A minha infância

Tive uma infância como qualquer outra criança que vive à face da Terra. Cedo comecei a andar de uma lado para o outro, segundo me contaram dos meus primeiros 4 anos de existência. A minha vida foi um corrupio entre o Funchal e Machico e vice-versa.

Aos meus 7 anos a minha avó, que responsável por mim, faleceu e fui colocado na Aldeia do Padre Américo. Nesta instituição aprendi a lavar, a cozinhar, a passar a ferro, a cuidar dos campos e muitas mais destas tarefas que os jovens que por não lá passam acham muito estranhas. Sem falta de modéstia, foram os melhores anos da minha vida.

Lá, na Aldeia do Padre Américo, aprendi a respeitar todos e cada um na sua forma de estar e de ser. Fiz grandes amigos e ainda hoje nos encontramos e falamos dos tempos em que vivemos na Quinta (a Aldeia do Padre Américo). Muitas vezes as saudades nos falam mais alto.

Fiz também a minha escola primária nesses tempos, conciliando–a com os trabalhos do campo. Tínhamos tempo para tudo. No fim desses anos passados fui para os Açores, para outra casa do mesmo padre (o Padre Américo) e aí completei o 6.º ano de Escolaridade. A minha vida manteve-se lá e aprendi, entre outras coisas, a fazer pão.

Hoje em dia o que me causa grande tristeza é passar pela Quinta e encontrar quase ao abandono as terras e o resto (digo eu, porque é a minha forma de ver). No nosso tempo era tudo cultivado e arranjado e tínhamos amor à nossa Quinta. Cuidávamos do nosso pedaço de terra como se fosse a nossa casa.

Tínhamos as nossas regras como em nossas casas, havia horas para tudo e mais alguma coisa. Hoje as coisas são feitas de outra forma. Já não há aquele espírito de entreajuda porque os tempos também são outros. Os jovens agora têm outras ocupações.

Hoje em dia, com a minha idade, tenho muitas saudades da minha Quinta e não me importava de voltar para lá. Mesmo com o frio que se sente por lá, não me importava nada de regressar.

Fazíamos as nossas caminhadas entre a Aldeia do Padre Américo e os Reis Magos, para fazermos praia. Subíamos e descíamos, e subíamos a pé. Fazíamos praia uma vez por semana. Também tínhamos o nosso passeio, no dia 13 de Maio, que dava a volta à ilha. Assim se faz e assim se fez parte da minha história vivida na casa de que hoje falo e da qual me lembro com muita saudade.

Bem-haja a todos.

Agostinho Pereira
Funcionário da Universidade da Madeira

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