“Desacreditar” a oposição é reivindicação: um exemplo de muitos

Segunda-feira, 10 de outubro de 2022, ficou marcada por mais um exemplo de heroísmo e denegação à atual diretriz russa. O jornalista e opositor russo, Vladimir Kara-Murza, também coordenador da Fundação Rússia Aberta, foi distinguido com o prémio Václav Havel de Direitos Humanos de 2022, concedido pelo Conselho da Europa.

Em declarações à imprensa, o Presidente da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa (APCE), Tiny Kox, expôs todas as atrocidades a que o distinguido fora exposto. Kara-Murza, “que enfrentou duas tentativas de envenenamento, foi preso e encarcerado em abril de 2022 e foi acusado de traição, entre outras acusações que podem mantê-lo detido por muitos anos”, de acordo com nota do Conselho da Europa (CE).

Face ao seu ativismo, continua preso, acusado de criticar publicamente as autoridades russas no estrangeiro. Ainda na nota do CE, é referido que “o opositor russo foi acusado na passada quinta-feira de “alta traição”, um crime que acarreta duras penas de prisão”.

De relembrar que, em meados de março, a Rússia foi expulsa do CE como resultado da guerra que provocou na Ucrânia e, desde 15 de setembro, que não é membro da Convenção Europeia dos Direitos Humanos. Este ato de condenação não vem apenas do Conselho, como um núcleo meramente político, mas trata-se de um eco do sentimento que muitos povos têm demonstrado, atónitos perante os implacáveis ataques russos ao território ucraniano.

Sublinha ainda a mesma nota, as palavras encorajadoras do presidente da APCE: “É preciso uma coragem incrível na Rússia de hoje para enfrentar o poder”. O prémio foi recebido pela mulher do laureado, Evgenia Kara-Murza, que mora com os três filhos nos Estados Unidos.

De destacar que o prémio Václav Havel de Direitos Humanos foi criado em 2013, e, nos últimos anos tem sido atribuído a condições idênticas àquela pela qual está a passar Kara-Murza. A luta pela liberdade é respeitada e louvada, mas o seu custo é sempre muito alto, sujeitando-se a riscos de punição. Se no ano anterior, o mesmo prémio teria sido entregue a uma opositora bielorrussa, Maria Kolésnikova, há dois anos, se deveu à luta reivindicativa pelo direito da mulher, liderada por Loujain al-Hathoul. Em comum, as três figuras passaram vários dias atrás das grades, por desafiarem os órgãos superiores dos seus Estados. Como consta, o prémio é anual e consiste na entrega de um diploma e complementares 60.000 euros, valor este utilizado geralmente para causas maiores.

A História tem conhecido intermináveis personalidades que viram a sua vida mudar drasticamente, em conformidade com a defesa e mundialização de uma mensagem ou ato que visa o bem-estar coletivo. Este é mais um desses e certamente não será o último. Mas, a verdade é que o seu mérito acaba sendo reconhecido e os preceitos que ambicionam, cada vez mais são perpetuados pelos que vêm em horror estes atos de injustiça contra a dignidade e os direitos humanos.

Luís Ferro
ET AL.
Com fotografia de Michael Parulava.

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