Falta educação

No decurso da História, a Educação surge de diferentes formas nas diversas culturas, precisamente por razões sociais e geográficas que asseguraram a sobrevivência da espécie humana.

Foram vários os que cooperaram para a construção de um Ensino que actualmente, devido ao esforço e tenacidade de muitos, foi alcançado.

Na raiz das culturas ocidentais, na Atenas da Antiguidade, a Educação era um mecanismo para instruir os jovens atenienses para a vida pública. Deste modo, Platão apresenta-se como defensor de um processo moroso de aprendizagem, no qual os discentes tinham a possibilidade de adquirirem conhecimentos desenvolvendo-os a partir da sua ignorância, uma vez que Educação é sinónimo de Evolução.

Actualmente, as sociedades cosmopolitas e globalizadas são caracterizadas pela sua aposta no desenvolvimento do seu capital humano para que posteriormente sejam uma potência a nível mundial. Com esta optimização dos seus recursos, isto é, com o incremento de medidas de crescimento e de modernização, as nações progressistas atingem valores elevados de capacitação de toda a Sociedade Civil.

Porém, nos últimos anos temos assistido a um profundo ataque por parte do Ministério que tutela a Educação, que se tornou apologista da austeridade e do corte descontrolado das despesas, remetendo o Estado Providência à iminente ruptura irreversível. A começar pela desastrosa organização escolar, à falta de recursos humanos e materiais e ao encerramento de estabelecimento que provoca dificuldades de acessibilidade e de deslocação dos alunos às escolas que permanecem abertas, junta-se um extermínio desenfreado do corpo docente por intermédio das colocações dos professores.

Testemunhamos igualmente, os cortes realizados pelo Governo que prejudicaram a estabilidade do itinerário escolar dado que, segundo o Relatório de Estado da Educação 2013, o orçamento do Ministério da Educação e Ciência não rondava 370 milhões para investir, o que se traduz num corte de 7,6%, sendo que o Ensino Superior arrecada unicamente 53 milhões. É imprescindível ter uma alusão respeitante ao dinheiro gasto pelo Governo por cada aluno, que representa 4415 euros para o Estado Português. Para os que julgam ser um investimento público demasiado grande, em conformidade com o Relatório da rede Eurydice da Comissão Europeia, Portugal é o nono país em que os alunos, sem excepção, têm de pagar as propinas na sua plenitude. Tal, está cada ao alcance de cada vez menos famílias.

Outro aspecto de desigualdade é o facto de as bolsas serem atribuídas a uma quantidade reduzida de universitários, não abrangendo na sua totalidade os mais carenciados. Muitos tornam-se trabalhadores numa solução árdua para o pagamento da sua mensalidade, pondo em risco o seu percurso académico. Os empregos que são acolhedores destes alunos são ainda, tendencialmente, precários.

Mas não é só neste tópico que Portugal está na retaguarda de outras nações. A OCDE revelou através do Education at a Glance, que o nosso País manifesta um crescimento abrupto respectivamente ao número de jovens que não estudam nem trabalham. Este fragmento de jovens tem vindo a aumentar, representando 17% da população nacional o que demonstra que são estatísticas alarmantes para a sustentabilidade do Estado Social.

Contudo, apesar destes dados serem preocupantes, Portugal precisa de propostas que sejam exequíveis e favorecedoras, usufruindo das ideias da nova geração uma vez que é na aposta na qualificação dos jovens que podemos inverter esta situação.

Patrícia Agrela

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