À conversa com Rui Alves

O Clube Desportivo Nacional surgiu como Nacional Sport Grupo, a 8 de Dezembro de 1910, com os objectivos de fomentar a actividade desportiva, promover a educação intelectual dos seus associados e, de acordo com os primeiros estatutos, conservar e desenvolver a sua biblioteca e o seu gabinete de leitura.

Ao longo do seu primeiro século de vida o Nacional viu surgir diferentes grupos de apoio, diversos atletas medalhados e detentores de recordes nacionais e internacionais e, na modalidade rainha, a presença, por cinco ocasiões, nas Competições Europeias.

Numa época em que os desafios são inúmeros deixamos as respostas de Rui Alves, presidente da Direcção do Nacional, às questões colocadas pelos estudantes da UMa.

Quais são as suas perspectivas, enquanto presidente, para o Nacional?
As minhas perspectivas para o Nacional enquanto instituição desportiva passam por consolidar o desenvolvimento das diferentes actividades desportivas do clube proporcionando, a todo o seu envolvimento social, resultados quer desportivos quer formativos. As actividades desportivas têm que ser vistas em duas dimensões, naquilo que é o desporto na sua forma mais expressiva: competir e formar.

Quais os principais desafios que terão que ultrapassar?
Os principais desafios que neste momento, a meu ver, se põem ao desenvolvimento desportivo tendo por base que, para chegarmos a este ponto foi necessário uma estrutura capaz de desenvolver as diferentes actividades, é o confronto com a parte económica do desporto e aí os tempos presentes e os futuros, sobretudo para uma instituição de uma região que vive uma relação permanente com a política desportiva que é implementada a nível regional, revelam alguma incerteza no desenvolvimento e na projecção de alguns projectos.

O desafio é conseguir resistir e enquadrar o desenvolvimento desportivo que a instituição pretende e a sua ambição com essa realidade, com a realidade económica presente.

Poderá o futuro da equipa sénior passar pelos jogadores da formação?
É necessário ter em atenção que desenvolvemos todo um trabalho na formação por razões sociais e também por razões desportivas relacionadas com a própria economia do desporto. Neste sentido, temos que entender que o futebol tem uma parte económica importante ao nível do patamar superior do futebol, no escalão sénior, e se for possível que muitos atletas da formação consigam chegar a esse patamar teremos um resultado duplo. Por um lado, há uma ligação mais forte ao projecto do clube por parte dos formados e, por outro lado, são jogadores que terão, face ao seu valor, um custo bastante inferior para o clube. Temos que ter, no entanto, consciência das limitações que a região tem do ponto de vista da produção de jogadores, porque o número de praticantes, comparado com outras regiões, torna difícil que cheguem muitos jogadores a este patamar. Mas sabemos que o futuro não passará por uma diferença muito grande daquilo que existe, porque a busca de atletas da formação que possam chegar ao patamar superior já existe há muito tempo e os projectos têm sempre sido desenvolvidos nessa base. As limitações vão continuar a ser as que até então se verificaram. Não se perspectiva grande alteração de fundo. Vamos ter aqueles que forem possíveis.

Que figura nacionalista, ao longo da história do clube, mais o marcou e porquê?
Naturalmente que a figura de referência que, enquanto mais novo, me fez sentir o clube de uma forma especial foi o anterior presidente, o Dr. Nélio Mendonça. Naturalmente, o Nacional enquanto clube centenário teve um percurso de alguma estabilidade directiva. Não é um clube que tenha tido muitas lideranças face ao tempo de vida mas, de facto, fiquei mais ligado a acompanhar a liderança do Dr. Nélio Mendonça e alguns aspectos relacionados com alguma serenidade institucional, sobretudo do ponto de vista nível interno, que eram marcas dessa liderança, que foram sentidas por mim como muito importantes na vivência da instituição.

Marcos Nascimento
Alumni

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