O Oráculo de 2022? Sergei Loznitsa conta-nos tudo…

A bacia hidrográfica de Donbass, localizada no extremo leste da Ucrânia, próximo à fronteira com a Rússia, ganhou protagonismo às mãos de uma guerra entre correntes pró-Ucrânia e pró anexação russa. Neste cenário tão político, seria quase impensável imaginar como a comédia do absurdo.

Sergei Loznitsa, cineasta russo ucraniano, transforma esse espaço degradado num trilho de aventuras curiosas, onde “o grotesco e o dramático estão tão entrelaçados como a vida e a morte”. Donbass surge como o intermediário dessa nova técnica. Mas há muito mais que o realizador nos conta.

Trata-se de uma das duas sugestões desta semana do Screenings Funchal, numa parceria com os Cinemas NOS, e com o apoio da ACADÉMICA DA MADEIRA. Será exibido na sexta, 24 de junho. Os clientes NOS, portadores do seu cartão, se forem acompanhados, têm 2 bilhetes pelo preço de 1. Se forem sozinhos, ao comprar 1 bilhete de cinema, têm a oferta de 1 menu pequeno de pipocas e bebida. Não há, portanto, desculpa para não aproveitar mais um momento de grande cinema que o Screenings Funchal proporciona.

Donbass, é um filme de 2018 que serve de reflexo de uma guerra russo-ucraniana num mundo perdido em fragmentação e falsidade identitária. É através do humor do desconforto que esses cenários, as personagens e outros conteúdos nos são apresentados, sendo que a cada momento choque, precedem-se outros comicidade física.

Filme por muitos considerados como uma premonição inconsciente da situação atual entre a Ucrânia e a Guerra, Donbass é comédia politizada e discursada acusativamente sobre a empatia existente entre políticos corruptos, militares truculentos, policiais ineficazes, religiosos aproveitadores e atores. Trata-se de um testemunho que deixa em incógnita, temas como: a guerra como paz, a propaganda proferida como verdade e o ódio declarado como sendo amor. A vida impregnada de medo e desconfiança. O que é real e o que são notícias falsas?

Retirando uma referência do site de crítica cinematográfica, Adorocinema “Loznitsa é um excelente observador, capaz de encontrar enquadramentos belos, inesperados e funcionais ao mesmo tempo – vide a cena final –, além de filmar grandes grupos de personagem como ninguém. Mas neste caso, a ousadia gira em falso, anuncia-se com um alarde que não se concretiza plenamente. Além disso, soa hermética para o público não eslavo em virtude da especificidade das referências históricas e políticas.”.

Desta forma e utilizando o negativo grau de influência que o atual conflito na Europa Leste está a deixar mundialmente, apela-se à visualização deste filme porque é segundo o Washington Post “é sobre todos e cada um de nós. “Não há outro filme antiguerra como Donbass.”.

Antecipa o teu lugar, vendo a antevisão e recolhendo mais informações aqui.

Luís Ferro
ET AL.

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