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Seguro pede que ensino superior volte a funcionar como elevador social

Seguro pede que ensino superior volte a funcionar como elevador social

Presidente da República alerta para a sub-representação dos estudantes mais pobres nas universidades e defende financiamento, políticas duradouras e melhores salários para os jovens qualificados.
Intervenção na Sessão solene de abertura do Ano Académico 2026-2027 da Universidade de Lisboa. Imagem de Ana Rocha Nené / Presidência da República.

António José Seguro escolheu a desigualdade no acesso como uma das principais preocupações do seu discurso de abertura do ano académico da Universidade de Lisboa. O Presidente da República recordou que apenas 3% dos estudantes colocados no ensino superior eram beneficiários do escalão A da ação social. “A universidade deve ser um elevador social. Mas um elevador que só apanha 3% de quem precisa de subir não é um verdadeiro elevador. Assemelha-se mais a uma escada apenas para quem já tem força para a subir”, afirmou. Para Seguro, a desigualdade começa muito antes da chegada à universidade e condiciona os percursos escolares. “Não podemos aceitar que o lugar onde se nasce determine o lugar onde se pode chegar.”

Os resultados do PISA 2025 serviram também de ponto de partida para uma reflexão sobre a educação. Seguro reconheceu que “a deterioração dos resultados em Leitura e Matemática atravessa a maioria dos países da OCDE”, sem desvalorizar a situação portuguesa. “É um recuo sério que merece reflexão séria e ação”, afirmou, defendendo maior capacidade de organização, financiamento e continuidade das políticas públicas. O Presidente considerou ainda que “o problema não é a falta de vontade de aprender” e identificou a desigualdade socioeconómica como um dos fatores que continuam a pesar mais em Portugal do que noutros países da OCDE.

O chefe de Estado deixou também uma crítica à polarização do debate educativo. “Quando a discussão pública sobre educação se organiza em torno de dois campos que se acusam mutuamente de todos os males, os alunos ficam exatamente onde estão. A política desgasta-se. E o problema permanece”, afirmou. Seguro rejeitou uma discussão centrada entre o regresso a modelos anteriores e a desvalorização do presente, defendendo antes “uma voz que critique o que está mal, e há muito que está mal, mas que construa a alternativa, não a nostalgia”.

Numa intervenção dirigida também aos estudantes, Seguro falou sobre o significado da formação superior num período de transformação tecnológica. “A Inteligência Artificial pode responder. Mas não pode querer. Não pode questionar por vós. Não pode decidir o que é importante”, afirmou. No encerramento, associou a qualificação às condições oferecidas pelo país aos seus diplomados, lembrando que muitos jovens continuam a emigrar. “Melhor qualificação tem, obrigatoriamente, significar melhor remuneração”, defendeu, acrescentando que Portugal será mais forte quando conseguir que o conhecimento e as competências dos jovens sejam aplicados no próprio país.

Luís Eduardo Nicolau
Com Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de Ana Rocha Nené / Presidência da República.

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