Sobre a (Des)União Europeia

Nos últimos tempos temos assistido a fenómenos nunca antes imaginados no âmbito do projecto europeu. Alguns acontecimentos fazem-nos questionar a actual credibilidade e durabilidade da União Europeia (UE), pelo menos como a conhecemos na sua génese. Uma série de conjecturas têm-se levantado nos últimos tempos, o que nos fazem questionar se a bonita ideia de Europa se vai consolidar.

“Ameaça ao Projeto Europeu”, “O Princípio do Fim”, “A queda do sonho Europeu”, foram estes alguns títulos que fui lendo nos últimos tempos e que marcaram grande parte da imprensa nacional e internacional, perante os acontecimentos que ilustraram parte do segundo semestre do ano passado e ao longo deste ano.

A UE depara-se actualmente com uma grande vaga de refugiados. Várias opiniões levantam-se no que concerne a esta temática. A imagem de milhares de refugiados e uns tantos corpos no Mar Mediterrâneo está bem presente na nossa mente. É a partir daqui que o projecto europeu começa a dar sinais da sua fragilidade (pelo menos de forma mais evidentes), pois um dos princípios do tratado da UE fica ameaçado – a solidariedade entre Estados Membros. Quantas vezes ouvimos o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, o presidente do Parlamento Europeu Martin Schulz, e alguns dos principais líderes europeus, a dizerem que o problema da vaga de refugiados era um problema não da Grécia, nem da Itália, mas comum a todos os países que fazem parte da UE. Infelizmente as declarações não caíram bem para alguns Estados Membros, e o desagrado traduziu-se no controlo e encerramento das fronteiras, comprometendo uma das principais conquistas e princípios dos tratados europeus – o da livre circulação entre Estados Membros. Negaram-se a colaborar no acolhimento e na integração de refugiados e de novo mais um princípio quebrado: o princípio associado ao sistema comum de asilo.

O problema associado à questão dos refugiados e também o agravamento das questões económicas e financeiras levaram a que partidos de extrema direita e antieuropeístas fossem ganhando visibilidade em diferentes Estados Membros nomeadamente França, Áustria, Reino Unido, Hungria, Holanda, Suíça e Dinamarca.

O referendo no Reino Unido, que deu lugar ao BREXIT, foi o perfeito exemplo do avanço de partidos eurocéticos e um tanto ou quanto xenófobos.

Outro problema erroneamente associado à questão dos refugiados é o dos sucessivos ataques do autodenominado Estado Islâmico (EI). A UE, e os seus líderes parecem não ter uma resposta efectiva ou até mesmo um plano de acção coordenado para combater o avanço do EI. Acontecimentos como os do Bataclã em Paris, atentados no aeroporto de Bruxelas, em Março deste ano, e os atentados em Nice no passado mês ameaçam e enfraquecem o projecto europeu e permitem que a extrema direita se torne mais forte na sua companha populista anti europeia.

Tende-se a dizer que existe um cliché em Bruxelas de que a UE precisa de crises para progredir. Eu efectivamente quero acreditar que sim.

Pedro Andrade
Antigo estudante da UMa

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