O presidente de um painel consultivo do Governo dos Estados Unidos dedicado às vacinas questionou publicamente as recomendações de imunização contra a poliomielite e outras doenças infantis, defendendo que a principal missão desse órgão deve ser a escolha individual e não a proteção coletiva. As declarações foram feitas por Kirk Milhoan, cardiologista pediátrico nomeado para liderar o Comité Consultivo sobre Práticas de Imunização dos Centros de Controlo e Prevenção de Doenças, segundo avançou o PÚBLICO.
Numa entrevista a um podcast, Milhoan argumentou que mudanças nas condições sanitárias e nos riscos atuais de doença deveriam levar a uma reavaliação da necessidade de certas vacinas, sustentando que “o nosso saneamento é diferente” e que isso influencia a decisão de correr ou não o risco de vacinação. Esta posição surge num contexto político marcado por alterações profundas na política de saúde dos Estados Unidos, promovidas pela atual administração, o que tem motivado forte contestação no meio científico.
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As reações não se fizeram esperar. Vários especialistas e associações médicas norte-americanas manifestaram preocupação, alertando que este discurso representa um recuo perigoso na defesa da saúde pública. A Associação Médica Americana classificou estas declarações como alarmantes, sublinhando que a poliomielite continua a circular em várias regiões do mundo e que a vacinação generalizada tem sido essencial para evitar surtos graves, refere o PÚBLICO.
O debate reacende a tensão entre políticas baseadas em evidência científica e discursos centrados na autonomia individual, num país onde os requisitos de vacinação escolar variam entre estados, mas tradicionalmente seguem as recomendações federais. Para muitos especialistas citados pelo PÚBLICO, a desvalorização do consenso científico pode expor crianças a riscos evitáveis e fragilizar décadas de avanços na prevenção de doenças infecciosas.
Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de Raja Imram Bahadr.