Toponímia do Funchal: largos
Toponímia do Funchal: Largo do Encontro é a paisagem quem traça a memória e exerce o poder que das raízes emana José António Gonçalves. A vida. O escritor. Lisboa. 7 (Mar. 1996) 36. O Largo do Encontro ou, simplesmente, o Encontro situa-se no cruzamento dos Caminhos do Lombo Segundo, da Igreja Velha, de São Roque e da Fundoa (nos dias de hoje, Estrada Comandante Camacho de Freitas). Constitui um ponto de confluência dos moradores da freguesia de São Roque, do concelho do Funchal, onde, nas últimas décadas do século XX, mantinha-se viva atividade comercial. Neste largo, sobressaía, pela sua traça, um edifício do primeiro quartel do século XX, embora bastante degradado. Foi demolido, pelo Governo Regional da Madeira, em setembro passado, tendo sido alegadas razões de segurança. Apesar de não se tratar de um imóvel classificado, o Encontro perdeu a sua mais significativa memória arquitetónica. No rés-do-chão da moradia arrasada, funcionou, durante várias décadas, uma padaria, que constituía uma referência da freguesia. Pela configuração arquitetónica do imóvel, em especial pela localização da chaminé industrial, julgamos que teria sido construído de raiz com o duplo objetivo de moradia e padaria. O estabelecimento de panificação foi fundado em 1930 por Luís Francisco Xavier. Filho de José Francisco Xavier e Francisca de Jesus, Luís nasceu no sítio do Lombo Segundo em 3 de agosto de 1874. Casou, na Igreja de São Roque, no dia 8 de fevereiro de 1902, com Maria da Glória, natural da mesma freguesia e moradora no sítio do Salão, filha de António Gomes Sénior e Joaquina de Jesus, ambos naturais de São Roque. Veio a falecer em 6 de maio de 1944, no sítio do Lombo Segundo, tendo sido sepultado no Cemitério de São Roque no dia seguinte. A padaria alcançou licença plena de laboração em 1936, depois da imprescindível vistoria e cumprimento das recomendações da Delegação da Inspeção Técnica das Indústrias e Comércio Agrícolas do Funchal. Em 1942, passou a ser explorada pela sociedade comercial Xavier & C.ª Ld.ª, constituída por Carlos Gonçalves, Luís Firmino Xavier e Manuel Vieira. Encerrou no início do século XXI. Anos antes do fecho, funcionou também uma pastelaria no 1.º piso do singular edifício, com porta aberta ao nível da via pública. Em 2008, a Junta de Freguesia de São Roque, em consonância com a Câmara Municipal do Funchal e o Governo Regional da Madeira, planeou a construção de um Centro Cívico na área do prédio de Luís Francisco Xavier. Desde o início deste processo, não se contemplou, como seria recomendável, a preservação do edifício com inegável valor patrimonial, nem se desenvolveu qualquer diligência no sentido da sua salvaguarda, nomeadamente a classificação como imóvel de interesse municipal, que poderia ter sido iniciada a requerimento da autarquia local. A Tecnidesenho – Gabinete de Desenho Técnico, Ld.ª elaborou um projeto para um equipamento público, que abrigaria os serviços da Junta de Freguesia, Casa do Povo, Centro de Dia e Auditório, marcado por uma linguagem contemporânea, sem ter em conta o imóvel existente no local, o qual foi publicado na revista Anteprojectos: oportunidades de negócios na construção, n.º 202, de Abril de 2011. Apesar de, em fevereiro de 2008, na sequência de uma reunião do executivo camarário, presidido por Miguel Albuquerque, com a Junta de Freguesia de São Roque, a imprensa noticiar que a construção do Centro Cívico de São Roque iria arrancar em breve; de o Governo Regional suspender parcialmente, em julho de 2009, o Plano Diretor Municipal para possibilitar a obra; de, em 2010, ter sido declarada de utilidade pública a expropriação dos bens imóveis necessários, com a área global de 2610 m2; de, em novembro de 2011, ter sido celebrado um contrato, por ajusto direto, para o reconhecimento geológico/geotécnico do terreno, neste mesmo ano, foi a sua construção adiada sine die, através da revogação da portaria que consignava os encargos orçamentais para a empreitada, estimada em cerca de 6 milhões e 850 mil euros. Votado este prédio ao total abandono e frequentado por toxicodependentes, dois incêndios, em outubro de 2011 e maio do ano seguinte, vão contribuir fatalmente para a sua ruína. A degradação acentuou-se, nos últimos anos, e os que, no passado, idealizaram a sua demolição, vieram logo reclamá-la por motivos de segurança, esquecendo a sua responsabilidade no processo de ruína do famigerado imóvel. O Largo do Encontro perdeu o edifício que lhe conferia particular identidade. O património da freguesia de São Roque ficou mais pobre, porque, enfim, uma vez mais, quem tinha o dever de zelar pela herança cultural, não deu a devida atenção à memória do lugar. Nelson Veríssimo Professor da UMa
O que é que a Madeira tem?
A Madeira ficou reconhecida como o melhor destino insular do mundo, através do prémio que ganhou no ano passado, no World Travel Awards. Desta forma, a ilha é reconhecida nacional e internacionalmente como um local privilegiado para férias. E não só! São várias as qualidades que a caracterizam dando razões suficientes para que se consiga promover, sendo, muitas vezes, distinguida. Ao longo dos últimos dez anos, a nossa Região tem evoluído e demonstrado que reúne condições para umas férias com qualidade. No ano passado, por exemplo, foi como a 6.ª melhor ilha do mundo para férias, resultado da opinião de muitos turistas de vários pontos do mundo que votaram no concurso do TripAdvisor – Travelers’ Choice Awards. E, aqui, são vários os pontos atractivos que os turistas nomeiam como lugares únicos, tais como, as casas típicas de Santana, os passeios pela Natureza, o mar imenso, o exemplar e único Vinho Madeira, a gastronomia típica da ilha e a qualidade e excelência da hotelaria madeirense. Mas não nos ficamos por aqui. Além disto, a Região reúne um conjunto de eventos que agradam a todos. Em Outubro, por curiosidade, o Madeira Nature Festival; no mês de Novembro, o Festival Internacional de Cinema do Funchal; e, em Dezembro, o Madeira Island Winter Fest. Sem contar com os já habituais e sempre surpreendentes cartazes alusivos ao Carnaval, à Festa da Flor, às Vindimas, ao Natal e ao Fim de Ano, nos quais toda a ilha se caracteriza para que residentes e turistas possam celebrar cada efeméride do ano. O que é que a Madeira tem? Tudo! E é por isso, um Paraíso. Ana Cristina Teixeira Estudante da UMa
Lar, doce lar: o significado profundo das palavras
Além de um significado imediato, conhecido do público em geral, a expressão «Lar, doce lar» preserva vestígios da língua, da cultura e da religião da Roma Antiga, vestígios que, normalmente, acabam por passar despercebidos. «Lar, doce lar»: eis uma expressão conhecida da maioria. Feliz todo aquele que se pode acolher à protecção de um lar. Em português, a palavra «lar» designa a parte da cozinha onde se acende o lume, o chão da chaminé, sendo sinónimo de «lareira». Por extensão, designa também a casa de habitação, independentemente do seu tamanho, e a família que nela se acolhe. O que poucos terão presente é a realidade que se oculta por detrás destas palavras. Estamos perante vestígios da língua, da cultura e da religião romanas. De origem etrusca, os Lares eram divindades romanas que velavam pelos recintos domésticos e pelas encruzilhadas. Quando representados, assumiam a forma de adolescentes, apoiando-se apenas num pé e envergando uma túnica curta. Numa das mãos seguravam uma cornucópia. O Lar Familiaris protegia os lugares em geral e as casas em particular, protecção que se estendia sobre toda a família, ou seja, sobre todos aqueles que se abrigavam sob um mesmo tecto: parentes, libertos e escravos. O centro de uma casa romana era o atrium. Aí se reuniam os membros da familia em redor do fogo, que tanto servia para preparar os alimentos como se revestia de carácter sagrado, ao assinalar a presença do Lar Familiaris. Mais tarde, quando as casas romanas se tornaram mais complexas, a dupla função de lugar de culto do deus e lugar do fogo desdobrou-se. O fogo utilitário passou então para a culina (a cozinha) e culto manteve o seu lugar de honra no atrium, passando a ocupar o lararium, um nicho com frontão triangular onde se guardava a imagem do deus. Do latim lararium deriva, por via erudita, o português «larário». Era neste altar que se assinalavam acontecimentos importantes, relativos à entrada ou saída de alguém do âmbito familiar (nascimentos, casamentos e mortes). Ao Lar Familiaris eram consagrados os três dias mais solenes no calendário de cada mês: as calendas (calendae), as nonas (nonae) e os idos (idus). Nas propriedades rurais (uillae), bem como nas encruzilhadas, veneravam-se os Lares Compitales, assim chamados porque se lhes prestava culto no compitum, o lugar em que os domínios de uma propriedade se cruzavam com os das propriedades vizinhas. Era nesse lugar e em honra destas divindades que se celebrava um ritual, a 1 de Janeiro. O desdobramento entre lugar de culto do Lar Familiaris e lugar do fogo parece não ter ocorrido nas domus da faixa ocidental da Península Ibérica, território que corresponde grosso modo a Portugal. A evidência que atesta esta realidade é o facto de continuarmos a chamar «lar» ao lugar onde arde o fogo. De «lar» deriva o vocábulo português «lareira», tal como, de «fogo», «fogueira». A memória do culto ao Lar Familiaris e do lugar da casa a ele consagrado surge, assim, como que fossilizada nas nossas palavras «lar» e «lareira». Lembremos, enfim, que o valor sagrado de que se revestia o fogo, em tempos manifestação visível da presença do Lar Familiaris, permanece ainda atestado no facto de continuarmos a chamar «fogo» a uma casa. Telmo Corujo dos Reis Professor da UMa
IFCN: que responsabilidades na RAM?
Sendo da sua responsabilidade promover a conservação da natureza, o ordenamento e a gestão sustentável da bio e da geodiversidade, da paisagem, da floresta e dos seus recursos associados, a gestão das áreas protegidas. Foi no dia 13 de maio do corrente ano que foi criado o Instituto das Florestas e Conservação da Natureza (IFCN), IP-RAM que resulta da fusão do Serviço do Parque Natural da Madeira e da Direção Regional de Florestas e Conservação da Natureza, passando a constituir uma estrutura de gestão integrada da paisagem, da floresta e dos espaços naturais da Madeira, do Porto Santo, das Desertas e das Selvagens. Integra a Secretaria Regional do Ambiente e Recursos Naturais sendo da sua responsabilidade promover a conservação da natureza, o ordenamento e a gestão sustentável da bio e da geodiversidade, da paisagem, da floresta e dos seus recursos associados, a gestão das áreas protegidas, como é o caso da área de Parque Natural da Madeira e as reservas naturais, e também de alguns espaços de cariz emblemático para os madeirenses, como o Jardim Botânico, as Quintas e os Parques Florestais, as Veredas e as Levadas, sendo que estas últimas integram a atual lista indicativa de bens portugueses candidatos a Património Mundial da UNESCO, a par das Ilhas Selvagens. São igualmente suas atribuições: coordenar as medidas e as ações necessárias à proteção, à conservação e à recuperação dos ecossistemas florestais e associados, à gestão do património e espaço florestal; assegurar o acesso à utilização social da floresta salvaguardando os seus aspetos paisagísticos, recreativos, científicos e culturais. Deve também asseverar a gestão das áreas protegidas e da Rede Natura 2000 na vertente terrestre e na marinha, assim como propor e implementar a criação de novas áreas a classificar. Deve igualmente propor a proteção de indivíduos ou formações vegetais ou de unidades geomorfológicas de reconhecido interesse científico ou paisagístico e ainda promover a reintrodução de espécies indígenas ameaçadas em território regional. Compete-lhe assegurar a elaboração, a aprovação, a execução e a monitorização dos planos de gestão e de outros instrumentos de planeamento; garantir a gestão sustentável e a certificação das áreas sujeitas ao regime florestal; e promover as medidas e as ações necessárias à prevenção e à deteção de incêndios florestais. Ainda é da sua responsabilidade promover o ordenamento, a exploração sustentada e a conservação dos recursos cinegéticos, aquícolas de águas interiores, pastoris e de outros recursos e espaços associados à floresta, assim como, as atividades não extrativas associadas à biodiversidade marinha. Paralelamente a todas a estas medidas deve divulgar e implementar planos e programas sistemáticos de sensibilização das populações com vista à conservação da natureza. É igualmente da sua competência elaborar os estudos e emitir os pareceres que lhe forem solicitados; implementar, a nível regional, diretivas e instrumentos operacionais e legais, nacionais e comunitários, nos domínios das áreas florestais e da conservação da natureza e proceder à respetiva adaptação e aplicação a nível regional; e por fim, mas não menos importante, fiscalizar o cumprimento das normas legais e regulamentares em matérias de proteção e conservação da natureza. Instituto das Florestas e Conservação da Natureza
Feriados: para que vos queremos?
Numa clara alusão ao Parlamento, que detém a capacidade de criar e de eliminar dias de descanso, diz a música ‘Viva até São Bento, se nos arranjar/Muitos feriados para festejar”. Em 2016, São Bento trouxe de volta dos feriados pedidos em 2013, começando com as comemorações históricas da Restauração da Independência e da Implantação da República (preteridas pelo Dia da Liberdade, mais querido à democracia). Em Janeiro de 2016, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, anunciou ainda a reposição das festas religiosas do Corpo de Deus e de Todos-os-Santos, após o contacto com a Santa Sé. Independentemente do jogo de palavras que utilizemos, não terá sido grande o mérito do actual governo da república nesta situação pois, se revirmos o que foi dito pelo governo anterior, os quatro feriados desaparecidos não foram eliminados, apenas suspensos por 4 anos, com intensão de os repor ao final desse período. A própria forma como o processo foi conduzido foi criticada pelo cardeal-patriarca de Lisboa que, em Novembro de 2015, se queixava ao Económico da excessiva laicização da República Portuguesa que se dava ao luxo de interferir com a comemoração das festas religiosas. Portugal voltou a ocupar a lista de países com mais feriados na União Europeia, com 13 no total e embora alguns coincidem com os fins-de-semana, depressa se arranjou espaço para se criarem 3 pontes para os feriados que calhassem em terças ou em quintas-feiras, conforme referia o Jornal de Negócios, a 24 de Fevereiro. Porque é que os feriados são um assunto passível de tanta discussão? Resposta: Dinheiro. Nos Media esgrimem-se argumentos em ambas as direcções deixando o leitor à vontade para escolher se concorda ou não com a existência de feriados. Serviços públicos e indústria são prejudicados pelo aumento do número de feriados; tudo o que dependa directamente do turismo ou do lazer beneficia – são algumas das ideias mais apresentadas. Há, no entanto, quem veja outras questões: os salários, por exemplo. Não havendo feriados, os trabalhadores que estão em funções nessas efemeridades recebem o mesmo valor que num qualquer outro dia de trabalho, poupando aos privados e ao Estado uns bons milhares, se não mesmo, milhões de euros. Afastando-nos da visão economicista da coisa, qual é o interesse dos feriados nacionais para o comum cidadão? Damos assim tanta importância a essas efemeridades? Em Janeiro de 2012, Paulo Baldaia, num artigo de opinião para o Diário de Notícias de Lisboa, comentava quão vazios de significado estavam a ficar os feriados nacionais, não passando de dias de ócio para o trabalhador. Num discurso bastante assertivo e não distinguindo a diferença entre importância dos feriados civis da dos religiosos, o comentador fez notar que cada vez mais pessoas não comemoram a Restauração da Independência, a República ou a Democracia, nem tão pouco o Carnaval, a Assumpção ou o Corpo de Deus. Então para que queremos os feriados? Para férias, lógico. Carlos Diogo Pereira Estudante da UMa
Sobre a (Des)União Europeia
Nos últimos tempos temos assistido a fenómenos nunca antes imaginados no âmbito do projecto europeu. Alguns acontecimentos fazem-nos questionar a actual credibilidade e durabilidade da União Europeia (UE), pelo menos como a conhecemos na sua génese. Uma série de conjecturas têm-se levantado nos últimos tempos, o que nos fazem questionar se a bonita ideia de Europa se vai consolidar. “Ameaça ao Projeto Europeu”, “O Princípio do Fim”, “A queda do sonho Europeu”, foram estes alguns títulos que fui lendo nos últimos tempos e que marcaram grande parte da imprensa nacional e internacional, perante os acontecimentos que ilustraram parte do segundo semestre do ano passado e ao longo deste ano. A UE depara-se actualmente com uma grande vaga de refugiados. Várias opiniões levantam-se no que concerne a esta temática. A imagem de milhares de refugiados e uns tantos corpos no Mar Mediterrâneo está bem presente na nossa mente. É a partir daqui que o projecto europeu começa a dar sinais da sua fragilidade (pelo menos de forma mais evidentes), pois um dos princípios do tratado da UE fica ameaçado – a solidariedade entre Estados Membros. Quantas vezes ouvimos o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, o presidente do Parlamento Europeu Martin Schulz, e alguns dos principais líderes europeus, a dizerem que o problema da vaga de refugiados era um problema não da Grécia, nem da Itália, mas comum a todos os países que fazem parte da UE. Infelizmente as declarações não caíram bem para alguns Estados Membros, e o desagrado traduziu-se no controlo e encerramento das fronteiras, comprometendo uma das principais conquistas e princípios dos tratados europeus – o da livre circulação entre Estados Membros. Negaram-se a colaborar no acolhimento e na integração de refugiados e de novo mais um princípio quebrado: o princípio associado ao sistema comum de asilo. O problema associado à questão dos refugiados e também o agravamento das questões económicas e financeiras levaram a que partidos de extrema direita e antieuropeístas fossem ganhando visibilidade em diferentes Estados Membros nomeadamente França, Áustria, Reino Unido, Hungria, Holanda, Suíça e Dinamarca. O referendo no Reino Unido, que deu lugar ao BREXIT, foi o perfeito exemplo do avanço de partidos eurocéticos e um tanto ou quanto xenófobos. Outro problema erroneamente associado à questão dos refugiados é o dos sucessivos ataques do autodenominado Estado Islâmico (EI). A UE, e os seus líderes parecem não ter uma resposta efectiva ou até mesmo um plano de acção coordenado para combater o avanço do EI. Acontecimentos como os do Bataclã em Paris, atentados no aeroporto de Bruxelas, em Março deste ano, e os atentados em Nice no passado mês ameaçam e enfraquecem o projecto europeu e permitem que a extrema direita se torne mais forte na sua companha populista anti europeia. Tende-se a dizer que existe um cliché em Bruxelas de que a UE precisa de crises para progredir. Eu efectivamente quero acreditar que sim. Pedro Andrade Antigo estudante da UMa
O “Tetris” da Vida Universitária: Vamos jogar?
Poderíamos usar como exemplo jogos mais recentes, como o Pokémon GO, mas optámos por repescar um mais antigo e intemporal, o Tetris – um jogo considerado complexo… Os jogos acompanham a vida de diferentes formas. Neste artigo, servimo-nos de um deles para abordar a caminhada universitária. Poderíamos usar como exemplo jogos mais recentes, como o Pokémon GO, mas optámos por repescar um mais antigo e intemporal, o Tetris – um jogo considerado complexo por requerer a utilização de múltiplos processos cognitivos como a concentração, a coordenação olhos-mãos, a memória, a resolução de problemas, tudo de forma muito rápida. Certamente já o jogaste. Se não o fizeste, sugerimos uma espreitadela ao jogo para perceberes o porquê desta analogia. A capacidade de flexibilização, organização e gestão de tempo são essenciais, permitindo ao jogador avançar para níveis mais desafiantes. Este jogo, pelos seus requisitos e complexidade, bem se assemelha ao que é exigido na vida universitária. Tal como no jogo, o jogador/estudante precisa fazer uso da sua capacidade de organização, desde o início. Requer ainda respostas muito rápidas por parte deste. Não obstante, frustrações/desilusões e derrotas vividas é necessário continuar em jogo, se se quiser vencer, estando aberto para aprender com acertos e erros, ultrapassando as diferentes etapas, tornando-se cada vez mais proficiente na tarefa, desenvolvendo um sentido de mestria. Neste processo, para ultrapassar os diferentes níveis deste “jogo”, o estudante universitário poderá beneficiar do pedir ajuda ou orientação (ex.: no Kit do Estudante Universitário, disponível em scp.uma.pt, poderá encontrar dicas ao nível da gestão da ansiedade, métodos de estudo etc…). Um alerta: Tal como em qualquer outro jogo, a vida universitária requer equilíbrio entre a vida académica e as áreas afins (família, amigos, interesses), implicando um desenvolvimento contínuo que abarque competências técnicas e outras essenciais, como as soft skills (capacidade de comunicação, resolução de problemas, trabalho em equipa…). Deste modo, a vida universitária quando bem “jogada” pode constituir uma oportunidade única de aprendizagens múltiplas. Vontade de realização, dedicação, compromisso, iniciativa e persistência são, imprescindíveis desde o início, tal como o são o definir objetivos S.M.A.R.T (específicos, mensuráveis, alcançáveis, realistas e tangíveis), para que neste jogo se vão superando etapas. Importa não esquecer que “enquanto pensares em trabalhar apenas o necessário para passar nas cadeiras, perdes uma oportunidade de conheceres novas coisas e mais sobre ti próprio” (adaptado de Rosário, Núnez & González-Pienda, 2006). Por tudo isto, aproveita esta oportunidade – joga o “Tetris” da vida universitária, guiado por objetivos desafiantes, que te façam querer ir mais além e subir nos níveis de desenvolvimento pessoal e profissional, ganhando maior flexibilidade, destreza, capacidade de resolução de problemas… Fá-lo logo ao iniciar o “jogo”, gerindo as tarefas e os passos para alcançar os objetivos, não lutando contra o tempo e sendo, assim, o comandante deste teu processo de aprendizagem. Serviço de Consulta Psicológica da UMa (SCP-UMa)
My Cultural Passport
The idea initiated in February, is finally addressed both for tourists and local Madeiran residents in order to better understand the heritage of the island. On the day of June 25, 2016, during the IX Monumental Serenata Académica after the fado concerts and just before the tasting of regional products, at the Colégio dos Jesuítas in Funchal a new project was presented, prepared by the University of Madeira Students’ Union (Associação Académica da Universidade da Madeira): Cultural Passport – Exploring Madeira. The idea initiated in February is finally addressed both for tourists and local Madeiran residents in order to better understand the heritage of the island. AAUMa, acting at the University of Madeira brings together both local student volunteers and also European volunteers staying here for a few months for their projects. I am one of them and I take part in something completely new. I’ve never been till now a tour guide, but I support photographic and graphic projects. With the Cultural Passport, I discovered a knack for computer graphic designing. And although I feel much more confident in the field of photography, I am committed to working with Adobe Illustrator, which I had previously only known the basics, I spent an adequate amount of time learning the program as well as sometimes lose my patience with it. But above all, I really learned a lot. Along with the main graphic designer? of AAUMa – Pedro Pessoa, I was responsible for graphic design and preparation for the production of stamps – symbolizing selected places and attractions associated with the cultural, historical and tourist heritage of Madeira, such as Carreiros do Monte, Casas de Santana, Fajã dos Padres, Grutas de São Vicente, Igreja da Sé, Mercado dos Lavradores, Nau Santa Maria, Palácio de São Lourenço, Piscinas to Porto Moniz, Taberna da Poncha da Serra de Água, Teleférico das Achadas da Cruz and many others. The passport is a kind of travel diary. The aim of the project is to better distribute places and attractions to visit amongst arriving and the native inhabitants of the island. Any visitor equipped with a cultural passport (looked as a classic, but having the logo and fragment of the pattern symbolizing the colours of the traditional Madeiran women’s costume) can by going to various places, collect memorial stamps. Which provide special promotions/discounts for visitors. Above all, this is a unique souvenir. For tourists – a collection of memories from special places and attractions unique to Madeira island, and for the local residents an opportunity to have a better understanding of their homeland. The first Cultural Passport edition has a production run of 10 thousand copies which can be bought, among others, in special AAUMa’s stores – Gaudeamus: in History Tellers (area of Armazém do Mercado), Colégio dos Jesuítas and in the University of Madeira for a nominal fee of 3 euros. The number of places is expected to be continually expanded and updated. Justyna Skiba Students’ Union Polish Volunteer Projecto financed by ERASMUS+.
A análise de conteúdo na investigação qualitativa
As investigações qualitativas, normalmente, produzem quase sempre uma grande quantidade de informação descritiva que precisa de ser organizada e reduzida… A análise de conteúdo assume um papel fulcral na investigação qualitativa. Quivy e Campenhoudt (2005) afirmam que: O lugar ocupado pela análise de conteúdo na investigação social é cada vez maior, nomeadamente porque oferece a possibilidade de tratar de forma metódica informações e testemunhos que apresentam um certo gau de profundidade e de complexidade, como por exemplo, os relatórios de entrevistas pouco diretivas. Melhor do que qualquer outro método de trabalho, a análise de conteúdo (ou pelo menos, algumas das suas variantes) permite, quando incide sobre um material rico e penetrante, satisfazer harmoniosamente as exigências do rigor metodológico e da profundidade inventiva que nem sempre são facilmente inconciliáveis (p. 227). A análise de conteúdo é uma técnica para recolher e analisar o conteúdo de um texto. O conteúdo refere-se a palavras, significados, símbolos, ideias, temas ou qualquer mensagem que pode ser comunicada. O texto é tudo o que é escrito, visual, ou falado que serve como meio para a comunicação. Inclui livros, jornais, ou artigos de revistas, publicidade, discursos, documentos oficiais, filmes ou gravações de vídeo, música, fotografia ou arte. Segundo Bravo (1998), toda a análise qualitativa de dados envolve sempre três dimensões básicas: a teorização (categorização), seleção (codificação) e análise (redução dos dados). Na análise de conteúdo, a ideia central é a de que signos/símbolos/palavras – as unidades de análise – podem organizar-se em categorias concetuais e essas categorias podem representar aspetos de uma teoria que se pretende testar. As investigações qualitativas, normalmente, produzem quase sempre uma grande quantidade de informação descritiva que precisa de ser organizada e reduzida (o que a comunidade científica anglo-americana chama de data reduction), de modo a possibilitar a descrição e interpretação do problema em estudo. Este processo efetua-se por uma operação chamada codificação que vai permitir ao investigador saber o que “contêm” os dados. Na maior parte dos casos a codificação ocorre após a recolha dos dados. Como afirma Wiersma (1995, p. 217) “as categorias emergem dos dados” em que o investigador busca padrões de pensamento ou comportamento, palavras, frases, ou seja, regularidades nos dados que justifiquem uma categorização. De acordo com Alberto Sousa, no processo de análise de conteúdo não há regras pré-estabelecidas para a definição de unidades nem de categorias. Cada análise de conteúdo é distinta de todas as outras, não havendo por isso possibilidade de se definirem critérios universais. As categorias são classes ou agrupamentos de unidades de conteúdo, organizadas em conformidade com as características comuns dessas unidades. As categorias deverão possuir as seguintes qualidades: a) Exclusão mútua; b) Homogeneidade; c) Pertinência; d) Objetividade e fidelidade; e) Produtividade. Como já referimos num artigo anterior, o aparecimento recente de diversos programas de computador (por exemplo o NVivo, o Atlas.ti e o WebQDA,), veio facilitar muito a complicada e demorada tarefa da técnica da análise de conteúdo e, simultaneamente, veio aumentar a fidelidade dos dados. Referências e sugestões de leitura Bardin, L. (2004). Análise de conteúdo (3.ª ed.). Lisboa: Edições 70. Bravo, M. (1998). La metodologia cualitativa. In M. Bravo & L. Eisman (Ed.). Investigacion educativa (pp. 294-288). Sevilha: Edicones Alfar. Wiersma, W. (1995). Research methods in education: An introduction (6th ed.). Thousand Oaks: Pine Forge Press. Quivy, R. & Campenhoudt, L. (2005). Manual de investigação em ciências sociais (4.ª ed.). Lisboa: Gradiva. Sousa, A. (2005). Investigação em educação. Lisboa: Livros Horizonte. António Bento Professor da UMa
Conjuntivo: Um Modo em Desudo
Há alguns anos, num estudo comparativo de relatos históricos, um de Fernão Lopes e outro de Alexandre Herculano, analisou-se a vitalidade do “conjuntivo”. Conjugar verbos é um exercício gramatical primário que não é dominado por muitos adultos. Ouvir uma senhora dizer ao telemóvel “A gente come-se cedo.” é um exemplo significativo. Existem dicionários de conjugações verbais. São instrumentos de consulta preciosos que tiram dúvidas porque ninguém sabe tudo. Quem presta atenção a usos linguísticos quotidianos observa que o modo conjuntivo parece ser menos conhecido e empregue do que o indicativo. Em contextos que o requerem, é substituído. Sucede com “embora” e “talvez”, que exigem esse modo verbal (“Embora saiam esta noite, não vão contigo.”/ “Se queres saber, talvez dêem [“deem” com o último Acordo Ortográfico] um presente à avó.”), mas em que o indicativo vai aparecendo. Poderá significar o desaparecimento progressivo do conjuntivo na linguagem quotidiana? As opiniões divergem. Na década de 90, numa breve investigação, compararam-se os discursos do cronista Fernão Lopes e do historiador Alexandre Herculano para estudar os usos do conjuntivo de ambos, num episódio marcante da História de Portugal. Concluiu-se que as ocorrências de conjuntivo tendiam a diminuir no texto do século XIX. Foi apenas uma brevíssima amostra e a abordagem quantitativa realizada foi simplista. Todavia, a conclusão que se tirou não foi descabida. Pela observação que se vai fazendo, o conjuntivo parece exigir mais esforço aos usuários da língua que o substituem, sem grandes problemas, pelo indicativo. Este processo leva a perdas linguísticas importantes e empobrece o património que constitui a Língua Portuguesa, delapidando-o. Quem sabe conjugar os verbos “sair” e “dar” em todos os modos, tempos e pessoas? 1. Os jovens …………………….. todas as noites. Preencher o espaço com a forma certa: saem / saiem/ saim/ saiam. Solução: Os jovens saem todas as noites. Explicação: As formas verbais de “sair” escrevem-se, ou não, com “i”? Esta vogal ocorre em todas as pessoas, tempos e modos verbais, salvo na terceira pessoa do plural do presente do indicativo (“eles saem”). Se se conjugar no conjuntivo, naquela pessoa gramatical e nas restantes, figura a vogal “i” (“que eles saiam”). 2. Eles que …………………….. o que podem para resolvermos o problema. Preencher o espaço com a forma certa: deiam / dêem/ deem/ dêm. Solução: (Sem o Acordo Ortográfico de 1990) Eles que dêem o que podem para resolvermos o problema. (Com o Acordo Ortográfico de 1990) Eles que deem o que podem para resolvermos o problema. Explicação: O verbo “dar” pode causar dificuldades de conjugação porque há tempos verbais em que a vogal “a” é substituída, dizendo simplesmente, por “e”. É o caso no conjuntivo. A terceira pessoa do plural do presente deste modo verbal é “dêem” (“que eles dêem”), para quem não seguir o Acordo Ortográfico de 1990. Quem escrever segundo aquele Acordo Ortográfico deve retirar o acento circunflexo, mas grafar, duas vezes, a vogal “e” (que eles “deem”). Helena Rebelo Professora da UMa