Estatutos da Universidade da Madeira
Atualmente é preciso proceder à implementação dos novos Estatutos, alterando os regulamentos necessários e pondo em funcionamento os Conselhos de Curso Os Estatutos da UMa foram revistos em julho de 2015. O interesse do País e da Região na oferta dos novos cursos técnicos superiores profissionais (CTeSP), cuja realização só é permitida a institutos politécnicos ou a unidades politécnicas integradas em universidades, tornou inadiável a alteração dos Estatutos, com a criação de uma nova unidade politécnica. Tal foi aproveitado para efetuar outras modificações convenientes e, em particular, para reformular a participação dos funcionários não docentes e dos estudantes nos órgãos da Universidade. Seguem-se as principais alterações. Unidades orgânicas,colégios e cursos As unidades orgânicas deixam de ser denominadas de Centros de Competência, passando a Faculdades ou Escolas Superiores, conforme se trate de ensino universitário ou politécnico, podendo organizar-se em Departamentos. O Centro de Competência de Tecnologias da Saúde passa a Escola Superior de Saúde, traduzindo melhor a sua esfera de ação, e é criada a Escola Superior de Tecnologias e Gestão, permitindo, em particular, oferecer CTeSP em áreas distintas da saúde. Os Colégios são extintos, transitando a generalidade das competências dos seus Presidentes para os Presidentes dos Conselhos Pedagógicos, Universitário e Politécnico, os quais continuam a ser nomeados pelo Conselho Geral. Clarifica-se a coordenação científica e pedagógica dos ciclos de estudos, uniformizando-a e simplificando-a, estabelecendo-se que todos os cursos conferentes de grau são da responsabilidade de uma unidade orgânica, faculdade ou escola conforme se trate de cursos de ensino universitário ou politécnico, e que os CTeSP são da responsabilidade das escolas. Participação dos funcionários não docentes O Conselho Geral passa a incluir um representante dos trabalhadores não docentes. A representação dos trabalhadores não docentes no Senado deixa de estar restrita aos administradores e aos diretores de serviço. Participação dos estudantes Reduz-se de 70 para 30 o mínimo de subscritores das listas de estudantes para o Conselho Geral. Procura-se aproximar os estudantes dos seus representantes, construindo a sua participação nos restantes órgãos a partir de Conselhos de Curso. Concretamente: · São criados Conselhos de Curso constituídos por um aluno de cada ano curricular, eleito pelos seus pares, e igual número de docentes indicados pelas unidades orgânicas. · O diretor de Curso é eleito de entre e pelos docentes do Conselho e o representante dos estudantes é eleito de entre e pelos estudantes do mesmo Conselho. · O diretor e o representante dos estudantes dos ciclos de estudos da responsabilidade de cada unidade orgânica formam o seu Conselho Pedagógico. · Os Conselhos Pedagógicos das unidades juntam-se, formando os Conselhos Pedagógicos Universitário e Politécnico, com o objetivo de uniformizar critérios e regulamentos, deliberando sobre problemas genéricos e não específicos a um dado curso. · Os estudantes de cada um destes dois Conselhos elegem, de entre si, três representantes ao Senado, que se juntam aos três estudantes indicados pela AAUMa. Atualmente é preciso proceder à implementação dos novos Estatutos, alterando os regulamentos necessários e pondo em funcionamento os Conselhos de Curso, que terão um papel fundamental no incremento da participação dos estudantes na vida académica. José Carmo Reitor da UMa
O fura-bardos, a ave mais misteriosa da Madeira
O fura-bardos é, provavelmente, a ave mais misteriosa da Madeira, ainda para os observadores mais experientes. É uma das três aves de rapina residentes no nosso arquipélago, nomeadamente em ambientes florestais. Além da Madeira, também é residente de cinco ilhas das Canárias. Durante 2015 é o grande protagonista da SPEA, a Ave do Ano. Esta ave é uma subespécie da região macaronésica (Accipiter nisus granti) e tem algumas características próprias: uma plumagem mais escura no dorso e mais listrada no ventre do que seus parentes continentais. Apresenta também diferença sexual entre machos e fêmeas, sendo elas de maior tamanho. Na Madeira, o fura-bardos reproduz-se entre fevereiro e agosto, sendo nesta altura mais fácil a sua observação. É uma ave territorial e todos os anos constroem um ninho novo próximo do ano anterior, mas às vezes podem reformar um antigo. Os últimos incêndios ocorridos na Madeira, assim como a expansão de plantas invasoras em áreas de Laurissilva, têm diminuído consideravelmente o habitat potencial para a ocorrência desta subespécie prioritária listada no anexo I da Diretiva Aves, sendo crucial tomar medidas urgentes para a sua conservação. Com o projeto LIFE Fura-bardos, a decorrer desde 2013 até 2017, coordenado pela SPEA em parceria com o SPNM, DRFCN e SEO e financiado pela Comissão Europeia, pretende-se definir medidas que garantam a conservação do fura-bardos e a restauração ecológica do seu habitat, a Laurissilva da Madeira. SPEA Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves
O professor ideal
O primeiro dia de aulas é sempre vivido com uma enorme ansiedade. É o dia de conhecer colegas novos, professores novos, uma faculdade nova. O mais importante é saber lidar com tudo isto, numa fracção de segundos. É o caso dos professores, é deles de quem temos grandes expectativas. Entrámos na sala de aula, é a primeira unidade curricular. Entra o professor(a) e ficam apurados os sentidos visuais e auditivos. É importante estar atento ao que ele diz, e saber observar os gestos. Será este o professor ideal? Saber escutar, fazer-se entender, saber explicar a matéria, são qualidades apreciadas num professor. O professor ideal está nos olhos de cada um, mas há aspectos que todos os estudantes idealizam e apreciam. E que aspectos serão esses? Aquele professor que se interessa pelo bem-estar do aluno, que o motiva a aprender e a não desistir é sem dúvida um exemplo. O professor que sabe e exemplifica a matéria de uma maneira simples tem uma vertente importante durante o percurso académico do aluno. Estes professores são uma fonte de inspiração. Há aqueles que chamamos os professores porreiros, entramos na sala, ele explica-nos a matéria de uma forma muito subtil e ainda há espaço para a descontracção. E por último, temos os professores exigentes, os que os alunos mais temem quando entram dentro de uma sala de aula. Que dor de cabeça, só de pensar na maneira como irá agir na apresentação ou quando eu decidir participar sob a matéria. Pela exigência, são estes os professores que, no fim de curso, são importantes no nosso crescimento enquanto pessoa e estudante. Não há professores perfeitos. Sabemos que durante a vida académica criamos uma maior empatia com alguns do que com outros. Mas a qualidade de ensino começa no professor. Ter bons professores é um grande passo para tornarmo-nos excelentes profissionais. Cristina Teixeira
A sustentabilidade das Tradições Madeirenses
São muitos os elementos naturais que se mantêm na arte decorativa popular, embora nos últimos anos substituídos, aos poucos, por novos elementos importados de outros povos. A população da Madeira tem orgulho nas suas tradições, registos dos costumes dos seus antepassados ao longo dos tempos. Durante o ano são várias as “Festas” pagãs e/ou religiosas que se sucedem em diferentes momentos do calendário como a época natalícia, festas regionais e locais, como os arraiais que proliferam pelas ilhas da Madeira e do Porto Santo e que são momentos de reflexão e momentos de diversão. Neste sentido os madeirenses desde sempre aproveitaram os recursos naturais (recursos recolhidos na Natureza) para decorar as suas “Festas” – as “lapinhas” (rochinha ou em escadinha – altares), os arcos e os tapetes das festas religiosas, as “barraquinhas” de comes e bebes, os enfeites das romagens. São muitos os elementos naturais que se mantêm na arte decorativa popular, embora nos últimos anos substituídos, aos poucos, por novos elementos importados de outros povos ou porque a cidadania e a responsabilização ambiental são cada vez maiores. No entanto, tudo é pouco em prol do equilíbrio, entre a preservação dos costumes e a necessária preservação da Natureza que nos rodeia e dos ecossistemas em que vivemos. Na atualidade é urgente ser-se um cidadão responsável, mobilizado para a defesa das causas ambientais, do equilíbrio Natureza-Homem. Aqui ficam algumas notas para que possamos “Prevenir… para Proteger!” 1 Os elementos naturais mais utilizados nas tradições madeirenses são os musgos (diversas espécies), os líquenes, o azevinho, o alegra-campo, os ensaiões, os fetos (como as cabrinhas), a areia amarela do Porto Santo, as rizoconcreções das Dunas da Piedade, algumas rochas extraídas de grutas vulcânicas, ou a pedra de cantaria de diversas tonalidades (património protegido). 2 Também são utilizados “socas” de cana-vieira, “searinhas” – pequenos vasos de milho, trigo, lentilha, ervilha, favas e tremoços, frutas da época – as tangerinas, os pêros e as laranjas; 3 A ornamentar uma “lapinha”, uma árvore de natal e as festas e romarias em geral, lembre-se sempre que: · Os musgos são pequenas plantas que contribuem para a proteção do solo, para a retenção de grandes quantidades de água (elevada humidade) e que a sua recolha, sem regras, causa impactos negativos na proteção dos solos e na segurança das populações; · Os líquenes são seres vivos que também retêm grande quantidade de água contribuindo para o potencial hídrico de uma dada região; · O alegra-campo (Semele androgyna) é uma planta trepadeira que vive na Floresta Laurissilva do Barbusano, é uma espécie indígena da Madeira e Canárias e protegida; · O azevinho é uma espécie protegida a nível nacional, apesar de ser exótica na Madeira. · O feto – “cabrinhas” (Davallia canariensis) – é uma espécie indígena da Madeira e protegida. · A areia amarela da Ilha do Porto Santo é um recurso não renovável, que é afetado pela ação do Homem e das frequentes tempestades. · Prefira os elementos que podem ser semeados, ou cultivados, cuide da sua “árvore” em vaso, adquira produtos certificados; · Utilize elementos artificiais que podem imitar os naturais, utilize materiais recicláveis ou reutilizáveis. Aproveite algumas plantas exóticas de jardim ou invasoras contribuindo para o controle ambiental; · Cumpra as boas práticas ambientais; · Inove e utilize a sua criatividade para manter as tradições de modo sustentável…contribua para a PRESERVAÇÃO DO PLANETA TERRA, A NOSSA ÚNICA CASA! Direção Regional de Florestas
Crescer é um desafio
Caberá a cada um fazer a sua escolha porque crescer é um desafio. A maioria dos jovens reconhece que as drogas fazem mal à saúde e julga-se bem informada sobre os riscos do seu consumo. Mas muitos são mestres em arranjar desculpas para fumarem só mais um cigarro, beberem só mais um shot, darem só mais uma passa. Só mais uma vez, só mais uma noite, só mais um fim-de-semana, só durante as férias, dizem eles. “É claro que tenho medo…”, relatava-me Duarte, pai de um adolescente de 17 anos, durante uma acção de sensibilização. “…que o meu filho possa consumir drogas, ou tornar-se delas dependente. É esse o meu maior medo”. Duarte acompanha o filho na escola, conhece muitos dos seus amigos e os respectivos pais, vão ao cinema e fazem programas em conjunto ao fim-de-semana, no entanto, sabe que o seu filho é como os outros jovens, tem as mesmas tentações e está sujeito às mesmas pressões. Importa-lhe saber que esta ou aquela droga lhe possa vir a fazer, mas importa, sobretudo, a ideia de que o seu filho possa não ser capaz de encontrar dentro de si os recursos necessários à sua felicidade e, em lugar de a construir, entre perigos, guerras esforçadas, frustrações e muitas desilusões -, como a maioria de nós o fez – se limite a consumi-la em versão – “pronto a ser feliz”. Por vezes questiono os jovens com quem trabalho “se consomem drogas”. São alguns os que me relatam, por exemplo, já ter fumado, ou fumar ocasionalmente haxixe. Não são a maioria, não são “todos”, mas de facto o fenómeno conhece uma generalização a nível europeu e nós não lhe escapamos. Para alguns foi uma experiência, para outros foi um consumo ocasional, para outros, ainda, o consumo tornou-se regular. Não existem drogas boas ou drogas más. Existem drogas. A evidência científica diz-nos que o consumo precoce destas substâncias explica-se por um conjunto de factores. Os jovens começam a sair à noite cada vez mais cedo, o tabaco surge com naturalidade num grupo de amigos, a acessibilidade ao álcool é enorme, o controlo parental nem sempre existe, a pressão do grupo com o qual os jovens se identificam é grande. O saber “dizer não” implica tomar decisões, ter uma certa maturidade para resistir, atitude que alguns não conseguem, efectivamente, ter. É na adolescência que os jovens se sentem mais tentados em explorar novas sensações e procuram fazê-lo junto do grupo com o qual se identificam. É evidente que a diversão é algo fundamental e faz parte do ser humano a socialização, o estar integrado num grupo. Dizem os mais velhos, que no seu tempo de juventude, viajavam menos, ou nem viajavam, passavam o tempo em casa ou na rua e saía-se pouco, iam às matinés. Actualmente, os jovens tendem a sair muito mais, têm mais opções de diversão e este é um processo normal de uma sociedade em evolução e mudança. Instituto de Administração da Saúde e Assuntos Sociais, IP-RAM.
Eu sou mulher: o AVC afeta-me
“Seis em cada dez mortes causadas por AVC ocorrem em mulheres.” A cada 6 segundos morre uma pessoa devido ao Acidente Vascular Cerebral (AVC), a cada outro segundo uma pessoa tem um AVC. Independentemente da idade e do sexo, 15 milhões de pessoas têm um AVC a cada ano, sendo que 6 milhões não sobrevivem. Cerca de 30 milhões de pessoas já tiveram um AVC, a maioria delas com incapacidades residuais. Por trás destes números estão vidas reais. Este alerta é-nos feito pela World Stroke Organization (WSO) que, para a sua campanha mundial do AVC 2014-2016, escolheu o tema “Eu sou mulher: O AVC afeta-me”. Esta escolha explica-se pelo facto de existir uma percentagem significativamente mais elevada de mortalidade nas mulheres do que nos homens. “Seis em cada dez mortes causadas por AVC ocorrem em mulheres, em grande parte porque o AVC ocorre mais tarde na vida nas mulheres, quando é mais perigoso” alerta a WSO, que apela ao apoio de todos para que esta “seja mais uma campanha de sucesso”. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), todos os anos morrem 3,2 milhões de mulheres devido ao AVC, valor que não inclui um largo número de mulheres que ficam com incapacidades para o resto da vida. Em Portugal, o AVC é a primeira causa de morbilidade e de incapacidade prolongada, colocando em risco 85% da população. Em 2012, a taxa de mortalidade padronizada por AVC para mulheres com idade inferior a 65 anos situou-se entre os 5 a 10 óbitos, por 100.000 (DGS, 2014). Este facto obriga-nos a dar maior atenção não só à prevenção, através da sensibilização de comportamentos de risco, como ao reconhecimento de alguns sinais de alerta. Este risco mais elevado das mulheres sofrerem um AVC está associado a uma maior incidência de dores de cabeça, depressão, diabetes e perturbações do ritmo normal cardíaco. Hábitos pouco saudáveis, hipertensão mal controlada, tabaco, excessos alimentares e obesidade, são alguns dos fatores de risco para um AVC, que poderá acontecer de forma silenciosa numa faixa etária geralmente a partir dos 40 anos de idade, e sobretudo entre os 65 e os 79 anos. Solidária com esta causa, a Universidade da Madeira, através da Escola Superior de Saúde, vai levar a efeito várias iniciativas inseridas no Dia Mundial do Doente com AVC, a 29 de outubro de 2015, nomeadamente com conferências assim como um rastreio sobre fatores de risco (TA) em vários pontos da cidade do Funchal pelos alunos do Curso de Licenciatura em Enfermagem voluntários. Qualquer que seja a sua condição, idade e sexo, convidamos a participar para melhor conhecer e proteger a saúde. Referências e sugestões de leitura · Direção-Geral da Saúde (2014). Portugal Doenças Cérebro-Cardiovasculares em números – 2014. · World Stroke Organization (2015). Campaign Advocacy Brochures. · World Stroke Organization (2015). Facts and Figures. Equipa PEV’s
A Psicologia nas situações de Endividamento e de Sobre-endividamento
O contributo da Psicologia não se limita apenas à compreensão dos comportamentos de consumo e endividamento, mas também a intervenção no âmbito da prevenção. As situações de Endividamento e Sobreendividamento constituem um fenómeno social que tem afectado uma grande parte da população em geral, com profundas implicações, não só, a nível económico e familiar, mas também a nível psicológico. De acordo com algumas investigações recentes, o descontrole financeiro e o endividamento não dependem, apenas, directamente do rendimento mensal do individuo, reflectindo antes, os apelos exacerbados da sociedade de consumo. Tais apelos comportam o risco de se revelarem nocivos ao próprio indivíduo, potencializando o consumo desenfreado, inclusivamente de bens supérfluos. Diante da impossibilidade da realização dos desejos, os sujeitos sentem-se frustrados. Em tais situações, e numa tentativa de compensação subjectiva, tendem a contrair novas dívidas, entrando num verdadeiro ciclo vicioso. A representação da existência de dívida traz ainda uma mensagem implícita, quase subliminar, de que o sujeito falhou não só na gestão das suas finanças, mas também na sua vida, aos mais variados níveis. Atendendo a este facto, o Serviço de Defesa do Consumidor (SDC) através da Unidade Técnica de Apoio ao Endividamento e Sobreendividamento (UTAES), a quem cabe prestar o aconselhamento financeiro e jurídico aos respectivos Consumidores, tem-se confrontado, nos últimos anos, com um aumento significativo deste tipo de situações, as quais, em muitos casos reclamam o necessário de apoio psicológico. Neste contexto, de acordo com o referido na alínea c) do n.º 2 do artigo 3.º da Portaria n.º 312/2009, de 30 de Março, que visa regular o regime aplicável ao reconhecimento dos sistemas de apoio ao sobreendividamento, “(…) os quais, devem garantir um elevado rigor técnico na elaboração dos planos de apoio ao sobreendividamento, através da supervisão do sistema por profissionais formados em Direito, Economia e Psicologia (…)” determinou a inclusão no âmbito de intervenção da UTAES, da área de Psicologia, enquanto subsistema de apoio às necessidades dos consumidores da Região Autónoma da Madeira (RAM), tendo como principal objectivo, prestar apoio psicológico individual aos cidadãos que se encontrem neste tipo de situações. Nesta perspectiva, o papel do psicólogo assume particular importância nesta matéria, uma vez que visa, não só a consciencialização do consumidor relativamente ao seu padrão de consumo e das suas motivações, mas também, no auxílio da adequação dos objectivos e prioridades financeiras do indivíduo, às suas disponibilidades orçamentais. O contributo da Psicologia não se limita apenas à compreensão dos comportamentos de consumo e endividamento, mas também a intervenção no âmbito da prevenção, mediante a escolha de medidas e instrumentos mais eficazes na formação de uma sociedade mais conhecedora dos mecanismos de funcionamento de crédito e mais consciente dos compromissos que assume. Num mundo globalizado em que se detecta uma tendência dominante da prevalência do “tecnocrático” sobre tudo o mais, é da maior importância travar tal ideia, humanizando a acção dos Serviços Públicos, com a consciência de que o que está em causa são pessoas em situação vulnerável, cujo apoio ultrapassa o mero aconselhamento financeiro. Serviço de Defesa do Consumidor
Investigação: Apresentação e análise dos dados
Terminada a fase da recolha dos dados, segue-se a sua apresentação e interpretação à luz das questões de investigação ou das hipóteses formuladas. Segundo Reis (2010), a análise dos dados é o processo sistemático de pesquisa e de organização de transcrições de entrevistas ou de outros instrumentos de recolha de dados, com o objetivo de aumentar a compreensão desses materiais e de permitir apresentar o que se conseguiu com o trabalho de investigação (p. 114). Consiste, de igual modo, em categorizar e examinar esses dados de acordo com os objetivos e hipóteses previamente formulados. Atente-se que se devem comunicar os resultados que têm relação direta com as questões de investigação ou as hipóteses. De acordo com o tipo de estudo, os resultados dizem respeito tanto à descrição das variáveis e das suas relações, como à confirmação ou rejeição das hipóteses que foram testadas, com a ajuda de análises estatísticas. Na análise descritiva dos dados, o investigador indica as características comuns dos sujeitos que constituem a amostra. Na análise inferencial, o investigador verifica hipóteses de associação ou de causalidade, com a ajuda de testes estatísticos, a fim de determinar a natureza das relações entre variáveis ou a significação das diferenças observadas entre os grupos em situações controladas. Neste contexto, a análise dos resultados consiste em examinar de perto o conjunto dos resultados e em extrair o essencial de forma a abrir a via da interpretação. Na análise descritiva, consideram-se os dados que permitem caracterizar a amostra e estes são avaliados com a ajuda de medidas de tendência central e de dispersão. No que concerne às análises inferenciais, que tratam exclusivamente de verificação de hipóteses, consideram-se os diferentes teste estatísticos (correlação r, teste t de Student, análise da variância, etc.) utilizados para a verificação e os resultados que daí decorrem. A interpretação dos resultados é frequentemente considerada uma etapa difícil pelo facto de exigir um grande esforço de reflexão, o que pressupõe um exame crítico do conjunto do processo de investigação. O investigador analisa e interpreta os resultados situando-os no contexto do estudo e confrontando-os com os de outros trabalhos já publicados. Faz emergir as ligações entre resultados obtidos e as questões de investigação, ou as hipóteses formuladas. Em síntese, a análise envolve o estudo dos dados, a sua organização, divisão em unidades manipuláveis, síntese, procura de padrões, descoberta de aspetos importantes e do que deve ser aprendido e a decisão sobre o que vai ser transmitido aos outros. Referências e sugestões de leitura Reis, F. (2010). Como elaborar uma dissertação de mestrado. Lisboa: Lidel – Edições Técnicas. Fortin, M. (2003). O processo de investigação: Da concepção à realização. Lisboa: Lusociência (pp. 329-338). António Bento Professor da UMa
Afinal, o que significa estudar na Ilha da Madeira?
Para alguns é apenas um prolongamento do Secundário que culmina num mero estatuto social. Para outros, uma aventura! A Universidade da Madeira e outras instituições de ensino superior madeirenses possuem uma vasta oferta formativa para variados gostos, possibilidades e contextos. Mas será que estamos em pé de igualdade com o território continental, ou até mesmo internacional? Para quem chega, a ilha pode revelar-se o palco de uma cultura tradicional onde o choque se preconiza numa adaptação lúdico-urbana. A verdade é que o local de origem do estudante condiciona a sua experiência, fazendo das expectativas cenários onde há sempre lugar para a redescoberta e a permuta de conhecimentos nos demais contextos e interações. No ponto de vista dos pais ou tutores, o facto de os seus filhos permanecerem na ilha traz certas vantagens como: A segurança nas ruas, a quietude social, o aconchego familiar e o factor económico. Contrariamente, o custo de oportunidade de não ingressar em centros com ranking superior, a oferta limitada e o plano de estudos, que poderá não estar de acordo com o que pretendemos aprender, surgem no outro prato da balança. Mas estudar não é apenas sinónimo de conteúdo académico! Significa igualmente um caminho onde cada experiência conta. A ilha da Madeira proporciona um vasto leque de possibilidades: desde os centros históricos, à arquitetura que vagueia entre o antiquado e o contemporâneo, às altitudes que sustêm a respiração, às calçadas, aos jardins, aos sotaques, aos ínfimos recantos desta ilha haverá sempre conhecimento a transbordar! E tudo isto provoca a crítica e a audácia num estudante. Seja qual for a razão que leva um aluno a permanecer ou a viajar para esta ilha, não sairá sabendo menos do que antes, e deve antes entender que em cada palavra de um docente há algo a algum fundamento de erudição. Natália Guiomar Barbosa
Erasmus in Finland
It may sometimes be complicated to live abroad because of the cultural aspect, BUT, don’t be afraid. Last year, I went to Finland for my Erasmus. I stayed in Turku (2 hours by bus from Helsinki) for 6 months, and I tried to fit in well in the Finnish culture. Before going there, I checked some tips and tricks about this unknown country on the internet. The same way I read stereotypes about the Portuguese before coming here, I also read a lot of funny (and other not funny) things about the Finns… Let’s talk about stereotypes. I was thinking that the Finnish people were rude, impolite, and unable to share their feelings. I considered that they were old bears listening to metal music and drinking vodka the entire day. It’s true that the Finnish language is not as beautiful as the French language, and that it sounds unpleasant, BUT I will give you some good reasons to visit Finland anyway. First, they all have a sauna in their houses. This is a really good advantage. They are a little bit crazy because most of the time, after the sauna, they all jump in the cold water (in the lake, the Baltic Sea, snow or whatever). They always go naked to the sauna, even if they do it with business associates because it gives them the possibility to forget the hierarchy. About the daylight, in June and July, the sun doesn’t drop below the horizon and the temperature is around thirty degrees, you can party all night long without feeling that it’s time to sleep! the winter, on the contrary, is really hard. The temperatures are around minus thirty degrees you can walk on the frozen Baltic Sea. It is snowing all the time and you can build a snowman and throw snowballs on your friends. It was in Finland that I saw the quietest and most beautiful landscapes I have seen in my life. Everything seems blue (the sky and the sea) white (the snow) and green (the forest). Landscapes are gigantic and huge. It’s easy to go on a trip around Finland because there are a lot of countries. I went to Russia, Lapland, Aland Island, Sweden, Latvia, and Estonia. I also used a Couchsurfing website to meet people in each city where I stayed, and visited tourist attractions and other places “not meant” for tourists. It’s hard to make friends with a Finn. I do not mean this against the people themselves, just in a cultural sense. They usually don’t speak too much and boys are shy, they never hit on you. Which means it is girls’ turn to go and make a move on them, and well, why not? – For me, and having a double of actor Channing Tatum in my English course, this was not a problem. One of the stereotypes about Finns is truly true… They LOVE VODKA. In some bars or places you can ask to have a bucket with a cocktail of vodka inside. Most of the students (even me) take a cheap ferry (to go to Estonia or Latvia) and buy alcohol Duty-free – meaning that we can buy alcohol and not pay any taxes. So, to conclude, I would say that any experience can be a good experience to have. It may sometimes be complicated to live abroad because of the cultural aspect, BUT, don’t be afraid, I can say in full honesty that this kind of program has given me one of the best experiences in my life. This is the opportunity to meet some new friends, and to feel free! Léa Fricot Students’ Union French Volunteer Project co-financed by ERASMUS+