Dia Nacional do Estudante

“Melhor Ensino, Menos Polícias. Menos espingardas, quartéis, repressão.” Isto exigiam os estudantes universitários no princípio de Março de 1962.

Meses antes Santos Júnior, Ministro do Interior, havia ameaçado as AE’s com a PIDE em caso de insurreição. Entre 3 e 4 de Fevereiro, na Associação de Económicas de Lisboa criou-se o Secretariado Nacional para representar os universitários portugueses e marcou-se o I Encontro Nacional, em Coimbra.

A 28 de Fevereiro o Via Latina anunciou o programa do Encontro, entre 9 e 11 de Março, mas o movimento foi proibido, a 2 de Março, por notificação da Direcção da Académica de Coimbra pelo Comando da PSP. A Direcção chegou a pedir uma audiência a Lopes de Almeida, Ministro da Educação, seguindo para Lisboa para juntar-se à Reuniões-Inter-Associações, face à gravidade da situação. O Ministro recusou a audiência e a reunião foi tensa e cheia de ameaças.

A 9 de Março, Lisboa e Coimbra viram a polícia a barrar autocarros cheios de estudantes que se deslocavam ao I Encontro Nacional. A contenda foi particularmente forte em Coimbra e a Crise teve início, com as autoridades a encerrarem a sede da Académica de Coimbra. Nos meses seguintes, vários estudantes foram expulsos das universidades e outros tantos acabarem encarcerados.

Que estudante hoje faria este tipo de sacrifício por um bem maior? Algo se perdeu com o tempo…

Carlos Diogo Pereira
Alumnus da UMa

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