Projeto Greening the Curriculum: metade do lixo são beatas de cigarro

No âmbito do projeto Greening the Curriculum da ACADÉMICA DA MADEIRA, financiado pelo Programa de Inovação e Transformação Social (PRINT) da Direção Regional da Juventude (DRJ), e em cooperação com o Programa Eco-Escolas do Politécnico da Universidade da Madeira e contando com o apoio logístico do Departamento de Ambiente da Câmara Municipal do Funchal, decorreram, nos dias 13 e 14 de outubro de 2020, com a participação de 224 voluntários, ações de limpeza no Campus da Penteada e sua envolvente.

Com o objetivo de sensibilizar a Comunidade Académica para a deposição correta dos resíduos, e procurando recolher dados sobre a sua caracterização, as ações de limpeza resultaram na recolha de 138 quilos de lixo, não deixando de ser um valor surpreendente na medida em que, na sua grande maioria, estivemos perante resíduos leves e de pequena dimensão, como são as beatas de cigarro, lenços de papel e plásticos diversos. Efetivamente, foram recolhidos mais de 12 mil itens (resíduos individualizados), resultando que, em média, cada resíduo recolhido possuía menos de 12 gramas, sendo que mais de metade desses itens foram beatas de cigarro (6274 beatas).

Embora o aspeto mais importante desta iniciativa tenha sido a elevada participação dos alunos e a forma como se empenharam, já que a recolha destes resíduos minúsculos constitui um desafio de difícil execução, revelando-se uma atividade extenuante, os dados revelados pela caracterização efetuada pelos participantes demonstram uma realidade para a qual é necessário alertar a sociedade: a forma como os pequenos fragmentos de materiais não biodegradáveis estão a se entranhar no ambiente que nos circunda. À semelhança do que se passa no meio marinho, os ecossistemas terrestres também se vêm ameaçados por fragmentos de plástico cada vez mais pequenos, originários de resíduos abandonados ao longo do tempo, os quais, pela sua dimensão, são de difícil remoção e começam a ser demasiado frequentes na camada superior do solo e nos cursos de água. Por isso, limpar é apenas uma tentativa de minimizar e alertar para o problema, sendo o mais importante educar para não sujar; o apelo que fica desta iniciativa.

Hélder Spínola
Docente da UMa

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