A administração de Donald Trump avançou com cortes profundos no financiamento de várias universidades norte-americanas, afetando diretamente a investigação científica, a saúde pública e o ensino superior. A Universidade Johns Hopkins, uma das maiores referências na área da ciência, perdeu 800 milhões de dólares destinados a projetos em parceria com a USAID, o que compromete programas de saúde pública dentro e fora dos Estados Unidos. Além disso, a instituição poderá perder verbas dos Institutos Nacionais de Saúde, colocando em risco centenas de ensaios clínicos em áreas como oncologia, saúde infantil e envelhecimento.
A Universidade de Columbia também foi alvo de sanções financeiras, tendo perdido 400 milhões de dólares. O corte foi justificado com a alegação de que a administração da instituição não teria garantido a segurança dos estudantes judeus durante protestos pró-palestinianos. Em paralelo, um estudante palestiniano foi detido pelas autoridades de imigração e aguarda uma possível deportação. Outras universidades de prestígio, como Harvard, Yale e Stanford, estão sob escrutínio e podem enfrentar cortes semelhantes no futuro.
Universidades americanas unem-se contra a interferência política de Trump
Perante o congelamento de financiamentos e investigações federais, mais de 400 líderes universitários declararam-se contra a “interferência política sem precedentes” da administração Trump, revelou o The New York Times.
Avaliação das parcerias com EUA decorre até 2029
As parcerias científicas entre Portugal e universidades norte-americanas serão avaliadas até 2029, com um novo modelo de governação e foco em
A Universidade do Maine viu igualmente os seus fundos reduzidos depois de a governadora do estado ter recusado implementar um decreto presidencial que exclui atletas transgénero de competições femininas. Como retaliação, o Departamento de Agricultura suspendeu cerca de 30 milhões de dólares em financiamento, afetando setores como a investigação agrícola e programas educativos. Para muitos críticos, esta decisão não é apenas política, mas uma tentativa deliberada de punir estados que desafiam as diretrizes da administração Trump.
O impacto destas medidas poderá ser profundo e duradouro. A redução do financiamento ameaça a inovação científica, enfraquece programas de saúde essenciais e pode prejudicar seriamente a posição dos EUA como líder global em investigação. Além disso, o corte de verbas em universidades de grande prestígio pode desencadear uma crise mais ampla no ensino superior, afetando milhares de estudantes, investigadores e profissionais em diversas áreas.
Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de Tobias Pfeifer.