A Língua Materna

A 21 de Fevereiro, celebrou-se o dia da Língua Materna. A data recorda uns universitários de Língua Bengali mortos por defenderem a língua materna, no Paquistão, onde o Urdu era língua única.

A política linguística portuguesa é, aparentemente, a da defesa da língua nacional. Contudo, privilegia-se a língua franca em detrimento da língua materna. Mantendo-se esta propensão, nas próximas décadas, a Língua Inglesa (aportuguesada) poderá ocupar o lugar da língua materna. Ser poliglota é uma vantagem para os indivíduos que passam a “ver o mundo” sob diversos planos. Portanto, o problema não está em aprender Inglês, mas no facto de sobrevalorizar uma língua, desvalorizando as restantes.

Há ideias estereotipadas. Repete-se, sem se comprovar, que o Inglês é fácil e que o Português é uma língua difícil. Não há nada de mais erróneo. Nenhuma língua será fácil ou difícil porque todas necessitam de aprendizagem. Estudar a gramática inglesa comprova-o. Ser linguisticamente competente diverge de conhecer as bases de um idioma. Logo, um cidadão tem de dominar a sua língua materna e de conhecer línguas estrangeiras, para o caso de necessitar delas. Todavia, o grau de conhecimento de uma e das outras será diferente.

Quanto melhor conhecer a sua, mais capaz será de defender os seus direitos. Para que isso aconteça com os falantes de qualquer nacionalidade é indispensável o estudo da língua materna e muitos sentem dificuldades nessa aprendizagem. É o caso para quem hesita na escrita de “feminino” ou “misto”.

1.

Não se pode confundir o artigo ……………….. “a” com a preposição homófona e homógrafa.

Preencher o espaço com a forma certa: feminino / femenino.

Solução: Não se pode confundir o artigo feminino “a” com a preposição homófona e homógrafa.

Explicação: Quanto ao género, a gramática portuguesa distingue os elementos femininos dos masculinos. Alguns são fáceis de classificar, mas outros exigirão estudo, como sucede com “a aluvião”, que é do género feminino, embora haja quem use o masculino. O termo “feminino” tem origem latina em “femininus, a, um”. Possui quatro vogais e existe uma tendência para hesitar na segunda, talvez devido à pronúncia. Em vez de , como no étimo, há quem opte por . Se não se chamar a atenção de quem erra, a falha nunca será corrigida porque “quem não sabe é como quem não vê”.

2.

No restaurante, vamos pedir um ………………….. de peixe.

Preencher o espaço com a forma certa: mixto / misto.

Solução: No restaurante, vamos pedir um misto de peixe.

Explicação: Hesitar entre “s” ou “x” em vocábulos como “misto” é frequente. Aliás, na etimologia latina, havia as duas possibilidades com “mixtus ou mistus, a, um”, sendo provenientes do particípio passado do verbo “misceo, es, scui, xtum ou stum, scere”. Na História da Língua Portuguesa, houve fases em que se escreveu com “x”. A norma optou por “s”. Se a hesitação subsiste, pense-se que a sequência < -ixt -> não é caracteristicamente portuguesa. Quando se aprende, fica-se a saber.

Helena Rebelo
Docente da UMa

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