Torna-te um activista!

Quando a Amnistia Internacional completa 50 anos de existência, fazemos-te o mesmo apelo feito pelo fundador do movimento, em 1961: vem defender os Direitos Humanos de activistas que, em várias partes do mundo, ousaram fazer a diferença.

Corria o ano de 1960 quando dois jovens estudantes portugueses foram presos – imagine-se – por ousarem brindar à liberdade. Um crime segundo o regime de Salazar. Hoje, felizmente, podemos gozar das liberdades de expressão e opinião, mas o mesmo não acontece em vários países do mundo. Que o diga o estudante de História Jabbar Savalan, de 20 anos, do Azerbaijão. Foi preso em Fevereiro deste ano e cumpre pena de prisão de dois anos e meio por ter escrito um artigo onde chamava corrupto ao Presidente do país, Ilham Aliyev. O documento foi publicado no Facebook de Jabbar e num jornal. Que o diga também Filep Karma, que aos 52 anos está a cumprir uma pena de 15 anos de prisão por, numa cerimónia, hastear a bandeira da independência da província indonésia de Papua, onde vive. Tudo aconteceu em 2004, quando foi acusado de “rebelião”.

Dois casos, entre muitos outros que podíamos referir, que estão neste momento a ser seguidos pelos investigadores da Amnistia Internacional.

Voltando ao ano de 1960, refira-se que a história que contámos inspirou o fundador da Amnistia Internacional, Peter Benenson, que na altura era já advogado. Viajava de metro quando leu a notícia sobre a prisão dos dois jovens portugueses, no jornal britânico Daily Telegraph. Indignou-se e decidiu que era altura de deixar de cruzar os braços perante as injustiças com que se deparava. Menos de um ano depois, a 28 de Maio de 1961, o jovem Peter lançava um “Apelo para uma Amnistia” no jornal The Observer. Nele pedia a todos os leitores para, durante um ano, escreverem cartas pedindo às autoridades a libertação de seis prisioneiros políticos: Constatin Noica, detido na Roménia; Ashton Jones, nos Estados Unidos da América; Agostinho Neto, angolano (na altura Angola era ainda uma colónia portuguesa); Beran de Praga, mantido preso pelos checos; Toni Ambatielos, da Grécia; e Mindszenty, refugiado político na Hungria. Um movimento global que esteve na origem da Amnistia Internacional.

Tudo isto aconteceu há 50 anos e hoje continua no cerne do trabalho da organização o envio de apelos em nome de pessoas cujos Direitos Humanos foram, ou são, violados. Uma acção que é feita durante todo o ano pelos nossos milhares de membros, apoiantes e activistas, de todo o mundo. Um trabalho que culmina, todos os anos, naquilo a que se chama a Maratona de Cartas, que se realiza em torno do dia 10 de Dezembro, Dia Internacional dos Direitos Humanos, e que este ano decorre entre 3 e 17 de Dezembro. O objectivo é, durante estes dias, serem enviados, massivamente, de todo o mundo, apelos em nome de diversas pessoas. No ano passado foram enviados mais de 636 mil apelos, de 51 países. Este ano queremos chegar ainda mais longe e, para isso, precisamos de ti. Organiza na tua Faculdade, no teu emprego, ou mesmo em tua casa uma Maratona de Cartas. É muito simples e para as vítimas de violações aos Direitos Humanos faz toda a diferença. Sabe o que podes fazer escrevendo para boletim@amnistia-internacional.pt. Contamos contigo!

Cátia Silva
Coordenadora Editorial
Amnistia Internacional Portugal

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