheres morreram na estrada devido ao álcool. O vinho continua a ser a bebida de eleição, representando 55% do álcool consumido, seguindo-se a cerveja, com 31%. As bebidas espirituosas representam 11% do consumo. Portugal apresenta também uma grande percentagem de abstémios, com 43% da população a não ter consumido álcool nos 12 meses anteriores ao estudo. É importante, todos contribuirmos de uma forma responsável para o nosso bem-estar e o bem-estar coletivo. Para os que optem por consumir bebidas alcoólicas deixamos algumas dicas: – Respeita os teus limites. Ao perceberes que estás a ficar alterado, diminui o ritmo do consumo. Aprende a saber quando parar; – Bebe água ou sumo entre cada bebida alcoólica e ingere alimentos para reduzires a absorção do álcool; – Nunca percas de vista o teu copo, ou tem cuidado com quem o deixas; – Não mistures bebidas alcoólicas com medicamentos, ou outras drogas; – Têm cuidado com o consumo de shots, pois o seu teor alcoólico é muito elevado; – Não conduzas se já consumiste bebidas alcoólicas, mesmo que aches que estás bem, e não aceites boleia (mesmo que seja amigo) de alguém que esteja sobre o efeito do álcool. Diverte-te Sem Riscos! Cláudia Freitas Assistente social – Instituto de Administração da Saúde e Assuntos Sociais, IP- RAM

Nós et al.

Et al. é abreviatura da expressão latina et alii (“e outros”) e utiliza-se nas referências bibliográficas, para identificar uma obra com mais de seis co-autores. É, assim, uma forma de abreviar o que, de outro modo, se tornaria demasiado extenso. A referência de uma obra da autoria de J. Santos, T. Rodrigues, F. Silva, D. Peres, R. Faria, L. Pimentel e H. Freitas, publicada em 2004, será, de acordo com as normas da American Psychological Association, que são as normas bibliográficas mais utilizadas nas Ciências Sociais e Humanas, identificada como Silva et al. (2004). Et al. é, assim, a forma de referir os últimos autores, que por esta razão não são nomeados. É abreviatura dos que não são identificados e que são, assim, votados ao anonimato. Como em tudo na vida, há quem se chegue à frente e dê a cara e há os outros, os que preferem manter-se na sombra, mas que são tão importantes como os primeiros. Historicamente votaram-se ao anonimato as chamadas classes mudas da sociedade: as mulheres, as crianças, os idosos, as minorias étnicas. Também a história se faz principalmente com os que se mostraram, com os que deixaram registo do seu nome e das suas obras, mas a civilização cresceu tanto com os que vieram para a luz como com os que permaneceram nas trevas. Os alii, os outros, são com frequência aqueles que não se nomeiam, que não se identificam, que não deixam memória da sua vida. Os outros são aqueles que não aparecem, que se remetem a um silêncio social e cultural que oblitera a sua identidade. Alii são aqueles de quem se faz tabula rasa. Tabula rasa significa “tabuinha raspada”. Os Romanos escreviam em tabuinhas de madeira cobertas de cera, que se raspavam a fim de se escrever novamente por cima. Fazer tabula rasa de algo significa esquecer o que aconteceu para começar de novo. Implica obliterar para construir algo diferente. E isto não é um assunto de lana caprina, isto é, não se trata de matéria de pouco valor, como o da lã das cabras. Quando obliteramos a identidade do outro, retiramos-lhe a oportunidade de ser reconhecido, de receber o crédito que lhe é devido pelo seu labor, pelo seu esforço, pelo seu trabalho. E aí reside o busílis da questão. “Busílis” é uma palavra com uma história engraçada. Um estudante de Latim com algumas limitações, ao ler num manuscrito sem separação de palavras a expressão latina in diebus illis (no manuscrito apareceria em capitais: INDIEBUSILLIS), que significa “naqueles dias”, separou INDIE que pensou significar “os índios” de BUSILLIS, que não conseguiu perceber, porque obviamente não se trata de uma palavra latina… O busílis de uma questão é, portanto, aquilo que não conseguimos decifrar, compreender ou solucionar. E os outros constituem para nós com muita frequência um desafio, uma dificuldade, um enigma. Tantas vezes consideramos o outro persona non grata, tantas vezes o julgamos com base em preconceitos e agendas escondidas… Agendas no seu significado etimológico, ou seja, “as coisas que temos de fazer” e que normalmente registamos num caderno ou num aparelho electrónico para não esquecermos. Aceitar o outro implica respeito e reconhecimento, implica a tolerância de qualquer qui pro quo, expressão latina que significa “um pelo outro”, isto é, não entender correctamente uma palavra ou um acto. Mas errare humanum est sed perseverare diabolicum (“errar é humano, mas perseverar [no erro] é diabólico”) ou, citando Cícero: cuiusvis est errare: nullius nisi insipientis errore perseverare (“errar é próprio de qualquer um, de ninguém senão do ignorante perseverar no erro”). Com efeito, nada é mais notável no ser humano do que a sua capacidade de errar e de aprender com os seus erros, de cair e de se levantar. No que diz respeito aos alii, é em relação a eles que o ser humano mais erra: porque é mais cómodo projectar no outro o que é estranho, o que é incompreensível ou inaceitável. Como nome de revista académica et al. será certamente um indicador do que a academia tem de mais precioso: a busca do conhecimento, da compreensão, da mudança, busca que resulta inevitavelmente em inclusão e tolerância. O que é a universidade senão um reflexo do mundo? Uma projecção de nós et alii? De nós e dos outros? Cristina Santos Pinheiro Professora da UMa

Toponímia do Funchal: Largo António Nobre

A toponímia de uma cidade exprime a sua história. Muitos nomes de ruas e avenidas, caminhos e estradas, becos e travessas, praças e largos nasceram da espontaneidade popular, gerada, por exemplo, nas relações de proximidade com moradias ou estabelecimentos de notáveis, caso do Largo do Phelps, ou, então, com imóveis facilmente identificados na paisagem, como a capela do Corpo Santo, cuja invocação deu nome ao largo contíguo. Algumas designações toponímicas resultaram, no entanto, de deliberações municipais, de acordo com as motivações dos titulares dos órgãos autárquicos ou decorrentes de iniciativas de munícipes. Quando comummente aceite, a denominação perdura. Há casos, porém, em que prevalece o nome popular ou tradicional em detrimento da inscrição na placa toponímica. Na série de artigos, agora iniciada, vamos percorrer os largos do Funchal e, por ordem alfabética, daremos conta do que a toponímia sugere, a história regista e o património cultural assinala. O Largo António Nobre, nas imediações das Ruas Carvalho Araújo, do Favila e Imperatriz D. Amélia, pertence à freguesia da Sé. Aqui sobressai o Pestana Carlton Madeira, uma unidade hoteleira de cinco estrelas. Na mesma falésia, existia anteriormente o Atlantic Hotel, adquirido, em 1966, pelo madeirense Manuel Pestana. Este emigrante bem-sucedido na África do Sul construiu ali um moderno hotel, aberto ao público em 1972, com a designação de Madeira Sheraton, posteriormente ampliado e remodelado. A margem esquerda do Ribeiro Seco, a sudeste da ponte, era conhecida por Redondo, Jardim, Praça ou Largo do Ribeiro Seco. Contudo, em Outubro de 1927, a Câmara Municipal do Funchal decidiu homenagear António Nobre, atribuindo o seu nome àquele espaço. Pretendia a edilidade assinalar a sua estada na Madeira e, em especial, a sua residência naquela zona. De facto, o poeta havia-se hospedado, durante algum tempo, na Pensão Almeida, mais tarde transformada em Atlantic Hotel. António Nobre nasceu no Porto em 16 de Agosto de 1867 e morreu na Foz do Douro a 18 de Março de 1900. Face à tão apregoada benignidade do clima para a tuberculose pulmonar, o poeta viajou para a Madeira em busca de cura. Residiu, no Funchal, entre 14 de Fevereiro de 1898 e 22 de Abril do ano seguinte. Alguns dos poemas, que escreveu na ilha, foram publicados em Despedidas: 1894-1899 (Porto, 1902). Dessa época, guardam-se também algumas cartas, onde registou a beleza da paisagem insular, momentos de convívio e a evolução do seu estado de saúde. Em 28 de Dezembro de 1941, foi descerrado um busto em bronze do poeta, da autoria de Tomás Costa (1861-1932), no jardim do Largo António Nobre. Salienta-se ainda, no Largo, um fontanário datado de 1867 com painéis de azulejos azuis e brancos dos anos trinta do século XX, da Fábrica de Sacavém. Estão aí representados motivos da tradição madeirense e as armas do Funchal. Pela sua singularidade, foi classificado como de Valor Cultural Local, pela Resolução n.º 1353/93 do Governo da Região Autónoma da Madeira. Nelson Veríssimo Professor da UMa

Falta educação

No decurso da História, a Educação surge de diferentes formas nas diversas culturas, precisamente por razões sociais e geográficas que asseguraram a sobrevivência da espécie humana. Foram vários os que cooperaram para a construção de um Ensino que actualmente, devido ao esforço e tenacidade de muitos, foi alcançado. Na raiz das culturas ocidentais, na Atenas da Antiguidade, a Educação era um mecanismo para instruir os jovens atenienses para a vida pública. Deste modo, Platão apresenta-se como defensor de um processo moroso de aprendizagem, no qual os discentes tinham a possibilidade de adquirirem conhecimentos desenvolvendo-os a partir da sua ignorância, uma vez que Educação é sinónimo de Evolução. Actualmente, as sociedades cosmopolitas e globalizadas são caracterizadas pela sua aposta no desenvolvimento do seu capital humano para que posteriormente sejam uma potência a nível mundial. Com esta optimização dos seus recursos, isto é, com o incremento de medidas de crescimento e de modernização, as nações progressistas atingem valores elevados de capacitação de toda a Sociedade Civil. Porém, nos últimos anos temos assistido a um profundo ataque por parte do Ministério que tutela a Educação, que se tornou apologista da austeridade e do corte descontrolado das despesas, remetendo o Estado Providência à iminente ruptura irreversível. A começar pela desastrosa organização escolar, à falta de recursos humanos e materiais e ao encerramento de estabelecimento que provoca dificuldades de acessibilidade e de deslocação dos alunos às escolas que permanecem abertas, junta-se um extermínio desenfreado do corpo docente por intermédio das colocações dos professores. Testemunhamos igualmente, os cortes realizados pelo Governo que prejudicaram a estabilidade do itinerário escolar dado que, segundo o Relatório de Estado da Educação 2013, o orçamento do Ministério da Educação e Ciência não rondava 370 milhões para investir, o que se traduz num corte de 7,6%, sendo que o Ensino Superior arrecada unicamente 53 milhões. É imprescindível ter uma alusão respeitante ao dinheiro gasto pelo Governo por cada aluno, que representa 4415 euros para o Estado Português. Para os que julgam ser um investimento público demasiado grande, em conformidade com o Relatório da rede Eurydice da Comissão Europeia, Portugal é o nono país em que os alunos, sem excepção, têm de pagar as propinas na sua plenitude. Tal, está cada ao alcance de cada vez menos famílias. Outro aspecto de desigualdade é o facto de as bolsas serem atribuídas a uma quantidade reduzida de universitários, não abrangendo na sua totalidade os mais carenciados. Muitos tornam-se trabalhadores numa solução árdua para o pagamento da sua mensalidade, pondo em risco o seu percurso académico. Os empregos que são acolhedores destes alunos são ainda, tendencialmente, precários. Mas não é só neste tópico que Portugal está na retaguarda de outras nações. A OCDE revelou através do Education at a Glance, que o nosso País manifesta um crescimento abrupto respectivamente ao número de jovens que não estudam nem trabalham. Este fragmento de jovens tem vindo a aumentar, representando 17% da população nacional o que demonstra que são estatísticas alarmantes para a sustentabilidade do Estado Social. Contudo, apesar destes dados serem preocupantes, Portugal precisa de propostas que sejam exequíveis e favorecedoras, usufruindo das ideias da nova geração uma vez que é na aposta na qualificação dos jovens que podemos inverter esta situação. Patrícia Agrela

CET’s e CTSP’s: o que têm em comum?

Era uma vez… os cursos de especialização tecnológica, uma formação pós-secundária não superior, altamente reorganizada pelo Decreto-Lei nº. 88/2006, que aliava a formação geral e científica à tecnológica e à experiência em contexto de trabalho. A sua criação e a reformulação pretendiam aliar as componentes de formação e de aprendizagem às necessidades do mercado de trabalho, promovendo a colaboração de entidades parceiras na promulgação da componente mais prática da formação. A sua conclusão concede um diploma de nível 4, devidamente reconhecido pelo Quadro Nacional de Qualificações. Tempos mais tarde, precisamente neste ano de 2014, surge um Decreto-Lei, o n.º 43, que visa a criação dos cursos técnicos superiores profissionais. Os CTSP’s são uma formação superior curta, com uma duração de quatro semestres letivos, cujas áreas de incidência são decididas pelos institutos de Ensino Superior, desde que estejam, sempre, inerentes à realidade económica e social. Conferem, após o seu término, o nível de qualificação número 5 do Quadro Europeu de Qualificações para a Aprendizagem ao Longo da Vida. Se a primeira oferta formativa tinha as condições de ingresso devidamente legisladas e cuja aplicação se estendia a qualquer instituição onde os CET’s fossem implementados, os CTSP’s verão os seus requisitos e prazos de acesso definidos por cada instituição onde serão leccionados. Quase uma centena de CTSP’s foram já aprovados em Portugal, segundo anunciou, em Outubro, o Secretário de Estado do Ensino Superior, José Ferreira Gomes. Por esta altura, mais algumas dezenas foram, provavelmente, aceites, neste que é um processo de mudança nas formações curtas leccionadas por instituições do ensino superior. Mas afinal, o que têm em comum os CET’s e os CTSP’s? Quase tudo! Basta uma análise rápida aos Decretos-Lei e, de uma forma breve, se perceberá que mudam alguns pormenores que, pese embora façam uma franca diferença, sustentam, somente, uma reformulação dos atuais e, ainda em vigor, cursos de especialização tecnológica. Mais práticos e menos teóricos (pelo menos é o que se almeja), os cursos técnicos superiores profissionais vão, progressivamente, instalar-se no lugar de muitos CET’s que, pouco a pouco, irão cessar a sua actividade formativa. Afinal, ao fim e ao cabo, nada mais se vê nesta criação de CTSP’s, senão uma reformulação(zita) dos CET’s. Na Universidade da Madeira, por exemplo, os planos de criação dos CTSP’s são, assumidamente, uma alteração e adaptação à nova legislação. Esperamos, também, que se constituam visando o apelo de menor teorização das matérias. De outra maneira, não poderão ser efectivados e perder-se-á uma grande oportunidade de formação. Independentemente do que têm em comum ou de quando começarão, queremos, todos, bons profissionais, humanos conscientes e cidadãos preparados para o mercado de trabalho e para a desafiante realidade actual. Independentemente da nomenclatura ou do nível de qualificação, lutemos por isto. Vera Duarte Estudante da UMa

Reis dos caloiros

No início de Setembro estava longe de sequer imaginar-me na posição de Rei dos Caloiros, principalmente por ser um pouco introvertido. Confesso que, antes da matrícula, ponderei não aderir à Praxe. Contudo, hoje afirmo, com convicção, que a Praxe foi uma das melhores experiências da minha vida, exactamente por me ter ajudado em relação à minha timidez, mas também por me ter proporcionado bons e divertidos momentos, não só com as manadas das Engenharias, mas também com outros cursos, onde fiz algumas amizades. Desde o início da Praxe que reparei que todos os cursos ficavam mais unidos a cada dia que se passava, porém sem nunca se isolarem uns dos outros. O que muitos se esquecem, infelizmente, é que os recentes incidentes não demonstram a verdadeira natureza da praxe académica, que, na minha opinião, assenta nos valores da amizade, da integração e da fraternidade. Estou muito feliz por me ter sido atribuído este título, mas também estou ciente de que existiam outros que o mereciam tanto ou mais do que eu. Por este motivo, queria referir que este título não é apenas meu, mas sim de todos os que contribuíram e participaram activamente na praxe académica durante todo este inesquecível mês. Para concluir, queria agradecer a todos os que me apoiaram, nomeadamente aos praxistas e aos caloiros dos cursos de Engenharia, à minha madrinha de Praxe, Stefani Barradas, e a todos aqueles que, directa ou indirectamente, me ajudaram durante esta fase da minha vida. Miguel Andrade Estudante da UMa Quando soube que tinha entrado na Universidade da Madeira, em Biologia, fiquei em êxtase. Era o que eu queria. Aí fiquei a pensar: entro na Praxe ou não? Nunca quis fazê-lo, mas amigos e família, estavam a tentar convencer-me de que tinha sido a melhor altura da vida deles e que também seria a minha. Só decidi participar quando fiz a minha matrícula, pois, duas raparigas de Bioquímica falaram comigo para saberem se eu queria participar na Praxe. Fui a única de Biologia a querer ser praxada. Estive durante semanas a tentar convencer os meus colegas, sem efeito. Conclusão, tive que fazer tudo sozinha. Não vou mentir, custou imenso. Não costumo ser uma pessoa envergonhada, mas quando nos vemos à frente de uma multidão que está à espera de que façamos alguma coisa, é algo extremamente embaraçoso. Estive quase a desistir da Praxe, digamos que estar sozinha e andar a “pular” de curso em curso sem conhecer ninguém não é fácil. Tive sorte porque a minha Veterana, a minha Doutora e a minha Vilhoa eram pessoas excelentes, que sempre me apoiaram e ajudaram em tudo o que eu precisava. Fiquei tão contente quando anunciaram o Rei e a Rainha dos Caloiros. Nem estava a acreditar que era o meu nome que estava a ser pronunciado, ali, naquele momento. Vi que realmente todo o meu esforço compensou e que tive o privilégio de ser a Rainha dos Caloiros. Muito obrigada ao Conselho de Veteranos, aos praxistas e aos caloiros de Bioquímica por me acolherem tão bem. Assim como à Veterana Lisandra e à Viloa Telma por me aturarem e aos demais praxistas. E um muito obrigada especialmente à minha madrinha, a Elisa. Joana Andrade Estudante da UMa

Ainda vale a pena estudar?

Esta é uma questão colocada aos estudantes quando pensam em ingressar na vida académica. A verdade inconveniente é que muitos acabam por desistir da ideia em candidatar-se ao Ensino Superior por falta de condições financeiras ou porque precisam de trabalhar. Muitos outros ingressam com o objectivo de obterem um Curso Superior. Eu, como aluno que viera de um curso científico-humanístico, e que iniciou recentemente o seu percurso académico, sob o meu ponto de vista, menciono que vale a pena estudar. Para além do nosso curriculum vitae tornar-se mais completo, a vida académica trata-se de uma experiência de vida única. Normalmente os estudantes que ingressam num curso científico-humanístico, já têm em mente prosseguirem com os seus estudos. Contudo, todos os estudantes devem aproveitar o tempo, após a conclusão do Ensino Secundário, para aumentarem as suas qualificações. Embora o país esteja a atravessar um período de crise, ninguém deve pensar que não vale a pena estudar, porque no final de contas, o esforço e a dedicação de cada pessoa acabam por ser valorizados, seja no mercado de trabalho nacional, seja no mercado internacional. A Educação é o “motor” do progresso e do desenvolvimento e obviamente que quem menos estuda pertence à classe dos mais desfavoráveis neste mundo de grande concorrência e de grande exigência. Um apelo que posso vos fazer é de que não desistam daquilo que está ao vosso alcance, pois um dia dará os seus frutos. Quando olharem para trás, irão notar que os dias mais belos foram aqueles em que lutaram. Carlos Abreu Estudante da UMa Será que realmente ainda vale a pena estudar? Esta é uma questão que ainda atormenta muitos. Porquê é que tal acontece? Falta de emprego, dificuldades financeiras, são algumas de uma infinidade de possibilidades. Mas serão apenas essas as razões? Segundo o ponto de vista de algumas pessoas o Ensino Superior e o Ensino Secundário são um “desperdício de tempo”, pois muitos são da opinião de que perante a falta de empregabilidade em Portugal, com ou sem estudos, é difícil ingressar no mercado de trabalho. Mas lanço a questão: Será isso assim tão linear? Tendo em conta o que popularmente se afirma, a realidade é que se já é difícil ingressar no mercado de emprego com competências técnicas e reconhecimento académico, então sem estas competências a tarefa de encontrar trabalho é ainda mais complicada e demorosa. Muitos defendem que Portugal encontra-se numa crise financeira, onde as bolsas de estudos são cada vez menos e os rendimentos de apoio social sofrem cortes drásticos. Poderá isto afectar o nível de ensino a que os estudantes se submetem? Obviamente que os cortes nos apoios sociais e nas bolsas de estudos comprometem cada vez mais o nível do Ensino Superior, sendo que as propinas académicas são de um custo que não é acessível a todos. Mas será apenas isto que leva cada vez mais os jovens a desistirem de ingressar na vida académica? Em certos casos as verdadeiras razões para os estudantes não ingressarem no Ensino Superior coincidem com os pontos acima transcritos. Apesar disso, a verdade é que muitos afirmam também já não terem “paciência” para continuar a estudar, pois o estudo obrigatório causa “tédio suficiente”. Desta forma lanço a seguinte questão: E tu achas que ainda vale a pena estudar Cláudio Gomes Estudante da UMa

Projeto de prevenção na Universidade da Madeira

Alertar os alunos da Universidade da Madeira para o consumo excessivo de substâncias psicoativas é o objetivo geral deste projeto que deu os primeiros passos no ano letivo 2013/2014, com um grupo de alunos do Curso de Psicologia. O Instituto de Administração da Saúde e Assuntos Sociais, IP-RAM, através da Unidade Operacional de Intervenção em Comportamentos Aditivos e Dependências (UCAD) ministrou 2 sessões letivas no âmbito da disciplina de Psicologia do Desenvolvimento II, através da articulação estabelecida com a professora Maria João Beja. Nestas sessões foram abordados os conceitos relacionados com a prevenção das toxicodependências, as teorias subjacentes à prática preventiva e as estratégias de intervenção desenvolvidas na RAM. Na última sessão foi lançado um desafio aos alunos, que consistiu na apresentação de propostas de atividades que pudessem ser desenvolvidas na UMa. O envolvimento dos alunos nas ideias apresentadas constituiu o ponto de partida deste projeto de prevenção do consumo de álcool, tabaco e outras substâncias psicoativas, dirigido à população estudantil da Universidade da Madeira, que é apoiado pela Associação de Estudantes e pelo Núcleo de Estudantes de Psicologia (NEPUMa). Os 16 alunos que abraçaram este desafio, participaram como agentes de prevenção, numa ação de formação que se realizou no mês de junho de 2014, para aprofundar os temas e planear a operacionalização das ações futuras. A formação contemplou uma vertente prática, foram organizados grupos de trabalho e projetadas as iniciativas. Neste arranque do novo ano letivo 2014/2015, foram realizados encontros e o projeto esteve presente tanto no Arraial Académico da UMa, como na Feira da Saúde. A designação do projeto ficou a cargo dos alunos bem como a preparação do logótipo e a criação de um grupo no Facebook de suporte à comunicação. Ao longo do ano, os alunos serão acompanhados por uma equipa técnica da UCAD, dando continuidade à formação inicial e apoiando a concretização das iniciativas previstas pelos 4 grupos de trabalho. O projeto prevê a continuação da disseminação de mensagens preventivas no contexto universitário, recorrendo à produção e divulgação de materiais diversos na área da prevenção, que serão posteriormente divulgados nas atividades preventivas por eles desenhadas. Este grupo de alunos do Curso de Psicologia pretende marcar a diferença, assumindo um papel mais ativo junto da comunidade estudantil, compreendendo e reforçando a identidade e o papel do psicólogo nesta área que, apesar de alguma complexidade na procura de uma intervenção multifatorial, se encontra revestida de uma diversidade científica aliciante para os profissionais que nela atuam. Alicia Freitas Psicóloga Instituto de Administração da Saúde e Assuntos Sociais, IP-RAM

From Donghua University to the Centro de Química da Madeira

“In Portugal, we have time to see, to experience, to discover which method or technique is best suited to a particular question we are investigating.” A sixteen-hour train separates Donghua University from Hunan, Xuedan He’s hometown. Despite that, such distance was no obstacle to this Chinese student, the daughter of Biology teachers, to pursue a career in Applied Chemistry. After having completed four years in this scientific area, Xuedan, already used to seeing her parents only twice a year, decides to embark on a new adventure: being one of the first students of the Master in Nanochemistry and Nanomaterials, at the University of Madeira. CQM: How did you know about this new Master in Nanochemistry and Nanomaterials? XH: In the last year of my degree, I decided to apply for a master’s abroad. Initially, I saw some American and Canadian universities have English as the main language, but I realized it would be very difficult to get a scholarship to do so. And due to the high price of tuition at these schools, it would be impossible to support my will. Curiously, during this period, I met the director of the Madeira Chemistry Research Centre (CQM), Professor João Rodrigues, who was passing by my university to present the Master in Nanochemistry and Nanotechnology. The problem of excessively high fees was no longer posed, but it was the approach in Nanotechnology that fascinated me the most. CQM: And this fascination is mainly due to what? XH: Nanotechnology is an area with so much potential and with so much to explore. I think we can get fantastic results, in a short period of time, for various levels of human need. That was crucial in my decision. CQM: Have you ever visited Madeira Island or another Portuguese region before? XH: I know Portugal through the history of its empire, but I never had the opportunity to visit it. Despite coming from a much bigger country than Portugal, Madeira Island was a pleasant surprise. Its size makes me remember my hometown, and adding to it, Madeira has wonderful landscapes and I can live a very quiet life around here. CQM: So, the adaptation was not difficult. XH: With all this sea and mountains where you can walk, it’s hard not to succeed in adapting well. One of the things I like the most is the feeling that I have much more oxygen to breathe. The air is very clean and healthy, and it was definitely a surprise to me. On an academic level, the adaptation was also not problematic. The main difference I noticed between China and Portugal was related to the friendliness of the teachers and colleagues. From the moment of my arrival at CQM to this day, I never had a single complaint about the lack of support or collaboration. I think in China, people would like to help each other, but they are too busy and under too much big pressure, even if they want to help, they can hardly find the time. CQM: There are always some negative or less positive points. What was most difficult for you in your journey through this Master? XH: Bureaucracy unnerved me a bit. In China, if you need a document, you can usually have it on hand on the day you require it. Here, a signature takes a long time to be achieved. The system tells us that the document is ready tomorrow, but tomorrow the document is not out yet, and this whole process will be dragging for days and days. For those who are not from here, this delay could mean some significant losses. But even with this difficulty, in my case, I can say everything has gone very well. CQM: As a graduate student, how would you rate the research that is done at the CQM? XH: This is a very relative question because it depends on many variables. In my opinion, with more equipment, the research could be more diverse. But, given the economic circumstances and the technical availability, I think CQM makes very good research. Above all, there is enough commitment to make significant research based on innovation for the evolution of society. CQM: In your opinion, what are the major differences when comparing the Portuguese scene with the Chinese scientific reality? XH: In Portugal, we have time to see, experience, and discover which method or technique is best suited to a particular question we are investigating. My experience says China researchers are more interested in achieving results in the minimum possible time. Therefore, we don’t have so much time for observation and improvement. CQM: Your research work is related to the use of nanomaterials for biomedical applications, especially in Oncology. How was it to explore this area? XH: My enthusiasm is very focused on two factors: the opportunity to use the latest technology and its applicability. In my case, I worked with dendrimers, a nanomaterial with a spherical shape and capable of carrying anticancer drugs to cells via integrins, a type of receptor that exists on the cell surface. Now, the main goal is to direct these actions only to cancer cells. I am very happy with my work, although I would like to have done more. There’s a whole world to be discovered in a new area like this one, and I want to participate in it. CQM: Are you thinking to return to China after finishing your master’s degree? XH: I would like to apply to a doctoral program in another country. I had the opportunity to visit Hungary and Spain while I was here, and my will is to take maximum advantage of these opportunities. I wish to embrace a new adventure. Now that I’m here, why return to China? CQM: In your opinion, which aspects of your future career are going to reflect the experience you had in Portugal, a foreign and non-Anglo-Saxon country? XH: To choose a Mediterranean country made me acquire new habits. I had to adapt to the language