Albino Oliveira Maia, médico e investigador clínico, questiona no artigo de opinião publicado no jornal Público os custos e os riscos associados ao uso de substâncias psicadélicas, defendendo um foco rigoroso em investigação clínica e científica. Destaca que, enquanto algumas vozes promovem o uso pessoal de psicadélicos como ferramenta de transformação, “os médicos têm o dever de garantir que as novas terapêuticas sejam seguras e eficazes antes de serem recomendadas a doentes em situações de extrema fragilidade”.
O autor sublinha o contraste entre a abordagem científica e a narrativa de uso pessoal, mencionando que, ao contrário de apelos baseados em experiências individuais, “os ensaios clínicos rigorosos revelam lacunas significativas no conhecimento sobre a eficácia e segurança das substâncias psicadélicas”. Este rigor, segundo ele, é essencial para evitar que as pessoas com doenças mentais sejam expostas a riscos desnecessários.
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Além disso, alerta para os perigos da apologia ao uso recreativo ou de desenvolvimento pessoal, afirmando que esta pode desvalorizar as potenciais “verdadeiras catástrofes pessoais” que ocorrem em alguns casos. Para Maia, o debate atual deve refletir lições do passado, quando o uso indiscriminado de psicadélicos levou à interrupção de investigações científicas promissoras.
Por fim, o médico exprime esperança de que as gerações atuais de clínicos e investigadores aprendam com os erros anteriores, reforçando que “não sejam pessoas doentes, e o seu direito à saúde, a pagar o preço do uso pessoal destas substâncias”.
Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de Joshua Coleman.
