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Para que serve a História da Arquitectura

Alguém se lembra que, no seu plano de 1915, Ventura Terra planeava construir uma avenida sobre a ribeira de João Gomes e um casino no cais da Pontinha? Para que serve a história da Arquitectura? Costuma dizer-se que aqueles que não aprendem com o passado estão condenados a repeti-lo. Um cidadão bem informado sobre a história da cidade onde vive e a da sua Arquitectura é, certamente, capaz de tomar melhores decisões sobre ela do que um ignorante. Vem isto a propósito das exposições que a Delegação da Madeira da Ordem dos Arquitectos levou a cabo este ano na sua sede: a primeira sobre o Plano Director de Rafael Botelho (1969-72) e a segunda comemorando os 100 anos do Plano de Melhoramento de Ventura Terra (1915). Ambas deram a conhecer matéria relevante sobre o Funchal do século XX: os planos metidos na gaveta, os que viram a luz do dia, as boas e as más decisões tomadas pelos nossos pais, avós e bisavós. Quem se atreveria a dizer que nada há a aprender com as gerações que nos precederam? Alguém se lembra que, no seu plano de 1915, Ventura Terra planeava construir uma avenida sobre a ribeira de João Gomes e um casino no cais da Pontinha? E que, em 1959, o urbanista Faria da Costa propunha a demolição integral do bairro de Santa Maria do Calhau substituindo-o por blocos habitacionais que atingiam os 10 pisos de altura? Estas e outras ideias mirabolantes fazem hoje parte da história do Funchal e constituem um capital de conhecimento que importa não esquecer. Outras houve que nos fazem lamentar o facto de nunca terem sido realizadas. É o caso, por exemplo, do arranjo de invulgar qualidade que o paisagista Francisco Caldeira Cabral apresentou, em 1942, para a Avenida do Mar, entre o Largo dos Varadouros e o Forte de São Tiago: uma ampla faixa arborizada corria ao longo da praia; o antigo Campo Almirante Reis transformava-se num vasto jardim que incluía o Arsenal (onde hoje está instalado um hotel de Arquitectura medíocre); e, visualmente, todo este corredor verde à beira-mar culminava no magnífico perfil dos baluartes de São Tiago. Que bela seria hoje a Avenida do Mar se este projecto se tivesse cumprido! Infelizmente, a avenida idealizada por Ventura Terra em 1915, em vez da praia, como acontece nas suas congéneres europeias – o Paseo de la Concha em San Sebastian, ou as Promenades des Anglais em Nice e a de la Croisette em Cannes – foi vendo nascer a seus pés outras amenidades: uma marina, o barco dos Beatles, uma E.T.A.R, um balão e, por fim, em 2010, o produto de uma aluvião. A aluvião foi, é certo, uma tragédia. Poderia, todavia, ter-se transformado numa oportunidade. Terramotos, incêndios, aluviões – as catástrofes foram sempre ocasiões para as cidades se repensarem e, por vezes, mesmo, renascerem. Não foi o que aconteceu no Funchal. A incapacidade de compreender o que significa um boulevard marítimo, uma tipologia urbana oitocentista com características muito precisas – lá está, a ignorância da história da cidade e da sua arquitectura – levou a que se tivesse encarado a frente-mar como um problema de engenharia marítima e hidráulica, do qual fazia parte a criação de um novo cais de acostagem. Grossa asneira. Os resultados (e os tetrápodes) estão hoje à vista de todos. Rui Campos Matos Ordem dos Arquitectos – Secção Regional Sul (Delegação da Madeira)

Mitos clássicos, hermafroditas e andróginos: um desafio?

De acordo com a versão de Ovídio, Hermafrodito era filho, como o nome indica, dos deuses Hermes e Afrodite. Poucas categorias se terão mostrado, ao longo dos séculos, tão estranhamente e ao mesmo tempo estáveis como as de sexo e género. Ainda que a dicotomia homem/mulher, macho/fêmea seja considerada “natural”, por se basear em características biológicas, não deixou de com frequência se mostrar insuficiente. Alguns mitos clássicos problematizam esta diferenciação, apresentando uma reflexão acerca da forma como os traços biológicos associados à noção de sexo condicionam as expectativas culturais que configuram o conceito de género. Por esta razão, seres que reúnem elementos dos dois sexos afloram aqui e ali na mitologia, desafiando o que os Gregos consideravam ou “feminino” ou “masculino”. Seres hermafroditas como o próprio Hermafrodito ou como o andrógino do Banquete de Platão revelam os sinais de uma análise mais ou menos coerente da necessidade social do outro, do anseio pela “cara-metade” enquanto base fundamental da existência humana. De acordo com a versão de Ovídio, Hermafrodito era filho, como o nome indica, dos deuses Hermes e Afrodite. Era um jovem belo e garboso, que, nas suas viagens pelo mundo, encontrou um lago de águas cristalinas onde habitava uma ninfa, Sálmacis. Tomada de amores pelo jovem, a ninfa declara-se mas não obtém dele mais do que repugnância e desprezo. Afasta-se então, mas enquanto Hermafrodito, seduzido pela frescura do lago, se banha nas suas águas, Sálmacis atira-se ao jovem, abraça-o e pede aos deuses que nunca os separem. Por algum motivo insondável, os deuses anuíram e fizeram de dois corpos um só. E, acrescenta Ovídio, não se percebe se é homem ou mulher, porque não parece nem um nem o outro, mas ambos. Aristófanes, uma das personagens d’O Banquete de Platão explica a orientação sexual de cada indivíduo com o mito do andrógino. Num passado remoto, existiriam à face da terra três tipos de seres, cada um constituído por duas metades: um ser que tinha duas metades masculinas, outro tinha duas femininas e o terceiro tinha uma metade de cada género. Como, por se sentirem completos, se tornaram demasiado confiantes, decidiram atacar os deuses que, em resposta, os dividiram a todos ao meio. Assim nasceu a actual raça humana: cada um sente a falta da sua metade. Ora, se um indivíduo resulta da separação do ser andrógino, que tinha uma metade masculina (andro-) e uma feminina (gino-), procurará um parceiro do sexo oposto. Todavia, se resulta da separação dos outros dois, procurará um parceiro do mesmo sexo. Estes são apenas dois exemplos duma preocupação constante na história da humanidade: a de criar categorias para explicar, para “arrumar” o mundo. A possibilidade de existir “o verdadeiro hermafrodita”, um ser com os dois sexos capaz de gerar em si próprio, foi durante muito tempo uma ideia assustadora. Ao longo dos séculos, o hermafroditismo e a homossexualidade foram identificadas como patologias, por vezes temidas e associadas às maquinações de forças diabólicas; outras vezes foram consideradas prova do poder exuberante da natureza que não se rege pelas normas dos homens. E neste momento da história onde nos situamos? Cristina Santos Pinheiro Docente da UMa

Pula: roman colony on the Croatian coastline

The most remarkable monument among them is the Vespasian amphitheatre, popularly called Arena to which many legends and myths are linked. Pula is a Croatian city placed on the Istrian peninsula, in the western part of the country. Walking in its streets, you can feel the past on every corner, due to the more than 3000 years of history in which there were various occupations and changes of rulers and leaders. One of the biggest rulers with whom the true development of the city started, around the year 45 BC, when Pula started to turn into a Roman colony, was the Roman Emperor named Pietas Iulia Pola. The city was shaped after the well planned and thoughtfully organized Roman type city streets, houses and all the necessary infrastructures. The importance of the colony is reflected in some of the city’s most important monuments dating from that period. During those times, the city was surrounded by 1600 meters of the wall with 12 entrances to the city, three of them still standing and marking the old borders of the town. Hercules doors are the oldest of them, very simple and decorated only by reliefs presenting the head of Hercules and a club. More attractive is the Double door that has been used as an entrance to the small theatre, and a golden door, the main entrance to the city, from which only the Arch of the Sergii survived. It is a beautiful triumphal arch, richly decorated, that has been built in honour of a Roman family. The arch was basically bent to the main city doors. Curiosity about it is that arches were always dedicated to the gods and emperors and never to the simple humans, and by that, we could imagine the greatness and importance of the Sergii family in Roman society. In the inner side of the old town, the Roman houses, theatre and mosaic decorations are hidden between modern houses and streets. The central square called Forum also dates from the Roman period. Of course, the look has changed throughout many years, but there are remnants that tell us how this was a central point of the colony. The temple dedicated to the first Roman emperor, Augustus, and to the goddess Roma, is placed on its northern side. On his right side, the ruins of Diana’s temple are integrated into the City Hall. The most remarkable monument among them is the Vespasian amphitheatre, popularly called Arena to which many legends and myths are linked. The arena was built in the middle of the 1st century, with a surface of 11466 m2 and an elliptic shape, and it is one of the six amphitheatres in the world that have survived. It is placed outside of the old city walls and it was used for the gladiator games and fights with wild animals. The legend says that the Roman emperor Vespasian cherished and loved his local mistress, Antonija Cenidi, and built the amphitheatre in her honour. Another legend, more accepted amongst the people, says that fairies built it by carrying stones from Učka mountain. It was used until the 5th century when gladiator games were prohibited. The arena is a unique example of buildings of this type and age, with preserved original elements and details. Nowadays it is used as a place for various manifestations, meetings and concerts. Moreover, of course, to symbolize the ancient history of Pula. Ana Mirkovic Students’ Union Croatian Volunteer Project co-financed by ERASMUS+.

Em enfermagem, desde o Reino Unido

Após o término do curso, tirei uns meses para reflectir sobre o meu futuro profissional, devido a toda uma conjuntura socioeconómica que vivíamos. Na Madeira, nascido e criado, encontro-me agora a escrever para vós desde o Reino Unido, país onde agora resido e trabalho. Quando fui convidado a escrever-vos e contar um pouco da minha história e percurso até aqui, vi-me apanhado num misto de lembranças, de nostalgia e de reflexão, que normalmente não nos passa pela cabeça porque estamos sempre ocupados e atarefados com algo no presente, ou pela aquela velha filosofia de olhar sempre em frente, “passado é passado”. O meu nome é Vítor Andrade, tenho 26 anos e fiz a minha formação na Universidade da Madeira, universidade onde estive por 6 anos. Durante esse tempo sempre senti que a UMa era a minha segunda casa (até porque lá passava mais tempo do que em qualquer outro lugar). Fui membro activo da Academia tendo sido voluntário e desempenhando diversos papéis na orgânica da AAUMa. Também tive a oportunidade de fazer parte da Estudantina Académica da Madeira durante 7 anos, tendo também chegado a desempenhar um papel mais administrativo por dois anos. Toda essa educação não formal foi fundamental para o meu crescimento pessoal e profissional. Fez completamente a diferença na minha forma de estar hoje em dia, tendo transposto esses mesmos ensinamentos para a minha prática diária até os dias de hoje. No já distante ano de 2007, entrei em Bioquímica na UMa com a ideia de fazer um ano de adaptação à vida académica. Mais tarde mudei para Enfermagem como era a minha intenção inicial. Quatro bons anos que terminaram com o Erasmus em Madrid e o Programa Bolsa Santander em Natal, no Rio Grande do Norte. Essas duas práticas finais foram também, a meu ver, determinantes para a minha formação e crescimento pessoal e professional. Deram-me uma visão diferente dos cuidados de saúde, da multiculturalidade e da qualidade da nossa formação. Após o término do curso, tirei uns meses para reflectir sobre o meu futuro profissional, devido a toda uma conjuntura socioeconómica que vivíamos e especificamente na minha área de formação. Uma agência de recrutamento britânica foi até à Madeira recrutar enfermeiros e não hesitei em vir trabalhar para o Reino Unido. Mais uma experiência que está a ser enriquecedora. Encontro-me no momento a trabalhar na área que sempre quis, a fazer o que sempre desejei: sentir que faço a diferença diariamente na vida de alguém. Trabalho no Princess Alexandra Hospital no Departamento de Emergência e, durante estes nove meses, já tive exposição a muitos casos interessantes e inclusive a formação. Formação, experiência e renumeração essas, que não teria no meu país. Felizmente nunca senti problemas de adaptação onde quer que fosse, aptidão essa que, também acho, foi reforçada pela educação não formal que fui desenvolvendo ao longo dos anos na Universidade. Toda essa experiência fez-me também aperceber-me que as posições geográficas não são tão limitantes como se pensa. Elas não fazem as pessoas ou as instituições. São sim, as pessoas dessas instituições quem define a qualidade do que aprendemos e como aprendemos. Nesse aspecto só posso expressar a minha satisfação e a minha gratidão por todo o ensinamento que me foi dado pelos meus professores, pares e amigos. Toda a confiança que em mim depositaram e que tentei sempre retribuir, com trabalho e respeito. Se cheguei aqui deve-se a vós, e aos meus pais, claro. Não posso dizer que não sinta falta da ilha. Sinto falta da minha família, dos meus grandes amigos, do sol, dos arraiais, essas coisas normais. De vez em quando tenho a oportunidade de matar essas mesmas saudades. No fim do dia sei que tomei a decisão certa e não me arrependo da decisão que tomei, a decisão que muitos de nós temos vindo a tomar e que, na perspectiva de muitos, é a mais difícil a ser tomada. Infelizmente o meu futuro, de momento, não passa pelo sítio a que um dia chamei casa, mas também não passa por ficar por aqui indefinitivamente. Quero experimentar outros países, outros hospitais, outras culturas. Vitor Andrade

Because I am a Pole-Madeiran Woman!

She left Poland when she was 30. She spent the major part of her adult life in Madeira. Tourist guide and a lover of mountains, a translator from time to time, let me introduce you to a Duchess from my region in Poland who calls herself a Pole-Madeiran Woman – Jolanta Lubomirska. It would be a pleasure for me to speak to my neighbour from Poland – said the Duchess when I called to invite her for a meeting. How did it happen that two inhabitants of the South-east of Poland met each other 4000 km from home? One day, I decided to look for Polish people living permanently on the island, to get to know their stories and what brought them here. For sure, it could not have been labour migration, like in the case of moving to Great Britain. Here, on the island, you can just live pleasantly – this is what all the people that I had meetings with said. I found out that about 30 Polish people have chosen Madeira as their place on Earth. I managed to meet with five of them. What are they doing here? Sonia and Renata arrived here to start a life with their “other half”. Juliusz, because, someday, you have to decide where to live permanently. Piotr started as a member of the table tennis team, then a trainer, and finally he became a guide. And Duchess Jolanta Lubomirska came here in the 1960s because her parents had bought a block here and she had to take control over it. If she had not done it, the block would have become the government’s property. At present, a house which she built there with her French husband, can be rented by tourists. It is Vila Calaca, located in Funchal, close to the ocean, in the Lido area. I met with her at the theatre café. She came with her daughter – Hanna Karolina – who understands Polish but she speaks English and Portuguese. Because I wanted to learn Portuguese as soon as possible. I feel a little bit of regret that I didn’t push further for our native language learning. But it’s still not so late, so maybe they managed to learn it anyway – she explains to me. She has three other children. All with beautiful Polish names. The youngest – Michał (Eng. Michael) learnt languages in Poland, he lives in Cracow, married a granddaughter of the duchess’ friends from Leżajsk (a city in the Subcarpathian region – the area from which I and the Duchess come from). The oldest son – Jerzy (Eng. George) was given his name after the Duchess’s father. There is also Stanisōaw, who lives in Lisbon, and is married to a Portuguese woman. When I was looking for information about Jolanta Lubomirska, I found out that she was born in Charzewice village, close to Stalowa Wola city. She spent her youth there. Her mother served as a liaison (with the nickname “Sowa” – Eng. Owl) to the Home Army during World War II. She was, unfortunately, of a very weak health condition, so she died of pneumonia, which she caught in one of her missions – she, many times, had to go through forests during the night in order to deliver an important message to partisans. It was in 1943. Two years later, when the war was over, her father was arrested by Russians and their family properties were robbed. To the present day, she doesn’t know what happened to him. Different historical sources say that he was killed in prison or close to the train station in Tarnobrzeg, just before being sent to Siberia. – What happened to you? – I asked. – A friend of our family, Father Michał Potaczało, took care of me. I passed the final exams in Leżajsk, and then I was admitted for studies in Warsaw at Warsaw University of Life Sciences – she studied gardening. I worked for 5 years in one of the departments of the Warsaw City Hall – I took care of parks and gardens in Warsaw. Then I got admitted for an internship in the Virmolin Garden in Paris. I lived there at my uncle’s house. At this job, I met my future husband. He was a gardener there – she reminisces. She married him after few months after the first meeting. After this, she received a message from the Portuguese government concerning the block in Madeira, which her parents had bought in about 1927/1928. She was the first Polish guide on the island when one Polish travel office started organizing tours. It was in the year 1999 or 2000. – I liked this activity very much. Because I like walking. They decided to move there in 1961. She remembers times when there was snow (!) on Madeira. – Maybe there was not a lot of snow, but sometimes we were throwing snowballs to each other – she says. The Duchess has never worked as a gardener on the island. But she has her favourite flowers. – I like colourful climber plants on the walls, created by Bougainvillea – she answers. She worked for many years as a tourist guide, at first for French and Swiss groups. – I started this job in the 1980s. I was a kind of “pirate guide”, because then, I didn’t have the special certificates to do this. But finally, this profession was opened for all people – she was betrayed. I worked as a guide until 2009. But now I am a little limited, recently I underwent surgery on my hip. And I love walking on levadas so much. When I visited Poland after 30 years, I also went to Kasprowy Wierch and Giewont in the Tatra Mountains. During a mountain excursion, I got a little sunstroke, it was so hot. I had to sit for 3 hours in the shadow to get better. It was a great adventure – she continues recollecting. She is very connected

Would you like to get help from other people?

According to UN data, in 2014, 300,000 people crossed the borders irregularly to reach Europe. Of that total, at least 218,000 did so for the Mediterranean route. I’m sure you’ve heard about the Syrian civil war. Since 2011 it has been torturing the people of this country in Western Asia. This country, with such a diverse ethnic and religious variety, is always connected to many other countries and nations around, Greece, Armenia, Turkey, Kurdistan… We find this relation in their cuisine, art, and popular culture for instance. But due to their “recent” war, hundreds of thousands of Syrians are migrating to Europe, looking for refuge from this living hell. But these people, unfortunately, aren’t alone. The promise of a new life, away from war and hunger, and the ability to escape death, are the main reasons that drive people from the less developed or not politically stable countries to leave, trying to reach Europe which according to their fantasies represents opportunity. They have nothing to lose and everything to gain. According to UN data, in 2014, 300,000 people crossed the borders irregularly to reach Europe. Of that total, at least 218,000 did so for the Mediterranean route. “In Libya, all speak of going to Europe,” said Fisaha Talese, a young 30-year-old survivor of the tragedy of Lampedusa in 2013. “We left the village thinking that in Europe they give you money when you need it, 100, 200 euros, without effort. That everyone here is rich. This is a permanent party to enjoy with friends. No African leaves another alone. We help as we can, which is almost never a lot. They spoke of Madrid as the site of the real opportunities, “said Bertin Youmssi, a Cameroonian who crossed the Strait of Gibraltar swimming to reach Spain. The reasons that pushed Youmssi to leave their country are a constant that motivates most of his countrymen. “In Cameroon, there are no medicines,” says Youmssi “If you are bitten by a mosquito you get sick with malaria or typhoid fever, you die. Drugstores and people in the street will sell fake pills. There is also no possibility of studying. Many children have not been and will never go to school. Because public costs are about 100 euros per month, two full salaries in a conventional family. “ While in Syria and Libya people are fleeing the civil war that began in 2011, after the so-called “Arab Spring”, the African people are escaping hunger, drought, and Islamic terrorist militias. Not everything is what the media shows, that’s for sure, deforestation, species getting extinct, the loss of the biodiversity, for instance, we have already lost 70% of the plants diversity, due to the farming of the same type of plants all around the world taking the place of other. Pollution is one of the most obvious problems nowadays, have you ever seen dirty just on the coast of the beach where you usually swim? Do you think dirt in the water can only be solid? I can tell you it is not, close to 60% of dirt is dissolved in the water, so yes, you are getting a bath continuously dirty. Victor Guerrero

Gordura boa para o coração

A gordura tem uma má reputação na nossa sociedade, associada ao colesterol, a gorduras saturadas e à obesidade. Na realidade, em pequenas quantidades é essencial a uma vida saudável, como fonte de calorias e como meio de transporte, para o organismo, de vitaminas nela solúveis e de ácidos gordos essenciais. Os ácidos gordos são importantes na resposta imunitária, na inflamação, na função do sangue e muito importantes no sistema cardiovascular. Os ácidos gordos Omega-3 e Omega-6 são considerados essenciais porque não podem ser sintetizados pelos mamíferos, tendo que ser ingeridos na alimentação. São essenciais na integridade das membranas celulares, têm acção anti-inflamatória (reduzem a produção de mediadores da inflamação). Sendo a doença cardíaca uma doença inflamatória, os ácidos gordos essenciais têm acção cardioprotectora. A doença cardíaca pode afectar 11% nos cães e cerca de 20% nos gatos. Apesar de todo o avanço médico e veterinário, a terapêutica apenas permite controlar os sintomas e atrasar a evolução da doença, melhorando a qualidade de vida. Nestes animais cardíacos procura-se qualidade de vida, e não quantidade. A nutrição é muito importante na tentativa de contrariar a perda de massa típica da doença cardíaca. Como a caquexia associada à doença cardíaca produz grande quantidade de mediadores da inflamação, a acção anti-inflamatória dos ácidos gordos Omega-3 é muito benéfica. Os ácidos gordos funcionam também como “cardioprotector”, aumentando a esperança de vida do animal e diminuindo o risco de arritmias, fatais. Nos gatos com doença cardíaca, situação em que o risco de trombose é elevado, os ácidos gordos diminuem a agregação plaquetária, prevenindo a formação de trombos. SPAD- Funchal

Como ser bem sucedido na Universidade?

Na ausência de receitas mágicas para tornar este caminho fácil, apresentamos alguns ingredientes chave para que os objetivos definidos para a caminhada sejam alcançados. “Conseguirei integrar-me bem?”, “Conseguirei chegar ao fim?” são algumas das dúvidas que acompanham a caminhada universitária. Ao contrário do desejado, o caminho para alcançar os objetivos é feito de altos e baixos. De igual modo, são alguns os obstáculos que se interpõem, confrontando-nos com medos, inseguranças e frustrações. Se tivermos uma maior abertura à experiência poderemos tornar-nos, pouco a pouco, mais competentes nesta caminhada, munidos de um maior número de ferramentas. Note-se que apenas colocando-nos em movimento, seremos capazes de manter o equilíbrio, porque o caminho faz-se caminhando! Na ausência de receitas mágicas para tornar este caminho fácil, apresentamos alguns ingredientes chave para que os objetivos definidos para a caminhada sejam alcançados: 1. Defina e escreva os seus objetivos para o ano e, em especial, para o 1.º semestre. Seja realista, claro e específico. Defina os mesmos em termos de ações e dos passos necessários dar. Antecipe possíveis obstáculos e elabore planos de ação alternativos. Lembre-se que sem objetivos somos um barco à deriva. 2. Estabeleça um plano de estudo, desde o início do ano e desenvolva as suas estratégias de gestão de tempo. 3. Frequente as aulas e envolva-se nas mesmas. Faça apontamentos, coloque questões e dúvidas (…). 4. Alargue o seu leque de aprendizagens e experiências participando em projetos e atividades extracurriculares. Seja proativo e, neste contexto, desenvolva as suas competências. Aprender permite-nos descobrir mais sobre o mundo e sobre nós mesmos. 5. Estabeleça e fortaleça a sua rede de suporte. Estudos indicam que uma rede de suporte é facilitadora da integração e adaptação à mudança. 6. Peça ajuda sempre que necessitar. Procure conhecer os recursos disponíveis na sua Universidade. O Serviço de Consulta Psicológica da UMa é um desses apoios. Pedir ajuda é sinal de coragem. 7. Cuide de si, da sua alimentação e higiene de sono. Pratique exercício físico e exercícios de relaxamento, como a respiração diafragmática e o relaxamento muscular progressivo. O benefício destas técnicas será tanto maior quanto mais regular for a sua prática. Aproveite, de igual modo, para desenvolver nos tempos livres os seus talentos. 8. Persista! Perseverança, iniciativa, esforço e dedicação são elementos fundamentais nesta caminhada. 9. Esteja aberto para aprender com os erros e saiba receber feedback. Erros e críticas (construtivas) são fontes ricas de aprendizagem. Permitem-nos (re)pensar e identificar novas formas de resolver situações-problema e seguir em frente. 10. Encare o estar na universidade como uma oportunidade de aprendizagens únicas! Mensagem final: Comprometa-se com a caminhada, comemore cada descoberta feita sobre si mesmo e todos os passos dados. Nota: Informações complementares poderão ser encontradas no diretório “kit Estudante Universitário” disponível no site do serviço scp.uma.pt. Serviço Consulta Psicológica da UMa

Saïdia em Marrocos

É a chamada Pérola Azul de Marrocos. Pertence à província de Berkane, no extremo Este daquele país, e a sua praia é banhada pelo Mar Mediterrâneo. Se em tempos foi quase uma cidade fantasma, desde 2003, Saïdia está a ser alvo de um revolucionário projecto hoteleiro (cuja primeira fase foi inaugurada em 2009 pelo rei Mohammed VI) que pretende aumentar o número de camas e atrair cada vez mais turismo. Nos hotéis, e mesmo pelas ruelas desta região fronteiriça com a Argélia, a segurança e o zelo pelos que visitam Saïdia é uma missão primordial. Aliado a este cuidado, impera a simpatia e a hospitalidade dos marroquinos, muitos já a falar português para melhor receber os nossos conterrâneos. A descoberta deste lugar leva-nos à exploração da marina local, aos passeios de dromedário na praia, à feitura de tatuagens típicas e temporárias com henna natural, à degustação do tradicional chá de hortelã ou dos bem condimentados pratos locais, e, ainda, ao experimentar do óleo de argão e dos seus derivados. Paralelamente é quase obrigatório visitar Oujda, a cidade ao lado, ou Nador, de onde se conseguem ver três ilhas espanholas, sítios onde a rotina marroquina é bem patente e nas quais os estilos conservador e moderno se cruzam. Se pensa que há qualquer problema com o estilo europeu, com a religião, com as roupas que se usam ou com os nossos hábitos, desengane-se! Se há coisa que os muçulmanos e os marroquinos, em geral, praticam, é, sem dúvida, o respeito pelo outro. Vera Duarte Alumnus

A capela do Corpo Santo do Funchal

A confraria do Corpo Santo apoiava os seus confrades na doença e em acidentes, como naufrágios e ataques de corsários, tal como depois nos enterros dos seus membros, às viúvas e aos filhos dos mesmos. Corpo Santo é a denominação popular de S. Pedro Gonçalves Telmo (1190-1246), religioso da ordem dos dominicanos e Prior de S. Domingos de Guimarães. O seu culto aparece associado ao fogo-de-santelmo, eflúvio luminoso que aparece nos mastros dos navios em determinadas condições atmosféricas, e espalhou-se pelas comunidades marítimas do centro e do norte de Portugal e na Galiza, sendo o padroeiro, por exemplo, da diocese de Tui-Vigo. A capela do Corpo Santo do Funchal deve ser uma das mais antigas da cidade, devendo datar dos finais do séc. XV, sendo referência toponímica desde 1497. Entre os finais do séc. XV e os inícios do XVI, os pescadores e marítimos madeirenses organizaram-se em confrarias religiosas sob a devoção do Corpo Santo, devendo a confraria do Funchal ser a mais antiga da ilha. Pouco depois, provavelmente ter-se-iam organizado os marítimos da Calheta, que tiveram uma capela junto da praia, e os marítimos de Câmara de Lobos, na capela da Conceição, cuja reconstrução pagaram. Os marítimos de Santa Cruz e a sua confraria nunca tiveram instalações próprias, funcionando num altar matriz e os de Machico, integraram-se nas confrarias ligadas à Misericórdia daquela vila, na capela dos Milagres. Os do Porto Santo organizaram-se na confraria de S. Pedro, tal como os da Ribeira Brava, dado este santo ser tradicionalmente também o protetor dos pescadores. A confraria e a capela do Corpo Santo do Funchal devem ter gozado de um certo desafogo económico, fruto dos tradicionais “quartões” do pescado feito pelos seus membros, para as campanhas de obras a que capela foi sendo sujeita. O edifício que chegou até nós é dos mais interessantes do Funchal, com um portal de arquivolta apontada, muito simples, por certo do séc. XV e o interior, já produto das reformas dos séculos XVI e XVII. A tábua pintada do orago no retábulo-mor, da primeira metade do séc. XVI, apresenta o Santo a abençoar uma caravela manuelina e deve ser a mais antiga representação de uma embarcação na Madeira. No teto da capela-mor, totalmente coberto por pinturas sobre tela, ainda aparece o santo a acudir um naufrago de uma grande nau, com o pormenor de apresentar as armas de Portugal na popa e um estandarte dos Habsburgo no mastro principal, indicando assim ter sido pintado nos anos da União Ibérica, por volta de 1616. A confraria do Corpo Santo apoiava os seus confrades na doença e em acidentes, como naufrágios e ataques de corsários, tal como depois nos enterros dos seus membros, às viúvas e aos filhos dos mesmos. Nessa área, os marítimos madeirenses estiveram na base da fundação do mutualismo moderno, a partir de 17 de outubro de 1897, quando decidiram a instalação de uma caixa de montepio marítimo. A capela do Corpo Santo encontra-se habitualmente aberta ao público, sendo uma das visitas obrigatórias num périplo pela Zona Velha feita de dia, pois que à noite outros interesses se impõem. Rui Carita Docente da UMa