O Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior de 2026 terminou com 52.008 estudantes colocados nas três fases, dos quais cerca de 31 mil no ensino universitário e quase 21 mil no ensino politécnico. Segundo os dados do Ministério da Educação, Ciência e Inovação divulgados pelo PÚBLICO, a terceira fase permitiu a entrada de 1168 novos estudantes, aos quais se juntaram cerca de 600 candidatos recolocados. O número de novos ingressos nesta última etapa representa um crescimento de 31,2% relativamente à terceira fase de 2025. No conjunto do concurso, foram colocados mais 6718 estudantes do que no ano anterior, quando o processo terminou com 45.290 colocações.
A terceira fase recebeu 4524 candidaturas, embora apenas 250 tenham correspondido a estudantes que concorreram pela primeira vez este ano. Entre os restantes, 2047 tinham participado nas fases anteriores sem conseguir colocação, 501 tinham sido colocados sem concretizar a matrícula e 1726 já estavam matriculados, tendo decidido procurar outro curso ou instituição. Quanto às preferências dos candidatos admitidos nesta fase, 43,2% conseguiram entrar na primeira opção, 23% na segunda e 33,8% na terceira. As matrículas decorreram entre 18 e 20 de outubro.
Ainda restam 188 vagar por ocupar na UMa
Em todo o país, o Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior apresenta 6710 vagas na 3.ª fase. A UMa divulgou a distribuição de vagas por curso, cujas candidaturas acontecem até quinta-feira.
Novos responsáveis enfrentam cortes e exigências no sector da Ciência
O novo ciclo político na Ciência arranca sob forte contestação, com cortes no financiamento, precariedade crescente e promessas ainda por cumprir.
As instituições disponibilizaram inicialmente 3526 vagas para a última fase, às quais se acrescentaram 638 lugares libertados por candidatos anteriormente colocados e matriculados. Foram ainda criadas “21 vagas adicionais para candidatos sem classificação final”, um mecanismo previsto na regulamentação do concurso. Questionado pelo PÚBLICO, o Ministério explicou que este procedimento “tem sido aplicado há vários anos” e permite acomodar situações de candidatos provenientes de determinados percursos de educação e formação de adultos ou de processos de reconhecimento de competências. O objetivo, esclareceu a tutela, é assegurar que a colocação destes estudantes não prejudica os candidatos provenientes de cursos secundários com classificação final. Em 2025, tinham sido criadas 13 vagas através do mesmo mecanismo.
A taxa global de ocupação das vagas disponibilizadas pelas instituições atingiu 92,5%. Quatro universidades registaram valores superiores a 99%, nomeadamente o ISCTE, a Universidade de Lisboa, a Universidade Nova de Lisboa e a Universidade do Porto. No ensino politécnico, destacaram-se a Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril e a Universidade Técnica do Porto, também com taxas superiores a 99%. Apesar da recuperação da procura, ficaram por preencher 2103 vagas na terceira fase. As áreas de Humanidades e Serviços de Transporte preencheram todos os lugares disponíveis, enquanto Agricultura, Silvicultura e Pescas apresentou uma ocupação de apenas 48,8%. O aumento das colocações surge depois de um ano de forte quebra nas candidaturas e coincide com a recuperação da possibilidade de acesso à generalidade dos cursos através de uma única prova de ingresso, em substituição da exigência mínima de duas provas aplicada em 2025.
Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de Pedro Pessoa.