Em enfermagem, desde o Reino Unido

Após o término do curso, tirei uns meses para reflectir sobre o meu futuro profissional, devido a toda uma conjuntura socioeconómica que vivíamos.

Na Madeira, nascido e criado, encontro-me agora a escrever para vós desde o Reino Unido, país onde agora resido e trabalho.

Quando fui convidado a escrever-vos e contar um pouco da minha história e percurso até aqui, vi-me apanhado num misto de lembranças, de nostalgia e de reflexão, que normalmente não nos passa pela cabeça porque estamos sempre ocupados e atarefados com algo no presente, ou pela aquela velha filosofia de olhar sempre em frente, “passado é passado”.

O meu nome é Vítor Andrade, tenho 26 anos e fiz a minha formação na Universidade da Madeira, universidade onde estive por 6 anos. Durante esse tempo sempre senti que a UMa era a minha segunda casa (até porque lá passava mais tempo do que em qualquer outro lugar). Fui membro activo da Academia tendo sido voluntário e desempenhando diversos papéis na orgânica da AAUMa. Também tive a oportunidade de fazer parte da Estudantina Académica da Madeira durante 7 anos, tendo também chegado a desempenhar um papel mais administrativo por dois anos.

Toda essa educação não formal foi fundamental para o meu crescimento pessoal e profissional. Fez completamente a diferença na minha forma de estar hoje em dia, tendo transposto esses mesmos ensinamentos para a minha prática diária até os dias de hoje.

No já distante ano de 2007, entrei em Bioquímica na UMa com a ideia de fazer um ano de adaptação à vida académica. Mais tarde mudei para Enfermagem como era a minha intenção inicial. Quatro bons anos que terminaram com o Erasmus em Madrid e o Programa Bolsa Santander em Natal, no Rio Grande do Norte. Essas duas práticas finais foram também, a meu ver, determinantes para a minha formação e crescimento pessoal e professional. Deram-me uma visão diferente dos cuidados de saúde, da multiculturalidade e da qualidade da nossa formação.

Após o término do curso, tirei uns meses para reflectir sobre o meu futuro profissional, devido a toda uma conjuntura socioeconómica que vivíamos e especificamente na minha área de formação.

Uma agência de recrutamento britânica foi até à Madeira recrutar enfermeiros e não hesitei em vir trabalhar para o Reino Unido. Mais uma experiência que está a ser enriquecedora. Encontro-me no momento a trabalhar na área que sempre quis, a fazer o que sempre desejei: sentir que faço a diferença diariamente na vida de alguém. Trabalho no Princess Alexandra Hospital no Departamento de Emergência e, durante estes nove meses, já tive exposição a muitos casos interessantes e inclusive a formação. Formação, experiência e renumeração essas, que não teria no meu país.

Felizmente nunca senti problemas de adaptação onde quer que fosse, aptidão essa que, também acho, foi reforçada pela educação não formal que fui desenvolvendo ao longo dos anos na Universidade.

Toda essa experiência fez-me também aperceber-me que as posições geográficas não são tão limitantes como se pensa. Elas não fazem as pessoas ou as instituições. São sim, as pessoas dessas instituições quem define a qualidade do que aprendemos e como aprendemos. Nesse aspecto só posso expressar a minha satisfação e a minha gratidão por todo o ensinamento que me foi dado pelos meus professores, pares e amigos. Toda a confiança que em mim depositaram e que tentei sempre retribuir, com trabalho e respeito. Se cheguei aqui deve-se a vós, e aos meus pais, claro.

Não posso dizer que não sinta falta da ilha. Sinto falta da minha família, dos meus grandes amigos, do sol, dos arraiais, essas coisas normais. De vez em quando tenho a oportunidade de matar essas mesmas saudades. No fim do dia sei que tomei a decisão certa e não me arrependo da decisão que tomei, a decisão que muitos de nós temos vindo a tomar e que, na perspectiva de muitos, é a mais difícil a ser tomada. Infelizmente o meu futuro, de momento, não passa pelo sítio a que um dia chamei casa, mas também não passa por ficar por aqui indefinitivamente. Quero experimentar outros países, outros hospitais, outras culturas.

Vitor Andrade

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