Perspectiva de género

Sabemos que o género condiciona de forma importante a saúde de homens e mulheres em geral e a sua relação com as substâncias psicoactivas (SPA), o que resulta não só de diferenças biológicas mas também de diferenças de género. Enquanto o sexo refere-se às diferenças biológicas que distinguem o homem e a mulher, o género reporta-se ao modo como as relações entre ambos vão sendo construídas socialmente.

Nos últimos anos, a investigação realizada tem demonstrado e ajudado a compreender que existem diferenças para muitos aspectos associados com a toxicodependência, no que aos homens e a mulheres concerne.

Os resultados de estudos nacionais e europeus alcançados apontam para prevalências do uso de SPA, problemas decorrentes, mortes relacionadas e consequências sociais, que diferem substancialmente entre géneros.

A nível nacional e de acordo com os resultados do Inquérito Nacional ao consumo de SPA na população em geral, 2007, os consumos de SPA são mais elevados nos homens. Mencionam que a declaração da experiência de consumo de qualquer substância ilícita é maioritariamente masculina. Ao analisarmos estes consumos por idades ao nível do género, encontram-se diferenças significativas nos consumos dos indivíduos do sexo feminino e masculino.

Também os consumos de substâncias lícitas (tabaco, álcool e medicamentos) ao longo da vida, diferem substancialmente, verificando-se um consumo superior nos homens no que ao álcool e tabaco diz respeito, no entanto em relação aos medicamentos, o consumo é claramente feminino.

A perspectiva de género permite compreender as relações específicas que homens e mulheres mantêm com as drogas, as suas semelhanças e diferenças.

São múltiplos os motivos que justificam a relevância de se abordar a prevenção das toxicodependências, com enfoque de género, nomeadamente: as motivações para iniciar-se ou manter-se no consumo das drogas nem sempre coincidem; nem todos os factores de protecção têm o mesmo impacto ou exercem a mesma influência; a dependência segue uma trajectória diferente; as consequências derivadas do consumo são distintas entre homens e mulheres e existem diferenças biológicas, psicológicas, sociais e culturais (Sánchez Pardo, L. et al., 2008). Parece então, ser necessário a adaptação de respostas, de estratégias e instrumentos a diversas realidades.

Abordar os consumos de drogas e as toxicodependências desde uma perspectiva de género pressupõe ter presente a singularidades e diferenças de género, assim como os vários factores que estão relacionados.

Compreender estas diferenças e incorporá-las na prevenção e tratamento das toxicodependências, permite eliminar as desigualdades que o género estabelece no momento de aceder aos serviços, recursos assistenciais e preventivos, reduzir riscos e contribuir para ganhos em saúde.

Teresa Dias
Enfermeira do Instituto de Administração da Saúde e Assuntos Sociais, IP – RAM / Serviço de Prevenção de Toxicodependência

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