Até quando vamos desperdiçar?
“continuaremos a perpetuar um sistema eficaz em esconder o falhanço dos profissionais despreparados para ensinar” Ao longo da vida levantam-nos cartazes com a indicação “tenha modos”. Reclamar e elogiar são extremos distantes e, por vezes, inatingíveis. Não somos incentivados a construir um sistema de auto-avaliação e a ganhar ferramentas que possam servir para criticarmos com segurança e conhecimento. A crítica carrega uma carga negativa, destruidora e mordaz e a reivindicação é encarada como uma característica incómoda. Por entendermos que as Universidades são locais privilegiados, ainda acreditamos que têm uma responsabilidade acrescida na disseminação dos valores da liberdade, a todos os níveis. Mas essa crença, não passa disso e a culpa deve ser partilhada por todos nós. Desperdiçamos, sistematicamente, a oportunidade de sermos livres. Ignoramos os problemas, mesmo que eles nos afectem. A avaliação que os estudantes fazem das suas unidades curriculares é um exemplo clássico de um caso onde, sistematicamente, deitamos no lixo a nossa liberdade. O princípio da confidencialidade no preenchimento dos inquéritos, que não poderia existir numa sociedade onde as críticas deveriam servir para melhorar o trabalho e não para esconder a vingança ou a falta de coragem, acaba por servir de escudo para o castigo de uma nota miserável. Até costumamos premiar a mediocridade com a nossa indiferença no preenchimento dos inquéritos. Afinal, perder tempo com inquéritos que não servem para nada? E, assim, promulgamos o diploma que assegura a manutenção de um sistema cómodo, onde não existem grandes agitações. Afinal, ele até dá boas notas. Apesar de tudo, dá-me jeito que ele falte às aulas. Os testes são fáceis, é uma cadeira que fazemos bem. No final, podemos preencher os inquéritos sem nunca ter visto o alvo da nossa avaliação. Não sabemos avaliar a dedicação e o empenho dos professores que se importam com o ensino e acreditam que estão a desempenhar um papel decisivo na vida dos futuros profissionais. Acreditamos que só devemos ter voz para registar o que está errado, sem salutar o que existe de bom e incentivar a sua continuidade. Acabamos por deixar morrer os que lutam contra a maré. Enquanto não exigirmos qualidade, que também não é o sinónimo de um massacre nas notas, com chumbos a rondar os 99%, para indicar que o docente é exigente, competente e atroz, continuaremos pouco exigentes e carregaremos esse fardo pela vida. Os inquéritos não servem para o seu propósito, não deveriam ser iguais para todos os ciclos de estudos, cursos e unidades curriculares. Enquanto o processo de avaliação não sofrer uma alteração profunda, que exija que o avaliador pense, pondere e entenda o que está a fazer, continuaremos a perpetuar um sistema eficaz em esconder o falhanço dos profissionais despreparados para ensinar e seguiremos o caminho para punir e vingar os nossos desgostos. Luís Eduardo Nicolau ET AL.
Algumas curiosidades
No início do século XX existiam alguns hospitais em que os bebés eram abandonados pelos pais logo após o nascimento. Na cidade de Paris, em 1911, uma instituição médica, que acabaria transformada em orfanato, fez algo inédito: uma lotaria de bebés! Algo como um bingo em que os bebés rejeitados eram oferecidos nalgum tipo de jogo para pessoas, que desejavam ser pais de verdade. Os mais de 1 000 euros de propina máxima cobrados no último ano lectivo pelas universidades portuguesas colocam o país entre as mais caras da Europa para se estudar no Ensino Superior. Pior está o Reino Unido onde os estudantes pagam 3375 libras anuais (cerca de 4200 euros), ou a França onde podemos estudar por 177 euros mensais. Gratuitamente na Dinamarca, na Grécia, na Áustria, entre outros países. Em Singapura é proibido vender pastilhas elásticas em bares e supermercados. A lei é válida até mesmo para turistas que levem os doces na bagagem. Deitar uma pastilha elástica na via pública, por exemplo, resulta em multa de cerca de 2 615 euros. No dia 2 de Fevereiro de 2015 cerca de 60 mil croatas acordaram com as suas dívidas anuladas, no valor total de cerca de 280 milhões de euros. A medida foi aprovada, no dia 29 de Janeiro de 2015, pelo Governo, que decidiu anular as dívidas de alguns cidadãos. Os perdoados foram os croatas mais pobres, ou seja, aqueles que auferem prestações sociais ou cujo rendimento mensal per capita do agregado familiar não ultrapassa os 165 euros. Rui Martins Aluno da UMa
A Língua Materna
A 21 de Fevereiro, celebrou-se o dia da Língua Materna. A data recorda uns universitários de Língua Bengali mortos por defenderem a língua materna, no Paquistão, onde o Urdu era língua única. A política linguística portuguesa é, aparentemente, a da defesa da língua nacional. Contudo, privilegia-se a língua franca em detrimento da língua materna. Mantendo-se esta propensão, nas próximas décadas, a Língua Inglesa (aportuguesada) poderá ocupar o lugar da língua materna. Ser poliglota é uma vantagem para os indivíduos que passam a “ver o mundo” sob diversos planos. Portanto, o problema não está em aprender Inglês, mas no facto de sobrevalorizar uma língua, desvalorizando as restantes. Há ideias estereotipadas. Repete-se, sem se comprovar, que o Inglês é fácil e que o Português é uma língua difícil. Não há nada de mais erróneo. Nenhuma língua será fácil ou difícil porque todas necessitam de aprendizagem. Estudar a gramática inglesa comprova-o. Ser linguisticamente competente diverge de conhecer as bases de um idioma. Logo, um cidadão tem de dominar a sua língua materna e de conhecer línguas estrangeiras, para o caso de necessitar delas. Todavia, o grau de conhecimento de uma e das outras será diferente. Quanto melhor conhecer a sua, mais capaz será de defender os seus direitos. Para que isso aconteça com os falantes de qualquer nacionalidade é indispensável o estudo da língua materna e muitos sentem dificuldades nessa aprendizagem. É o caso para quem hesita na escrita de “feminino” ou “misto”. 1. Não se pode confundir o artigo ……………….. “a” com a preposição homófona e homógrafa. Preencher o espaço com a forma certa: feminino / femenino. Solução: Não se pode confundir o artigo feminino “a” com a preposição homófona e homógrafa. Explicação: Quanto ao género, a gramática portuguesa distingue os elementos femininos dos masculinos. Alguns são fáceis de classificar, mas outros exigirão estudo, como sucede com “a aluvião”, que é do género feminino, embora haja quem use o masculino. O termo “feminino” tem origem latina em “femininus, a, um”. Possui quatro vogais e existe uma tendência para hesitar na segunda, talvez devido à pronúncia. Em vez de , como no étimo, há quem opte por . Se não se chamar a atenção de quem erra, a falha nunca será corrigida porque “quem não sabe é como quem não vê”. 2. No restaurante, vamos pedir um ………………….. de peixe. Preencher o espaço com a forma certa: mixto / misto. Solução: No restaurante, vamos pedir um misto de peixe. Explicação: Hesitar entre “s” ou “x” em vocábulos como “misto” é frequente. Aliás, na etimologia latina, havia as duas possibilidades com “mixtus ou mistus, a, um”, sendo provenientes do particípio passado do verbo “misceo, es, scui, xtum ou stum, scere”. Na História da Língua Portuguesa, houve fases em que se escreveu com “x”. A norma optou por “s”. Se a hesitação subsiste, pense-se que a sequência < -ixt -> não é caracteristicamente portuguesa. Quando se aprende, fica-se a saber. Helena Rebelo Docente da UMa
Tese das angústias
A depressão afecta pessoas de todas as idades, desde a infância à terceira idade, sendo mais predominante na idade adulta. A vida académica de um estudante universitário é muito mais complexa do que aparenta. Por um lado temos a vida boémia própria desta nova fase à qual está inerente uma adaptação a um novo ambiente social, por outro temos as frequências, os exames, as aulas, a elaboração dos projectos, a comunicação com os docentes, entre outros afazeres de quem quer um curso superior. Para os alunos que se encontram em Mestrado, encontra-se sobretudo a pressão do estágio ou investigação e da elaboração do relatório, da tese ou dissertação. Após terminarem a licenciatura, é cada vez maior o número de estudantes universitários que procuram aumentar os seus conhecimentos, concorrendo a Mestrado. Estará esta procura de sabedoria a influenciar negativamente a saúde dos estudantes? Em Portugal, o Mestrado corresponde ao segundo ciclo de estudos superiores conforme o disposto pelo Processo de Bolonha, conferindo um diploma final ao estudante. Este tem por norma a duração regulamentada de dois anos, sendo o primeiro dedicado a unidades curriculares simples e o segundo à investigação ou prática profissional coroada com a elaboração da tese ou da dissertação submetida a um júri, perante o qual é defendida pelo candidato ao título de Mestre. A elaboração desta tese tende a sobrecarregar os estudantes de Mestrado pelo facto de conjugarem a parte escrita com a prática, além da burocracia inerente. A motivação para escrever a tese torna-se pouca e os alunos ficam alarmados com a quantidade de trabalho e com os prazos que têm de cumprir, sendo sujeitos a situações de stress, que podem conduzir a comportamentos depressivos. Para a Organização Mundial de Saúde a depressão é responsável por 11,8% das doenças a nível global, afectando pessoas de todas as idades, desde a infância à terceira idade, sendo mais predominante na idade adulta. De modo a diminuir o risco de depressão os estudantes devem saber reconhecer os seus principais sintomas: perturbação do apetite e do sono, fadiga e perda de energia, sentimentos de inutilidade, de culpa e de incapacidade, falta de concentração e preocupação com a morte, desinteresse e tristeza. Ao estarem cientes que podem estar em risco de sofrer de depressão devem procurar a ajuda do médico de família ou de um terapeuta profissional de modo a tentarem resolver os problemas que desencadearam o estado de depressão. Todos nós estamos sujeitos a enfrentar situações mais complicadas, mas o importante é saber superá-las com positivismo, esforço e trabalho. Para tal devem ter-se em atenção os factores de risco e saber reduzi-los essencialmente através da aquisição hábitos saudáveis: repousar o número suficiente de horas, ter uma alimentação o mais saudável possível e principalmente saber controlar os níveis de stress. Ao evitar-se os factores de risco podemos diminuir o risco de depressão e de outras doenças, aumentando a nossa qualidade de vida e conseguindo, desta forma, estudar sem colocar em risco a nossa saúde. Bons estudos e boa sorte! Ester Caldeira Aluna da UMa
Calhau da Lapa
O Calhau da Lapa localiza-se na freguesia de Campanário, concelho da Ribeira Brava. Este local é de fácil acesso, quer por uma vereda que se inicia junto à escola desta localidade, quer por mar, visto que o Calhau da Lapa dispõe de um cais. Este lugar dispõe de um restaurante e de algumas casas turísticas para alugar. Quanto às actividades de lazer destacam-se a praia e outras actividades relacionadas com o mar. Lá pode praticar-se o canyoning, já que a ribeira que desagua na praia está equipada para esta prática. No fim, os praticantes encontrarão uma imponente cascata de 100 metros, visível da vereda, que rasga a encosta rochosa. No que toca à praia, esta é constituída por calhau de grandes dimensões, pelo que o acesso ao mar é feito pelo cais. A especialidade do restaurante é dourada assada, pescada ao largo da costa e as refeições têm de ser reservadas com antecedência. Quanto à escolha do lugar para passar férias, é um local que tem para oferecer silêncio e tranquilidade, fugindo assim do barulho da cidade. Como ponto de interesse, existem pequenas furnas escavadas na rocha, certamente para o armazenamento de equipamento de pesca. Este lugar foi escolhido para passar umas miniférias no Verão, pois a prática do desporto radical é um dos meus interesses e também por ser um lugar resguardado. Quanto à comida, por apreciar e gostar muito de peixe digo ser um lugar em que se come muito bem. Aconselho vivamente este local para passar, quem sabe, um fim-de-semana. Cristina Teixeira
Escalas como instrumentos de medida
Os principais métodos de recolha de dados são as observações, as entrevistas, os questionários, as escalas, a técnica de Delphi, as videogravações, as check-lists, as descrições, etc. Instrumentos de medida ou técnicas de recolha de dados são os meios técnicos que se utilizam para registar as observações ou facilitar o tratamento experimental (Sousa, 2005). O investigador dispõe de uma grande variedade de métodos de recolha de dados. São de considerar alguns fatores na escolha de um instrumento de medida, em particular o nível de investigação e a acessibilidade dos instrumentos. Os principais métodos de recolha de dados são as observações, as entrevistas, os questionários, as escalas, a técnica de Delphi, as videogravações, as check-lists, as descrições, etc. As escalas são instrumentos de medida mais precisos que os questionários. De acordo com Fortin (2009) As escalas de medida são formas de autoavaliação que são constituídas por vários enunciados ou itens, lógica e empiricamente ligados entre si e que são destinados a medir um conceito ou uma característica do indivíduo (p. 388). Ao contrário dos questionários e das entrevistas, que servem para recolher uma informação factual, a escala de medida emprega-se sobretudo para avaliar variáveis psicossociais. A escala indica o grau segundo o qual os indivíduos manifestam uma dada característica. Serve, por exemplo, para determinar entre os participantes num estudo, os que apresentam tal atitude, tal motivação ou tal traço de personalidade. A escala de medida pode ser constituída por uma série de etapas ou comportar graus ou gradações. Os scores da escala permitem comparações entre os indivíduos em relação à característica medida. Uma escala comporta os seguintes elementos: a) Um enunciado pivô em relação a atitudes ou o fenómeno a avaliar (por exemplo, o estilo de liderança predominante); b) Uma série de algarismos que indicam graus na escala: «1, 2 … 5»; c) Categorias ou ancoragens que definem os graus ou escalões (por exemplo «1 = totalmente de acordo; 5 = totalmente em desacordo». As principais escalas utilizadas na investigação são a escala de Likert, a escala de diferenciação semântica e a escala visual analógica. A escala de Likert (método desenvolvido por Rensis Likert no início dos anos 30) é a mais usada para avaliar atitudes. Comporta uma série de enunciados que exprimem um ponto de vista sobre um tema. Os participantes indicam o seu grau de acordo ou de desacordo numa escala de intensidade com os diferentes enunciados. Por exemplo, “concordo bastante”, “concordo”, “indeciso”, “discordo”, “discordo bastante”, ou “nunca”, “quase nunca”, “indeciso”, “quase sempre”, ou “sempre”. A escala de Likert, para Fortin (1999) citado por Vilelas (2009), consiste na apresentação de uma série de proposições, devendo o inquirido, em relação a cada uma delas, indicar uma de cinco posições: concordo totalmente, concordo, sem opinião, discordo, discordo totalmente. De seguida, às respostas são adicionados scores individuais na escala. Atribui-se o score mais elevado +2 às respostas concordo totalmente, enquanto o score -2 será atribuído à resposta discordo totalmente. Referências e sugestões de leitura Fortin, M. (2009). Fundamentos e etapas do processo de investigação. Loures: Lusodidacta (pp. 388-394). Freixo, M. (2010). Metodologia científica: Fundamentos, métodos e técnicas (2.ª ed.). Lisboa: Instituto Piaget (pp. 205-213). Hill, M. & Hill, A. (2002). Investigação por questionário. Lisboa: Edições Sílabo (pp. 105-117). Sousa, A. (2005). Investigação em educação. Lisboa: Livros Horizonte (pp. 181-198). Vilelas, J. (2009). Investigação: O processo de construção do conhecimento. Lisboa: Edições Sílabo. António V. Bento Docente da UMa
Sushi nosso de cada dia
A moda veio, mesmo, para ficar. Tanto, que por esse País fora, multiplicam-se os restaurantes japoneses de japoneses, de chineses, ou os restaurantes de portugueses que abraçaram esta veia da cozinha. O sushi, como hoje o conhecemos, tem mais de 200 anos e assume-se como uma das iguarias mais in que se pode degustar. O sushi é originário do Japão e a sua criação está ligada a uma técnica de conservação do peixe em arroz avinagrado. Se, actualmente, a junção do arroz e do peixe fazem as delícias de muitos, outrora o arroz era colocado de lado. Hanaya Yohei criou o sushi que mais nos é familiar, não fermentado, composto por arroz e peixe da actual Baía de Tóquio, que era vendido em barracas. Desde essa altura, esta comida japonesa possuía baixas taxas de gordura e altas taxas de proteína, de vitaminas, de minerais e de ómega 3. Embora este seja, ainda, um factor primordial no sushi dos nossos dias, a verdade é que a criatividade tem invadido e modificado esta iguaria. Maionese, fruta, queijo e outros ingredientes têm sido adicionados ao tradicional. A moda veio, mesmo, para ficar. Tanto, que por esse País fora, multiplicam-se os restaurantes japoneses de japoneses, de chineses, ou os restaurantes de portugueses que abraçaram esta veia da cozinha. A maioria dos supermercados vende, simultaneamente, todos os utensílios e ingredientes necessários para desenrascar um bom sushi em casa. São aos milhares, os homens e mulheres deste país e deste mundo, que são chefes japoneses nas suas cozinhas. E depois, as redes sociais… Porque não há almoço ou jantar de sushi, em casa ou fora dela, em que não se tirem meia dúzia de fotos que vão diretamente para o Facebook ou para o Instagram. As cores, a textura, o conceito afecto, fazem as delícias de quem come e vê! No meio desta febre, são parcos os que se lembram que o sushi, por ser maioritariamente constituído por peixe cru, pode trazer alguns riscos, como a probabilidade de conter elevados níveis de mercúrio, parasitas, bactérias ou algum veneno característico de alguns peixes. Mas acredita-se, e muitos comprovam, que a cozinha japonesa está muito mais refinada e cuidada, estando, portanto, males destes bem longe dos nossos pratos. Na Madeira, ainda há pouco tempo, abriu mais um restaurante japonês. E a variedade já começa a ser significativa: restaurantes de sushi de japoneses e chineses, restaurantes de sushi de madeirenses e entregas de sushi em casa confeccionadas por outros madeirenses. E, claro, como não poderia deixar de ser, muitas famílias de onde brota um ou outro sushiman mais aguerrido. Consta até que o segundo melhor sushi fora do Japão está em Portugal, mais precisamente em território continental, em Almada! Pelas críticas, este pode ser um daqueles restaurantes mais dispendiosos, onde o sushi se apelida de alta qualidade e no qual, antes de mais, são os olhos e o nariz que comem! Mas não há que se apoquentar. Com uma pesquisa rápida, a Internet mostra-nos centenas de hipóteses disponíveis onde se poderá provar um bom peixe cru com algas, wasabi e soja. Primeiro estranha-se, depois entranha-se. E fica-se fã! Porque com a variedade que há, é (quase) impossível não aderir à moda. Vera Duarte Aluna da UMa
A retrospectiva do meu percurso na UMa
O meu trajecto no Ensino Superior iniciou-se em Setembro de 2012, quando entrei para em Línguas e Relações Empresariais. Passados quase dois anos e meio, estou a um semestre de concluir o curso e vejo-me na obrigação de admitir que a iminência do fim deste ciclo de estudos desperta em mim um misto de sentimentos. Não é sem certa nostalgia que recordo os primeiros dias de Praxe e me apercebo de que algumas das relações então estabelecidas desvanecerão dentro de alguns meses. Outras, naturalmente, perdurarão. Sentirei falta de algumas coisas como sejam o ocasional jogo de cartas ou as conversas no Skype, iniciadas para a realização de trabalhos de grupo, mas que inevitavelmente acabavam por degenerar em momentos de vulgar coscuvilhice, entre outros. Ainda assim, é com grande satisfação pessoal que revejo o meu percurso académico. Creio ser seguro dizer de que aproveitei ao máximo o meu tempo na UMa. Participei em formações e assisti a conferências e palestras de professores visitantes, nacionais e internacionais, sempre que oportuno. O meu interesse e a minha curiosidade levaram-me a desenvolver boas relações com os meus professores. Enfim, fiz por maximizar a minha aprendizagem tanto quanto possível. Acho, até, que foi exactamente pela minha atitude face à vida académica que consegui no Verão passado, ainda sem curso feito, um trabalho como guia nas históricas adegas Blandy’s Wine Lodge. Lá, pude comprovar em primeira mão o verdadeiro valor do Ensino Superior que é, não a preparação para tarefas específicas e obtenção de informações muito particulares, mas sim o desenvolvimento de capacidades de organização, de gestão e de raciocínio que permitam uma maior adaptabilidade às inconstantes exigências de um mercado de trabalho em mudança constante, como o é o dos nossos dias. Entretanto, as competências que desenvolvi quer na universidade, quer nas adegas têm-me sido úteis como voluntário da Associação Académica no projecto de visitas guiadas ao Colégio dos Jesuítas. Aliás, a minha colaboração com a AAUMa apesar de relativamente recente e comedida, tem sido motivo de grande prazer e é com gosto que colaboro com um grupo de estudantes tão proactivo. Resta-me enfrentar um último semestre na UMa enquanto me preparo para o mestrado em Linguística Aplicada que farei na Universidade de Nottingham onde a minha candidatura já foi aceite. Para a escolha desta segunda formação contribuíram imenso as oportunidades que tive na UMa de contactar com investigadores na área que me inspiraram a querer estudar mais para poder também, de futuro, dar o meu contributo. Estou ansioso por poder desenvolver e aplicar o que aprendi na UMa e será com grande orgulho que levarei o seu nome no meu currículo onde quer que vá. É certo que em Maio faz-se o corte, mas o que se corta são fitas e não laços, esses não se deixam romper facilmente e posso afirmar com confiança que levarei comigo os laços que estabeleci na Universidade da Madeira para a vida. João Bernardo Silva Aluno da UMa
Gonçalo M. Tavares e os clássicos em os velhos também querem viver
Em Sarajevo ou numa polis grega, o mito de Alceste é sempre desconcertante. A reflexão sobre a morte, em forma de sacrífico estóico, torna-se também uma meditação sobre o valor da vida. Na verdade, revisitar um mito clássico é mergulhar na nossa memória colectiva. O legado da Antiguidade Clássica tem-se exprimido, ao longo de muitos séculos, por meio de várias realizações humanas. Constituindo-se como elemento identitário, a mitologia é, sem dúvida, um dos melhores exemplos dessa pervivência. Continuamos a ouvir expressões como “bonito como Adónis”, “veloz como Aquiles”, “forte como Héracles”, “esperto como Ulisses”, “bela como Helena”, “canta como as Musas e toca como Orfeu”… Podemos, ainda, conduzir um “Clio”, aproveitar o programa passageiro frequente “Ícaro”, nadar no centro “Neptuno”, passear o cão “Argos”, comprar uma peça “Pandora”, beber uma água da marca “Fonte de Castália” no café “Apolo”, para de seguida ir ao estúdio de arquitectura “Dédalo”. Não faltam, de facto, exemplos. O nosso propósito, neste breve texto, porém, é o de nos concentrarmos no exercício intertextual de um autor da nossa literatura: Gonçalo M. Tavares (GMT). Uma das marcas temáticas da escrita de GMT, talvez o autor da nova geração de escritores da literatura portuguesa mais lido e premiado, é a do diálogo com a cultura clássica, sobretudo nas obras Histórias falsas, Uma viagem à Índia e, mais recentemente, Os velhos também querem viver. É precisamente sobre esta última que vos escrevemos. Inspirando-se na tragédia Alceste de Eurípides, GMT propõe-nos em forma de peça teatral – já levada à cena pela Companhia Cão Danado, com encenação de Cristina Carvalhal – a conhecida e dramática história da mulher (Alceste) que dá a vida pelo marido (Admeto). Sim, trata-se de uma história de amor que nos catapulta para, nas palavras de Frederico Lourenço, o “trágico no superlativo”, como sucede, por exemplo, na história de Hécuba, a mãe que assiste à morte da filha (Políxena) sem nada poder fazer e que encontra a boiar na praia o cadáver do filho mais novo, Polidoro, mas que depois se vinga, obviamente, no superlativo: não só arranca, com as suas próprias mãos, os olhos a quem lhe matara Polidoro, como, se isso não bastasse, ainda lhe mata os filhos. Muito chocante ou horrendo? Então é melhor nem falarmos das mães filicidas, Medeia e Procne! O trágico grego é, de facto, muitas vezes essa torrente irresistível que deixa o leitor/espectador desconcertado com a dimensão (des)humana. Apesar de usar a estrutura Prólogo>sequência de 4 cenas>Epílogo, integrando também a participação tão clássica do Coro, a verdade é que o texto literário de GMT não atinge a dimensão lírica do drama trágico grego, sobretudo ao nível do ritmo métrico. Deixando de parte estes e outros pormenores técnicos, directamente relacionados com o género literário, interessa-nos aqui, sobretudo, abordar a temática da obra. O título, Os velhos também querem viver, pode levar o leitor a pensar que se trata de uma reflexão gerontológica, numa altura em que tanto se fala e escreve sobre o envelhecimento da população europeia. Nada disso. GMT recupera um dos paradigmas do amor conjugal da mitologia clássica, a relação de Admeto e Alceste, para reflectir sobre temas universais, como o amor (conjugal, paternal, filial), a vida, a morte, a guerra ou o sacrifício. A história não decorre numa polis grega, mas em Sarajevo, umas das cidades mais massacradas pela Guerra dos Balcãs. Como milhares de homens, Admeto é atingido por um sniper. Prestes a morrer, Apolo permite-lhe viver, se em troca alguém morrer por ele (“A Morte tem de levar alguém, já se sabe”, p. 19). Em aflição, pergunta se alguém em Sarajevo quer morrer por ele, “mas ninguém aceitou, nem amigos, nem pai, nem mãe.” (p. 16). Só Alceste se sacrifica pelo marido. Esta aceitação gera uma dialéctica entre a morte moderna e a antiga, notando-se, parece-nos, na reflexão de GMT algumas marcas do pensamento filosófico de Séneca. Antes de transitar para lá da vida, a serva conta que Alceste pediu aos deuses que cuidassem das suas duas crianças e que fosse dado um casamento e glória para o filho e um casamento e honra para a filha. Além disso, suplicou que não morressem cedo e que não fossem felizes antes do tempo, se possível na terra pátria. GMT aproveita este momento, de nítida tensão dramática, para interromper a narração e, como num estásimo (uma das partes da tragédia grega), falar da realidade tão presente, nos nossos tempos, dos filhos que têm de sair de casa e do seu país. Mas Alceste tem também palavras para Admeto, seu marido: recorda-lhe que nem o pai, nem a mãe, aceitaram morrer por ele, mesmo sendo filho único (“Mesmo velhos, preferiram viver”, p. 29). Com essa opção, impediram, segundo Alceste, que os filhos crescessem com a mãe. Em troca do seu sacrifício, exige que Admeto jure nunca mais dar uma segunda mãe aos filhos. E, num ápice, morre. Este é, de facto, o momento, o clímax desta obra, bastante antecipado em relação ao que costuma ser normal no género. Não cabe neste espaço explorar outros elementos interessantes que ocorrem até ao final da obra: Admeto irado com o pai, Feres, por não ter dado a vida por ele; Feres a justificar ao filho que um velho também tem direito a viver e que já lhe tinha dado a vida, coisa que o filho jamais lhe poderia restituir; a intervenção de Hércules (grafia usada por GMT, embora, neste contexto helénico, ‘Héracles’ fosse mais correcto), qual deus ex machina, que resgata Alceste dos infernos para a fazer regressar à vida. O mito de Alceste, como se percebe, torna-se perturbante a vários níveis. Sendo Admeto um mortal, como permitiu, para adiar a morte certa, o sacrifício da sua mulher e, assim, deixar duas crianças sem a mãe? Como tem coragem Alceste para abandonar os filhos em prol do marido? É a vida de um jovem mais valiosa do que a de um velho? São estas e outras as encruzilhadas dos mitos clássicos. Imitados, renovados ou transformados nas várias áreas do
Combate e prevenção à Dengue
No contexto do Programa Juventude em Acção, a Associação Académica da Universidade da Madeira (AAUMa) criou um projecto denominado “Combate e Prevenção à Dengue”. O projecto teve como temas principais a saúde e a consciência europeia e pretendeu ir ao encontro dos objectivos do programa da União Europeia através do desenvolvimento da cidadania activa dos jovens, do estímulo do trabalho de equipa, do debate de ideias e da criatividade dos jovens, bem como, o aprofundamento dos conhecimentos da doença e as medidas preventivas e de combate à mesma. O projecto realizou-se em cinco sessões, compreendidas entre os meses de Novembro e Março. Com o fim do programa, a AAUMa entrevistou alguns dos intervenientes deste projecto de modo a obter as suas conclusões. Gonçalo Quintal Coordenador do projecto da AAUMa COMO SURGIU A IDEIA PARA O PROJECTO? R: Este projecto surgiu através de uma conversa informal entre jovens voluntários da Associação Académica da Universidade da Madeira que manifestaram grande preocupação relativamente às notícias e aos dados que revelaram uma rápida propagação do vírus da dengue na Região Autónoma da Madeira. Pelo facto de tratar-se de uma nova problemática, face à qual a população local ainda não disponha de muita informação, nem instrumentos suficientes para intervir, a nível individual e colectivo, o interesse por trabalhar nesta área surgiu de imediato. QUAL FOI O CRITÉRIO PARA A SELECÇÃO DA EQUIPA? R: O principal critério para a selecção da equipa foi o relacionamento interpessoal entre os coordenadores. O sucesso das diversas actividades realizadas em conjunto traduz o bom relacionamento interpessoal que mantemos no seio da estrutura representativa dos estudantes da Universidade da Madeira. A nossa experiência adquirida na organização de actividades e a vontade de intervir junto da comunidade foram também factores decisivos na escolha da equipa de coordenadores. QUAL É A IMPORTÂNCIA DESTE PROJECTO PARA A AAUMA? R: A Associação Académica da Universidade da Madeira tem como missão apoiar e formar os jovens estudantes da Universidade da Madeira. Por essa razão, este projecto foi um passo importante na oferta de uma maior formação sobre a problemática da dengue. Esta formação teve principalmente uma componente prática de aprendizagem não formal que envolveu jovens e desenvolveu as suas competências e aptidões em diversas áreas relacionadas com a saúde e o bem-estar social. QUAIS FORAM OS PRINCIPAIS ENTRAVES À CONCRETIZAÇÃO DO MESMO? R: Não existiram muitos entraves à concretização do projecto. O processo de candidatura para este projecto, que foi através da Comissão Europeia, foi talvez o principal entrave, não pela importância do tema, mas pela dificuldade que existe durante os processos de candidatura para os apoios europeus. São processos longos e que exigem um longo trabalho diário dos coordenadores do projecto. Durante o projecto existiram alguns entraves mas foram situações normais e resolvidas ao longo dos meses de desenvolvimento. QUAIS FORAM OS PRINCIPAIS OBJECTIVOS QUE DEFINISTE NO PLANEAMENTO DO PROJECTO? R: Os principais objectivos que definimos para o projecto foram: aprofundar os conhecimentos sobre a dengue; compreender as causas da doença; antever as hipóteses de expansão do vírus; enumerar atitudes preventivas e estimular a criatividade e empreendedorismo dos jovens com vista ao combate e prevenção do dengue. FORAM ATINGIDOS? (PARA OS QUE NÃO FORAM, QUAL A RAZÃO?) R: Sim. Através da criação de espaços de interacção entre os jovens das oficinas de trabalho, das acções de campo com permanentes debates, com troca de ideias e pontos de vista, sempre promovendo o livre acesso de todos os jovens independentemente da sua condição social, económica, geográfica ou das suas crenças religiosas, apoiando os jovens com dificuldades de mobilidade, sensibilizando-os para uma cidadania activa através da participação nas necessidades da comunidade local e do reforço da consciencialização social e europeia, o projecto foi ao encontro dos objectivos do projecto e das prioridades do Programa Juventude em Acção. QUAL FOI A ABERTURA DAS ENTIDADES EXTERNAS QUE FORAM ABORDADAS PARA COLABORAR NO PROJECTO (IASAÚDE, etc…)? R: As entidades externas que foram abordadas para colaborar no projecto tiveram uma grande abertura e sobretudo tiveram um papel muito importante no projecto. Devido ao recente surto do vírus do dengue na Ilha da Madeira, que preocupou todos os jovens e a população em geral, era fundamental que as estruturas públicas e privadas responsáveis pela prevenção e combate ao vírus unissem esforços com outras entidades que pretendem apoiar na prevenção como é o caso da Associação Académica da Universidade da Madeira. Aproveito esta oportunidade para agradecer aos nossos parceiros do projecto, o seu apoio foi fundamental. APÓS O TÉRMINO DO PROJECTO, ALGUM DESENVOLVIMENTO FUTURO EM MENTE? R: Após o término do projecto iremos continuar a colaborar com os parceiros nas temáticas relacionadas com a saúde. O nosso objectivo é continuar a promover projectos que auxiliem os estudantes universitários e que contribuam para o bom desenvolvimento da comunidade local. Ana Clara (IASAÚDE – Formadora nas oficinas de trabalho 1 a 4) COMO SURGIU O CONVITE PARA FAZER PARTE DO PROJECTO? R: O convite foi formalizado directamente pela Associação Académica da Universidade da Madeira (AAUMa), que apresentou a intenção ao Conselho Directivo do Instituto de Administração da Saúde e Assuntos Sociais, IP-RAM (IASAÚDE, IP-RAM), de conduzir este projecto. Dessa intenção foi possível, através de reuniões com os responsáveis do projecto na UMa, o IASAÚDE, IP-RAM, mais concrectamente o Departamento de Saúde, Planeamento e Administração Geral (DSPAG), ajudar a delinear o projecto, designadamente os temas e a dinâmica das oficinas de trabalho, bem como os prelectores. QUAL É A FUNÇÃO DO IASAÚDE NA SOCIEDADE, NO QUE DIZ RESPEITO À DENGUE? R: O IASAÚDE, IP-RAM é a estrutura regional responsável pela gestão e comunicação de risco para a saúde pública. A dengue é uma ameaça à saúde pública, à escala mundial, assim em termos de normativo e estratégia, o IASAÚDE, IP-RAM assume, a nível regional, o papel do órgão executivo nas ameaças transfronteiriças à saúde pública, nas quais se enquadra a dengue. QUE OBJECTIVOS RELATIVOS A ESTA TEMÁTICA É QUE ESTÃO DELINEADOS PARA O FUTURO? R: O plano de acção para a dengue na RAM resulta de