Poesia da angústia da primavera à esperança do inverno

A Imprensa Académica lança mais um número da coleção ILUSTRES (DES)CONHECIDOS, dedicado à poesia. TRÊS ESTAÇÕES E UM SOLSTÍCIO, obra inédita de Carlos Nogueira Fino, é a "crónica de uma viagem interior num mundo assolado pela perda, pela saudade e pela pandemia". Dia 15 de dezembro será apresentada, às 18:00, na Quinta do Revoredo, em Santa Cruz.

A coleção ILUSTRES (DES)CONHECIDOS foi criada pela Imprensa Académica com o propósito de tornar acessíveis ao grande público obras e autores do património literário madeirense. O leitor oportunidade de conhecer peças do espólio madeirense, que se relacionam com distintos movimentos da literatura portuguesa, bem como diferentes estilos literários.

TRÊS ESTAÇÕES E UM SOLSTÍCIO de Carlos Nogueira Fino é, depois de FÁBULAS de João Cabral do Nascimento, o segundo volume inteiramente dedicado à poesia. Este é composto por poemas, a maioria deles inéditos, escritos no ano de 2020, nos meses mais difíceis do combate à pandemia de Covid-19.

A obra será apresentada, com o apoio da Câmara Municipal de Santa Cruz, na Quinta do Revoredo, no dia 15 de dezembro, a partir das 18:00.

Entrevistámos o autor, poeta madeirense natural de Évora, distinguido com os prémios Leacock (1987) e Edmundo Bettencourt (1996). Atualmente, Carlos Nogueira Fino é professor catedrático emérito da Faculdade de Ciências Sociais da UMa.

Como foi escrever TRÊS ESTAÇÕES E UM SOLSTÍCIO?

Eu não comecei a escrever um livro com esse título, seguindo um plano pré-determinado, num dia qualquer de março de 2020. Nesse ano, como nos anteriores, fui escrevendo poesia e procurei fazê-lo diariamente. Escrevo desde a adolescência, uns anos mais, outros menos. E 2020 foi um ano mais. Mas só voltei a olhar para os poemas desse ano, meses depois, e encontrei neles uma unidade temática e um fio condutor, que me pareceram óbvios, daí que os tenha preparado para publicação respeitando a sua sequência cronológica.

Dos poemas que integram a obra, qual ou quais destacaria?

O livro é extenso e inclui dezenas de poemas. Não saberia destacar nenhum deles, até porque, de cada vez que releio o conjunto, vou parando mais tempo em páginas que nunca são as mesmas. O que espero, é que os meus (im)prováveis leitores façam as suas escolhas e mudem de opinião se voltarem a ler tudo do princípio.

Portugal é um país onde se lê pouco. Como autor, o que acha que falha?

Do ponto de vista das editoras, esta seria a pergunta de um milhão de euros, à qual, infelizmente, não sei dar resposta. Nem sei se se lê muito ou pouco. O que sei, é que, como leitor, fui tocado muito precocemente, porque na minha casa havia livros, via o meu pai a ler e, no início dos anos sessenta, abriu uma biblioteca fixa da Gulbenkian numa sala do edifício da Câmara Municipal do Funchal, a menos de 1 Km da minha casa, em linha reta. Eu já gostava de livros e nem precisava de ter dinheiro para os comprar para ter uma biblioteca inteira à minha disposição.

Que conselho poderia dar aos jovens que querem escrever poesia?

Das quatro perguntas, esta é a que tem a resposta mais fácil:
a) Leiam poesia. Toda a que puderem de todos os poetas que puderem.
b) Leiam as Cartas A Um jovem Poeta, de Rainer Maria Rilke (existem traduções em PDF na net) e escutem/leiam o poema so you want to be a writer, de Charles Bukowski
c) Escrever poesia é trabalho oficinal: escrevam, escrevam, escrevam. Não há outra maneira de ganhar destreza, habilidade, ou o que que lhe queiram chamar.

Entrevista conduzida por Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia da oficina de Matt (Philadelphia).

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