O anúncio da criação da Universidade de Bragança e do Norte Interior foi recebido com entusiasmo pelas entidades da região, que veem na decisão uma oportunidade para reforçar o desenvolvimento do nordeste transmontano. A notícia da Lusa, dá conta de uma reação amplamente positiva por parte dos autarcas e da própria instituição de ensino superior, que há vários meses defendia esta transformação.
Para a Comunidade Intermunicipal das Terras de Trás-os-Montes, a decisão representa “a cerejinha no topo do bolo” de um conjunto de investimentos realizados no interior. O presidente da estrutura considera que a nova universidade terá uma abrangência que ultrapassa o distrito de Bragança, contribuindo para consolidar “um centro de conhecimento necessário para desenvolvimento efectivo e sustentável do nosso interior”. Na mesma linha, sustenta que a medida constitui um verdadeiro exemplo de coesão territorial, permitindo reforçar a capacidade científica, tecnológica e de inovação da região.
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Também a presidente da Câmara Municipal de Bragança entende que “fez-se justiça”. Isabel Ferreira recorda que o antigo Instituto Politécnico de Bragança apresentava indicadores científicos e académicos comparáveis, ou mesmo superiores, aos de outras instituições que já tinham beneficiado da mudança de estatuto. A autarca, antiga vice-presidente da instituição, destaca ainda o investimento realizado na criação de centros de investigação classificados com excelência, na contratação de investigadores e na diversificação da oferta formativa, fatores que, na sua opinião, justificavam plenamente este reconhecimento.
A transformação foi igualmente acolhida com satisfação pela liderança da própria universidade. Orlando Rodrigues, presidente da Universidade Politécnica de Bragança, afirmou ter recebido o anúncio com “alegria e surpresa”, admitindo que esperava uma decisão apenas mais tarde. Considera que o novo estatuto permitirá aumentar a capacidade de afirmação internacional da instituição, facilitar a captação de financiamento competitivo e atrair mais estudantes e investigadores provenientes do estrangeiro.
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Segundo o responsável, a alteração não implica apenas uma mudança de designação. O processo exigirá a reapreciação da oferta formativa para adequação ao novo enquadramento universitário, trabalho que deverá ficar concluído até ao final do presente ano letivo. Orlando Rodrigues sublinha ainda que a instituição sempre se distinguiu entre os politécnicos portugueses pela sua produção científica e pelo elevado grau de internacionalização, características que, entende, passam agora a ser mais facilmente reconhecidas.
A futura Universidade de Bragança e do Norte Interior surge numa instituição que acolhe cerca de dez mil estudantes, dos quais aproximadamente 30% são internacionais. Para os responsáveis regionais, a nova designação poderá reforçar ainda mais essa capacidade de atração, contribuindo para fixar talento, dinamizar a economia local e consolidar o papel do ensino superior como um dos principais motores de desenvolvimento das regiões do interior.
Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de Leandro Silva.
